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Academic year: 2023

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A regra da igualdade consiste apenas em tratar desigualmente os desiguais na medida em que são desiguais. Nele, o princípio da igualdade factual desempenha o papel, muitas vezes sob o nome de “princípio do estado social”, de uma razão para limitar o direito geral à igualdade jurídica.

O CONCEITO DE GÊNERO E SUAS DISCRIMINAÇÕES

Através das diferenças percebidas entre os sexos e como essas diferenças são implementadas e transformadas em desigualdade, é possível perceber um modelo de género válido. A partir desta compreensão, pode-se concluir que as relações de género fazem parte da estrutura e organização da sociedade, tendo consequências intermédias e imediatas para a reprodução das relações sociais.

A MULHER E SUA RELAÇÃO COM O DIREITO DO TRABALHO

O FUNDAMENTO PROTECIONISTA AO TRABALHO DA MULHER

Os critérios para a protecção das mulheres no trabalho são conservadores e podem muitas vezes discriminar em vez de proteger. No entanto, este artigo levantou dúvidas sobre a sua compatibilidade com as normas de protecção do trabalho das mulheres. Mesmo reconhecendo a igualdade de direitos entre os sexos, a consolidação laboral manteve algumas regras exclusivas em relação ao trabalho das mulheres.

Alguns artigos do capítulo de proteção ao trabalho da mulher foram revogados, por serem considerados incompatíveis com a Constituição Federal e não haver fundamento justificativo para tal diferenciação. A proteção do trabalho das mulheres está elencada mais precisamente no artigo 373-A da LPP, de forma a não prejudicar a entrada das mulheres no mercado de trabalho, evidenciando a sua necessária proteção. As salvaguardas abordadas neste tema são essenciais para garantir a melhor e maior participação social das mulheres no mercado de trabalho.

O artigo 384 da CLT, inserido no capítulo de proteção ao trabalho da mulher, é fruto de uma diferenciação protetiva injustificada, acaba gerando.

JORNADA DE TRABALHO

O tempo passado pelo trabalhador no local de trabalho e no regresso, por qualquer meio de transporte, não é contabilizado na jornada de trabalho, exceto quando, tratando-se de local de difícil acesso ou não acessível por transporte público, o empregador providenciar a condução. 52. Já a jornada de trabalho é o tempo trabalhado diariamente ou quando o empregado está à disposição do empregador. Nesta visão encontramos uma definição apoiada pelo estudioso Maurício Godinho Delgado: “a jornada de trabalho é o período diário durante o qual o trabalhador se coloca à disposição do empregador no âmbito do contrato em causa”53.

As razões pelas quais hoje existe uma jornada de trabalho limitada são os fatores de discriminação que violaram a dignidade humana nos últimos séculos. Nesse período não houve intervenção estatal, sendo as relações trabalhistas ditadas pelo próprio empregador. Refira-se que embora a ressalva do artigo 373.º pareça restritiva quando diz que “salvo os casos para os quais seja fixada uma duração inferior a oito horas”, as convenções colectivas podem aumentar a jornada de trabalho em uma.

A Lei Suprema fixa prazo máximo para prestação de serviços em um dia, mas não fixa prazo mínimo para trabalho, o que traz um conceito importante para a Carta Magna de 1988, pois a jornada de trabalho pode ser aumentada ou compensada. as horas extras trabalhadas por meio de acordos e convenções coletivas.

A JORNADA EXTRAORDINÁRIA

No primeiro caso, o acordo de prorrogação do horário extraordinário está previsto no artigo 59.º da LPP, que estipula que “a duração do horário normal de trabalho poderá ser acrescida de horas adicionais, em número não superior a 2 (duas), por acordo escrito. entre o empregador e o empregado, ou através do contrato coletivo de trabalho"63. Este acordo de prorrogação de horas extraordinárias é um compromisso acordado entre as partes para que a jornada de trabalho possa ser prorrogada para além do limite legalmente definido, através da remuneração do adicional de horas extraordinárias e este acordo pode ser celebrado por tempo indeterminado ou não, por acordo colectivo ou convenção. . O artigo 60 da CLT estabelece que nas atividades insalubres as prorrogações só poderão ser concedidas mediante notificação prévia às autoridades responsáveis ​​pela segurança e higiene no trabalho.

Outra forma de aplicação de horas extras é a compensação de jornada de trabalho, que corresponde à prorrogação da jornada de trabalho em um dia e sua redução no outro, sem aumento de remuneração. O aumento salarial poderá ser dispensado se, com base em acordo ou convenção colectiva de trabalho, o excesso de horas de um dia for compensado pela redução correspondente noutro dia, de forma que não exceda um período máximo de cem e vinte dias, até o somatório da jornada semanal prevista, e não ultrapassando o limite máximo de dez horas diárias.66. Havendo necessidade imperiosa, a duração da obra poderá ultrapassar o limite legal ou pactuado, seja para fazer face a casos de força maior, seja para atender à execução ou conclusão de serviços que não possam ser adiados ou ao descumprimento que possa resultar para compensar prejuízos .

E se houver uma vantagem em fazer horas extras para as mulheres que não existe para os homens, o empregador provavelmente preferirá que os homens façam horas extras, eliminando o desejo e a capacidade das mulheres de trabalhar mais horas e aumentando o poder do seu rendimento salarial.

A INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL

O primeiro propósito fundamental da interpretação constitucional é garantir a máxima eficácia do texto principal, consolidar a sua força normativa e garantir a interpretação de todo o sistema jurídico de acordo com as regras. A terceira finalidade é exercer o controle formal e substantivo sobre as leis e atos normativos promulgados pelos poderes compostos. No que diz respeito ao artigo 384.º da Consolidação das Leis do Trabalho, é evidente que o texto constitucional não foi integralmente respeitado, uma vez que o artigo visava proteger as mulheres por motivos que não podem ser justificados na Constituição.

Nesse sentido, diante de normas que possuem diversos significados possíveis, deve-se buscar estar de acordo com as normas constitucionais, evitando a sua declaração como inconstitucional. O resultado da interpretação deverá necessariamente estar em conformidade com a Constituição, sob pena de declaração de inconstitucionalidade. Em princípio, o artigo 384 da LPP viola cláusulas da Constituição Federal, a partir do artigo 5º, inciso I, violando o princípio da igualdade.

É importante ressaltar que o referido artigo também é contrário ao artigo 3º, inciso IV, que enfatiza que a finalidade da República Brasileira é promover o bem de todos sem qualquer diferenciação que resulte em discriminação.72 E o artigo 7º, ponto XX. na Constituição Federal cita: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XX- proteção do mercado de trabalho da mulher por meio de incentivos específicos, na forma da lei.”73 .

O POSICIONAMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FERDERAL

As normas internacionais não só vigoraram em nosso país, mas também foram adotadas pela nossa Carta Constitucional de 1988, que ainda proclamou outros direitos específicos da mulher: i) nas relações familiares, coibindo a violência doméstica (art. 226, §§ 5º e 8º); ii) no que diz respeito ao mercado de trabalho, ao proibir a discriminação (art. 7º, inciso XXX) e, especialmente, iii) também no que diz respeito ao mercado de trabalho, ao garantir proteção especial às mulheres através de incentivos específicos, conforme previsto no art. 7º, XX, regulamentado pela Lei nº 9.799, de 26 de maio de 1999, que inseriu na consolidação da legislação trabalhista normas sobre o acesso da mulher ao mercado de trabalho. O relator enfatizou que o sistema jurídico prevê disparidades de tratamento devido à proteção insuficiente do trabalho de mulheres e menores.

No entanto, é errado pensar na aplicação deste artigo apenas ao sector feminino, que se baseia na afirmação da inviolabilidade dos princípios constitucionais e da protecção do trabalho feminino do ponto de vista das diferenças biológicas que existem entre o sexos, como se baseia essa aceitação. Dado que não existe tal distinção entre pausas durante o horário de trabalho, a distinção entre horas extraordinárias não é completa. Assim: i) estabeleceu cláusula geral de igualdade, que prescreve, em seu art. 5., caput que “todos são iguais perante a lei, sem diferenças”; ii) estabeleceu uma cláusula específica sobre igualdade de género, que declarava que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações” (artigo 5º, inciso I, CF); e iii) excluiu simultaneamente a possibilidade de tratamento diferenciado, para.

A concordância do relator, ministro Dias Toffoli, para a adoção do artigo 384, foi seguida pelos demais ministros da Corte, com apenas dois ministros que não concordaram com a decisão.

Diante disso, deve ser levado em consideração na interpretação do artigo 384 da CLT, pois se o legislador considerar que o descanso entre os trabalhos é necessário para todos os sexos, não haveria necessidade de falar em desequilíbrio entre os sexos no que diz respeito às horas extras. descansar. Ignorar a necessária protecção do trabalho das mulheres significa um regresso a tempos de maiores dificuldades e de total insatisfação com o trabalho das mulheres. Dos artigos contidos na seção sobre proteção da mulher no trabalho, hoje apenas o artigo 384 se aplica exclusivamente às mulheres, enquanto as demais normas também se aplicam aos trabalhadores do sexo masculino.

Não há razão para impedir a aplicação do artigo 384 da CLT, principalmente porque a lei prevê isso expressamente. Em terceiro lugar, porque é também coerente com o objectivo do direito laboral de proporcionar melhores condições de trabalho aos trabalhadores. Aliadas as condições biológicas e históricas do trabalho feminino aliadas ao princípio da igualdade e da ação positiva, concluímos que o artigo 384 da CLT não se enquadra na necessária distinção quanto à proteção do trabalho feminino, pois pode-se dizer que a igualdade vai além da mera correspondendo a uma igualdade formal, tenta corresponder a uma igualdade material, isto é, uma igualdade de facto, que deve ser prática.

Assim, fica estabelecido que a norma jurídica do artigo 384 não possui condições justas e fundamentais para sua utilização na prática, pois não funciona e causa frustração. Portanto, para a solução do problema jurídico e social, que fere o princípio fundamental do Estado Democrático de Direito, com base na interpretação conforme a Constituição e os mandamentos do artigo 3º do IV. Artigo 5º, inciso I e Artigo 7º, ponto XX; XXX, a par da teleologia do ordenamento jurídico laboral, que a aplicação mais justa e equitativa da extensão do artigo 384.º da Consolidação da Lei do Trabalho a todos os trabalhadores, independentemente do sexo masculino ou feminino. Porque apesar da inconsistência, o artigo 384 é de fato constitucional e deve ser ampliado para que a norma possa ser literalmente implementada.

Referências

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