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O dolo nos delitos omissivos impróprios

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Academic year: 2023

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O presente trabalho abordou o papel do dolo na crise de validade e legitimidade dos crimes de omissão, utilizando a técnica de revisão bibliográfica e análise documental. Está demonstrado que, no ordenamento jurídico brasileiro, o reconhecimento dos crimes de omissão indevida não pode prescindir de cláusula de equivalência suficientemente clara.

A expansão dos delitos omissivos e sua crise de validade e legitimidade

A superação desse postulado, com a substituição do dano a um direito subjetivo pela responsabilidade que decorre do resultado típico, gerou o aumento dos crimes de omissão indevida. A falência do Estado social, com a impossibilidade económica do Estado, criou a necessidade de suspensão da actividade estatal, pelo que a política criminal passou a ser coordenada quase inteiramente por elementos simbólicos, aumentando os instrumentos formais.

A omissão no plano ontológico

Assim, ele interpretou a omissão a partir de um conceito limitante: “é a omissão de uma ação possível por parte do autor, que fica então subordinada ao poder último da ação (a meta potencial da pessoa). Portanto, a frustração de uma expectativa é eliminada como elemento de negligência e é qualificada apenas pela opção voluntária de não realizar uma possível ação.

A omissão relevante ao Direito Penal

A distinção entre normas obrigatórias e proibitivas pode, apesar das controvérsias doutrinárias, ser entendida em termos da respectiva finalidade da norma. Somente quando há ação a norma revela sua eficácia vinculativa concreta.

A omissão própria e imprópria

Os crimes de liberação indevida são, em geral, aqueles em que não há previsão expressa de condutas desprezíveis na categoria penal, exigindo o cumprimento da cláusula geral de equivalência presente na seção geral. Além disso, e levando em consideração as exceções presentes na legislação brasileira, os crimes de omissão indevida possuem duas características essenciais, a saber, referir-se a uma norma proibitiva e.

Fundamentação da imputação dos crimes omissivos impróprios

O causalismo

De acordo com esta proposta, Merkel defendia a causalidade de uma omissão ilícita a partir da existência de um ato positivo anterior que a ligasse ao resultado.78 Este ato positivo anterior é o que causa o resultado que a omissão não impediu, desde que o resultado fosse previsível no momento em que a medida anterior foi implementada.79. Embora a teoria de Merklova tente evitar a aceitação de uma intenção subsequente, transferindo a necessidade de previsibilidade do resultado para o momento em que a ação anterior foi realizada, parece que a transcendência pretendida não foi alcançada,80 porque a intenção resultante geralmente só surge no tempo omissões.

Teoria do dever formal

Nesse contexto, surge em Androulakis a ideia de que o dever de agir está ligado à proximidade prévia da omissão com o bem jurídico, o que gera o dever de protegê-lo. Além disso, existe o dever de evitar o resultado baseado na ação anterior, também chamada de interferência. Para ele, o dever de fiador que permite a atribuição de omissão decorre da posição do sujeito em relação à proteção de bens jurídicos ou ao controle de fontes de perigo, que é a assunção de uma obrigação voluntária de proteger ou controlar.133.

A previsão dos crimes omissivos impróprios no ordenamento jurídico brasileiro

A imprescindibilidade da cláusula de equiparação

13 do Código Penal, para que, pelo menos no seu aspecto formal, seja protegido o princípio da legalidade.164 A norma geral. O respeito ao princípio da legalidade é essencial em um Estado democrático e regido pelo Estado de Direito e está consagrado em seu art. na Constituição Federal. 1º que: “Não há crime sem lei prévia que o defina, nem pena sem pena legal prévia.”166 Como a previsão do princípio da legalidade consta tanto da Carta Magna quanto do Código Penal, é norma que não pode ser relaxado.

A tipicidade dos delitos omissivos impróprios

Portanto, a imputação de crimes de omissão indevida não pode ser feita sem cláusula equivalente suficientemente clara no ordenamento jurídico brasileiro. Estudo sobre a responsabilização indevida das omissões dos administradores das sociedades anónimas e dos responsáveis ​​pelo cumprimento dos crimes cometidos pelos sócios da sociedade 175 Ibid. Pergunta 352. a ocorrência de omissão deliberada não pode ser considerada omissão culposa, se prevista em lei. Da mesma forma, há uma aproximação entre as posições garantidoras derivadas dos espaços institucionais ou do dever de solidariedade, que são as posições decorrentes dos deveres de proteção de determinados bens jurídicos, e as posições garantidoras derivadas das competências institucionais.

Considerações preliminares

Contraposições entre os sistemas causal-naturalista, finalista, social e racional- final ou teleológico (funcional)

  • O sistema clássico do delito
  • A teoria finalista da ação
  • A teoria social da ação
  • O sistema racional-final ou teleológico, ou funcional

O autor entendeu que o tipo objetivo é o verdadeiro núcleo material do crime, é o ato geralmente associado ao dano ou ao risco de dano a um bem jurídico, somado, dependendo do caso, a meios especiais e modalidades especiais. o enredo. É verdade que existem atos não intencionais, que são aqueles em que a vontade do ato não está orientada para a prática do tipo como é o caso dos crimes puníveis. Jescheck também sustentou que o tipo deve incluir todos os elementos que fundamentam o conteúdo material da irracionalidade na conduta punível, ou seja, o significado da proibição nos aspectos da desvalorização do ato e da desvalorização do resultado.209.

A classificação clássica do dolo

Porém, a vontade do agente em relação ao resultado típico e/ou aos meios que levam ao resultado típico nem sempre são os mesmos. Em outras palavras, “há perfeita harmonia entre os elementos descritos no tipo objetivo, a representação do agente e a intenção de agir, ou a realidade do tipo que deveria ser. É perceptível que a doutrina majoritária pressupõe que o elemento volitivo do agente é o meio pelo qual a intenção e a culpa podem ser distinguidas.

Teorias do dolo

Teorias com enfoque psicológico-volitivo

  • Teoria do consentimento
  • Teoria da indiferença

A segunda característica básica é que a intenção é um elemento interno, uma atitude do policial que deve ser comprovada no processo criminal. A mais notável das teorias volitivas é a chamada teoria do consentimento e baseia-se no vínculo emocional do agente com o resultado. A relevância dada ao estado emocional hipotético do agente na primeira fórmula é agora substituída pelo estado emocional hipotético resultante das circunstâncias reais.

Teorias com enfoque psicológico-cognitivo

  • Teoria determinista de Von Liszt
  • As teorias da representação
  • Teoria finalista de Welzel
  • Teoria modificada da representação de Armin Kaufmann

A intenção, portanto, segundo a teoria determinista, é que a consciência do agente de que sua conduta prejudica ou põe em risco interesses legalmente protegidos seja a representação do resultado. A natureza anti-social do agente exprimia-se no facto de o agente ter agido mesmo que tivesse consciência do significado anti-social do seu comportamento.245. A teoria da possibilidade tem Schröder e Schmidhäuser como seus precursores e afirma que a intenção é confirmada pela representação do agente de que seu comportamento possibilitaria a produção do resultado típico, de modo que toda culpa é inconsciente.

Teorias com enfoque normativo-volitivo

  • As teorias de Claus Roxin
  • Teoria dos indicadores de Hassemer

Roxin inicialmente entendeu que a decisão é o conceito que pode resolver o problema e concluiu que a intenção representa a concretização do plano do autor, de modo que a intenção final é uma decisão pelo possível dano ao bem jurídico, enquanto na culpa só existe indiscrição. . De acordo com esta posição, ao “implementar um plano baseado na decisão calculada com base no possível dano ao bem jurídico, justifica-se a diferença de sanção entre dolo possível e culpa consciente”.271. Para distinguir entre dolo possível e negligência consciente, a Roxin entende o dolo final como uma decisão sobre o possível dano a bens jurídicos.

Teorias com enfoque normativo-cognitivo

  • Teoria de Silva Sánchez
  • Teoria de Puppe

O autor entende que uma ação é criminalmente antijurídica pelo perigo objetivo que o comportamento causa a um bem jurídico. Ingeborg Puppe entende que o único caminho que resta para compreender a intenção, onde a criação consciente de um perigo é considerada suficiente – afastando-se da teoria da vontade e do poder do agente para decidir sobre a relevância da consciência do perigo para remover – é proceder a uma distinção qualitativa entre perigo intencional e perigo culposo.285. Além disso, afirma que a identificação da qualidade do perigo criado pelo agente é fundamental para que a qualidade do risco intencional possa ser reconhecida a partir da inferencialidade capaz de demonstrar o comprometimento cognitivo do agente para a concretização do perigo representado.

Teorias alternativas ao sistema

Ele argumenta que sua visão não é uma presunção de intenção, mas sim “para determinar quem será competente para decidir a relevância jurídico-penal de uma ameaça”.291. Para tanto, adota-se a teoria de Wittgenstein quanto à dimensão interna que requer critérios externos, e entende-se que a utilização de uma tese discursiva no direito penal, como a de Habermas, é capaz de superar o dualismo cartesiano. Teorias com enfoque psicológico-volitivo, que compreendem a existência da intenção a partir da observação do comportamento intencional voltado ao resultado típico, bem como teorias com enfoque psicológico-cognitivo, que já relativizam o significado da intencionalidade, substituindo-a por o nível de representação subjetiva do agente em relação ao resultado, foram recentemente refutados por teorias normativas.

Propostas de superação da concepção de dolo tradicional na omissão imprópria

Assim como em relação à comissão, existem diversas propostas de adequação dos elementos de dolo à dispensa ilícita, especialmente considerando que, em geral, o vínculo entre a vontade questionável do sujeito e o desfecho perigoso é mais distante. e mais difícil de verificar na ausência do que no desempenho. Este conceito não responde a situações em que o elemento voluntário da intenção surge no momento da inação e muda o comportamento. Tais propostas, como já mencionado, além de serem insuficientes para resolver os casos em que a vontade do agente transforma uma conduta inicialmente culposa em conduta dolosa, enfrentam a previsão expressa no ordenamento jurídico brasileiro quanto à necessidade do elemento voluntário da finalidade.

Propostas de reconhecimento do dolo na omissão com a mesma estrutura dos delitos comissivos

Wessels, por outro lado, ressalta que a visão da intenção como conhecimento e desejo de realizar o tipo adequado à tarefa deve ser adaptada à omissão, uma vez que não haveria desejo de realizar o resultado. Schünemann, por sua vez, entende que a intenção na omissão indevida envolve o conhecimento sobre o controle da omissão com base no resultado. O controle do foco do perigo e o dever de poupar devem fazer parte da atribuição objetiva, de modo que apenas a posição de querer ou aceitar o risco do resultado, conhecendo as reais circunstâncias, faça parte da intenção.

A impossibilidade de reconhecimento do dolo eventual nos delitos omissivos segundo Juarez Tavares

Por outro lado, nos crimes de omissão, o autor percebe que não tem controle sobre o acontecimento, mas apenas o julgamento de que o desfecho ocorrerá com probabilidade dentro dos limites de segurança caso não aja. O mesmo se aplica aos crimes de omissão inconvenientes: se o sujeito, como fiador, não impede o resultado por pouco se importar com a sua ocorrência, isso não é suficiente para caracterizar dolo. Além disso, esclarece que o desvio, desde que inevitável, em relação a esses pressupostos fáticos, inclusive à posição do fiador, constitui erro de digitação e exclui dolo, assim como nos crimes cometidos.

Conclusão a respeito da aplicabilidade das teorias do dolo aos delitos omissivos impróprios

Nesse sentido, os pais devem estar cientes de que a criança que está se afogando é seu filho e não outra criança com quem não tenha vínculo, para que seja possível a atribuição intencional da omissão do resgate. A referida exigência de Juarez Tavares quanto à representação em relação aos pressupostos da posição de garantidor é suficiente, no sentido de que: i) o omisso deve apenas saber qual é a relação fática que fundamenta o dever de agir; ii) nos casos de aceitação de responsabilidade, deverá estar ciente da assunção; iii) nos casos de criação do risco anterior, deve estar ciente de que suas ações foram contrárias ao dever e consequentemente arriscadas.331. Da mesma forma, caso existam indicadores externos de que a parte omitida não ficou satisfeita com o resultado (teorias dos indicadores), o elemento vontade será excluído.

A importância da definição de dolo nos delitos omissivos impróprios a partir de casos emblemáticos no Brasil

Embora a questão ainda não tenha sido definitivamente resolvida pelo judiciário brasileiro, diversas decisões dos Tribunais Superiores quanto à possibilidade de reconhecimento da possível intenção de homicídio culposo são importantes. Já o Ministro Ayres Britto afirmou que o acusado agiu com inação deliberada, "enquanto este acusado tinha conhecimento das ações ilícitas e tinha a obrigação legal e legal de impedir que o resultado ocorresse",348 o que indica uma possibilidade para o significado do engano como representação. Nota-se que a questão da exigência do elemento voluntário da intenção não foi suficientemente resolvida e as divergências expostas são sintomáticas dos tratamentos desiguais dados pela jurisprudência nacional.

O papel do dolo da crise de validade e legitimidade dos delitos omissivos impróprios

Neste contexto de expansão legislativa e de incerteza jurisprudencial, insere-se a referida crise no que diz respeito à validade e legitimidade dos crimes de omissão, que Juarez Tavares tem apontado.349 Com base nos problemas apresentados em relação à atribuição de dolo em crimes impróprios de omissão, especialmente em relação às tentativas de superação da necessidade do elemento volitivo para o seu reconhecimento, conclui-se que a intenção desempenhou um papel relevante no agravamento da referida crise. Adotando estes pressupostos, procuramos analisar o papel do dolo na referida crise, nomeadamente em relação aos crimes de omissão indevida. Com base nos problemas apresentados em relação à atribuição da intenção na omissão culposa, especialmente em relação às tentativas de superar a necessidade do elemento volitivo para o seu reconhecimento, compreendeu-se que a intenção tem desempenhado um papel relevante no agravamento da crise de validade analisada e a legitimidade dos crimes de omissão.

Referências

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