Para avaliar o desempenho do DAT e do IT-LEISH® foi utilizada a análise clássica de validação (AVC), tendo como padrão de referência o aspirado de medula óssea. Diante do alto desempenho demonstrado, o teste rápido DAT e o IT-LEISH são indicados para o diagnóstico da LV humana no Brasil. O DAT e o teste rápido IT-LEISH® apresentaram alto desempenho e são indicados para o diagnóstico de LV no Brasil.
Neste estudo, o desempenho do teste rápido IT-LEISH® foi comparado com a reação de imunofluorescência indireta (IFAT) e o ensaio imunoenzimático (ELISA) usando o antígeno solúvel Leishmania (Leishmania) infantum chagasi e o antígeno recombinante K39 ( rK39). Os resultados do estudo possibilitaram recomendar o uso do teste rápido DAT e IT-LEISH® para o diagnóstico de LV no Brasil e propor um estudo piloto para avaliar a implantação desses testes nos serviços de saúde. Um problema observado no estudo de validação do Teste Rápido IT-LEISH® foi a utilização do aspirado de medula óssea como padrão de referência.
Para a aplicação do ACL, foram utilizados os dados gerados no estudo de validação do DAT e do teste rápido IT-LEISH®.
As leishmanioses
Nesse mesmo período, foram registrados uma média anual de 3.690 casos de LV (Gráfico 1), sendo que em 2002 todos os estados brasileiros apresentavam doença indígena (Brasil, 2006; Maia-Elkhoury et al., 2008). Entre as doenças parasitárias, a alta taxa de mortalidade da LV é superada apenas pela malária (Chappuis et al., 2007). Pobreza, desnutrição, negligência, discriminação, mudanças ambientais, processos de urbanização e migração estão intimamente relacionados ao processo de disseminação e urbanização das leishmanioses, tornando esse grupo de doenças um sério obstáculo ao desenvolvimento socioeconômico em várias regiões endêmicas (OMS, 2010abc) . 2010), que avaliou o peso econômico da LV nas famílias afetadas pela doença em Bihar, na Índia, relatou que 87% foram forçados a fazer empréstimos para cobrir despesas médicas durante o curso da doença, alimentando ainda mais a pobreza na área. ..
19 Em muitas regiões, os pacientes e familiares afetados pela LV ficam mais pobres devido aos custos diretos (custos de diagnóstico e tratamento) e custos indiretos (por exemplo, dias de trabalho perdidos) da doença (Chappuis et al., 2007). As estratégias atualmente preconizadas pela OMS para combater a leishmaniose são o rápido diagnóstico e tratamento dos doentes, controle dos vetores, por meio de inseticidas residuais e mosquiteiros tratados com inseticidas, desenvolvimento de projetos de educação em saúde, com o desenvolvimento de materiais didáticos e de instrução e detecção, com devida contenção de epidemias em estágios iniciais (OMS, 2010ac).
A leishmaniose visceral
Aspectos históricos
Graças a estudos realizados por vários pesquisadores como Leônidas de Mello Deane e Maria José von Paumgarttem Deane em 1954, Sobral, Ceará, começaram as primeiras campanhas governamentais para identificar áreas endêmicas e controlar a LV no Brasil (Lainson et al., 1986) .
Aspectos gerais
A droga que é considerada a primeira escolha para tratamento em todo o mundo está, portanto, longe de ser satisfatória (Croft et al., 2006). 22 Atualmente, o Brasil enfrenta uma mudança no perfil epidemiológico da LV, doença que por muito tempo foi tipicamente rural, expandiu-se e urbanizou-se para cidades de médio e grande porte, como São Luís (Maranhão), Belo Horizonte (Minas Gerais) e Teresina (Piauí) (Luz et al., 2001; Brasil, 2006; Costa et al., 2008). Isso ocorre, na maioria das vezes, de forma desordenada, levando à precariedade das condições de vida e destruição ambiental, fatores que podem influenciar o surgimento da LV (Luz et al., 2001; Werneck et al., 2002; Brasil, 2006).
A co-infecção parasitária já foi relatada em pelo menos 35 países, com tendências crescentes na área de cobertura (Alvar et al., 2008; OMS, 2010ab). No Brasil, a co-infecção foi descrita em uma pequena série de casos, mas acredita-se que sua incidência real possa estar subestimada (Rabello et al., 2003; Cruz et al., 2006). Essa hipótese pode ser corroborada pelos resultados do trabalho de Orsini et al. 2012) avaliando infecção assintomática por LV em pacientes com HIV em Minas Gerais.
Quanto ao controle dos reservatórios animais, principalmente o cão, é de difícil implantação e manutenção, por ser uma medida controversa de eficácia (Brasil, 2006; . Costa et al., 2008).
Manifestações clínicas e diagnóstico diferencial
Sinais e sintomas de coinfecções bacterianas como pneumonia, diarreia ou tuberculose podem confundir a apresentação clínica durante o diagnóstico inicial. O hemograma mostra anemia, a contagem de glóbulos brancos é indetectável e a contagem de plaquetas ainda pode ser normal. Durante o período do quadro, pode-se observar febre irregular, geralmente associada a emagrecimento progressivo, palidez e aumento da hepatoesplenomegalia.
O quadro clínico prolongou-se por mais de dois meses, acompanhado de prejuízos no estado geral do paciente. No período final, que ocorre na ausência de diagnóstico e tratamento, há febre constante e intenso comprometimento do estado geral. Aparece a desnutrição (cabelos quebradiços, cílios alongados e pele seca) e edema de membros inferiores, que pode evoluir para anasarca.
Nesses pacientes, a morte geralmente é causada por infecções bacterianas e/ou hemorragias, que podem levar à morte do indivíduo (Brasil, 2006).
Diagnóstico
- Exames parasitológicos
- Exames moleculares
- Exames imunológicos
No Brasil, Pastorino et al. 2002) avaliou aspectos laboratoriais de crianças com LV e observou sensibilidade de 77% para o mielograma e 66% para a mielocultura. Posteriormente, Machado de Assis et al. 2008), também utilizando um kit fornecido por Bio-Manguinhos, avaliou o teste em 213 casos de LV confirmados parasitologicamente e 119 controles (indivíduos com quadro clínico sugestivo, quadro parasitológico negativo e doença confirmada), observando 88% de sensibilidade e 81% de especificidade. Estes detectam anticorpos específicos contra o parasita e têm seu desempenho diretamente afetado pelo antígeno utilizado (Ho et al., 1983).
Relata-se que essa abordagem diagnóstica reduz o número de aspirações realizadas em aproximadamente 80% (Ritmeijer et al., 2003; No Brasil, um teste rápido (Kala-Azar detect®) usado em LV humana foi inicialmente avaliado por Carvalho. Posteriormente, Machado de Assis et al. 2008) validaram o teste rápido IT-LEISH® em 213 casos de LV confirmados parasitologicamente e 119 controles (indivíduos com quadro clínico sugestivo, testes parasitológicos negativos e confirmação de outra etiologia), observando sensibilidade de 93% e 97% especificidade .
Em outro estudo realizado no Brasil, Amato Neto et al. 2009) avaliou o desempenho do IT-LEISH® em 30 casos de LV e 110 controles (indivíduos saudáveis e portadores de outras doenças), observando sensibilidade de 100% e especificidade de 96-100.
Modelos de predição
47 usaram um conjunto de dados de uma coorte de pacientes com resultados conhecidos para construir modelos que poderiam ser usados para prever o resultado de novos pacientes. Isso pode ser definido como uma abstração de um sistema real, que pode ser usado para fins de previsão, com dois atributos contraditórios, realismo e simplicidade. Modelos preditivos podem ser desenvolvidos usando várias técnicas, como regressão logística e árvores de decisão.
A análise de regressão logística visa relacionar, por meio de um modelo, a variável resposta categórica (desfecho), geralmente dicotômica, com variáveis explicativas, categóricas ou contínuas que hipoteticamente influenciam a ocorrência do desfecho em questão. Assim, no modelo logístico, os valores de uma série de variáveis independentes são usados para prever a ocorrência de um desfecho, por exemplo, uma doença (Hosmer & Lemeshow, 1989). Em comparação com as técnicas populares de regressão, especialmente a regressão linear, a regressão logística se distingue essencialmente pelo fato de a variável de resposta ser categórica (Agresti, 1990; Kleinbaun, 1994).
A regressão logística é uma técnica paramétrica que impõe uma estrutura rígida nas relações entre as variáveis explicativas e o resultado, por exemplo, assume-se que as variáveis explicativas contínuas estão linearmente relacionadas com o logaritmo da probabilidade do resultado ocorrer (Abreu et al, 2009 ) . O algoritmo CART (proposto por Breiman et al. 1984) consiste em uma técnica não paramétrica que induz tanto árvores de classificação (quando a variável resposta assume valores categóricos) quanto árvores de regressão (quando a variável resposta assume valores contínuos). O objetivo dos modelos CART é subdividir o conjunto de dados em grupos mais homogêneos em relação à probabilidade de avaliação do resultado.
Geralmente, cada posição na árvore é chamada de nó, com o primeiro nó na árvore correspondendo ao conjunto de dados completo conhecido como nó raiz. Os nós gerados pela divisão de um nó pai existente são chamados de nós filhos ou descendentes. Os critérios de seleção para a melhor divisão são baseados em diferentes objetivos, e a maioria dos algoritmos de indução busca dividir os dados de um nó pai para minimizar o grau de impureza dos nós filhos (Rodrigues, 2004).
Para reduzir o tamanho dessas árvores, são utilizados métodos de poda, que visam encontrar um equilíbrio entre o grau de homogeneidade alcançado em uma determinada amostra e o grau correto de classificação do modelo quando aplicado a um novo conjunto de dados. Finalmente, a precisão da classificação do conjunto de dados é calculada para cada árvore gerada (Rodrigues, 2004).
Análise de classes latentes
Artigo 1 - Multi-centric prospective evaluation of rk39 rapid test and direct
Artigo 2 - Predictive models for the diagnostic of human visceral leishmaniasis in
Artigo 3 - Latent class analysis of diagnostic tests for visceral leishmaniasis in
Boelaert M, Sayda ES, Goetghebeur E et al. 1999) Latent class analysis allows unbiased estimates of the validity of DAT for the diagnosis of visceral leishmaniasis. Machado de Assis TS de, Braga ASC, Pedras MJ et al. 2011) Multicenter prospective evaluation of rK39 rapid test and direct agglutination test for the diagnosis of visceral leishmaniasis in Brazil. Evaluation of the direct agglutination test based on freeze-dried Leishmania donovani promastigotes for the serodiagnosis of visceral leishmaniasis in Sudanese patients.
Field evaluation of FD-DAT, rK39 and KATEX (urine latex agglutination) dipsticks for the diagnosis of visceral leishmaniasis in northwestern Ethiopia. Development and evaluation of Leishmania infantum rK26 ELISA for serodiagnosis of visceral leishmaniasis in Iran. Performance of the direct agglutination test (DAT) in the diagnosis of visceral leishmaniasis in Ethiopian HIV-coinfected patients.
Comparison of serological methods (ELISA, DAT and IFAT) for the diagnosis of visceral leishmaniasis using an endemic strain. Comparative evaluation of direct agglutination test, rK39 and soluble antigen ELISA and IFAT for the diagnosis of visceral leishmaniasis. Evaluation of the direct agglutination test and the rK39 dipstick test for the serodiagnosis of visceral leishmaniasis.
Comparative evaluation of parasitology and serological tests in the diagnosis of visceral leishmaniasis in India: a phase III diagnostic accuracy study.