Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí através das narrativas de funcionários técnico-administrativos [manuscrito] / Bethânia Oliveira Silva. O estudo objetivou conhecer o Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí através das narrativas de funcionários técnico-administrativos.
ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO INSTITUTO FEDERAL GOIANO –
Marco histórico da Educação Profissional no Brasil
1978 Lei 6.545 Institui os primeiros Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET) e mantém a formação de professores para atuar na educação profissional. Foram atualizadas as Orientações Curriculares Nacionais do Ensino Secundário e do Ensino Profissionalizante de Nível Secundário.
A cidade mantenedora do IF Goiano-Campus Urutaí
Na mais recente dessas transformações, o Instituto Federal Goiano (IF Goiano), criado pela Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008, aparece juntamente com outros 37 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Em 2018, a unidade Cristalina, que até então era considerada campus avançado, mudou de tipologia e passou a ser campus (INSTITUTO FEDERAL GOIANO, 2018, p.20). Ao ler a notificação, percebi a existência de vagas em alguns campi do Instituto Federal Goiano para o cargo de bibliotecário-documentário.
O Instituto Federal de Goia oferece ensino integrado desde o ensino médio até a pós-graduação, com ênfase no ensino técnico integrado ao ensino médio, cursos de alta tecnologia, engenharias e diplomas nas áreas de ciências naturais e disciplinas de formação técnica e/ou profissional (PAISLANDIM, 2017). Somente no dia 28 de abril de 2013, dia da realização do concurso, é que tive meu primeiro contato físico com o Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, localizado na mesorregião sudeste de Goia, também conhecida como “a estrada - a região até a estrada" .
O primeiro contato físico da pesquisadora com o Campus Urutaí
Essa foi a gênese da instituição que décadas depois se tornaria o IF Goiano – Campus Urutaí, que hoje é meu local de trabalho e objeto desta pesquisa. Quando comecei a trabalhar no IF Goiano-Campus Urutaí em 2013, a quinta e atual fase da instituição teve início em 2008. Após assumir a configuração do IF Goiano - Campus Urutaí no final de 2008, a instituição passou por novas mudanças significativas em a tua história.
Com isso, o IF Goiano tornou-se a primeira instituição de ensino superior da região sudeste goiano a oferecer vagas para o curso de medicina veterinária. Para chegar ao que é hoje, o IF Goiano – Campus Urutaí passou por diversas mudanças, alguns cursos anteriormente oferecidos pela instituição não existem mais.
Considerações do capítulo
Com o crescimento e desenvolvimento da região surgiram novas demandas e, para acompanhar essa metamorfose, a escola sentiu-se na obrigação de se reinventar. Fotos nas paredes da biblioteca mostram alunos da primeira fase, período da Escola Agrícola de Urutaí, onde a prática agrícola e o ensino eram a única opção. No mesmo ambiente é possível ver alunos do setor Agropecuário vestidos com botins, chapéus e com grandes fivelas nos cintos.
Além de presenciar estudantes de ciências exatas e licenciaturas vestindo camisetas de bandas de rock, jeans rasgados e cabelos tingidos de diversas cores, inclusive rosa. Assim, o IF Goiano – Campus Urutaí se reestrutura a cada dia para atender as necessidades da região onde está localizado.
OS NARRADORES
O técnico-Administrativo em Educação
Trabalho e aposentadoria
Com sua ética de trabalho positiva, Weber mais uma vez atribuiu à profissão o caminho da salvação, celestial e terrena, no final da vida. Actualmente é o grupo dos assalariados que vive da venda da sua força de trabalho, ou seja, a classe que vive do trabalho e que não é detentora dos meios de produção. Neste caso, as mulheres enfrentam salários mais baixos em comparação com os trabalhadores do sexo masculino e sofrem de desigualdades em termos de direitos sociais e laborais; aumento do número de trabalhadores do (setor de serviços) que incluía trabalhadores excluídos do setor produtivo industrial, devido ao processo de reestruturação produtiva, às políticas neoliberais e ao cenário de desindustrialização e privatização; exclusão dos jovens, que atingiram a idade de entrada no mercado de trabalho, que são obrigados a concorrer a vagas em empregos precários ou enfrentam o desemprego; a exclusão dos idosos, que uma vez excluídos do trabalho têm dificuldade em regressar e, finalmente, como resultado de todas estas tendências anteriormente mencionadas, a expansão do "terceiro sector" que adopta uma forma alternativa de ocupação, por empresas com 'um mais perfil comunitário, motivado predominantemente por formas de trabalho voluntário, atividades em sua maioria de natureza beneficente, sem fins comerciais ou lucrativos diretos e que se desenvolvem à margem do mercado (ANTUNES; ALVES, 2004).
Isto prejudica ainda mais, devido à expansão da força de trabalho excedentária que continua a crescer, os níveis de remuneração daqueles que continuam a trabalhar (ANTUNES, 2009 p.11). Com base no exposto, o que se observa é que toda essa exclusão provoca uma diminuição do número de trabalhadores na esfera produtiva, o que leva à formação de um “exército de reserva”.
História de vida dos participantes
- José Claudino de Siqueira
- Baltazar Lopes Nery
- Marise Terezinha Barbosa
- Élio Francisco Xavier
Futuramente, haverá a possibilidade de um concurso interno para integrar o quadro permanente da instituição. Quando ingressou na instituição, havia poucos funcionários, o que a fez transitar por diversos setores da instituição. Marise tem uma história bastante peculiar em relação ao seu trabalho como técnica administrativa na instituição.
Como o cargo de auxiliar em administração é curinga, o funcionário pode atuar em diversos setores da instituição. Em sua breve narrativa, observamos que os acontecimentos levaram Élio a se tornar servidor da instituição.
Técnico-administrativos: dificuldades enfrentadas
Percebemos que esses servidores estavam sendo “jogados de um lado para o outro” dentro da instituição. Dessa forma, adquirem conhecimentos e habilidades que contribuirão para o desempenho de suas funções dentro da instituição (JACOBSEN; SOUZA; VEIGA, 2016). Utilizar o computador foi e ainda é um desafio para esses funcionários que supervisionaram a fase inicial da instituição.
Essa realidade é encontrada em outros setores da instituição que possuem funcionários em final de carreira, há muita resistência em relação ao aprendizado. Para garantir a sobrevivência na instituição, recorri a outros funcionários, como nossos narradores, muitas vezes encontrei falta de preocupação por parte deles.
Chegou o momento de aposentar, e agora?
Ambos estão em licença permanente na instituição, mas ambos encaram o processo previdenciário de forma diferente. Penso, portanto, que já gastei o tempo que tive de ficar aqui. José Claudino (2019) também respondeu positivamente, mas com maior ênfase, como segue: “Nossa, vou ficar aqui.
Observamos nas narrativas de José Claudino que embora goste do trabalho que realiza, ele vê a transição para a aposentadoria como mais fácil. Observamos em todas as histórias que esses colaboradores veem seu trabalho na instituição de forma muito positiva.
Considerações do capítulo
Observamos um aspecto comum no perfil dos narradores, o que pode indicar que, além de terem passado por diferentes fases da instituição, provavelmente presenciaram o impacto de muitas gerações de estudantes, conviveram de perto com diferentes líderes, bem como ter tido experiências com diferentes professores, de diferentes gerações, considerando que o longo tempo de permanência na instituição teria permitido esse caleidoscópio de experiências com perfis diferentes dados pelas chegadas e saídas. Embora sejam reconhecidas as mudanças e transformações operadas nas diferentes fases, é indiscutível a referência e identificação deste espaço como “escola”. Ou seja, enquanto o IF Goiano-Campus Urutaí para as atuais gerações de professores, técnicos administrativos e estudantes soa familiar e quase natural, para esses narradores a ênfase no instituto como escola indica a forte presença na experiência desses funcionários de épocas anteriores. ..., a escola permanece impregnada de linguagem, percepção e evidência de tudo o que foi marcante e significativo nas fases anteriores.
De certa forma, não apenas a população externa manteve a referência à Instituição nos sobrenomes agrícolas e escolares, como esses trabalhadores registraram essa ligação com o passado em formas cada vez mais distintas de defini-lo.
O INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS URUTAÍ NA
Os alunos do Sistema Escola-Fazenda e o internato
Aos poucos, nossos narradores nos dão mais detalhes sobre os alunos que frequentavam a escola naquela época. Aí o pessoal ia embora, mas os alunos ficavam para cuidar, porque eram os alunos que cuidavam da escola. Marise dá mais detalhes sobre os internatos, percebemos que as dificuldades financeiras eram uma constante entre eles.
Os alunos que não tinham parentes em Urutaí descobriram que tiveram que permanecer na escola devido às dificuldades financeiras para pagar as passagens para suas cidades. Bem diferente de hoje, onde os internatos não são obrigados a trabalhar e ainda recebem café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia.
O fim do Sistema Escola-fazenda
Tô te falando, não que eles fizeram só esse lado, eles fizeram muita coisa boa que as pessoas sentiram falta, né. Porque o aluno não pode trabalhar, o professor pede uma máquina para dar aula, a gente tem que ir lá e acompanhar o aluno, porque se acontecer um acidente, como a gente faz? Este trecho das narrativas de José Claudino destaca neste capítulo as mudanças ocorridas na instituição, representadas pela transformação do sistema Escola-Fazenda no campus Urutaí, as mudanças na Educação, atuaram e continuam atuando na forma de ensinar no IF Goiano, Campus Urutaí.
Vimos que as narrativas dos funcionários técnico-administrativos a respeito do Campus Urutaí estão intimamente relacionadas ao trabalho dos estudantes dentro da instituição. Foi implementado um currículo baseado em competências, o que resultou na redução de atividades práticas bastante intensivas no sistema escolar agrícola (CAMPOS, 2005).
Expansões e melhorias
- Implantação de novos cursos
- Mais vagas: novos discentes
- Aumento da infraestrutura física
- Novos servidores
- Uma gestão mais democrática
Essa fase da instituição é lembrada pelos nossos entrevistados como um ponto de melhoria, tanto na sua estrutura física quanto nos recursos humanos para oferecer os cursos. Baltazar (2019) mostra o quão grande foi a expansão da instituição e nos apresenta as duas fazendas onde está localizado o Campus Urutaí. Toda a expansão relatada pelos participantes desta pesquisa suscitou uma demanda por um maior número de funcionários para atuar nessas funções, o que levou a diversos processos seletivos que foram realizados para contratação de novos funcionários para a nova configuração da instituição desde 2008, o ano. onde a instituição viria a se tornar IF Goiano - Campus Urutaí.
Pelas narrativas dos entrevistados fica claro que havia cada vez mais concursos para novas vagas dentro do instituto e que a cada ano que ficava mais competitivo, a escola precisava de mais especialistas para preencher as vagas que surgiam à medida que o trabalho aumentava. Talvez seja reflexo do longo período de mais de 30 anos de exposição à gestão autocrática que existiu em outras fases da instituição.
Retorno para sociedade
- Melhorias para cidade de Urutaí
Se for administrativo eu respeito como administrativo né, não tem diferença nenhuma (JOSÉ CLAUDINO, 2019). Durante sua história, os técnicos administrativos nos apresentam a dimensão social da instituição e enfatizam a importância do IF Goiano Campus Urutaí para a região onde está localizado. Não pela capacidade dele, estou falando porque ele não tem bolsa de estudos na universidade, não tem moradia para os meninos.
Às vezes ele não se sente em casa porque a maioria das pessoas que vem aqui não volta mais para casa. Para a região foi cem por cento, porque uma cidade como Urutaí, se não tivesse o instituto, não teria cidade.
Considerações parciais
Dissertação (Mestrado em Economia Doméstica) – Departamento de Economia Doméstica, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, 2011. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão, Programa de Pós-Graduação em Educação, Catalão, 2015. Comunicação no contexto de mudança cultural: um estudo de caso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano.
A rede federal de educação profissional, científica e tecnológica no contexto das políticas de ensino superior: características do IF Goiano – Campus Urutaí. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Goia, Catalunha, 2018.