O objectivo desta tese é interpretar o princípio dos direitos de propriedade económica – a sua vertente dinâmica. Esta Dissertação12 tem como objetivo13 a interpretação do Princípio do Direito da Propriedade Econômica – vertente dinâmica, previsto no Art.170 da CRFB/88.
O SURGIMENTO DO E STADO L IBERAL
Outro elemento que contribuiu para a substituição do Estado Absoluto pelos Liberais foi a doutrina económica de Adam Smith. Outro elemento que contribuiu para a substituição do Estado Absoluto pelo Estado Liberal foram as ideias dos pensadores políticos do século XVIII.
O Estado Liberal que defendia a intervenção mínima dá lugar à presença do Estado que assume o papel e a responsabilidade de oferecer ao indivíduo um mínimo de condições para viver com dignidade42. Desta forma, a intervenção estatal na actividade económica será constante no Estado-providência, com o objectivo de alcançar um ideal social legitimamente aceite.
G LOBALIZAÇÃO
Ficou estabelecido que as origens do Estado serviram os interesses de uma classe, a burguesia, que buscava maiores garantias para o desenvolvimento da atividade econômica. O Estado liberal pregava a intervenção estatal mínima, enquanto o Estado social, com o objectivo de reduzir a desigualdade social, ancorou a intervenção estatal nas esferas social e económica.
A C ONSTITUIÇÃO COMO FRUTO DE UMA IDEOLOGIA
A propriedade do poder constituinte originário pertence ao povo, mas em regra são os representantes do povo que exercem esse poder. Ela brota do poder constituinte originário, cujo titular é o povo, ainda que dele temporariamente afastado fora das democracias68.
A INTERVENÇÃO DO E STADO NA ATIVIDADE ECONÔMICA
Atualmente, o Estado caracteriza-se como executor de políticas públicas, que são entendidas como modalidades de intervenção estatal na ordem econômica, social e política nacional87. Por fim, a intervenção do Estado na economia concretizar-se-á no respeito pelos princípios constitucionalmente protegidos da Ordem Económica. Por outro lado, importa referir que parte da doutrina defende que a intervenção estatal na actividade económica deve ser reduzida, pois esta deve ser justificada apenas para suprimir o abuso do poder económico88.
Desenvolvimento econômico e intervenção estatal na ordem constitucional – estudos jurídicos em homenagem ao professor Washington Peluso Albino de Souza. Vale ressaltar que a constituição de cada país estabelecerá os parâmetros para a intervenção estatal na atividade econômica, de acordo com a ideologia adotada. Portanto, o objeto de estudo do próximo capítulo será o conteúdo das constituições brasileiras que foram proclamadas e/ou outorgadas. de 1824 a 1988, enfatizando o princípio da propriedade e da função social.
A C ONSTITUIÇÃO P OLÍTICA DO I MPÉRIO DO B RASIL - 1824
O Brasil foi declarado independente em 1822, e inaugurou-se como nação livre e soberana, à luz do constitucionalismo clássico ou constitucionalismo histórico, considerando assim o movimento de ideias construído em torno do famoso art.16 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão , de 1789, que afirmava que: “Qualquer sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos, nem determinada a separação dos poderes, não tem constituição”96. A constituição política do Império Brasileiro, emitida em 1824, que entre os seus poderes estava o poder moderado97, no que diz respeito ao princípio da propriedade, materializou o pensamento liberal nos termos previstos nas origens do Estado liberal. Artigo 179 A inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros, que se baseiam na liberdade, na segurança individual e na propriedade, é garantida pela Constituição do Império da seguinte forma.
Geraldo Vidigal argumenta que a Constituição brasileira de 1824 garantiu o princípio da propriedade em toda a sua plenitude; liberdade de trabalho, indústria e comércio; Posse de invenções, mas não demonstrou preocupação com a atividade económica99. Dessa forma, a Constituição Política do Império do Brasil, concedida em 1824, legitimou o Princípio da Propriedade em sua totalidade, na forma defendida quando surgiu o Estado Liberal.
A C ONSTITUIÇÃO DA R EPÚBLICA DOS E STADOS U NIDOS DO B RASIL – 1891
Constitucionalmente, era garantido o pleno uso do Imóvel sem colocar qualquer tipo de condição ao seu exercício, sem referência a regras sociais ou económicas, salvo de forma inusitada98. 17 - O direito de propriedade permanece na sua totalidade, salvo expropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante indemnização prévia; O dia 3 de setembro de 1926 marcaria o declínio do liberalismo no Brasil103, afirmação que será confirmada após análise da Constituição de 1934.
Gilmar Ferreira Mendes questiona a forma como alguns assuntos foram arranjados, sem se atentar à realidade brasileira. Dessa forma, a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil - 1891 regulamentou o princípio da propriedade, mas sem alterar significativamente as regras estabelecidas na Constituição Política do Império do Brasil de 1824, levando em consideração as ideias liberais daquele tempo.
A C ONSTITUIÇÃO DA R EPÚBLICA DOS E STADOS U NIDOS DO B RASIL – 1934
O mesmo autor acrescenta que a Constituição de 1934 introduz o conceito de função social da propriedade, herdado da Constituição de Weimar, ao ir além do conceito absolutista de propriedade como um direito inviolável e sagrado, para o qual a propriedade não é um direito exclusivamente subjetivo do cidadão. proprietário. de 1919. Além disso, quando regula os direitos de propriedade, não os garante “em plena perfeição”, como foi o caso na constituição de 1891. A concepção absolutista de propriedade, que se baseou nos ideais do liberalismo na constituição de o império de 1824, na constituição de 1891 e no Código Civil de 1916 como direito sagrado e.
Dessa forma, a primeira constituição a atribuir um capítulo próprio à ordem econômica foi a constituição de 1934, e também ao regulamentar o princípio da propriedade, renovou-o significativamente ao determinar que esse direito não pode ser exercido contra interesses sociais ou coletivos. Dessa forma, a Constituição de 1934 foi pioneira ao dedicar um capítulo próprio à ordem econômica e também ao estabelecer que o princípio da propriedade não pode ser exercido contra o interesse social ou coletivo.
A C ONSTITUIÇÃO DOS E STADOS U NIDOS DO B RASIL – 1937
A Constituição de 1937 imposta pela ditadura Vargas omitiu-se sobre o caráter social da Propriedade, que reaparece na Constituição de 1946, que estipulou sua utilização para a Previdência Social.
A C ONSTITUIÇÃO DOS E STADOS U NIDOS DO B RASIL – 1946
A lei poderá, de acordo com o disposto no art, promover a distribuição justa dos bens, com igualdade de oportunidades para todos. Observa-se que a Constituição de 1946 abordou o princípio da propriedade sob dois ângulos distintos: .. a) como direito individual, no capítulo dos direitos e garantias individuais; Dessa forma, a Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 1946, com a redemocratização, recondicionou o princípio da propriedade para o bem-estar social na ordem interna.
A C ONSTITUIÇÃO DA R EPÚBLICA F EDERATIVA DO B RASIL – 1967
Artigo 22.º O direito de propriedade é garantido, salvo no caso de expropriação por necessidade pública ou interesse útil ou social, com prévia e justa indemnização em dinheiro, salvo nos casos previstos no artigo 2.º. Em caso de perigo público imediato, as autoridades competentes podem utilizar a propriedade privada, sendo garantida ao proprietário a posterior indemnização. Note-se que a Constituição de 1967 garantiu o princípio da propriedade como um direito individual, sem manter a disposição de que este princípio deveria estar de acordo com o bem-estar social, tal como estabelecido na Carta Política de 1946.
No capítulo da regulação económica e social116, repetiu o conteúdo da norma constitucional anterior e acrescentou o princípio da “ampliação das oportunidades de emprego produtivo” entre os princípios da regulação económica e social. A forma de intervenção estatal na atividade econômica decorrente do momento político que o Brasil vivia em 1969 é mostrada no parágrafo 34 do artigo 153, que afirma que a lei “assegurará a aquisição de imóveis rurais por brasileiros e estrangeiros residentes no país , bem como por pessoa singular ou colectiva, que determine as condições, limitações, restrições e outros requisitos para a defesa da integridade do território, a segurança do país e a distribuição justa dos bens.
A C ONSTITUIÇÃO DA R EPÚBLICA F EDERATIVA DO B RASIL DE 1988
- O Principio do Direito de Propriedade e a Função Social como um
- Princípios da Ordem Econômica na CRFB/88
Inicialmente, no Capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, ficou estabelecido respectivamente no artigo 5º, XXII e XXIII que o Princípio do Direito de Propriedade é garantido e que a Propriedade cumprirá a sua Função Social. A defesa da livre concorrência é um imperativo constitucional (art. 170, inciso IV) que deve ser harmonizado com o princípio da livre iniciativa. O que ocorre é que o princípio da livre iniciativa, inserido no caput do Art. 170 da Constituição Federal, nada mais é do que uma cláusula geral cujo conteúdo é preenchido pelos incisos do mesmo artigo.
Equilíbrio entre as exigências de preservação da saúde e do meio ambiente e o livre exercício da atividade econômica (art. 170 da Constituição Federal). Para Ivo Dantas, a simples afirmação do inciso IV do Art.170 da CRFB/88 consagra as características do Estado Liberal. Nesse sentido, indicar a defesa do meio ambiente como princípio da Ordem Econômica fortalece esse aspecto.
O último princípio da ordem econômica estabelecido no art.170 da CRFB/88 é o princípio do tratamento preferencial às pequenas empresas constituídas de acordo com a legislação brasileira e que tenham sede e administração no país.
C ONCEITO E OBJETO DO D IREITO E CONÔMICO
Para compreender o conceito de Direito Económico é fundamental estabelecer o que é “Política Económica”. Desta forma, o Estado, através da Política Económica, possibilitará um conjunto de medidas para atingir os objectivos económicos, que regulam a Política Monetária Económica, a Política Económica de Preços e outras formas de Política Económica. A política económica adoptada pelo Estado não está necessariamente obrigada a defender os interesses de toda a sociedade, visto que, em determinadas situações a política económica defendeu os interesses do direito económico.
As políticas económicas só serão legítimas se promoverem o desenvolvimento da sociedade e não apenas o crescimento185, dado que toda a acção do Estado está sujeita ao princípio da legalidade e que a lei deve ser utilizada como ferramenta para alcançar o desenvolvimento186. Terceiro, foram determinados os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil190. Neste sentido, conclui-se que este deve ser o caminho a seguir pela política económica.
P RINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ECONÔMICAS
O princípio do acordo prático ou da cessão recíproca exige a utilização de um meio de coordenação proporcional entre os diversos bens protegidos constitucionalmente, como é habitual na CRFB/88, com o princípio da propriedade e a imposição da respectiva função social. O quarto princípio é o princípio da Conversação, que afirma que à norma constitucional deve ser atribuído o significado mais coloquial, o mais próximo possível do que pode ser compreendido pelo cidadão comum. Dos princípios a que se refere Manoel Jorge e Silva Neto, tomamos a liberdade de destacar o princípio da unidade e o princípio do acordo prático ou atribuição recíproca porque são os mais relacionados com o objeto de análise deste trabalho.
O princípio da unidade significa a interpretação do princípio da propriedade e de sua função social com a atitude de manter a unidade de sentido existente entre todos os demais princípios previstos no artigo 170 da CRFB/88. E o princípio do acordo prático ou da reciprocidade, quando aplicado ao princípio da propriedade e à sua função social, exigirá a utilização de um meio de coordenação proporcional entre os diversos bens constitucionalmente protegidos, o que impedirá a aplicação absoluta de qualquer princípio.
D IREITO E CONÔMICO DA P ROPRIEDADE
Na verdade, o princípio da propriedade privada limita a propriedade completa na medida em que a individualiza. O Estado Liberal sancionou o princípio da propriedade absoluta, com intervenção mínima do Estado na actividade económica. 221 Confirma-se que a proteção ao consumidor é mais um princípio da Ordem Econômica, nos termos da CRFB/88, artigo 170, V.
Outra responsabilidade do Estado será estabelecer a política urbana, medida diretamente ligada ao princípio da propriedade e à função social da propriedade. Foi a constituição de 1934 que primeiro consagrou os princípios da “ordem económica e social” e também acrescentou o princípio da função social da propriedade. O princípio da função social dos direitos de propriedade como um direito individual condiciona a sua utilização para o bem-estar da sociedade.
O primeiro problema era qual seria a interpretação a ser dada ao Princípio da Propriedade como norma constitucional econômica.