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Leticia Freire da Rocha-Tese.pdf

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Academic year: 2023

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Transtorno de estresse pós-traumático em policiais militares do Rio de Janeiro / Letícia Freira da Rocha. Este trabalho tem como objetivo evidenciar o envolvimento do transtorno de estresse pós-traumático em policiais militares do estado do Rio de Janeiro.

Ser de dentro e ver de fora: o cotidiano como oficial psicóloga num batalhão

Muniz (2012) cita um policial militar que, em seu primeiro serviço de pós-graduação, ouviu de policiais mais experientes que não adianta a teoria, que a prática é outra coisa e que é preciso “ler as ruas”. adquirir o sentido técnico e policial do “olho”. Concordo que é fundamental que as características de um soldado de guerra e de um policial militar sejam diferentes. Para ilustrar essa afirmação, cito outra entrevista realizada com um coronel, comandante de batalhão , em que falou sobre o tipo de treinamento que os policiais recebem e afirmou que eles são forjados a ferro e fogo para serem homens fortes.

Isso reforça toda a minha hipótese de que existe uma proibição, um não dito sobre esse assunto em favor de um ideal imaginativo, mesmo que inconsciente, de comportamento esperado. Ele sabia que não trabalharia mais em patrulhas de rua devido à perda de visão de um dos olhos, e isso foi devastador. A Polícia Militar do Paraná, por sua vez, conta com um centro terapêutico com especialistas que orientam os policiais que passaram por determinada situação estressante.

Quando atirei por erro de um colega e outra coisa, não consegui atirar dentro do veículo blindado. Na segunda vez que fui assaltado, o cara colocou a arma na minha cara e disse: “Vou te matar”, e eu disse: “Mata”.

Ser de dentro e ver de fora: estrutura e rotina organizacional

Ser de dentro: desafios de pesquisar a própria instituição

Considero fundamental ler muito sobre o que se pesquisa e escreve, principalmente nesta situação específica em que me encontro, para conviver diariamente no campo da pesquisa, pois é fundamental que eu permaneça “de fora”. Num movimento reflexivo, o reconhecimento de outra visão de mundo implicava entrar em contato com a própria visão de mundo, e nesse sentido o fato de ser surpreendido por determinados tipos de coisas traz à tona uma série de preconceitos que se tinha sobre a Polícia Militar e sobre o Polícia Militar, sem nem saber que estava lá.

A polícia e o policial militar

Minayo e Souza (2003) realizaram pesquisa com policiais civis, na qual foram unânimes em suas percepções de que a percepção da sociedade sobre seu trabalho é negativa e prejudicial, revelando falta de reconhecimento, desvalorização e incompreensão de sua missão. Esses profissionais têm consciência de que o risco e a coragem são inerentes aos atributos de suas atividades.

O serviço de psicologia na PMERJ

Saúde quando foi implantado o Serviço de Psicologia nessas unidades, mas a maior parte das ações iniciais com a tropa foram interrompidas em pouco tempo devido à urgência da polícia estar na rua, pois a prioridade nas unidades operacionais é aberta e a preservação de ordem pública. Desde então, cada unidade desenvolveu diferentes percursos, trabalhos e atividades, sendo que cada psicólogo oferece o Serviço de Psicologia e discute com o comandante da sua unidade a melhor conduta possível. Hoje a Psicologia está inserida em diversas unidades da corporação, o quadro de funcionários foi ampliado e conta com cem vagas e em julho de 2011, dez anos após o primeiro concurso que abriu o quadro de psicologia da corporação, entrou um novo grupo de oficiais psicológicos.

Para familiarizar o leitor com a gama de apoio psicológico oferecido pela PMERJ, descreverei todas as localidades atendidas atualmente pelo serviço psicológico.

Cenário encontrado pelos policiais militares do Rio de Janeiro

Aspectos da formação do policial militar combatente

No que diz respeito ao processo de socialização, Berger e Luckmann apud Poncioni (2005b) explicam que não é um fenômeno isolado, mas é resultado de um processo contínuo ao longo da vida do indivíduo, e que neste processo podemos distinguir entre socialização primária e secundária e formal. socialização e informal. Sendo a profissão policial uma carreira que abrange toda a existência do indivíduo, uma forma de estar no mundo pela especificidade do trabalho policial, que não se limita aos momentos de serviço: ouvimos o tempo todo nos batalhões que você é um policial 24 horas por dia. Todos os dias, mesmo nos feriados, vale a pena nos perguntar quais são as consequências de um ethos guerreiro assim inculcado nesses indivíduos. Como ilustração desse discurso não oficial sobre tais práticas, aponto o blog “Diário de um Policial Militar”, onde o tema “Querem me convencer de que já fui torturado” foi discutido em fevereiro de 2007 devido a um vídeo veiculado na mídia, mostrando novatos em treinamento a caminho da fazenda em posição de flexão, o que foi noticiado como "policiais foram obrigados a andar de quatro".

Certa ocasião ouvi uma história inesquecível de um executivo que falou abertamente sobre as práticas atuais na empresa, oficiais e não oficiais, que ele implementa.

Negação do medo: uma construção

Se cessarem os sentimentos de consideração demonstrados pelos membros do grupo uns para com os outros e o indivíduo começar a preocupar-se apenas consigo mesmo, ele começará a sentir que está sozinho diante do perigo, e certamente poderá achá-lo maior, embora o perigo não tenha aumentado. não. mais do que um diploma que é habitual e que muitas vezes já foi enfrentado antes. Bakhtin apud Burkitt (2008) nos mostra que existem momentos de passividade e momentos de atividade na vida, sendo partes de um mundo não criado por nós como indivíduos, mas de um mundo do qual participamos ativamente e reconstruímos parcialmente o tempo todo. Ser policial / É motivo de estar acima de tudo / É enfrentar a morte, / Mostrar-se forte / Aconteça o que acontecer / Em todos os cantos do estado / Deste querido Rio de Janeiro, / Faremos o nosso grito ouvido, / O grito de vida eterna de um bravo guerreiro.

Assim, as válvulas de escape para o sofrimento emocional e psicológico muitas vezes passam pelo álcool, nas aventuras dos casos extraconjugais, no reforço das experiências externas para escapar do mundo interior que está escapando.

Adoecimento mental entre a população policial

Conheci mais de um policial que foi parado e não liga mais, não aguenta mais as ruas, quer ir para um trabalho mais tranquilo por causa de muitos problemas com um policial ferido na casa ao lado, morto no país vizinho. o amigo que morre e fica paraplégico. Ela cita em seu artigo a fala de um policial que já tentou suicídio três vezes e que acredita estar destruído dentro da polícia, onde afirma não haver espaço para lidar com problemas emocionais, pois estes seriam um tabu, já que são ameaçam a ideologia máxima do primeiro-ministro, que venera o policial como um super-homem. Certa vez, respondi a um encaminhamento de um comandante depois que um policial de seu batalhão, a quem chamarei de Anderson, foi atingido no olho por cacos de vidro quando em patrulha suspeitaram de um veículo e, ao se aproximarem, foram baleados e houve uma troca de tiros.

Reforça a importância de iluminar esse lado real, mesmo que esteja escondido da população, da empresa e até da polícia - seja por uma cultura de “super-homens” ou pela falta de vontade da empresa em administrar os limites por parte de seus subordinados , seja pelos preconceitos ainda presentes na sociedade em relação aos problemas mentais, pelo sofrimento sentido pelos integrantes da sociedade PMERJ, cito Soares (2006), ex-secretário Nacional de Segurança Pública, descrevendo as palavras de um dirigente de empresa: ―Quando Vejo colegas atirando, matando e acompanhando a morte de companheiros, sinto que se eles permanecem frios e calmos, impassíveis, é porque algo dentro deles está abalado ou quebrado.”

Um problema de saúde pública

Acho correto algemá-lo, prendê-lo e levá-lo para Carlos Chagas.” 'Não, não é bem assim. Você não pode levá-lo para passear no veículo blindado, você tem que fazer isso. 'Eu venci.' 'Não faça isso!' 'Eu farei!'. Aí eu falei: “Roberto, faça o que você quiser!” E aí eu acabei com ele. Ele perguntou novamente se eu estava com problemas e continuei insistindo que estava bem, mas ele disse: “Tem algo errado com você!”. Acho que foi medo. Você está estressado, você está nervoso, eu posso ver, você está trêmulo, demora um pouco para fazer as coisas. -Estou bem‖. Aí Almeida falou com o policial que chegou perto de mim: “Jonas, o que está acontecendo?”

Eu queria estar na rua, mas hoje entendo que não posso estar na rua. Fui chamado de maluco, aí um major que estava aqui falou: “ele é maluco, não pode falar assim!”. Comecei a pensar que estava realmente louco. Eles são apenas policiais mais bem treinados, não são homens diferentes de nós.” Já falei isso para um capitão do BOPE que veio me dizer: “Ah, sou uma caveira”. E eu respondi: “só isso, porque entrar na favela com dez ou vinte é fácil, quero ver você entrar como se eu não fosse entrar, eu e meu colega sozinhos e correndo”. E eles fugiram porque nos reconheceram.

Transtorno do estresse pós-traumático na PMERJ

Diretrizes nacionais acerca desta questão

Mas na prática, infelizmente, esses psicólogos têm sido frequentemente chamados, em caso de morte de um policial militar, para acompanhar a família e não para apoiar os policiais. Os três trabalhos realizados pelos oficiais psicológicos do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da PMERJ são: Estudo sobre Acompanhamento Psicológico de Policiais Militares em Situação Pós-Confronto, 2009;. avaliação dos agentes psicológicos quanto ao programa de atendimento psicológico aos policiais militares envolvidos em incidentes com potencial risco de estresse pós-traumático e Mapeamento das ações dos agentes psicológicos para prevenção de incidentes críticos, ambos de 2012. O fluxograma do programa é baseado na apresentação do policial militar à secretaria do PAAPM, que após preenchimento do formulário de coleta de dados é encaminhado para avaliação psicológica individual.

O programa consiste em uma parceria entre o serviço de psicologia e a assistência social por meio da Diretoria de Saúde e Promoção Social daquela organização policial militar.

Dados estatísticos sobre licenças de saúde entre policiais militares

Na categoria “Apt C”, os transtornos mentais ocorrem muito antes dos demais diagnósticos, enquanto no LTS as lesões por envenenamento e outras consequências de causas externas aparecem primeiro, seguidas pelos transtornos mentais em militares e oficiais, entre lesões por envenenamento e outras surgem consequências de causas externas e transtornos mentais, surgem doenças do sistema músculo-esquelético. A tabela final, logo abaixo, lista as doenças mais comumente diagnosticadas em cada categoria de classificação, com um grande número de diagnósticos de transtornos mentais nessas duas categorias, Apto C e LTS, demonstrando que os transtornos mentais efetivamente afastam um policial. atividades finais. Outras doenças que afetam os policiais não são tão ameaçadoras para a corporação porque não tiram os homens das ruas como fazem os transtornos mentais.

No entanto, a observação que considero mais importante dos números recolhidos é que independentemente de se tratar de F43 ou de outra classificação, os transtornos mentais são a terceira principal causa de afastamento de oficiais de suas atividades principais e a segunda principal causa de afastamento das fileiras e indica que esse assunto merece grande atenção tanto internamente da corporação quanto dos responsáveis ​​pela Segurança Pública em geral.

Caso 1 - “Sonhei ser policial, agora não sei mais quem sou”. A vida de Jonas, um

Há uma cabana que não olhei porque pensei que não estava lá." Acho correto algemá-lo, prendê-lo, levá-lo e ajudá-lo até Carlos Chagas.” “Não, não é assim, não pode levar ele para passear no carro blindado, tem que fazer. ‖ ―Eu vou, não faça isso!‖ ―Eu vou!‖ . Me meti em confusão na rua e fui obrigado a matar alguém que não queria, nunca matei ninguém, queria trabalhar direito”.

Ele era o homem certo para dirigir e realmente achou que eu tinha talento até acabar no veículo blindado. Acho que não estava errado.

Caso 2 - Bruce: um homem, duas vidas

O fato

Tornar-se policial: a construção da identidade profissional do policial no estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) - Departamento de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2008. Fuga ao poder: cultura corporativista e “cor” na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.

Referências

Documentos relacionados

Alguns desses direitos, podem ser chamados também de direitos fundamentais, visto que tratam do mesmo assunto, mas são estudados em planos diferentes, como em relação ao Estado e entre