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FERNANDO DA ROCHA PERES: - UEFS

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Academic year: 2023

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Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural, da Universidade Estadual de Feira de Santana como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Literatura e Diversidade Cultural. Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Letras e Artes, Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural, 2012.

O CENÁRIO MODERNO

As afirmações em seus versos servem de base para o eu lírico, pois ele enfatiza o caráter plural da poesia. Nesse momento, o eu lírico se reconhece como fruto da tradição: “Seu canto agora é meu”. Para mostrar a passagem do tempo desde o nascimento até o fim, o eu lírico estabelece o início do tempo “quando nascem certas flores”.

Diferentemente do poema “3x4”, em que o poeta utiliza o tema do tempo para falar sobre sua relação com a obra poética, para se caracterizar e para criar sua própria identidade, o poema Tempus fugit centra-se em pensar a consciência do eu lírico que é confrontado. a efemeridade da vida: “O tempo evanescente da garoa”. Pensar o tempo na poesia de Peres é reconhecê-lo como um encarceramento do eu lírico a momentos de sua memória afetiva por meio do cruzamento com suas memórias, levando à descoberta de que ele é um ser transitório e conduzido até o fim. Para confirmar a ideia de mutações, ao longo dos versos, o eu lírico enfatiza as constantes mudanças que Salvador sofreu ao longo de sua história: “Uma cidade sofre e desmorona”.

Da mesma forma, percebe-se a tristeza e a inconsistência do eu lírico no poema À cidade da Bahia, de Gregório de Matos nos versos: ”Triste Bahia. O eu lírico se posiciona como observador dos acontecimentos da cidade ao perceber que não consegue medir forças com a ganância com que a cidade ganha vida e se reconstrói. Partindo da noção de “tradição como ruptura”, buscamos apresentar as vozes assumidas pelo eu lírico na poesia de Peres.

Este registro demonstra a capacidade do poeta de refletir de forma sucinta o homem moderno, revela sua consciência de sua condição diante da realidade e da fragmentação do eu lírico.

O MODERNISMO NA BAHIA

FERNANDO DA ROCHA PERES E A MODERNIDADE

Portanto, Fernando da Rocha Peres dialoga consigo mesmo e com o leitor por meio de diferentes vozes que se transformam de acordo com suas descobertas. A poesia de Fernando da Rocha Peres apresenta um sujeito poético reflexivo e atuante no processo histórico, pois, ao mesmo tempo em que se deixa transformar pelo cotidiano moderno, constrói sua própria história.

A TRADIÇÃO DA MODERNIDADE

A TRADIÇÃO NA POESIA DE FERNANDO DA ROCHA PERES

Em "Poesia é canto", o próprio letrista refere-se à origem da letra como canção, e acrescenta a imagem da voz como luz, o que se relaciona com a ideia de cantochão, forma de música mais antiga ainda hoje utilizada na religião .usado. Portanto chega à conclusão de que “a poesia é tudo”, pois através dela o homem pode redescobrir o mundo e o poeta pode alcançar as realidades subjetivas que estão escondidas pela racionalidade concreta. Em contrapartida, o poeta afirma: “a poesia não é nada”, dá uma sensação imediata de ceder ao leitor, mas logo depois nada, o fato de as palavras e suas.

É assim que termina a leitura do poema e entende-se que “a poesia é um retrato”, o espelho 3x4, ou seja, o autoconhecimento de si mesmo e das suas próprias provações. Diante de tantas observações, o eu lírico finaliza seu poema pedindo ao leitor que observe que “poesia é isso” ou tudo isso, esse conjunto de sensações e por isso devemos senti-las e refletir sobre elas. O poeta explora os múltiplos sentidos do que é poesia, além de estabelecer paradoxos entre as imagens sugeridas pelo texto ao confrontar diferentes conceitos sobre a mesma coisa: “Poesia é tudo” / “Poesia é nada”.

DÍALOGOS COM A CRIAÇÃO POÉTICA: A CRIAÇÃO E A CONDIÇÃO DO

Para isso, estabelecerá um diálogo comparativo entre a poesia e outra arte, a música: “Quero a oitava face / a música do poema não escrito”. Em busca do poema “perfeito” que traduza todas as sensações, o próprio letrista contrasta dois músicos respeitados em suas respectivas épocas, o primeiro, um compositor clássico do século XVIII e o outro, um cantor de música negra norte-americana do século XX. século. Porém, essa concha não serve para proteger o leitor de algo desconhecido, pelo contrário, serve para prepará-lo para as revelações que virão ao longo do poema.

Apesar de estarem escondidos ‘sob a carcaça’, é através deles que o eu lírico revelará ao leitor as funções do poema como ferramenta para a compreensão do mundo que o rodeia e da sua própria existência. Então o poeta, conhecendo essa qualidade de criador e pioneiro, irá gradualmente “descascar o poema”, demonstrando consciência de sua condição de poeta e de criar textos poéticos. O escritor retornará a este tema. Por outro lado, o eu/autor lírico busca o apego do leitor ao poema transcrito para fins de compreensão do código, visto aqui no sentido mais específico da concepção do poema.

PERES E OUTROS POETAS

Num segundo momento, a própria letra enfatiza a passagem do tempo como elemento importante, não apenas como marcador cronológico, mas também como aspecto essencial para o seu reconhecimento: “À distância tudo diz e marca, / não só no tiquetaque -tock, mas nas rugas. Assim como os demais poemas, “Velar” sinaliza ao leitor que o eu lírico está atento e vigia na noite enevoada, até o amanhecer. De manhã, um dossel de tecido tão arejado que, ao ser tecido, sobe sozinho: luz de balão.

João Cabral revela nos seus versos uma construção metalinguística baseada numa abordagem metafórica do processo de criação artística, onde o poeta utiliza repetidamente os conceitos de “galo” e “tecelagem” para enfatizar a relação entre o poeta e a sua criação poética. Fernando da Rocha Peres demonstra assim em seus poemas uma tentativa de se reconhecer como poeta ao retornar às suas referências, convidando o leitor a mergulhar na subjetividade de seu verso, ancorando-se na multiplicidade de significados que a própria letra pretendeu. oferece-nos quando cita: “Lorca é Lorca, toureiro vivo”, “E Cesário, de verde, fica” e, “a sua canção é minha”. Portanto, a arte de um poeta não pode se limitar a uma época, pois atinge várias gerações através da tradição.

O TEMPO HISTÓRICO NOS VERSOS DE PERES

Voltando a este tema, muitos poetas contemporâneos incluem como característica dos seus textos a preocupação com a passagem do tempo como elemento definidor da sua posição no mundo moderno. A passagem do tempo, como já vimos, foi tema recorrente na literatura barroca e consequentemente também em Gregório de Mattos. Uma das características marcantes dos textos de Fernando da Rocha Peres é a ansiedade pela passagem do tempo como elemento definidor da vida do homem moderno, juntamente com os acontecimentos do seu cotidiano que estimulam a inquietação.

De forma semelhante aos versos de Cecília Meireles, Peres estrutura seus versos através de uma comparação entre sua aparência no passado e como está no presente, utilizando palavras simbólicas de idade: “rugas”, “ultrapassado” e termos que se referem a o tempo como sinal de vida do eu lírico: “ampulheta”, “pedágio do tempo”. O poeta tem “idade suficiente / para ver nos cabelos grisalhos / o giro do tempo”, ou seja, o eu lírico tem consciência de que os anos chegaram, mas com eles foi criada uma escrita. Este poema nasceu da preocupação do poeta com a irreversibilidade do tempo: “O tempo começa e o tempo termina”.

AS VISÕES DA CIDADE NA POESIA DE FERNANDO DA ROCHA PERES

Foi verdadeiramente a vida de uma cidade antiga, Salvadolores, que não foi feita, nem foi feita, mas foi desfeita, porque os homens interferem e descolorem e desfiguram, sempre. O poema Salvadolores de Fernando da Rocha Peres constrói o ambiente de uma casa numa época relacionada com a infância do poeta, revelando vários aspectos característicos dessa época que diferem dos hábitos da sociedade moderna. Em Salvadolores, o poeta constrói imagens do seu cotidiano de criança através do ambiente de uma casa que permanece intacta em sua memória afetiva: “A casa estava arrumada e limpa, a cama/feita com lençóis, cheirava a lavanda”.

Bem como referências ao momento histórico em que viveu esse menino, inserido no cotidiano de sua infância, que o escritor chamou de “a vida de uma cidade antiga”. De forma diferente, na canção Salvadolores, acompanhamos a evolução do homem como fruto da família e dos costumes, que foram deslocados pelo novo ritmo da vida atual. Casa arrumada e limpa”, “rádio com notícias de guerra”, “Getúlio Vargas fala”, “dormimos de janela aberta” “esta era mesmo a vida de uma cidade antiga, / Salvador, que não se faz mesmo que se faça , /está desfeito” (PERES, 2004, p. 10) são expressões simbólicas do retorno ao passado, que conectam o poeta no confronto entre o passado e o presente da cidade.

O REENCONTRO DA CIDADE

O poema intitulado Salvadolores II nos revela de imediato a consternação que esse eu lírico experimenta ao cantar sobre a cidade de Salvador diante de suas transformações. Ao mesmo tempo, surge como uma declaração de amor a este lugar, pois o eu lírico rejeita todos aqueles que modificaram a sua composição original. O poema termina com um retorno às fotografias dos fotógrafos Mulock e Nilton Souza, para revelar mais uma vez o desânimo do eu lírico ao se deparar com esta cidade que lhe aparece: “basta olhar e chorar triste”.

Assim, o eu lírico, ao questionar esta nova cidade que surge diante de seus olhos, encerra sua fala, notando ligeiras semelhanças entre a ansiedade da condição humana moderna e o pensamento barroco de inquietação. O eu lírico não oferece salvação ao leitor, incitando-nos a refletir sobre o estado desta nova cidade que está sendo criada e do homem a quem pertence, revelando elementos dessa relação de troca e repulsa, que ocorre como um círculo vicioso. . Nos primeiros versos, o eu lírico prova que a “máquina comercial” foi criada e contribui para a inconsistência desta cidade, enquanto nos seguintes “documentos vivos” a representam.

O DESENVOLVIMENTO DA CIDADE

De forma bastante objetiva, o poeta inicia seu poema apresentando sua visão sobre o que é uma cidade: “Uma cidade não se explica, ela é”. Portanto, para o eu lírico, a cidade não pode ser considerada apenas como uma estrutura de casas, lojas e um conjunto de edifícios, definidos pelas mais diversas formas possíveis. Não basta definir a sua cidade, / construir o seu mercado, / levantar defesas, criar galinhas, / porque a cidade quebra chão e portas, / mesmo sabendo dos Tupinambás” (PERES, 2000, p. 87).

Porém, mesmo com tais transformações, a cidade mantém sua rotina e peculiaridades: “A cidade vive /com seus pulmões de árvores”. Apesar de tantas transformações, a cidade sobreviveu desenvolvendo-se como uma rede de relações, pessoas, lugares, sentimentos, informações: “A cidade é uma teia”. Uma rede que quer horizontes, que se estende como uma centopéia e que, como um organismo vivo, rejeita o concreto que emoldura as pessoas: “A cidade odeia o cimento sobreposto / e todos aqueles que estão nas caixas, / nos seus elevadores” (PERES, 2000, pág.88).

Referências

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