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faculdade jesuíta de filosofia e teologia

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Academic year: 2023

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Desta forma, são destacados os aspectos mais importantes da compreensão de Apel sobre o papel da ética do discurso nas dimensões da política e do direito. Além disso, procuramos compreender a ligação entre o discurso e as dimensões práticas do Direito e da Política.

CONTEXTO ÉTICO CONTEMPORÂNEO E A NECESSIDADE DE UMA

Impossibilidade e necessidade de uma ética planetária

Qualquer pessoa que pondere a relação entre ciência e ética na sociedade industrial global e moderna enfrenta, na minha opinião, uma situação paradoxal. Este aspecto é apresentado pelo prognóstico que Apel faz, nas correntes éticas do pensamento contemporâneo, da impossibilidade de estabelecer uma ética da responsabilidade com alcance global.

Dificuldade para fundamentar racionalmente a ética

A escola popperiana, confrontada com o trilema Fries/Münchhausen sobre a falta de possibilidade de um fundamento último, foi tentada a substituí-lo por tal fundamento. 39 tarefa específica para uma fundamentação filosófica, “na tentativa de reconstruir as condições necessárias para a argumentação humana da maneira mais completa possível”.

Análise Crítica dos Limites da Ética Kantiana

Isto por dois motivos: o primeiro porque, apesar de ser uma ética deontológica na tradição kantiana, a ética do discurso não se limita ao pensamento kantiano, e não se baseia na filosofia da consciência que permeou a obra de Kant; a segunda porque, a partir das objeções à ética kantiana, são-nos delineados aspectos centrais que servirão de base para a compreensão do próprio discurso. 44 Se recorrermos à interpretação habermasiana especificamente das objecções de Hegel a Kant, vemos três diferenças entre Kant e a ética do discurso. A primeira distinção entre Kant e a ética do discurso segundo Habermas é que a ética do discurso rompe com a ideia de dois mundos, nomeadamente que existe um mundo inteligível, ao qual pertencem "o dever e o livre arbítrio",144 e um mundo fenomenal, " que inclui, entre outros, inclinações, motivos puramente subjetivos e também a instituição do Estado e da sociedade”.145 O segundo ponto desta diferenciação está relacionado com a superação do ponto de partida kantiano contido no modelo de raciocínio monológico, ao qual nos referiremos. em detalhes mais tarde, enquanto o ponto de partida da ética do discurso é o discurso argumentativo.

Embora já tenha sido brevemente mencionado o problema do solipsismo metódico de natureza cartesiana, que neste momento é necessário para uma correta compreensão da crítica de Apel ao isolamento do sujeito no pensamento de Descartes, é necessário retornar ao problema do solipsismo do viés kantiano148. e desta forma reconhecer que, apesar de ser herdeira da ética kantiana, a ética do discurso parte de um ponto de partida diferente em relação a Kant, ponto de partida que será descrito com mais detalhes no próximo capítulo. O imperativo categórico refere-se então apenas à “boa vontade” (inteligível), de modo que Kant só pode produzir uma ética da boa vontade ou “boa intenção” (Gesinnung), mas não uma ética da ação e da responsabilidade pelas consequências das ações no mundo real. . Mesmo que afirmemos que há elementos dialógicos na ética kantiana, na medida em que ele busca “a obrigatoriedade das leis éticas na ideia de uma comunidade racional oposta”156 ou mesmo que considere o interlocutor em seu procedimento isolado, como no caso de um experimento mental.

Com o desenvolvimento da proposta de Apel para a ética do discurso, ficará claro como o próprio Apel responde aos problemas que têm sido objeto de nossas reflexões até agora.

A CENTRALIDADE DO DISCURSO

A virada linguístico-pragmática como marco teórico da ética do discurso

Consequentemente, não apenas o conhecimento científico, mas todo o uso da linguagem pode reivindicar validade intersubjetiva. Ele argumenta que todo enunciado, isto é, todo ato de fala, está associado a uma ação realizada pelo dizer. Isto significa, entre outras coisas, que todo ato de fala possui uma dupla estrutura: a dimensão performativa e a dimensão proposicional.

O ato de fala não se caracteriza simplesmente pelas regras gramaticais ou pela dimensão semântica de um conteúdo proposicional, mas também pelo uso da linguagem, ou seja, pela dimensão pragmática. Em outras palavras: a ética do discurso pressupõe que a dimensão pragmática é constitutiva da linguagem. Isto acontece porque ao enunciar um ato de fala o falante não apenas expressa um conteúdo proposicional, mas ao mesmo tempo faz algo, a saber: ele levanta reivindicações de validade.

55 Portanto, com base no pressuposto da estrutura performativo-proposicional da linguagem, Apel argumenta que em cada ato de fala levantamos necessariamente quatro reivindicações de validade: a reivindicação de inteligibilidade, ou seja, quando o falante pronuncia algo, o falante espera que o interlocutor entenda o que isso acontece. ele diz; a pretensão de verdade (função constativa da linguagem), ou seja, quando diz algo, o falante levanta a afirmação de que o que diz é verdade; a pretensão de correção (função reguladora da linguagem), que está relacionada à normatividade que regula a interação linguística; e por fim a pretensão à verdade ou sinceridade, que está relacionada ao sujeito e às suas intenções ao enunciar o ato de fala (função expressiva da linguagem).

O discurso como forma reflexiva da interação comunicativa

Analisando a estrutura da linguagem, Apel e Habermas pensarão num novo conceito de racionalidade que se baseia em reivindicações de validade. À medida que levantamos ou aceitamos reivindicações de validade levantadas por outrem, assumimos implicitamente a obrigação de orientar a acção tendo em mente as implicações dessa posição. Nesse sentido, a linguagem assume um papel importante na coordenação das interações que ocorrem no mundo da vida.

Desta forma, “como todo conhecimento não temático, o mundo da vida está presente de forma implícita e pré-reflexiva. Porém, quando alguma dimensão do mundo da vida é questionada e assim perde sua característica de certeza imediata, as reivindicações de validade que sustentavam as razões que a justificavam naquela dimensão começam a ser questionadas. Isto constitui, como veremos, um procedimento reflexivo a partir do qual se torna possível avaliar reivindicações de validade que se tornaram problemáticas no contexto da interação comunicativa espontânea.

O discurso, entendido como uma “forma pública reflexivamente invencível de todo pensamento”,183 ocorre quando é necessário justificar exigências de verdade e correção normativa, que se tornam problemáticas no contexto do mundo da vida.

A Fundamentação da Ética do Discurso

Portanto, como tentamos mostrar até agora, o discurso ocupa um lugar central para Apel na fundamentação da ética do discurso. Para Apel, o princípio moral é formal-universal e se encontra nas condições transcendentais de possibilidade do discurso. Se a parte A da ética do discurso “se configura como uma antecipação contrafactual e como um postulado ou princípio regulador”,209 a parte B, por sua vez, diz respeito às práticas efetivas da comunidade real de comunicação no mundo da vida.

Portanto, a parte B da ética aparece como uma necessidade interna ao próprio desdobramento da ética do discurso. Com base nesta necessidade dialética e moral, Apel aponta dois princípios reguladores essenciais relacionados à parte B da ética do discurso. O que se coloca aqui é o problema de uma ética de princípios para a qual não estão dadas as condições necessárias para a aplicação do princípio do discurso.

Apel mantém assim a diferença e a complementaridade da ética normativa do discurso universal e das formas de aplicação de uma ética da boa vida.

O ALCANCE DO DISCURSO

Ética e discurso

75 O discurso como exemplo de solução de todos os problemas do mundo da vida e também de mediação de todo e qualquer pensamento ou reflexão significativa é de importância central na configuração da ética do discurso. A partir da pragmática transcendental, como vimos no capítulo anterior, Apel afirma a centralidade do discurso tanto em relação à justificação das normas situacionais quanto ao fundamento da ética. Depois de esclarecer a posição e a importância do discurso argumentativo no pensamento de Apel, é importante destacar aqui uma distinção entre a proposta de Apel e a de Habermas.

Apel argumenta que o princípio do discurso não é moralmente neutro e que um fundamento último da ética é possível. Segundo Manfredo, a cisão entre os dois principais teóricos da ética do discurso decorre da forma como ambos estabelecem “a relação entre conhecimento empírico e conhecimento”. Perante este contexto, o fundador da Ética do Discurso pretende escapar a duas posições que considera erradas, nomeadamente: por um lado, a separação ilimitada entre moral e política; e, por outro lado, a tentativa de moralização forçada do Direito e da Política positivos de forma não dialógica.

Defende, portanto, a necessidade de reconsiderar a relação entre ética, política e direito, a partir da afirmação do papel central do discurso.

Política e discurso

Contudo, a afirmação na Parte B da Ética sobre a necessidade de uma estratégia de contraestratégia não anula a validade do princípio ideal do discurso. Como explica Apel, “o próprio princípio ideal do discurso, neste caso, ainda servirá como ponto de orientação teleológico para a complementaridade estratégica do princípio deontológico da universalização da ética do discurso”. Segundo ele, isso significa que “se as condições sociais para a aplicação da ética do discurso fossem realizadas, o princípio da universalização (U) da ética do discurso seria apenas um princípio puramente deontológico-formal e, como tal, um princípio incondicional e válido. princípio válido, inevitável.”253.

81 apenas os problemas do mundo da vida”.254 Nesse sentido, Apel argumenta que “a ética do discurso consegue tanto fornecer a base racional para o conceito de corresponsabilidade que precisa ser reconsiderado, quanto em manter o controle – através do regulador ideia assim fundada. – a organização de uma corresponsabilidade coletivamente eficaz de todos e em todos os níveis da cooperação humana”.255. Portanto, a ética do discurso exige que nos discursos reais não apenas aqueles que são realmente afetados pelos problemas participem efetivamente da argumentação, mas que os especialistas também contribuam com o objetivo de possibilitar “a implementação da corresponsabilidade pelas consequências de nossas possíveis ações”. 265 Aparece então. Portanto, a ética do discurso não ofereceria grandes perspectivas para a solução racional dos problemas e muito menos para a transformação da sociedade atual.267.

Por outro lado, devido à sua proximidade com a Moral, a sua subordinação à Política é inviável.268 Surge a seguinte questão: qual o alcance do discurso no quadro do direito.

Direito e discurso

Deve-se, portanto, ter em mente que a ética discursiva apeliana não é constituída apenas por um princípio ideal desligado da práxis. Parte A: Trata das condições ideais da ética do discurso, incluindo a ausência de coerção e a “formação discursiva de consenso”;297. Como vimos, a base da Lei envolve incidentalmente a consideração da complementaridade entre as partes A e B da ética do discurso.

Portanto, Apel segue o caminho da expansão, a partir de uma ética da responsabilidade, do conteúdo moral do princípio do discurso através de uma reflexão filosófica rigorosa, a fim de alcançar uma prática eficaz. Para Apel, a ética do discurso deve abordar a inadequação que, em termos da ética da responsabilidade, o princípio (U) da moralidade ideal do discurso tem no mundo da vida real. E ele tenta explicar estes dois aspectos pelo facto de o direito encontrar a sua base normativa num princípio de discurso “moralmente neutro”.

Isto resulta na necessidade de um complemento ao direito, na medida em que o princípio do discurso exige, além do princípio moral, também a responsabilidade histórica pela criação das condições para a aplicação da moralidade do discurso.317 Pelas Partes A e B do discurso ética, pudemos verificar que o papel central do discurso é necessário para ambos. No que diz respeito aos fundamentos da ética, o principal desafio foi justificar no âmbito do discurso o uso da coação específica da lei.

Referências

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Palavras-chave: monitoramento, qualidade de água, pH, turbidez, fluoreto, ferro, manganês, cloro Área do Conhecimento: