A indústria de pesticidas cresceu com o processo de modernização da agricultura global que ocorreu nos últimos 30 anos. Em termos de base técnica, a indústria de agrotóxicos caracteriza-se atualmente como parte da indústria de química fina. Pelo contrário, novas empresas entraram nos segmentos finais, focadas na produção de defensivos genéricos.
TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS DA INDÚSTRIA DE DEFENSIVOS
Evolução Recente da Indústria Mundial
Características Estruturais da Indústria Mundial
Estratégias Empresariais
Experiências Internacionais em Países Selecionados - Japão, Itália e Espanha
Conclusões
COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE DEFENSIVOS
Evolução da Demanda por Defensivos
Os dados sobre o mercado brasileiro de agrotóxicos apresentados na Tabela 1 (Capítulo 1) mostram a recuperação do mercado entre 1983-87 em relação ao período de recessão 1981-84. A análise do comportamento do mercado entre os períodos 1971-1981 e 1982-1989 mostra que, com excepção dos acaricidas e fungicidas, houve uma diminuição das taxas geométricas de crescimento anual em todos os submercados, embora todos os valores tenham permanecido inalterados. A reviravolta nas taxas de crescimento do mercado também pode ser atribuída ao fato de que um limite para uso generalizado foi atingido no Brasil.
A estrutura do mercado brasileiro é semelhante à de países com agricultura extensiva e modernizada (EUA, por exemplo), devido à importância dos herbicidas no mercado global, algo em torno de 50%. O baixo consumo de herbicidas pelas culturas de milho, diferentemente do mercado mundial, tem limitado a distribuição nacional de produtos específicos para esta cultura. A atual situação econômica da agropecuária tende a reduzir drasticamente o tamanho deste segmento e consequentemente do mercado de fungicidas.
Espera-se um aumento no mercado de inseticidas e fungicidas devido ao desenvolvimento da fruticultura tropical e dos herbicidas no milho, cultura que incorporou tecnologias mais modernas. No entanto, a significativa segmentação do mercado é uma das explicações para o comportamento diferente das empresas no mercado: há empresas que actuam em todos os submercados, bem como aquelas que importam produtos técnicos apenas se concentram num único segmento do mercado. mercado. Mercado.
Desempenho da Indústria
Isso resultou em 46% dos princípios ativos e produtos intermediários consumidos no Brasil serem de origem nacional em 1988. Em termos gerais, a tabela confirma a relevância do investimento na produção de princípios ativos encontrados no Brasil. Em termos de comércio exterior, as importações da indústria de agrotóxicos parecem ter quase duplicado de valor ao longo dos chamados “anos da química fina” brasileiros.
As importações de produtos formulados foram insignificantes durante toda a década (aumentaram alegadamente na década de 1990, de acordo com entrevistas), mas a percentagem das importações totais representou, em média, mais de 30% das receitas da indústria ao longo da década de 1980. Em 1985, porém, a diferença entre o valor da importação de substâncias activas e de matérias-primas e meios auxiliares (leia-se intermediários) representava 18,2%. Quanto às exportações, a sua participação aumentou na década de 1980 e ascende a cerca de 11%, um coeficiente muito inferior aos padrões industriais internacionais.
Ressalta-se que os dados estão superestimados porque não separam as reexportações de princípios ativos não vendidos (por exemplo, Tilt formulado pela Ciba reexportado para a Suíça) das exportações destinadas aos mercados consumidores ou mesmo às subsidiárias, que não produzem o ingrediente ativo (ver Futino e Silveira, 1991). A forma como a produção de princípios ativos foi adquirida no Brasil delineou uma estrutura de mercado muito semelhante à internacional.
Estratégias Empresariais
Há também empresas (Ciba Geigy e Rhodia) que conseguiram diversificar sua linha de produtos oferecendo formulações com boa distribuição nos três segmentos. Uma empresa pode se especializar para reduzir custos com esforços de vendas e desenvolvimento de produtos. Quanto mais empresas especializadas existirem no mercado, maior será a probabilidade de procurarem formas de controlar segmentos específicos e, assim, manterem um elevado impulso no lançamento de produtos.
A única exceção veio de uma estratégia de diversificação na vanguarda da indústria petroquímica, que tardiamente - e já num contexto muito desfavorável do ponto de vista competitivo (de maior abertura ao exterior) - tentou integrar-se na “borda” , por meio de associações com empresas nacionais com boa capacidade de distribuição de produtos. Essa estratégia foca em acordos de distribuição de produtos de grandes empresas que também podem incluir novos mixes e formulações. Ainda dentro da segunda estratégia, caberia a hipótese de que as empresas não buscariam copiar produtos ainda sob proteção de patente, mas genéricos que a experiência de mercado mostrou como difíceis de substituir de acordo com os parâmetros econômicos que determinam o consumo da agricultura brasileira.
A comunicação é acelerada, os conflitos causados pela disfuncionalidade entre hierarquia e tarefas são reduzidos e o processo de tomada de decisão é acelerado, o que se refere principalmente à composição da linha de produtos da empresa em cada submercado. É importante ressaltar que o sucesso/fracasso desse tipo de estratégia depende da coincidência entre a linha de produtos da empresa e o rumo temporário tomado pelo mercado.
Influência dos Fatores Sistêmicos sobre o Desempenho da Indústria
Isso resultou no lançamento de novos produtos importados e no aumento da importação de produtos técnicos e até mesmo formulados. A escolha dos principais produtos (em 1988 eram 51, e no início de 1989 toda a linha de produtos) recaiu sobre o problema da obsolescência. É claro que empresas que não possuem novos produtos podem ser excluídas abruptamente do mercado, mesmo que não tenham conseguido amortizar os investimentos em aquisição tecnológica, capital fixo e registro de produtos.
Basta pensar na lista de produtos de 1934 para se ter uma ideia da gravidade da situação22. Outro aspecto introduzido pela legislação que afeta as decisões empresariais quanto à gama de produtos oferecidos diz respeito ao prazo para introdução do produto. A avaliação de novos produtos pelas autoridades reguladoras demora entre 2 e 3 anos, o que significa um total de 5 anos antes de um produto ser lançado localmente.
A intensificação da regulação das atividades da indústria estudada afeta diretamente as decisões das empresas sobre a venda de produtos, uma vez que o aumento do custo de obtenção de registro viabiliza, em termos econômicos, apenas produtos destinados a mercados com maiores volumes de vendas. influenciar a gama de produtos e, portanto, as estratégias competitivas, que nesta indústria estão diretamente ligadas ao perfil dos produtos oferecidos. Em síntese, o aumento dos custos e o prolongamento do período de introdução dos produtos no mercado local tendem a tornar o processo de tomada de decisão das empresas mais criterioso, não só em termos de produção local, mas também em relação às importações.
Oportunidades e Obstáculos à Competitividade
Em termos de política tarifária, as pequenas empresas, mais focadas na importação de princípios activos, são favorecidas com uma redução geral das tarifas e mantendo-as apenas para alguns ingredientes produzidos internamente. Em termos de política ambiental, as pequenas empresas estão interessadas em legislação que aceite dados internacionais (incluindo eu) como fonte para preparar procedimentos de registo e recadastramento de produtos. É importante para os dirigentes que esses dados sejam considerados de sua propriedade exclusiva, um segredo industrial.
Finalmente, existe uma divergência total entre os líderes nacionais e as empresas sobre a mudança do sistema de propriedade intelectual. O direito de solicitar o depósito de patentes sem produção local e o reconhecimento de patentes para produtos já comercializados no mercado significa bloquear estratégias de cópia, embora o número de casos de sucesso no passado tenha sido muito limitado. Não devemos esquecer que nos últimos anos não tem havido uma certa solidariedade de interesses entre representantes da indústria química e da agricultura nacionais no que diz respeito à formulação da política de pesticidas.
A tabela abaixo resume os fatores favoráveis e desfavoráveis para a produção local (versus importações) de empresas líderes, tomando os EUA como referência. Tranquilidade quanto à disponibilidade de moeda estrangeira Base regional de exportação Proteção de um grande mercado Risco de perda de direitos de propriedade.
PROPOSIÇÕES DE POLÍTICAS
Políticas de Reestruturação Setorial
A natureza de uma pequena empresa independente, por vezes familiar (fortemente identificada com a pessoa do fundador) e a sua dimensão desproporcional face aos seus concorrentes diretos, as divisões agroquímicas das grandes empresas químicas, tornam muito difícil qualquer política de reestruturação do segmento nacional . Não devemos esquecer que a reestruturação do setor petroquímico e o papel da Petroquisa no final do processo de reestruturação poderão criar um novo cenário para o estabelecimento de políticas.
Políticas de Modernização Produtiva
Em geral, devem ser incentivadas novas utilizações com o objectivo de aumentar a eficiência, especialmente no caso de produtos de volume ultrabaixo. A questão da qualidade das embalagens merece atenção, principalmente no que diz respeito aos procedimentos adotados após o uso; por exemplo. uma política de incentivos à criação de centros de recepção de embalagens que passarão por formas de tratamento que visam evitar a poluição ambiental.
Políticas Relacionadas aos Fatores Sistêmicos
A adaptação da legislação às condições locais, que visa acelerar o processo de registo, é consistente com os esforços de integração regional no âmbito do Mercosul. Mais uma vez, é importante garantir a coordenação das políticas nos países envolvidos, inclusive evitando a instalação de bases para a produção de agrotóxicos de qualidade inferior no Brasil, que, embora destinados à exportação para países vizinhos, também acabam no mercado interno. mercado.
INDICADORES DE COMPETITIVIDADE
APRESENTAÇÃO DE NOVOS PRODUTOS POR SUBMERCADOS E CLASSE DE TAMANHO DE EMPRESAS DEFENSIVAS. DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS CUSTOS E DESPESAS NAS ATIVIDADES DE P&D NA INDÚSTRIA DE PESTICIDAS AGRÍCOLAS. As empresas fornecem matérias-primas para a síntese de produtos técnicos através de uma combinação dos seus próprios intermediários (internos ou não) e de outras empresas.
A importância das atividades de vendas (marketing, assistência técnica e distribuição) reflete-se em duas grandes práticas: a comercialização de produtos de terceiros e a prática de licenciamento. O desenvolvimento do produto é fortemente determinado pelas características da agricultura de cada país e região num determinado momento. A questão tecnológica ocupa lugar de destaque na compreensão da dinâmica da indústria de defensivos agrícolas.
A cópia permitiu que empresas menores sediadas em países que não reconheciam patentes de produtos sobrevivessem e crescessem. Como resultado, uma empresa que não possui produtos-chave para os segmentos-chave mencionados terá um desempenho de mercado muito limitado. As empresas nacionais ficam com os 20% restantes e têm como importante característica a oferta de produtos genéricos que normalmente competem com produtos concorrentes por espaço no mercado.
A prática dos agricultores em manter a taxa de participação dos pesticidas nos custos totais de produção, juntamente com as limitações relativas às técnicas de aplicação de pesticidas utilizadas, é o principal obstáculo à introdução de novos produtos. A identificação de produtos genéricos com um pequeno número de produtores globais justifica políticas de promoção da produção local.