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Performance do Afeto: cartas de uma professora negra

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Academic year: 2023

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Ao ler Cartas a uma negra (2021) de Françoise Ega e Ensaios sobre a prática desviante do professor-performer no cotidiano escolar (2018) de Mauricio Barbosa de Lima, busca-se relacionar o híbrido que permeia sua noção de práticas pedagógicas com em cartas, ela relata os caminhos percorridos que a levaram a se descobrir como professora/intérprete. Através da leitura do livro Cartas a uma negra (2021) da autora Françoise Ega e Ensaios sobre a prática desviante do professor-performer no cotidiano escolar (2018) do autor Mauricio Barbosa de Lima, tento conectar o híbrido que é permeada por sua ideia de práticas pedagógicas, com as cartas que relata sobre os caminhos percorridos que a levaram a se descobrir como professora/intérprete. Dessa forma, a obra tem uma configuração diferente, onde os capítulos se transformam em cartas nas quais expresso meus pensamentos ao leitor, conectando os autores, chamados de grandes inspirações, que me indicam o caminho de um professor-intérprete.

Nesta carta apresento o relato do projeto de videoarte em conexão com os direcionamentos sobre o professor-intérprete em relação às disciplinas do ensino de dança da Universidade Federal de Alagoas.

Quem Sou?

Nesse encontro entre ser bailarino, entendo que a graduação é importante na investigação de um futuro profissional, como a autora Jussara Xavier em seu texto: O que é a dança contemporânea. Localizada em um território sem leis fixas, modelos e convenções imutáveis, a dança contemporânea traça linhas que, antes de dividir, apontam para outros caminhos de pesquisa e significação." (XAVIER, 2011, p. 35).

Ao Sul de Tudo De: Jeyssi

Logo após escrever a carta acima, entrei na sala de aula e o poema abaixo foi escrito após passar por um momento de raiva e frustração, devido ao desgaste físico e emocional de um dia de desafios, onde a fala é sufocada pelos gritos da turma. Nessa retroalimentação encontro o que chamo de anomalia, ou seja, lugares que não tinha intenção de ir, mas ao ver a sala de aula como um espaço de experimentação, sou levado, em última análise, à experiência de "fugir do roteiro", "lidar com o desconhecido". Tomando a aula como um momento onde posso me desviar de um caminho reto que indica onde começar e onde terminar, é possível apostar nas micro-relações, na crença de que elas nos estimulam a dar visibilidade à multidão de eventos.

Realizar rotinas escolares e instrumentos de controle com os alunos é ver a sala de aula como um lugar de experimentação. A partir da tríade atenção, observação e presença apresentada por Miller na escuta do corpo, evoco ações de movimento e de lugar que modificam o que é comum em uma sala de aula, como sentar, abrir um caderno, ler, escrever, ouvir, tornam-se secundários ao mover, levantar, caminhar, respirar com cuidado, tocar o corpo, alongar e mobilizar as articulações. Esse dado é de grande importância no que faço dentro e fora da escola, pois permite a percepção de que a prática do professor-intérprete não está presente apenas quando dou aulas de performance.

Em outras palavras, pode ser um “modo de ser” que cada professor-intérprete mantém como signo de sua singularidade. Desta forma, esta trilha é o ápice para que eu inicie minha investigação sobre meu jeito de ser e minha singularidade dentro e fora da sala de aula, continue com as propostas pedagógicas e artísticas, estabeleça relações e busque um trabalho autêntico com uma troca comovente de conhecimento,. Portanto, a pesquisa configura-se como um relato de campo onde se articulam as impressões do pesquisador com a contribuição do relato de experiência do aluno.

Relato de experiência: um olhar sensível De: Jeyssi

A autora Djamila Ribeiro4 revela em seu livro O que é: o lugar de fala. 2017), performance que associo a ser professora e mulher negra, artista, aluna e pesquisadora de dança que busca em seu trabalho pedagógico um súbito movimento anticolonial com lugar de fala, da mesma forma que estudantes se juntam a uma causa antirracista. A partir dessa relação entre alunos e professor, proponho ações que compartilho com um recorte do meu diário após o encontro com os alunos, enquanto no desenvolvimento pratico o autoconhecimento do professor-performer. O momento descrito no diário foi chamado de “chegada”, que foi uma decisão de aproximar os alunos da minha prática diária como artista de dança contemporânea e professora de arte.

Ao entrar na sala de aula, a maioria dos alunos já está sentada e conversando, outros estão concentrados em seus celulares, e alguns aguardam em silêncio. Fazemos meia saudação ao sol, onde ficamos em Tadasana ou postura da montanha com os braços relaxados junto ao corpo, com os alunos iniciamos o movimento inspirando levantando os braços bem alto, depois expirando dobramos o corpo para frente e relaxando os joelhos até as pontas dos dedos tocam o chão, o pescoço e a cabeça permanecem relaxados sem tensão, os ombros se afastam das orelhas; enquanto inspira novamente, olhando para frente, coloque as palmas das mãos nos joelhos sem forçar; na expiração, dobre o tronco para a frente mais uma vez; inspire, aterrisse nos pés para relaxar, alongue a coluna, levante os braços para o céu, finalize expirando, trazendo as palmas das mãos à frente do peito em outadasana em pé. A aceitabilidade desses dois exercícios de “chegada” inicialmente causou transtornos e algumas reclamações, mas a consequência desse desvio foi a participação de todos os alunos e os relatos de sentimentos e emoções durante a atividade foram positivos e chamaram mais a atenção.

Por isso, comecei a ser questionado por sugerir outra coisa, a direção da unidade escolar interferia nas aulas e pedia para que eu criasse ordem na sala de aula e não deixasse os alunos parados, pois estava muito bagunçado. Onde sentar em silêncio de frente para a sala, escrevendo em seus cadernos ou desenhando, é visto como requisito para um ensino harmonioso e frutífero, onde os alunos adquirirão conhecimento através do meu ensino. Esse desvio foi sugerido a partir do diálogo com alunos que sempre me solicitavam horas práticas fora da sala de aula porque sentiam necessidade de levantar, caminhar e alongar o corpo.

O segundo momento da aula é o que chamo de escuta e conexão dos dados 2 - abertura com o outro, após criarmos uma conexão com os alunos propus o projeto videoarte7 como resultado das atividades desenvolvidas durante as aulas de artes, onde apresentei o teoria, inspirada na disciplina Dança e novas tecnologias-prática 5 do período 2019.2, também ministrada pelo Prof. Os alunos vivenciam o uso da tecnologia no dia a dia, principalmente em tempos de pandemia mundial de Covid-1911, e dar um significado diferente a ela, principalmente ao uso do celular, é proporcionar uma experiência onde a singularidade de cada indivíduo será valorizada. evidente. na produção de videoarte.

A Arte de ser Docência De: Jeyssi

Tudo era novo e muito atrativo porque eu tinha todos os professores das disciplinas que davam aula durante os três anos inteiros, e formei uma família ali. Foram os melhores anos da minha vida, onde me apaixonei pela educação naquela escola com meus amigos, organizei nossos eventos culturais, viajei, participei das Olimpíadas, viajei e me desenvolvi como cidadão atencioso com a escola e valor. e todos os que fazem parte dela. Aos professores de graduação, quero que saibam que todas as vezes que pensei em desistir, lembrei de todos os sorrisos, palavras, força e exemplo que vocês me deram todos os dias na faculdade, vocês me impulsionam, que é gerado vivo pelo meu ações.

Nesta carta, relembro os acontecimentos que me trouxeram até aqui como futura graduanda em dança pela Universidade Federal de Alagoa, com tantas lembranças que me volto às questões que me motivaram a escolher o tema desta pesquisa: O que pode uma graduada na dança. Visto que minhas experiências são um caminho para a atuação como arte educadora, me pergunto: E como posso me tornar professora-performer? Para responder, irei refletir sobre a relação que fiz ao ler os rastros do professor-intérprete Mauricio Barbosa Lima com a leitura que fiz no segundo período da graduação 2017.2 na disciplina Profissão Docente, do livro Pedagogia e autonomia: saberes necessários sobre a prática educativa de Paulo Freire (2004) livro de referência que considero fundamental para a formação de todos os profissionais.

Quando cada um dá um pouco de si, a promoção desta aula-suco é marcada pelo fazer “com”, uma criação conjunta onde todos têm o que aprender e o que aprender. A resposta pode ser: não acontece da noite para o dia, o caminho é longo e as histórias pessoais, nossa bagagem se transforma ao me tornar professor-performer, percebendo que devo estar sempre em movimento, questionando, aprendendo, aventurando-me e entendendo que o caminho de estar no mundo representa um modo de. O currículo paulista define e explica, para todos os profissionais da educação que atuam no estado, as competências e habilidades essenciais para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos estudantes paulistas e sempre leva em consideração sua formação integral sob a ótica do ser humano. desenvolvimento.

De discente para docente De: Emily da Silva Silvestre, 16 anos

Concluo voltando à questão principal: o que pode fazer um egresso do curso de dança da Universidade Federal de Alagoas. Nessa carta encontro minha resposta para o que pode fazer um graduado do curso de dança da Universidade Federal de Alagoas. Você pode voltar para o seu país de origem, vivenciar um curso poderoso e transformador e ter a oportunidade de optar por trabalhar na educação artística como professor-intérprete.

O afeto é secundário ao amor, o amor é mulher, o amor é negro, o amor é um motor, o amor é um professor, o amor é um encontro, o amor é um professor-performer. Meu desejo é que todos possam entender esta revelação como uma explosão que reverbera, pois este trabalho tem um significado muito maior do que apenas a obtenção de um título, é um ato de contestação em defesa do ensino da dança na Universidade Federal de Alagoas para se tornar um ser promovida na comunidade académica como promotora do conhecimento e da investigação científica é a forma de defender a minha profissão. Sinto a mesma sensação de dever cumprido naquele dia escrevendo todas as cartas para afirmar a potência de pesquisadora em dança de uma universidade pública do Nordeste do país, mesmo sendo emigrante, entendo a riqueza de estar neste lugar, produzindo conhecimento , compartilhando conhecimento e com a certeza de que onde estiver posso fazer o que escolhi como profissão: arte-educadora com formação em dança.

Talvez eu precise vivenciar ainda mais a sala de aula para dar uma resposta clara, mas posso compartilhar o que esta pesquisa repercutiu em meu trabalho artístico com o processo criativo em dança contemporânea do improviso dessa professora-performer que se inspira na escrita poética de Este trabalho. Embora ainda não tenha dançado as letras de uma professora negra, é um processo criativo em construção na dança contemporânea. Por fim, desabando por meio de manifestações pedagógicas, artísticas e sociais, a futura graduanda em dança que você escreve acredita na arte-educação como forma de contribuir com a sociedade, pois é uma forma de revolução ser um professor-intérprete atuante nas escolas públicas do Brasil.

Referências

Documentos relacionados

Este estudo, desenvolvido ao longo do Trabalho de Conclusão de Curso em Design de Produto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), consiste em uma pesquisa sobre design