• Nenhum resultado encontrado

Literatura Portuguesa I

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Literatura Portuguesa I"

Copied!
270
0
0

Texto

Como disse Barthes: “Na escrita múltipla, de fato, tudo deve ser decifrado, mas nada deve ser decifrado” (2004, p. 63). Recordemos apenas que este pilar do país está escrito na canção “Afonso Henriques – O Quinto Castelo”. Chama a atenção para a semelhança e a diferença na representação geográfica da pátria, que lemos no poema de Peso e na narrativa de Camões.

Compare-se este aspecto histórico estampado em Os Lusíadas com a dimensão sagrada que o herói recebe na Mensagem como luz da pátria.

Figura 12.1: Fernado Pessoa. Fotografi a datada de  1914, um ano após a escrita do primeiro poema de  Mensagem, “Gládio” (1913), título mudado depois  para “D
Figura 12.1: Fernado Pessoa. Fotografi a datada de 1914, um ano após a escrita do primeiro poema de Mensagem, “Gládio” (1913), título mudado depois para “D

Meta da aula

Mensagem, do mar ao Encoberto

Pré-requisito

Este primeiro poema dialoga com o 12º e último de “Mar Portuguez”, “Prece” e com o último de “O Encoberto”, que fecha o círculo de infortúnio e ansiedade do poeta. Trata-se do poema IV de “Mar Portuguez”, em que a figura de um monstro desafia o capitão de um navio português sem nome. O terceiro dialoga" com os três últimos de "Mar Portuguez" (respectivamente, X, XI e XII) e nele se repete a ideia de espera de um novo Portugal, representado simbolicamente pela figura de d.

João II, que de "Braços Cruzados olha o mar" - cuja importância justificará novas homenagens nas partes II e III do poema.

Figura 13.1: Brasão da bandeira portuguesa.
Figura 13.1: Brasão da bandeira portuguesa.

Miguel Torga e a escrita da terra

Em outros poemas observa-se que o autor toma o tema da terra do ponto de vista de quem a cultiva, não havendo mais uma contradição entre eles. É uma espécie de “ponte de passagem” rodeada de pedras, semelhante à composição de suas cenas literárias. Trata-se de uma literatura “comprometida” que visa conscientizar o leitor sobre aspectos da realidade social pouco visíveis aos moradores dos centros urbanos.

Tal como constatado no período entre as duas guerras, e portanto no período em que a Europa, especialmente a Península Ibérica, numa tentativa desesperada de escapar a uma grave crise financeira, foi apanhada na armadilha de regimes totalitários de poder, esta literatura acabou por ser levada em Portugal por um forte carácter antifascista, quando o país entrou no período do S A L A Z A R I S M O. De uma forma ou de outra, todas as histórias de Torga iluminam a forma como as pessoas escolhem estes outros caminhos, seguem as leis e princípios de outras pessoas, as leis do país: a lei da terra, a lei do sangue, a lei do amor, os costumes e as tradições ancestrais – codificados nos muitos aforismos que existem na sua obra. Tais personagens são dotados de uma problemática interna ausente em fábulas como as de ES O PO, nas quais os animais não têm consciência ética, pois são apenas parte da “moralidade” externa (lição) representada por uma cadeia de ações narrativas . .

ES O P Esopo, escritor da Grécia antiga, foi o provável criador de uma série de contos (fábulas), de carácter alegórico e moral, cujos personagens eram sobretudo animais. Um acontecimento comum torna-se assim “o epítome implacável de uma condição humana particular, ou o símbolo ardente de uma ordem social ou histórica” (2004, p. 153). Pelo menos dois significados principais, o substantivo comum “homens” como representantes de uma humanidade genérica e a locução adjetiva “de Vilarinho” que lhes atribui a pertença a um lugar como qualidade.

Trata-se, portanto, de uma inversão dos valores pregados pelo nascente fascismo em Portugal (constituído pela tríade Estado, religião e família). Torga expressa também os seus sentimentos de pertença à terra portuguesa, mas de forma lúcida, encontrando na convivência permanente com Espanha uma forma fraternal de constituir oposição aos regimes políticos ditatoriais que assolaram este país vizinho.

Figura 14.1: Miguel Torga.
Figura 14.1: Miguel Torga.

Metas da aula

A investigação de um crime imperfeito? A

José Cardoso Pires

Pré-requisitos

Pode resumir toda uma história de longo prazo caracterizada por tentativas de superar uma crise histórica. Uma de suas últimas obras, De profundis, valsa longa (1997), merece destaque como uma espécie de exceção; afinal, não se relaciona com o ambiente político ou social português, sendo um relato particularmente autobiográfico, razão pela qual o autor o descreve. No romance O Delfim (publicado e reeditado em 1968), Cardoso Pires imagina a chegada de um “caçador de escritores” a uma aldeia perto de Lisboa conhecida como Gafeira, onde prevalece um modo de vida provinciano.

Aí fica alojado numa pequena pousada destinada aos caçadores que visitam a região, atraídos pela possibilidade de exercerem tal actividade numa fértil lagoa propriedade de um senhor da "linhagem fi dalga": o engenheiro Tomás Manuel da Palma Bravo. Este é também um dos protagonistas de um caso intrigante, um suposto triângulo amoroso envolvendo sua esposa Maria das Mercês e o criado Domingos. É uma aldeia inventada, inspirada em muitas outras que existem no interior de Portugal, numa releitura da chamada pax ruris (“paz rural” ou defesa de um modo de vida aparentemente pacífico que contrasta com a vida nos centros urbanos ). .

Quando falamos da lagoa é exactamente isso que Cardoso Pires traz à tona: é um ambiente natural, na sua aparente tranquilidade, na sua ligação com os ciclos da terra (o que o Torga nos contou, lembram-se?), mas aqui tal uma característica é uma armadilha física e moral. Em relação ao casal, sabe-se que o nome do homem é Tomás Manuel da Palma Bravo, herdeiro de uma família rica, dono de uma bela onça que contrasta com a pobreza local nas missas dominicais e com o terreno onde se encontra a lagoa. - “Lagoa e Palmas Bravo têm a mesma história”, dizem os moradores da lagoa. Vai para a Gafeira equipado para a caça, fica numa pousada de caçadores, mas quando lá chega o que encontra é a continuação de uma história (a história de Palma Bravo).

Porque não dizer uma nuvem profética anunciando um novo tempo, que seria vivido em termos reais pelo país seis anos depois (1974), com a Revolução dos Cravos e a derrubada de uma ditadura semelhante à do delfim. Este significado pode ser comparado, por exemplo, à imagem que temos de Tomás Manuel da Palma Bravo, como descendente de uma linhagem da antiga aristocracia rural.

Figura 15.1: A Revolução dos Cravos
Figura 15.1: A Revolução dos Cravos

A escrita de Sophia entre cidade e mar

De maneira semelhante, os versos sinestésicos de “Dirty Town” constituem um ambiente degradado em que “os resquícios de vozes e ruídos” podem ser ouvidos em “Rua triste à luz do lampião / Que não foi salva nem pela própria noite”. ." ”(Idem, p. 29). Além da resistência, a poetisa sente atração pelas "cidades iluminadas ao longe" (Idem, p. 64), onde há jardins com "descampados em flor" que a intoxicam com "perfumes" e ruas "cheias de sublimidade e ressonância. " (Vou). Quando eu morrer, voltarei a procurar os momentos que não vivi à beira-mar (Idem, p. 127).

Esta cegueira é renovada no poema "Strand", em que o vento é associado à paisagem marítima, animando os pinheiros marítimos entre "fantásticos deuses do mar [...] claros como peixes", "pássaros selvagens" e ondas rebentando “contra a luz” (Idem, p. 215). Em “A estátua” todos os versos retratam a figura de alguém que se parece com o personagem Búzio, o velho cego e maluco do conto “Homero”, antípoda do “marinheiro sem mar”: “Em suas mãos a voz do mar dormia /Nos seus cabelos estava esculpido o vento [...] (idem, p. 35). No poema motivado intitulado “Inicial”, a poetisa diz que é devolvida ao mar “Ao rito do espanto e do recomeço”, e conclui a estrofe epifanicamente: “Em espuma de sal e concha voltou/À praia inicial da minha vida " (Idem, pág. 134).

Há afinidades favoráveis ​​entre isto e a descoberta do “Mundo, recomeçando de uma praia limpa” (Idem, p. 201). A desilusão e a crítica política logo apareceram em sua poesia: “Novos ratos mostram velha ganância” (Idem, p. 243). Dinis (século XIV), que planta caravelas “No verde dos pinhais, na voz do mar” (Idem, p. 125) e sobre a trágica história marítima no poema metafórico “Navio enufragado”.

Para a arte artesanal diz que ela “provém da própria poesia” (Idem, p. 96), da capacidade da palavra estabelecer uma ligação, uma aliança com as coisas, daí o “rigor teimoso do poema” (Idem), o que é feito como "precisamente falando" (eu vou). Por fim, em “Arte Poética V”, Sophia reforça sua convicção de “deixar o poema falar por si” (Idem, p. 167): “o poema falou quando eu estava calado, e escreveu-se quando parei de escrever”. , pág. 169).

Figura 16.1: Sophia de Mello Breyner Andresen.
Figura 16.1: Sophia de Mello Breyner Andresen.

Jorge de Sena e Manuel Alegre: “um coração muito

Jorge de Sena é um deles, que confronta a teoria da afirmação com a sua teoria da evidência (SANTOS, 2006, p. 165). O comentário acima, da professora e crítica literária Gilda Santos, ajuda-nos a compreender o lugar de Jorge de Sena na literatura portuguesa contemporânea. Décadas depois, Jorge de Sena regressou à música para escrever o poema "La cathédrale engloutie, de Debussy".

O compromisso ético com o mundo que o rodeia é um ponto de contacto entre as obras de Manuel Alegre e Jorge de Sena. Jorge de Sena e Manuel Alegre empreenderam, cada um à sua maneira, processos de ruptura relativamente à realidade portuguesa de meados do século XX. Disponível em: http://www. lerjorgedesena.letras.ufrj.br/ressonancias/pesquisa/ufrj/de-babel-rumo-a- -siao-a-critica-camoniana-antes-e-depois-de-jorge-de-sena-2/).

Jorge de Sena foi um dos maiores e mais conhecidos estudiosos da obra de Camões. Jorge de Sena é um dos mais importantes escritores da língua portuguesa, com lugar já consolidado no cânone literário. A forma como esta forma de ver a história assemelha-se à leitura do passado feita por Jorge de Sena e Manuel Alegre.

RESPOSTA ANOTADA Jorge de Sena e Manuel Alegre comprometem-se em vários momentos das suas obras a revisitar o passado histórico, literário e mitológico de Portugal e do mundo. Se escolhermos palavras-chave para os poetas estudados, serão elas: testemunhos e metamorfoses, em Jorge de Sena; e resistência, em Manuel Alegre.

Figura 17.1: A cadeira amarela, de Van Gogh.
Figura 17.1: A cadeira amarela, de Van Gogh.

As escritas de Ruy Belo, Fiama e Llansol

RESPOSTA ANOTADA Consideremos a relação entre as exigências de um discurso panfletário e totalizante e o estatuto da poesia como discurso de exceção, de desvio. Ninguém precisa de um país. político, mas do país da diversificação. de todo conhecimento e a união de todo conhecimento. O progresso não é o desejo de uma pátria, mas a abolição deste arquétipo ou símbolo, bem como do país individual como tradução da singularidade de cada indivíduo que nele habita.

A ideia de um país que representa o indivíduo, resumindo as características gerais de um povo, deve ser abolida. A imagem do Estado lançado no abismo corresponde à afirmação de Fiama: “O progresso não deseja a pátria, mas a abolição/. deste arquétipo ou símbolo, bem como de um único país/como tradução da singularidade de cada indivíduo nele”. Um país feito por escritores, em vez de um país conquistado por “Homens de rara virtude”.

Se por um lado “É patriótico negar a nacionalidade / aos nascidos num país derrotado /, que apenas procurava a sua própria razão para permanecer no mar”, ou seja, um império que procurava as suas conquistas (económicas, militares) no um mar de concreto, o. A “nacionalidade” afirmada não é apenas uma obra de arte, mas uma visão constituída do mundo, um conjunto de imagens que trazemos connosco. A própria leitura torna-se um “trabalho inovador do indivíduo” justamente se ele aceita a sua “nacionalidade”.

Por outras palavras, a nacionalidade política é também o resultado de um investimento num território imaginário, tal como os outros países ou “nações” que os nossos três autores afirmam que o texto torna possíveis. Já vimos isso antes em Llansol: “a perda de toda possibilidade de identificar-se/e de ter um nome”, e em Fiama, para quem o progresso seria a remoção de “um único lugar/como tradução da singularidade de cada indivíduo dentro dele.

Figura 18.1: O Vitelo, de Tomás D
Figura 18.1: O Vitelo, de Tomás D'Anunciação.

Imagem

Figura 12.1: Fernado Pessoa. Fotografi a datada de  1914, um ano após a escrita do primeiro poema de  Mensagem, “Gládio” (1913), título mudado depois  para “D
Figura 12.2: Bandeira portuguesa.
Figura 12.3: Brasão português.
Figura 12.4: Escudo português.
+7

Referências

Documentos relacionados

Não há especo, pois, para o vangloriar-se, mas sim para a verdade desnuda; por isso, nudez?. A brisa, neste poema, aparece como refrescância momentânea do