Portanto, este estudo perguntou: Como o discurso da crise de aprendizagem é caracterizado e entrelaçado nas redes políticas de organizações multilaterais: o Banco Mundial, a Comissão de Educação da ONU, a UNESCO e a UNICEF no período 2013-2020. Seu objeto de estudo é o discurso que organismos multilaterais (Banco Mundial, Nações Unidas e UNESCO) dão ao conceito de crise de aprendizagem.
REVISÃO DE LITERATURA
Na quinta, a textura discursiva da crise de aprendizagem à luz do referencial teórico é o foco da análise. Além disso, vale ressaltar que nenhuma das publicações selecionadas para leitura nesta revisão (após aplicação dos critérios de exclusão descritos no Capítulo 2) tem o conceito de crise de aprendizagem como objeto de análise.
Para atingir esses objetivos, a análise do discurso e a análise de redes políticas foram escolhidas como procedimentos de análise empírica. Nesse sentido, o capítulo seguinte é utilizado para tratar das redes de atores no discurso da crise de aprendizagem que fica evidente nos documentos selecionados para análise.
FONTES DOCUMENTAIS SELECIONADAS PARA ANÁLISE: A CRISE DE
4 Comunicado de imprensa: O Banco Mundial alerta para a “crise de aprendizagem” na educação global (BANCO MUNDIAL, 2017a). Lançar o Painel Global de Políticas Educacionais, do Banco Mundial e dos seus parceiros, como estratégia para enfrentar a crise da aprendizagem.
GRUPO BANCO MUNDIAL
Assistência, consultoria, financiamento, influência política através de troca de conhecimento, gestão de dívidas e ativos, venda de. empréstimos, consultoria e gestão de dívida ou ativos públicos. investimentos, consultoria e vendas de produtos e aumento de rentabilidade em empresas do setor privado. Os sites das instituições que compõem o Grupo Banco Mundial permitem estabelecer relações de parceria - para a implementação de projetos, a execução de pesquisas, a realização de eventos e a preparação do discurso sobre a crise de aprendizagem - com atores do sector privado e/ou organizações não-governamentais que por sua vez estão ligadas ao sector privado.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU)
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)
Nos documentos de análise elaborados pela ONU, foram encontrados 21 profissionais que atuaram na produção do discurso da crise de aprendizagem. Vale ressaltar que a comunidade epistêmica do discurso da crise de aprendizagem nos documentos de análise é composta por seis áreas especificadas na tabela 19. A rede possibilita, portanto, conhecer organizações que circulam o discurso da crise de aprendizagem no contexto global.
O Banco Mundial reúne especialistas económicos e utiliza ligações terceirizadas com governos, instituições privadas e outras organizações multilaterais para produzir o discurso da crise da aprendizagem. Tabela 21 – Diagnóstico da crise de aprendizagem: principais sintomas Pergunta norteadora Algumas falas extraídas dos textos. Tabela 27 – Extratos da análise: o que as organizações fazem ou pretendem fazer para superar a crise de aprendizagem.
Nesta lógica, as organizações e os seus parceiros são necessários para resolver o problema da crise de aprendizagem.
Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
Comissão Internacional de Financiamento da Oportunidade Global de Educação
Assim, fica claro que essas parcerias não se definem simplesmente pelo encontro de interesses pelo que é melhor para todas as nações, mas sim que as relações entre organizações multilaterais ocorrem dentro de espaços de divergência marcados por políticas opostas, redefinições políticas, por causa de conflitos entre países . e, sobretudo, por causa das orientações económicas. 27 Os parceiros da Comissão de Educação são: Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Universidade Estatal do Arizona, Associação do Banco Asiático de Desenvolvimento para o Desenvolvimento da Educação em África (ADEA), Escola de Governo Blavatnik, Centro Brookings da Universidade de Oxford para Centro de Desenvolvimento Global para Estudos Libaneses, Centro de Pesquisa Política para o Estudo das Economias Africanas DataVision International Dubai, Cares EdTech Group Policy Economics, Education Can't Wait Development Hub, Education Trust International Education Education Results, Education Fund Partnerships Grupo Fab Inc. e educação política do FHI 360 Data Center. . educação, especialmente da UNESCO, do UNICEF e da Comissão de Educação) – as organizações produtoras dos documentos identificados para análise nesta pesquisa – possuem uma estrutura organizacional específica: são constituídas por instituições que, por sua vez, possuem objetivos próprios e divisão interna de trabalho . Na busca pela compreensão dessas estruturas, lemos sites e referências bibliográficas que apresentam pesquisas acadêmicas sobre organizações e identificamos que a forma como as organizações são estruturadas também é uma espécie de rede política.
À luz destes objectivos, as campanhas das organizações enfatizam o seu carácter social e o desejo de mudança baseada na quebra de fronteiras políticas e económicas entre os países, instituições e organizações com as quais estabelecem parcerias. Na tentativa de conceituar os espaços e as relações que as organizações multilaterais criam nessas redes políticas analisadas, o conceito de campos de interação de Thompson contribui para a compreensão de que os campos de interação também são criados a partir das redes políticas que as organizações multilaterais constroem. Nos termos do autor, as organizações multilaterais em estudo seriam “instituições sociais”, “[..] que podem ser vistas como conjuntos relativamente estáveis de regras e recursos, juntamente com as relações sociais por elas estabelecidas” (THOMPSON, 1995, p. 367).
Este capítulo apresenta um mapeamento de especialistas e organizações que participaram do processo de construção e compreensão do discurso sobre a crise de aprendizagem.
PROFISSIONAIS EXPERTS
ORGANIZAÇÕES EXPERTS
Depois do UIS, a Base de Dados Mundial sobre Desigualdade na Educação (WIDE) da UNESCO é a segunda maior centralização de dados e informações utilizada para apoiar o discurso da crise de aprendizagem nos documentos de análise. Além dos aspectos destacados até agora, o conjunto de nós apresentados na Learning Crisis Expert Network (Figura 10) revela posições estratégicas: 1) localizado em um dos quatro principais nós de coalizão de atores e organizações (lugar ocupado pelo Banco Mundial , ONU, UNESCO e UNICEF); 2) ocupar a posição de centro da rede por ser uma instituição/organização que fortalece a conexão entre os principais hubs e os demais hubs conectados (na Figura 10, ocupada pela UIS/UNESCO, que está ligada a os quatro principais nós e também pela ADEA, OCHA/ONU e OCDE, que estão ligados em três dos quatro principais pólos). O termo 'textura' foi escolhido como ferramenta para fazer uma analogia com a estrutura complexa refletida no discurso da crise de aprendizagem nos documentos de análise.
Assim, podemos dizer que o discurso sobre a crise da aprendizagem é um conjunto de fios que atravessam os teares das organizações multilaterais em redes políticas mapeadas. Em 2017, o Banco Mundial e a ONU também passaram a incluir o termo “crise de aprendizagem” em seus discursos, e o UNICEF em 2019.34 Na análise, constatou-se que apenas o documento da UNESCO publicado em 2013 utiliza o termo “crise educacional " como sinônimo do termo crise de aprendizagem.
Além disso, as organizações estudadas afirmam que a crise de aprendizagem é um fenômeno que ocorre dentro da escola.
O TEAR DOS CONSENSOS
O diagnóstico e o prognóstico
Nesse sentido, reforça-se que os textos de análise escrevem sobre a crise de aprendizagem com base no primeiro texto publicado sobre o tema em 2013, pela UNESCO. A Tabela 23 destaca trechos dos textos de análise que respondem às seguintes questões norteadoras: Quem são os professores em relação à crise de aprendizagem. O diagnóstico da crise de aprendizagem centrado no fracasso da gestão dos sistemas educativos (conforme reiterado pelas evidências das Tabelas 22 e 23) mostra que as organizações querem informar mais sobre a gestão empresarial educacional do que sobre os processos de ensino e aprendizagem.
A linguagem utilizada pelas organizações do Banco Mundial, da ONU, da UNESCO e da UNICEF para redigir as declarações sobre crises de aprendizagem é uma gramática marcadamente prescritiva. Identificou-se que essas receitas lançadas para reformas no discurso da crise de aprendizagem são feitas através de: 1) divulgação de histórias de sucesso (estratégias, políticas ou produtos) dos países; Portanto, as evidências permitem saber que as organizações percebem os problemas da crise de aprendizagem como sendo predominantemente de natureza administrativa.
A comparação entre as Tabelas 26 e 27 permite saber que o que é necessário para que os sistemas educativos resolvam a crise de aprendizagem é também o que as organizações multilaterais estão a fazer ou pretendem fazer.
AS REDES POLÍTICAS COMO FOCO DAS PRESCRIÇÕES
A próxima secção discute como a abordagem de gestão de coligações interescalares é abordada no discurso da crise de aprendizagem – através do qual as relações transnacionais colocam estrategicamente as organizações em posições privilegiadas de poder. Constatou-se que o discurso sobre a crise de aprendizagem, além de ser produzido no âmbito das redes políticas, descreve estas e outras novas redes como um recurso para o enfrentamento da crise. Na Tabela 28 – que contém a noção de âmbito definida com base na leitura de Fairclough (2003, p. 5), Robertson (2013, p. 37) e Jessop (1998) – global, regional (por exemplo a União Europeia), nacional e local – apresenta como as organizações posicionam os atores (e especialistas) da crise de aprendizagem no contexto das políticas educacionais.
Tabela 28 – Dados de análise: até que ponto os atores operam no contexto da crise de aprendizagem. Entende-se assim que a coalizão de atores proposta no discurso da crise de aprendizagem escrito no quadro 28, com base em textos do Banco Mundial, ONU, UNICEF e UNESCO, é uma estratégia para a entrada dos atores no que Ball (1994) concebe. como um ciclo político. Evidencia-se que a mediação do conhecimento é defendida no discurso da crise da aprendizagem como o encurtamento das distâncias e a conquista da qualidade impulsionada.
As estratégias globais como recurso para resolver a crise de aprendizagem contribuem para o posicionamento estratégico das organizações multilaterais como parceiros/fornecedores/assessores do país para cumprir políticas e medidas para lidar com a crise de aprendizagem.
OS PRODUTOS COMO NÓS DE POSICIONALIDADE NAS REDES
Os produtos revelam a proximidade que as organizações estabelecem com os governos nas estratégias para superar a crise de aprendizagem: através da centralização da promoção de insumos (ONU), do fornecimento de informações estratégicas (Banco Mundial) e da prestação de serviços em uma via bidirecional. forma (UNICEF e Banco Mundial) de reformar os sistemas educativos. Portanto, uma preocupação levantada com a análise da ação planejada das redes políticas no discurso da crise de aprendizagem será: que tipo de construções estatais esta ação possibilita. Neste trabalho, conduzimos pesquisas e análises para compreender o que as organizações multilaterais dizem e como o Grupo Banco Mundial, a Comissão de Educação das Nações Unidas, a UNESCO e a UNICEF dizem sobre a crise da aprendizagem.
Estes dados permitiram-nos saber que, para além do Estado, o discurso da crise de aprendizagem é construído no setor não estatal (em textos representados por agências, clientes, sindicatos, organizações) e no setor privado (apoiadores, clientes, serviços). fornecedores, investidores, financiadores). Acima de tudo, a composição da rede mapeada – composta por organizações não governamentais (associações, comitês, fundações, organizações da sociedade civil, sindicatos), órgãos governamentais (agências e organizações que realizam trabalhos e realizam pesquisas internacionalmente), universidades e faculdades que acolher centros de investigação para organizações multilaterais e membros do sector privado (prestadores de serviços e financiadores de projectos) - permite-nos saber que o discurso da crise da aprendizagem destaca aqueles que estão fora do Estado. Disponível em: https://www.worldbank.org/en/publication/wdr2018/brief/world-development-report-2018-team-members.
Disponível em: https://www.worldbank.org/en/publication/wdr2018/brief/world-development-report-2018-team-members.