A partir do estudo das leis penais da época e do contexto histórico do século XIX brasileiro, foram propostas formas de compreender a história do interior de Minas Gerais como parte integrante de um contexto sociocultural mais amplo: o mundo atlântico. Pelo menos desde a primeira metade do século 19, quando alguém morria por causa desses crimes, era condenado pela própria sociedade. Martha de Abreu Esteves reafirma essas condições de justiça em sua pesquisa sobre a criminalidade feminina na virada dos séculos XIX e XX.
Os estudos sobre a criminalidade e a condição da mulher são ricos no século XVIII e na virada do século XIX para o século XX. Rachel Soihet pesquisou as condições das mulheres pobres no ambiente urbano desde o início do século XIX até o século XX. A primeira é: quais eram as concepções de honra dessas mulheres e como elas foram construídas historicamente no Brasil do século XIX.
Entre as escravas do final do século XIX, o infanticídio costuma ser identificado como uma forma de resistência ao cativeiro e seu abuso sexual e econômico. Edna Resende pesquisou a criminalidade entre homens livres e apontou o grande número de absolvições em processos criminais no século XIX, em São João Del-Rei, Minas Gerais. Crime e Castigo: Discurso Médico, Crime e Criminosos em Portugal na Segunda Metade do Séc. XIX”.
O advogado e historiador jurídico André Peixoto de Souza analisou a possibilidade de existência e as características de uma Cultura Jurídica no Brasil do século XIX.5 O autor vê a história do direito como um gênero específico da história, que possui características próprias.
O CONTEXTO OLIVEIRENSE
Outra opção era conseguir a liberdade no momento do inventário, como aconteceu em um único caso entre microproprietários - mas que se repetirá em outros documentos com maior número de escravizados. Não se assume simplesmente que as libertações foram concessões cênicas, mas também conquistas de escravizados que souberam se articular em um contexto hostil. Analisando o gráfico 4B, percebe-se que o número de escravizados até 10 anos segue o fluxo numérico geral de escravizados em Oliveira, evoluindo bem até a década de 1860 e caindo drasticamente a partir de 1870.
Vê-se que as categorias C, D e E, as mais numerosas em número total de escravos em Oliveira, também têm o maior número de crianças até 10 anos. Nota-se que as proporções de escravos doentes variam entre os diferentes portes das fazendas, variando de 5,4% (Megaproprietários: mais de 40 indivíduos) a 7,7% (Estados Médios: 11 a 20 indivíduos). Na virada das décadas de 1870 e 1880, é evidente a crescente concentração de escravos doentes em propriedades menores.
Conforme confirmado no gráfico 4, o número de viciados registrados nos inventários de Oliveira diminuiu drasticamente a partir da década de 1860, quando se constatou o maior número do período, com 2.530 pessoas. Quanto mais baixos esses índices, maior o índice de permanência dos dependentes dentro das categorias de propriedades, confirmando as características dos grupos D (grande), B (pequeno) e A (micro), como os mais conservadores, em detrimento do mega (E ) e médias (C) propriedades, que escoaram em maior volume seus escravos nesse período. Estes últimos irão provavelmente agarrar cada vez mais "fatias" do "torto" dos toxicodependentes que se instalam em Oliveira, montando assim uma "Fase de Desenvolvimento e Consolidação" de propriedades maiores.
A fase final, constituída pelas duas últimas décadas da escravidão e do império (1870 e 1880), é caracterizada pela diminuição do número de escravizados na região e também pela reversão das proporções de escravizados nessas fazendas. Ou seja, desta vez há uma contração da proporção de escravizados nos maiores latifúndios e, conseqüentemente, um aumento nos menores latifúndios (Grupos A e B), atingindo o mesmo patamar da última década. Essa evolução temporal das proporções de escravos distribuídos pelos diferentes tipos de propriedade pode ser melhor observada na sequência dos gráficos abaixo (5A a 5G).
Nesse sentido, não há inversão crescente na qualidade de vida, tanto no número absoluto quanto nas proporções de escravos doentes, quando analisados os grupos. De todo modo, no período analisado, havia um grande número de escravizados em Oliveira, que formavam famílias em diferentes formatos. Nas últimas duas décadas, como era de se esperar, devido à queda do número absoluto de habitantes escravizados na região, o número de casamentos também diminuiu.
Esses números apontam para a hipótese de que o tráfico de escravos - que provavelmente levou ao crescimento do número de grandes latifúndios, onde também houve aumento do número de escravos - serviu para reduzir ou impedir a formação de famílias "nas senzalas" entre 1840-1840. 1860. O mesmo se pode dizer das propriedades dos grupos C e E, que em todas as décadas (com exceção de 1820, com uma amostra muito pequena) contavam com maior número de escravos registrados como casados.
ENTRE AS CORES DOS VIVOS E ALGUMAS FACES DA MORTE
60 Neste caso, único documento em que os 33 escravizados são registrados especificamente como "brasileiros", Fula menciona definitivamente a cor de Joaquim. Por outro lado, também se pergunta qual o sentido que ela tem - na discussão das culturas jurídicas - para aqueles que nelas se dizem inseridos. A primeira seria a “Alta Guiné”, que se estendia “desde o rio Senegal até a área ao sul de Cape Mount, na atual Libéria.
A terceira zona era a "Costa de Angola", que se estendia até "o Império Lunda, na província de Shaba, no atual Zaire". Nações mais numerosas teriam conservado algumas denominações originais, mesmo rotuladas de forma mais geral, como aconteceu com o Nagô, que se diferenciava internamente como "os ijexás, os jebus, o de Oyo, o de Keto". O que se pode concluir é que os executores provavelmente não sabiam, e nem mesmo quiseram registrar essa informação nos documentos analisados, como alertaram Libby e Frank.
Mas, por outro lado, sob certas características, através de identidades crioulas únicas (e ao mesmo tempo compartilhadas em muitos aspectos), que desenvolveram novas formas de pensar e de fazer justiça, ainda que em choque com aquela justiça imposta pelo Estado. Se olharmos para as alegações de Robert Slenes - que se basearam nos estudos de Mary Karasch e Joseph Miller -, essa tendência criminosa gira em torno de uma maioria "bantu". Isso pode indicar uma preferência local, em que os proprietários optaram majoritariamente por escravos nacionais, ou pode mostrar uma tendência natural, já que estamos tratando aqui do século XIX, quando teria prevalecido a reprodução endógena de escravos no Brasil sobre a exógena . , como resultado do tráfico de escravos na África, que foi erradicado em 1850.
Da mesma forma, esse raciocínio se estende a outras descrições, tanto de afrodescendentes quanto de "africanos", que se traduzem em processos históricos interligados, multifacetados, aparentemente unificados, mas profundamente específicos. Boris Fausto afirma ter encontrado menos de 6% no período que analisou em sua obra a partir de 1880. Essa hipótese é mais bem sustentada se compararmos as taxas de criminalidade geral - que permanecem altas no final do período - com as taxas de homicídio - que são diminuindo drasticamente.
Disto se conclui que os fatores que influenciaram a diminuição dos homicídios em Oliveira entre 1840 e 1889 foram diversos e precisam ser ramificados. Houve ainda mais representações e usos de diferentes aspectos culturais do que hoje entendemos como violência. O relatório do crime, no entanto, revela informações sobre ele que, se não justificadas, pelo menos explicam o ato suicida de Francisca.
No entanto, é melhor partir do pressuposto de que todo o contexto sociocultural que envolve o comportamento suicida de um indivíduo deve ser cuidadosamente analisado - origem, relações familiares, situação econômica, religião, etc. – a fim de tirar quaisquer conclusões a este respeito. Por ser aceito como justo em determinados momentos, argumenta-se que ele está efetivamente vinculado a noções de justiça presentes no cotidiano das famílias e, a partir da década de 1830, das elites que.
POLÍCIA E JUSTIÇA ENTRE O POSITIVO E O CONSUETUDINÁRIO CONSUETUDINÁRIO
As mesmas penalidades prescritas pelo Código Penal e outras leis aplicáveis para potenciais outros infratores serão impostas ao réu escravo de acordo com a natureza dos delitos cometidos, a menos que tais penalidades sejam processo, banimento ou multa comutada em prisão. .; nos casos dos dois primeiros, em prisão ordinária pelo mesmo tempo que lhes for fixado, e no caso de multa, se não satisfeita pelos senhores particulares, em prisão ordinária, ou com trabalho, conforme disposto no art. O Código Penal de 1830 foi dividido em quatro partes: (I) Crimes e Castigos; (II) Crimes públicos; (III) crimes privados; e (IV) Crimes Policiais. O artigo 4.º do Capítulo I - Dos crimes e criminosos define como criminosos “aqueles que cometem, obrigam ou mandam alguém praticar atos criminosos”, enquanto o artigo 5.º discrimina como cúmplices “todos os outros que contribuam diretamente para a prática de atos criminosos”.
Se ele for cozinha perpétua ou prisão perpétua com ou sem trabalho, ele deve se comprometer com cozinha por vinte anos, ou prisão com ou sem trabalho por 20 anos. Se for banimento ou banimento perpétuo, banimento ou banimento será imposto por vinte anos. No Capítulo II – Crimes Justificáveis, foram definidos os níveis de imputabilidade com base em valores sociais, defendidos pela Constituição.
A primeira, sobre crimes contra a existência política do Império, protegia o Estado contra crimes contra a independência, integridade e dignidade da nação (Capítulo I), e protegia a constituição do Império e a forma de seu governo (Capítulo II). , e o Chefe do Governo (Capítulo III). Os artigos do segundo título, Dos Crimes Contra o Livre Exercício do Poder Político, protegiam os poderes legislativo, executivo, judiciário e moderador de interferências em suas reuniões e no exercício de suas funções. O Título III fazia o que o nome sugere: protegia contra crimes contra o livre gozo e exercício dos direitos políticos dos cidadãos.
O Título IV, Dos Crimes Contra a Segurança Interna do Império e a Tranquilidade Pública, codificou os seguintes crimes e suas respectivas penas máximas: formação de quadrilha (expulsão para fora do Brasil até 12 anos), rebelião (prisão perpétua com trabalho), sedição (reclusão com trabalho por até 12 anos), Insurreição (morte na forca), Resistência (prisão com trabalho por até quatro anos), Fuga de Prisioneiro e Fuga (prisão com trabalho por até dez anos) e Desobediência às autoridades (prisão por até 12 meses). O 5º título, Dos Crimes contra a Boa Ordem e Administração Pública, é constituído por três capítulos, sendo o Capítulo I - Subterfúgios, Abusos e Omissões dos Funcionários, dividido em sete secções. Este crime consistia em fabricar ou alterar "qualquer escritura, papel ou assinatura falsa, com a qual a pessoa discordasse, a quem fosse atribuída, ou da qual permanecesse em completo desconhecimento".
O Título VI, Dos Crimes Contra a Fazenda Pública e o Patrimônio Público, foi dividido em quatro capítulos que criminalizavam práticas que lesavam diversamente as finanças do Estado. A terceira parte, Sobre crimes especiais, enfatiza claramente a proteção da vida, honra, família, liberdade e propriedade. O Título II, Crimes contra a segurança individual, trata dos crimes contra a segurança pessoal e contra a vida (Capítulo I) como Homicídio, Infanticídio, Suicídio, Ferimentos e outras violações físicas, Ameaças, Entrar em casa alheia e Abrir cartões.