INSTITUTO DE ESTUDOS DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - IEDI CENTRO DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA - NACIT/UFBA.
TENDÊNCIAS INTERNACIONAIS
Características Estruturais e Tecnológicas do Setor
A característica estrutural básica da indústria do vestuário é a grande heterogeneidade das unidades produtivas, ou seja, a escala das fábricas do setor varia muito. A tendência nos países desenvolvidos vai no sentido da redução do número de fábricas, o que é, entre outras coisas, um reflexo da deslocalização das actividades produtivas para os países em desenvolvimento. A participação do sector no valor acrescentado no total da indústria transformadora também diminuiu na década de 1980 em países como os EUA, a Alemanha Ocidental e o Japão.
A indústria do vestuário apresenta um “gargalo tecnológico” que ainda não foi superado na fase de montagem (ou costura) das peças que compõem o produto final. Na verdade, os problemas com o manuseio da matéria-prima – tecido – e a existência de uma grande variedade de texturas colocam sérios obstáculos à automatização da etapa de montagem das peças. Outra vantagem importante desses sistemas é o aumento de velocidade na etapa de criação, especificação técnica de peças e modelagem de diversos tamanhos para serem produzidas a partir de um mesmo projeto original.
Porém, a etapa de montagem – que concentra a maior parte do trabalho utilizado (80%) – ainda utiliza máquinas de costura que mantêm basicamente o mesmo design dos primeiros modelos utilizados, apesar das melhorias relacionadas à microeletrônica nelas introduzidas. Dois grandes projetos de pesquisa realizados nos EUA e no Japão ilustram tentativas de desenvolvimento de equipamentos que permitam a automação total da fase de montagem.
Comércio Internacional
Na ausência de inovação tecnológica capaz de alterar fundamentalmente as formas de produção dentro da fase de produção intensiva em mão-de-obra, os países desenvolvidos não apresentavam uma lacuna tecnológica relevante a este respeito. Desta forma, foram preservadas as vantagens derivadas do baixo custo da mão de obra e do fácil acesso a tecnologias já difundidas, que beneficiaram, em termos relativos, determinados grupos de países em desenvolvimento. As formas de reacção dos países desenvolvidos a esta situação do comércio internacional referiram-se à manutenção de condições proteccionistas, ao desenvolvimento de novas técnicas em termos de organização e qualidade, e à crescente diferenciação dos produtos.
Através do MNE, os países desenvolvidos estabelecem quotas de importação por categoria de produtos têxteis e de vestuário para exportação dos países em desenvolvimento. É interessante notar que o acordo teve mais sucesso no que diz respeito aos produtos têxteis: os países desenvolvidos conseguiram obter ganhos significativos de produtividade nas etapas de fiação e tecelagem, mudando o “status” de mão-de-obra intensiva da indústria têxtil. Além destes aumentos de produtividade no processo industrial, a modernização da indústria têxtil nos países desenvolvidos também permitiu criar uma mudança na qualidade do produto.
Ao contrário do que tem sido observado para a indústria têxtil, segundo Faini (1992), as exportações de vestuário da Coreia, Hong Kong e China são quase um substituto das exportações dos países desenvolvidos. Além das estatísticas sobre a participação no comércio internacional, que testemunham a competitividade dos países em desenvolvimento, especialmente os asiáticos, outros dados ajudam a ilustrar a forte pressão competitiva que sofre o mercado do vestuário nos países desenvolvidos.
Estratégias Empresariais
- Esquemas de subcontratação
- Estratégias de modernização empresarial
- Estratégias de países asiáticos
De acordo com o Relatório do Estudo do Sector do Vestuário do Banco Mundial (1989), o licenciamento tradicional impõe objectivos de exportação específicos aos produtores licenciados. Finalmente, deve notar-se que o investimento directo no sector do vestuário nos países em desenvolvimento não era uma estratégia importante para os países desenvolvidos. Na década de 1980, apenas 2% a 3% do investimento industrial estrangeiro destes países foi para os sectores do vestuário e dos têxteis.
O outro modelo paradigmático de reestruturação encontra-se na indústria italiana do vestuário e não se baseia na simples procura de custos laborais mais baixos. Esse redirecionamento refletiu exatamente a estratégia acima mencionada, uma das principais realizadas pela indústria do vestuário: melhoria dos produtos manufaturados e flexibilidade na oferta. Além da migração da indústria do vestuário dentro do espaço geográfico asiático, esquemas de subcontratação e terceirização também foram organizados nos países desta região.
Este movimento tem uma clara motivação geográfica, ou seja, a procura de proximidade com o mercado norte-americano, e responde à tendência de longo prazo da indústria do vestuário. A dinâmica futura da indústria do vestuário reside na produção de peças com maior valor unitário, com maior importância para a moda e estilo, o que exigirá empresas mais flexíveis, capazes de oferecer respostas rápidas a um mercado altamente diferenciado e exigente.
Desempenho da América Latina no Comércio Internacional
Pode-se observar que o custo da mão-de-obra em 1987 em Hong Kong era mais de onze vezes superior ao da China. Um exemplo de países que estão integrados neste processo com subcontratantes no mundo em desenvolvimento são Hong Kong e a China. Em 1990, 18% do total das exportações têxteis de Hong Kong para a China estavam ligadas ao processo de integração intra-regional asiático.
Do lado chinês, 17% das importações de vestuário fizeram parte deste processo no mesmo ano, num total de 5,2 mil milhões de dólares. Dos resultados alcançados pela América Latina nos últimos anos, pode-se concluir que, embora as vantagens comparativas residam em grande medida nas diferenças salariais, factores como a situação macroeconómica e a capacidade de organizar uma estratégia de exportação eficiente são de fundamental importância para sucesso. no competitivo mercado global. Em segundo lugar, a posição relativa menos favorável do Brasil em termos da sua participação nas exportações de vestuário em comparação com a sua posição no setor têxtil.
Do quadro geral traçado para a indústria internacional, pode-se concluir que esta é altamente competitiva. Os custos laborais continuam a ser um dos determinantes mais importantes das vantagens comparativas dos diferentes países.
COMPETITIVIDADE DO SETOR DE CONFECÇÕES BRASILEIRO
Caracterização da Indústria
A fragmentação e predominância de estabelecimentos menores que caracterizam o setor podem ser observadas na Tabela 11. Mais de 85% de todas as empresas do setor são pequenas e médias, que dominam todos os segmentos do setor. . Neste segmento, a concentração do trabalho na fase de costura é ainda menor, o que contraria uma das principais características tecnológicas do setor.
A origem do capital das empresas do sector é quase exclusivamente nacional (cerca de 98% em vários anos recentes). Cerca de 70% do emprego nas empresas do setor concentra-se em atividades de produção direta. Os dados da tabela 14 permitem visualizar uma das principais características do setor: a predominância de pequenas e médias empresas.
Quase 40% de todas as empresas têm apenas até 10 funcionários diretamente na produção e quase 60% das empresas têm até 30 funcionários. Em 1992, mais de 70% das empresas pesquisadas apresentavam baixa intensidade de utilização de diversas técnicas como círculos de controle de qualidade e just-in-time (internos e externos), o que destacou o maior percentual de empresas que adotam mais intensamente a organização de trabalho nas células de produção.
Inserção Internacional
Segundo dados da ABRAVEST, a idade média dos equipamentos utilizados na indústria do vestuário é de 7,73 anos e não há uma grande distribuição entre as idades dos diferentes tipos de máquinas. Outra característica importante da indústria do vestuário é a formação de centros que reúnem diversas pequenas empresas em uma mesma região geográfica. As empresas brasileiras ingressaram de forma mais efetiva no mercado externo a partir de meados da década de 1980, em princípio como uma estratégia reativa ao declínio do consumo interno.
Na verdade, há uma tendência de crescimento muito clara nas exportações de vestuário do Brasil nos últimos anos, como mostra a Tabela 16. Como mostra a Tabela 17, as exportações de vestuário cresceram a taxas superiores às exportações totais, mas ainda representam uma proporção muito pequena do total. Como já salientado, independentemente dos resultados relativamente bons das exportações no último período, a produção de vestuário continua centrada principalmente no mercado interno.
Se, por um lado, as exportações de vestuário nunca representaram parte significativa da produção nacional ou do comércio de manufaturados brasileiros, as importações têm participação ainda mais modesta no comércio exterior e no consumo interno. Dada a fragilidade do consumo interno de vestuário e a dimensão potencial deste mercado, o setor tem um horizonte de expansão muito favorável, o que pode permitir a formação necessária para atuar em mercados mais exigentes.
Revisão das Políticas para o Setor
O exemplo coreano de um programa de investimento que envolve 4 mil milhões de dólares para transmitir estas capacidades demonstra o sucesso do apoio governamental para modernizar a indústria. Esse movimento, observado para o complexo, acompanhou a mudança na orientação da política econômica, que passou a favorecer a implantação da indústria de base a partir do II PND, em detrimento dos setores mais tradicionais, que já haviam concluído o processo de substituir as importações e, assim, limitar os incentivos para o sector têxtil. Em 1987, por meio da Portaria nº 138 do Ministério da Indústria e Comércio, foi criado um grupo de trabalho para elaborar o “Programa Nacional de Modernização e Expansão da Indústria Têxtil e de Confecção”, primeiro esforço para modernizar e desenvolver a produção brasileira com vistas na competitividade do produto final.
34;O Programa Nacional de Modernização e Expansão da Indústria Têxtil e do Vestuário" foi transformado no "Programa Setorial Integrado da Indústria Têxtil" de taxas de direitos de importação que incluíam tanto os produtos do setor como as suas matérias-primas e bens de capital utilizados. projetos interessantes para a indústria do vestuário em termos de ideia e extensão, o Acordo de Cooperação foi para a implementação de um programa de desenvolvimento para a indústria do vestuário/RJ, em termos de gestão, tecnologia e qualidade e produtividade.
No que diz respeito ao sector do vestuário, as taxas dos direitos de importação foram reduzidas de níveis de 105% para 85% para vestuário e acessórios. Contudo, a base extremamente pequena de onde provém o coeficiente de importação de vestuário deixa claro que mesmo taxas elevadas de crescimento das importações não serão capazes de alterar significativamente a situação actual.
PROPOSTAS DE POLÍTICAS
Aspectos Gerais
Políticas de Reestruturação Setorial
- Centros de comercialização e compras
- Programa de design
- Programa especial para pólos
Política de Modernização Produtiva
- Programa de capacitação organizacional/gerencial
- Modernização dos equipamentos
Políticas Sistêmicas
- Melhoria das condições da produção terceirizada
- Financiamento
- Aspectos tributários
- Aspectos tarifários
- Mercosul
- Infra-estrutura
- Formação de recursos humanos
INDICADORES DE COMPETITIVIDADE
A nível cíclico, procurar crescer e modernizar o sector do vestuário teria um efeito extremamente positivo. Nesse sentido, uma política que privilegie ganhos de qualidade e produtividade atende exatamente às demandas do setor. Nos países desenvolvidos, a participação do sector do vestuário no emprego industrial era em média de 8% na década de 1960, caindo continuamente desde então (embora a taxas diferentes dependendo do país); no final da década de 1980, era inferior a 5,5%.
O gargalo tecnológico na fase de costura explica em grande parte o estado atual do comércio internacional no setor. Não há, portanto, qualquer proposta de reestruturação industrial ou de reestruturação dos activos do sector. Não há nenhum movimento internacional no sentido da concentração, nem no sentido das economias de escala, nem no sentido da verticalização. das empresas do setor.
O apoio à qualificação e atualização constante destes centros é um fator de criação de poupança fora da empresa, fundamental para todo o espectro de empresas do setor. Como já sublinhado, esta é uma das questões mais importantes do novo paradigma produtivo do sector. Em vários estados do país já foram criados centros que reúnem diversas pequenas empresas do setor do vestuário.
O principal incentivo para este investimento é a disponibilização de linhas de crédito em condições adaptadas à realidade do setor. As propostas das secções anteriores já cobriram indirectamente aspectos de tributação relacionados com a competitividade do sector do vestuário. Talvez o mais importante seja o que se refere à actual “vantagem” competitiva do sector informal através da evasão fiscal.