No último capítulo, trataremos especificamente da “regulação” da política no Brasil e dos critérios de relevância e urgência quando medidas preliminares são analisadas pelos poderes legislativo e judiciário. Então, do ponto de vista jurídico e crítico quanto à utilização de Medidas Provisórias pelo Poder Executivo.
Surgimento e evolução histórica
Noções preliminares
Bases históricas
Na época do surgimento do Estado Moderno, a Separação de Poderes era necessária por razões políticas. Tais ideias são estranhas e derivadas da versão original da doutrina da separação de poderes.
Concepção moderna da separação dos poderes
Surge então a doutrina do equilíbrio de poder, ou seja, uma mistura ideológica de Separação de Poderes e monarquia mista. A teoria da separação de poderes seria por vezes criticada por ter surgido da burguesia, pois assumia um individualismo agravado.
A separação dos poderes e as funções estatais nas teorias clássicas
Noções gerais
Por outro lado, a emergência do Estado de direito levou ao facto de, especialmente na teoria positivista alemã, a teoria da separação de poderes se tornar uma teoria das funções do Estado com reivindicações de validade científica em todos os sentidos. Cada um dos poderes, ou órgão unificado, correspondia exclusivamente a uma função estatal materialmente definida, e assim se resumia o princípio da divisão de poderes.
Função política e legislativa do Estado
Ressalta-se que a doutrina da separação de poderes serve hoje como técnica de regulação da estrutura política do Estado, de forma que implica distribuição entre diferentes órgãos de forma não exclusiva, o que permite o controle mútuo para garantir a preservação dos direitos individuais previstos no curso do desenvolvimento humano.43. Contudo, não só este aspecto é importante, pois é no mesmo contexto que o controlo jurídico da legislação surge como manifestação política (medida-lei), à luz do princípio da separação de poderes, tema que será tratado em capítulo específico desta pesquisa.46.
Separação e equilíbrio dos Poderes: o sistema de freios e contrapesos
Portanto, é fundamental que o tema de pesquisa pretendido siga esta vertente do princípio da separação de poderes. O princípio da separação de poderes exige correspondência entre o corpo e a função e só admite exceções quando a sua essência essencial não é sacrificada.
A delimitação das funções governamentais na Teoria da Separação dos Poderes
O Poder Executivo
É nas Medidas Provisórias com força de lei que se encontra a competência paralela do Presidente da República à do Congresso Nacional. Neste contexto, as atribuições do Presidente da República podem ser entendidas, segundo José Afonso da Silva, como chefe de Estado, chefe de governo e chefe da Administração Federal.72.
O Poder Legislativo
As comissões, consideradas os órgãos mais importantes do Poder Legislativo, têm competência para resolver as questões a serem legisladas, apresentar pareceres e realizar fiscalizações. Vale destacar também as comissões temporárias, que podem ser puras ou mistas.
O Poder Judiciário
Portanto, nada nos impede de fazer breves exposições sobre a história do exercício da jurisdição no Brasil. Quando se fala em justiça estadual, não significa que a jurisdição nestes casos decorra de leis estaduais. Em regra, a competência caberá aos tribunais estaduais, exceto nos casos em que a Constituição especifique competência federal ou especializada.89.
Não existe tribunal municipal no Brasil, e o tribunal estadual é responsável por resolver todas as questões que aí surjam e que não sejam abrangidas por outros tribunais.
O presidencialismo de coalizão
Noções introdutórias
A Constituição Federal proporcionou ao Presidente da República amplas oportunidades de influenciar a legislação, com muitos mecanismos de intervenção no processo legislativo. Na verdade, os poderes de agenda do Presidente da República vão desde a capacidade de editar medidas provisórias com força de lei, permitindo ao Presidente implementar a sua agenda, especialmente de natureza económica e administrativa, e superar possíveis obstáculos congressuais. A Constituição Federal de 1988 modificou os fundamentos institucionais do sistema político nacional, de tal forma que alterou um ponto principal, a saber, que os poderes legislativos do Presidente da República foram significativamente ampliados em comparação com a Constituição Federal de 1946. e para por outro lado, os meios legislativos à disposição dos líderes partidários para dirigir seus bancos também foram ampliados pelas normas internas do Congresso Nacional.
A Separação de Poderes presente nos governos presidencialistas levará a um comportamento irresponsável dos parlamentares, uma vez que a duração dos seus mandatos independe dos infortúnios políticos do Presidente da República.
Preponderância do Poder Executivo sobre o Legislativo: o poder de agenda
O Presidente da República, dotado de amplos poderes legislativos, sabe que tem maiores possibilidades de impor unilateralmente a sua agenda e tem menos incentivo para negociar com o Legislativo. O Presidente da República, como membro de um partido minoritário (por exemplo) na Câmara dos Deputados, certamente tentará articular uma coligação de apoio com partidos simpáticos ao seu programa de governo. Pode-se mesmo dizer que o Presidente da República distribui parte do orçamento entre os partidos dispostos a aderir à coligação que o apoiará.
O presidencialismo de coalizão, em suma, é evidenciado pelo domínio da proposta de governo do Presidente da República, evidenciado pelo seu poder de agenda parlamentar, que gera forte influência no processo legislativo, pelo controle da agenda de votação de propostas, mesmo aquelas decorrentes do próprio Poder Legislativo.
A atividade legislativa do Poder Executivo no Brasil
Iniciativa legislativa
A constituição federal atribui esta competência a diversas entidades, dentre as quais se destaca o presidente da república; qualquer membro da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; o Supremo Tribunal Federal; tribunais superiores; o Procurador-Geral da República e; cidadãos com um projecto de lei que tenha em conta os requisitos para o efeito. Em todo o caso, a discussão que já foi demonstrada na investigação do capítulo anterior, nomeadamente a influência das autoridades nas atribuições de outra autoridade estatal, neste caso o poder executivo, que intervém com actos na actividade típica do legislativo autoridade, é re-iluminado. que indicam ou podem indicar a criação de lei. Clèmerson Merlin Clève explica que “na formulação pura deste sistema, não seria possível ao executivo propor o legislativo.
Contudo, no sistema presidencialista brasileiro, o Poder Executivo nunca foi impedido de exercer a iniciativa legislativa.
Sanção e veto
Através de comunicados, o Presidente da República aborda os planos de ação do governo e os instrumentos legislativos para a sua implementação. É com esse ponto de vista que o legislador, ao determinar que determinada norma é passível de sanções, quer politicamente que essa categoria de direito obtenha o endosso qualificado por um acréscimo legitimador. Se o conceito político de direito está umbilicalmente ligado à questão da soberania (Carl Schmitt), e a sanção se refere historicamente à participação ativa do soberano no processo legislativo para fazer leis, então pode-se concluir que a Constituição brasileira, ao prever o poder do Presidente da República de sancionar projetos de lei (art. 65, caput e 66, caput, da CF), oferece clara possibilidade de qualificação, de plus legitimador-processual de determinadas categorias de leis (sem as quais não são perfeitamente formado), ao considerar que o Presidente da República, eleito por sufrágio universal e voto direto e secreto, continua sendo um representante do povo (conforme Art. 1., parágrafo único, inciso CF).136.
O Presidente da República pode atuar de três formas diferentes ao receber um projeto de lei do Congresso Nacional.
Elaboração de leis pelo Poder Executivo
Em sentido estrito, o regulamento é um ato normativo emanado privativamente do Presidente da República e pode ser de dois tipos: a) limitações de caráter formal e; b) limitações de natureza material. Neste caso, o Presidente da República é o principal competente para expedir regulamentos, nos termos do artigo 84 da Constituição Federal. O regulamento é publicado por decreto e constitui o meio pelo qual o Presidente da República formaliza os seus atos políticos e administrativos.
Compete exclusivamente ao Presidente da República: [..] IV – sancionar, promulgar e publicar leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; [..] VI – dispor, por decreto: a) a organização e o funcionamento do governo federal, quando isso não implique aumento de despesas ou criação ou encerramento de poderes públicos; b) a extinção de cargos ou cargos públicos quando vagos;
As medidas provisórias como um instrumento de governabilidade
Aspectos introdutórios
O interesse público relevante foi um ato discricionário do Presidente da República, sendo, em si, uma questão de conveniência e oportunidade. A emergência foi revelada quando o Presidente da República mal pôde esperar quarenta dias para utilizar um projeto de lei emergencial. O Presidente da República, em caso de emergência ou de relevante interesse público e enquanto não houver aumento de despesas, poderá editar decretos-lei sobre as seguintes matérias: I - segurança nacional; II – finanças públicas, inclusive regras tributárias; e III - criação de cargos públicos e fixação de salários.
Portanto, o estudo da natureza jurídica e dos aspectos formais das medidas provisórias, buscando demonstrar os conceitos e vinculá-los à sua aplicabilidade na prática, no que diz respeito à edição das medidas provisórias pelo Presidente da República, essencial para uma correta compreensão das medidas provisórias o debate.
Natureza jurídica, procedimento e limites materiais
O debate de cada casa do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas temporárias dependerá de uma avaliação preliminar sobre o cumprimento dos seus requisitos constitucionais. Para o advogado Michel Temer, a natureza jurídica das medidas temporárias é desenhada de forma que o sentido e o alcance normativo deste ato político tenham precedência. Contudo, Temer vai além e utiliza argumentos mais técnicos para explicar a natureza jurídica das medidas temporárias.
293-DF, o que de certa forma afasta o caráter legislativo e jurisdicional das Medidas Provisórias justamente por serem originárias do Poder Executivo.
A (in)controlabilidade dos pressupostos de relevância e urgência
Pressupostos e requisitos essenciais: relevância e urgência
Outro pressuposto essencial que deve estar presente na edição de uma medida provisória é a urgência, e esta, como veremos mais adiante, tem um alcance interpretativo tão importante quanto a relevância, e que merece destaque em seu próprio assunto. A urgência complementa a fórmula constitucional da Medida Provisória e está diretamente relacionada à dimensão temporal que deveria referir-se não apenas à necessidade de intervenção normativa imediata do poder público, mas também à atuação imediata com os procedimentos ordinários que a Constituição Federal prevê. 182. A urgência está intimamente ligada a uma dimensão temporal que deveria referir-se não tanto à necessidade de uma intervenção normativa imediata por parte do governo, mas mais especificamente ao facto de esta acção imediata (medida) ser constitucionalmente inconsistente com o normal procedimentos. forneceu 0,184.
Atividade legislativa do poder executivo, p.177. urgente) exige uma resposta imediata incompatível com o processo legislativo normal.186.
A apreciação das medidas provisórias pelo Congresso Nacional
Em linhas mais teóricas, o jurista Ivo Dantas revela que os pressupostos de relevância e urgência devem ser sempre interpretados em sentido estrito, pois tais pressupostos ou exigências exigem uma análise rígida sobre pena de descaracterização da instituição da medida provisória e, "mais do que isso, por constituir profundo risco à manutenção do Estado Democrático de Direito".188 Diante do exposto, para melhor compreensão do tema, passamos a avaliar as Medidas Provisórias do Congresso Nacional a serem estudadas, em uma visão teórica ampla do tema, sem contudo deixar de lado a visão prática da discussão. Importa ainda comentar que a avaliação constitucional do Congresso Nacional deve ser nada mais que jurídica, pois se houver compatibilidade da matéria regulada pelo a Medida Provisória com a Constituição Federal, o Parlamento terá liberdade para avaliar politicamente o governo. obra. Esta intervenção parlamentar, além de ilustrar a cooperação do Congresso na produção legislativa do governo, representa um importante mecanismo de controle regulatório do Executivo contra seus abusos, ou seja, em suma, cabe ao Congresso analisar se a Medida Provisória atende aos pressupostos de relevância e urgência.
Ivo Dantas ensina que ao analisar os pressupostos de importância e urgência não se pode ignorar o que se chama de “espírito da Constituição”, ou atualmente conhecido como “limites implícitos”,200 ou mesmo o conteúdo ideológico-material da medida temporária.201 É por esta razão que a Resolução nº.
A “judicialização” da política
Apresentação do tema
O controle da discricionariedade pela jurisdição
Regulação da Política e Distribuição de Poderes no Estado Democrático de Direito: A Jurisdição Constitucional como Quarto Poder. Legalização da política e distribuição do poder no Estado de direito democrático: a jurisdição constitucional como quarto poder, p.. Assim, a “legalização” da política contribui para que os limites de atuação dos órgãos constitucionais se tornem cada vez mais perceptíveis.
Fatores como a uniformização de direitos, a promulgação de constituições democráticas, com a consequente preocupação com o fortalecimento de instituições que garantam o Estado de Direito, podem justificar o progresso da “judicialização” da política.225. LENHARD em: Judicialização da Política e Distribuição de Poderes no Estado Democrático de Direito: Jurisdição Constitucional como Quarto Poder. Viu-se que a “legalização” da política visa dar legitimidade às ações emanadas do poder político e, sobretudo, garantir os princípios constitucionais.