Infância rural: uma análise do papel educativo da luta pela terra e suas consequências na formação das crianças por Sem Terrinho do MST. Infância rural: uma análise do papel educativo da luta pela terra e suas consequências na formação das crianças por Sem Terrinho do MST.
O direito negado de ser criança e viver suas infâncias nas classes populares na
As crianças das classes populares vivem e convivem em meio a conflitos sociais e estruturais que as colocam em situação de vulnerabilidade, pobreza e violência. Isto significa que a experiência da infância é determinada por relações sociais hegemónicas, dependendo da classe social a que pertencem, que constituem lugares diferentes para as crianças burguesas e da classe trabalhadora.
A produção da subjetividade neoliberal e as crianças
O capitalismo eleva o lugar da criança como “futuro” no projeto social, cria a ideia de uma projeção ilusória, pois as crianças das classes populares trabalham e vivem suas condições de infância através de sua realidade social, ou seja, têm que lutar pela sua sobrevivência e pela sobrevivência da sua família desde cedo. Em nome da propriedade privada, o capital apropria-se cada vez mais da terra, da água, dos minerais e dos recursos naturais, e as crianças da classe trabalhadora não estão fora deste contexto.
A Pedagogia do Capital e a formação da infância no Brasil
O agronegócio e a educação das crianças
22 Para saber mais, veja a pesquisa de doutorado de 2016 sobre programas de agronegócio em escolas públicas e o livro “Educação e Agronegócio: A Nova Ofensiva do Capital nas Escolas Públicas”. No México e na Argentina, estudos de Juárez e Albert Rea (2015) apresentam situações de exploração do trabalho infantil em complexos agroindustriais de agronegócios.
As “pandemias” históricas na América Latina
Com a pandemia da Covid-19 tudo ficou mais evidente e dramático, afetando gravemente as crianças da classe trabalhadora. Numa interface entre “as crianças nas definições políticas do MST” e a construção da história social e política da infância de Sem Terrinha, forjada desde a luta popular no contexto agrário brasileiro. Nos estudos sobre os processos históricos da luta pela terra no Brasil, as crianças são simplesmente mencionadas, não tendo a ver com uma geração de pessoas pobres, silenciosas e carentes.
As referências de pesquisas existentes sobre crianças no meio rural ganham maior volume a partir da década de 1990, com experiências de trabalho educativo na reforma agrária no MST – com estudos e pesquisas sobre educação, escolas no meio rural, infância no MST, nas culturas indígenas, quilombolas, ribeirinhas , entre outros. outros, ou seja, quando se trata da temática da Educação Distrital Rural49.
As crianças nas definições políticas do MST
I Congresso do MST em 1985: onde estavam as crianças?
No 1º congresso do MST tivemos que lutar para que 30% dos participantes fossem mulheres. Verifica-se assim que a luta pelas escolas nos assentamentos torna-se uma questão concreta para o MST como um todo e este processo envolve também a mobilização das crianças nas suas comunidades. O Setor de Educação do MST e professores de escolas de assentamentos e acampamentos organizaram a primeira mobilização infantil, na cidade de Porto Alegre, com 101 crianças.
Nesse período, ficou evidente a organização de assentamentos e a formação de coletivos, o que estimulou discussões e reflexões mais profundas, registradas como um processo de construção de comunidades sem terra e de educação do MST.
Uma identidade política em gestação: III Congresso do MST no ano de 1995 – Reforma
Este período marca a abertura do MST à sociedade, numa compressão estratégica para ampliar suas lutas, na confirmação dos objetivos e princípios do programa agrário do MST. Foi também neste governo que se iniciou a reforma agrária do mercado, que se opôs à luta do MST e criminalizou os movimentos sociais, num período de muitas lutas e mobilizações, aliadas a uma ação contundente e violenta do Estado na perseguição das organizações sociais dos trabalhadores agrícolas e da cidade. Em resposta à violência estatal e latifundiária, em 17 de abril de 1997, diante da repressão e de um ano de massacre de Eldorado do Carajás, o MST em Brasília concluiu a Marcha Nacional pelo Emprego, Justiça e Reforma Agrária.
Em memória do massacre, o dia 17 de abril foi formalizado pela Via Campesina70 no México em 1996 como o Dia Internacional da Guerra Camponesa.
O nascimento da identidade política das crianças Sem Terrinha
Essa mobilização levou à luta por uma política pública de educação rural e à criação, em 2010, do Fórum Nacional de Educação Rural – FONEC; 3) criação de um grupo com representantes de diversas entidades para elaborar uma proposta de educação para assentamentos de reforma agrária. Infelizmente, o decreto do atual governo Bolsonaro extinguiu a “Coordenação Geral de Educação Rural e Cidadania, que é responsável pela gestão do PRONERA78”. Dado que tantos direitos foram retirados na situação atual, isso não é novidade para as organizações sociais rurais, mas é um retrocesso na história da luta pela garantia de políticas públicas para a educação rural no Brasil.
A educação rural é um dos principais temas que envolvem outras entidades rurais da sociedade.
A Ciranda Infantil no IV Congresso do MST no ano de 2000
Como descreve Rossetto (2020) para a Ciranda Infantil no IV Congresso, as crianças ganham presença no debate político e organizacional do MST como um todo, oferecendo segurança às mães, estando presentes nas diversas atividades do Movimento. Neste contexto de guerra, surgiram contradições e pontos de interrogação relativamente ao tratamento dispensado às crianças da aldeia. Esse processo coloca as crianças na luta pela terra, ocupando o debate e a reflexão nacional, resultando, entre outros, na realização do I Seminário Nacional: O Lugar da Criança Sem Terra no MST.
Para o MST (2017, p. 123), “as crianças aparecem como um problema quando os corpos das mulheres passam a ocupar os espaços institucionais (cursos, encontros e mobilizações) do Movimento”.
A ocupação das crianças Sem Terrinha no V Congresso do MST em 2007
As crianças Sem Terrinha neste cenário de debate e organização do MST aparecem com mais visibilidade política. E aí a prática se fez presente: ou a vaga das crianças na programação geral está garantida, ou as crianças ocupam o plenário. Considerando as contradições surgidas em março de 2005 e na realização da Ciranda Infantil e da Omrejsende Skole no V Congresso, foi um período de intenso debate, reflexões e fortalecimento de ações com crianças no MST.
Esse período foi de intensas atividades e produções para e com as crianças Sem Terrinha do MST.
A Ciranda Infantil, um instrumento de luta e educação política das crianças Sem
O objetivo da visita foi apresentar as crianças ao MEC, órgão responsável pela educação em todo o Brasil. A trajetória de trabalho com crianças de Sem Terrinha reafirma a necessidade de aprofundar e ampliar a discussão sobre criança e infância no MST. Em uma das lives, as crianças participaram de um encontro internacional com crianças do Chile, Peru, Argentina e Brasil, onde conheceram a realidade das crianças na América Latina.
E neste momento de pandemia, foram mobilizadas atividades com crianças Sem Terrinha com participação virtual em lives, encontros e debates internacionais com crianças de outros movimentos e países.
Concepção de educação e de infância no MST
A significação dos processos formativos e educativos no universo da Comunicação e
Tanto o jornal como a revista são meios de comunicação infantil com uma dimensão formativa e educativa. Como veículo histórico-atemporal, a revista apresenta às crianças do Sem Terrinha a realidade e a história do MST e de crianças de outros países, além de temas que dialogam com cultura, alimentação, direitos, brincadeiras, receitas, brincadeiras , sugestões de palestras, músicas, entre outros. São visíveis os esforços realizados pelos sectores da Comunicação e da Cultura para garantir a participação das crianças nas actividades.
A produção do Plantando Cirandas 3 exigiu essa coordenação nos estados e a mobilização de crianças e setores do Movimento.
As crianças nas definições políticas do MST
As crianças do Sem Terrinha dão sentido à história do MST, à luta pela terra no Brasil e ao próprio conceito de infância no campo. As crianças sem terra tornam-se visíveis na história política e social da luta pela terra no MST. Assembleia das Crianças Sem Terra no 5º Congresso do MST, Arquivo Interno do MST: Escola de Educação Pré-Escolar do Estado do Pará e do Estado de São Paulo.
A Pedagogia do MST proporciona às crianças sem terra uma educação política e popular que lhes dá a oportunidade de serem sujeitos históricos e políticos na luta pela terra.
O processo de construção da escola do MST e da infância
A escola do MST
As mobilizações infantis são históricas e reinventam as organizações populares e estão a tornar-se a referência organizacional para as crianças da classe trabalhadora, e não como. As crianças são educadas num “contexto”, numa “situação actual” na perspectiva da luta de classes. O objetivo de reunir os processos de mobilização infantil das crianças Sem Terrinha está relacionado à história da infância na luta pela terra no Brasil, à compreensão do processo em que as crianças ganham visibilidade na luta e no projeto educativo do MST.
O principal debate com as crianças sem terra no Congresso da Criança foi sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, criado e aprovado em julho de 1990, num período de intenso debate sobre os direitos das crianças e dos jovens no Brasil.
As mobilizações nos estados
As mobilizações infantis ganharam força no Movimento em 1998, que consolidou o mês de outubro no calendário geral de atividades do MST, como o mês do Dia Nacional da Criança Sem Terra. Crianças que redescobrem o Movimento como uma organização popular que as reconhece no espaço de formação, educação e cultura como lugar político das crianças Sem Terrinha na sociedade. Em 2017, o MST mobilizou mais de dez mil crianças em todo o Brasil, em preparação para a 1ª Assembleia Nacional das Crianças em Situação de Rua.
As mobilizações infantis tornaram-se cultura no Movimento por serem espaços educativos de organização, arte, mística e luta das crianças Sem Terrinha.
Ciranda Infantil: uma conquista das crianças e das mulheres no MST
O direito das crianças do campo de ter o seu espaço de educação
No caso do MST, há vários exemplos de mulheres e crianças sem terra ocupando prefeituras e secretarias municipais de educação, lutando pelo direito à educação pré-escolar no meio rural. O MEC organizou diversos seminários sobre educação infantil em áreas rurais, com a participação de importantes pesquisadores em estudos de educação infantil e movimentos sociais e sindicais no Brasil. 125 Esta foi uma construção fundamental baseada no pensamento dos movimentos sociais, dos sindicatos e dos investigadores da infância para acelerar a luta pela educação pré-escolar nas áreas rurais.
Esses documentos são históricos na regulamentação e no direcionamento da educação rural no país, incluindo a educação pré-escolar rural (SILVA, PASUCH, 2009, p. 6).
A Ciranda Infantil é de todas nós
A necessidade de envolver as mulheres no trabalho das cooperativas irá, portanto, desencadear um debate sobre o lugar das crianças nos assentamentos. A primeira questão diz respeito à participação das mulheres na força de trabalho, porque especialmente nesta altura o sector produtivo era composto quase exclusivamente por homens. Em 1996 foi realizada a primeira Assembleia Nacional das Mulheres Militantes do MST, com o objetivo principal de fortalecer o Coletivo de Mulheres Sem Terra.
Nesse sentido, o MST realizou recentemente o I Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra, de 5 a 8 de março de 2020, em Brasília.
A 1ª Ciranda Infantil Itinerante do MST
A sala Ciranda Infantil foi organizada com uma intenção pedagógica: a troca de conhecimentos e experiências entre as crianças. As dúvidas sobre a construção da Ciranda Infantil no IEJC começam na turma VI137. Fruto dessa necessidade e discussões, em 2000 foi inaugurada a Ciranda Infantil no IEJC, como espaço permanente.
As atividades mais importantes do MST passam a incluir a organização da Ciranda Infantil na agenda de debates.
Ciranda Infantil e Escola Itinerante Paulo Freire
Este foi um espaço que ofereceu uma grande festa cultural para os filhos da reforma agrária. Trazer a história das crianças Sem Terrinha é a projeção de uma infância que, por mais contradições que a história apresente, busca se tornar sujeito da luta pela terra no Brasil. O I Encontro Nacional das Crianças Sem Terra aconteceu em julho de 2018, em Brasília, num momento ainda recente da crise política e econômica que afeta o Brasil.
A Assembleia Nacional das Crianças Sem Pátria insere-se no contexto das manifestações democráticas de uma sociedade plural, realizadas de forma legítima, legal e constitucional (Brasília, 6 de junho de 2019, Procuradora da República, Márcia Brandão Zollinger).
A construção do Encontro
- A metodologia de trabalho adotada com as crianças
- Lançamento do 1° Encontro das Crianças Sem Terrinha, na Coordenação Nacional 202
- Caderno de Orientações para os/as Educadoras/es
- Oficina Preparatória com o coletivo de coordenação das crianças Sem Terrinha
- Organização da Oficina Preparatória
- Manifesto das Crianças Sem Terrinha
- Produção da Arte
- Mobilizações nos estados
Foi garantido que as crianças se encontrassem em segurança e sem violar os seus direitos. O MST, como educador nesse processo, garantiu na história concreta o desejo coletivo de colocar as crianças em movimento, no Movimento. Além das motivações internas, a convite do presidente, o pedagogo ativista Fábio Paes, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - CONANDA, nesse período as crianças do Sem Terrinho participaram do plenário da X Conferência de o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
A conferência aconteceu em Brasília, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, de 24 a 27 de abril de 2016, e foi um local importante para as crianças Sem Terrinha entenderem um pouco sobre a situação do país.
Realização do 1° Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha… mas no caminho
O pós Encontro
Com a palavra, as crianças Sem Terrinha