Pobreza e desigualdade no Brasil: traçando caminhos para a inclusão social / organizado por Marlova Jovchelovitch Noleto e Jorge Werthein. PROGRAMAS MUNICIPAIS E ESTADUAIS DE ENFRENTAMENTO DA POBREZA E DA EXCLUSÃO. da exclusão social no Brasil ..173 Aldaíza Sposati.
A UNESCO E O COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO E O
Neste trabalho, Myrdal apresentou sua teoria da causalidade circular, que se tornou a principal característica de seus estudos sobre economia do desenvolvimento. Os programas de rendimento mínimo são um bom exemplo, especialmente quando ligados à educação e a outras componentes do desenvolvimento humano.
POBREZA, A PRÓXIMA FRONTEIRA NA LUTA PELOS DIREITOS HUMANOS
PROPOSTA: A pobreza só acabará quando for reconhecida como uma violação dos direitos humanos e abolida como tal. A pobreza só acabará quando for vista como uma violação dos direitos humanos e abolida como tal.
CONSTRUINDO ESTRATÉGIAS PARA COMBATER A DESIGUALDADE SOCIAL
UMA PERSPECTIVA SOCIOECONÔMICA
Um dos poucos estudos disponíveis sobre o tema1 indica que 1% da população, pouco mais de 1,5 milhão de pessoas, correspondendo a cerca de 400 mil famílias, controla 17% da renda nacional e 53%. do património líquido privado do país, que em 1995 foi avaliado em 2,022 mil milhões de dólares. Ou seja, para fechar as contas, o Brasil precisava de US$ 34 bilhões além dos compromissos que já havia assumido em períodos anteriores.
O COMBATE À FOME NO BRASIL
Segundo a pesquisa Datafolha, publicada em 9 de abril, a preocupação da sociedade brasileira com a fome caiu de 6% em setembro de 2002 para 22% em abril de 2003, tornando-se a segunda maior preocupação da população depois da fome. Uma parcela equivalente a 65% da nossa população pobre e 70% da população carente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE.
ASSISTÊNCIA SOCIAL E POBREZA
A questão da pobreza e da desigualdade deveria ser discutida com mais frequência, para que se torne um debate para toda a sociedade. Através da análise da questão social, podemos vislumbrar um quadro que indica com alto grau de precisão a magnitude do desafio na superação da pobreza e da desigualdade.
O ESFORÇO DA INCLUSÃO
Primeiro, o papel da assistência social e a relevância de uma das funções do Ministério da Assistência Social. Por sua vez, o Ministério da Assistência Social desempenha a função de articular as políticas setoriais básicas.
DESNATURALIZAR A DESIGUALDADE E ERRADICAR A POBREZA NO BRASIL
Contudo, o desenho de políticas de redistribuição de rendimentos e de combate à pobreza não é trivial. Redistribuição de terras, redistribuição de rendimentos e riqueza, acesso ao crédito e educação universal de qualidade – os pilares de uma política estrutural para erradicar a pobreza através da redução da desigualdade.
POBREZA E TRANSFERÊNCIAS DE RENDA
Além disso, a fácil estimativa estatística da chamada disparidade de rendimentos esconde as dificuldades reais na operacionalização de programas de transferência directa de rendimentos. Implica também que os mecanismos de financiamento da despesa pública tenham explicitamente em conta as desigualdades na distribuição do rendimento no país.
NOVA POLÍTICA DE INCLUSÃO SOCIOECONÔMICA
Por um lado, a estruturação do mercado de trabalho, que possibilitou a predominância do contrato de trabalho assalariado no conjunto da profissão, tudo apoiado numa rede social e numa rede de proteção laboral. O progresso no sistema de protecção social tornou-se uma realidade assente num bom ciclo de expansão económica, apoiado na estrutura funcional do mercado de trabalho e na firme regulação da concorrência por parte do Estado. Mas quando a realidade económica muda, a situação no mercado de trabalho e nos regimes de segurança social muda como resultado.
No entanto, a partir de 1980, o Brasil entrou numa fase de estagnação da renda per capita e de perturbação do mercado de trabalho. Como mencionado anteriormente, o Brasil não conseguiu atingir o estágio de sociedade assalariada e, portanto, não contou com a estruturação do mercado de trabalho e a instalação de uma distribuição secundária de renda.
A POBREZA COMO VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
A proposta de que a existência de pobreza extrema deve ser entendida como uma violação dos direitos humanos tem o mérito de priorizar a erradicação da pobreza de uma forma compatível com os direitos civis e políticos fundamentais, e sugere a utilização de instrumentos equivalentes, como por exemplo como o uso da coerção, incluindo sanções criminais e intervenção armada, para garantir a erradicação da pobreza. A proposta não deve ser interpretada no sentido de que os direitos humanos exigem a erradicação apenas da pobreza extrema, que é uma consequência causal da conduta questionável ou injusta dos sistemas económicos, ou que a razão de ser do direito à subsistência deriva inteiramente da relativa considerações de justiça, com as suas conotações de mérito e de justiça, com exclusão do discurso humano, menos centradas nas questões de mérito, centrando-se na obrigação de aliviar o sofrimento do que no fim em si.
JUSTIÇA GLOBAL, DIREITOS HUMANOS E AS EMPRESAS
INTRODUÇÃO
O objetivo deste ensaio é propor uma reflexão sobre a pobreza como violação dos direitos humanos, na perspectiva do direito internacional dos direitos humanos. Para isso, a concepção contemporânea de direitos humanos será focalizada provisoriamente à luz do sistema de proteção internacional, avaliando o seu perfil, os seus objetivos, a sua lógica e os seus princípios. O sistema internacional de proteção dos direitos humanos constitui o maior legado da chamada “Era dos Direitos”, que possibilitou a internacionalização dos direitos humanos e a humanização do direito internacional contemporâneo, como observa Thomas Buergenthal1.
Na segunda etapa, serão avaliados os principais desafios e perspectivas para a concretização do direito à inclusão social no sistema moderno, para que o valor dos direitos humanos assuma um papel de referência central na orientação da agenda internacional moderna.
POBREZA COMO VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS
COMO COMPREENDER A CONCEPÇÃO CONTEMPORÂNEA DE DIREITOS
Nesse sentido, em 10 de dezembro de 1948, foi adotada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, como um grande momento histórico no processo de reconstrução dos direitos humanos. A rede internacional para a proteção dos direitos humanos procura redefinir o que é uma questão de jurisdição interna exclusiva dos Estados.”6. O processo de universalização dos direitos humanos permitiu, por outro lado, a formação de um sistema normativo internacional para a proteção desses direitos.
O processo de universalização dos direitos humanos permitiu a formação de um sistema internacional para a protecção destes direitos. A Declaração de Viena de 1993 alarga, renova e alarga, portanto, o consenso sobre a universalidade e indivisibilidade dos direitos humanos.
QUAIS OS DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO
O processo de determinação dos sujeitos de direitos se soma ao processo de difusão dos direitos humanos. A emergência de novos actores internacionais exige a democratização do sistema internacional de protecção dos direitos humanos. O Conselho Internacional para os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que também introduz o direito à petição individual.
É também essencial que se possa confiar nos tratados que protegem os direitos económicos, sociais e culturais. A responsabilidade do Estado na implementação dos direitos económicos, sociais e culturais deve ser reforçada.
O PROGRAMA FOME ZERO
O Fome Zero não é um programa de bem-estar, ao contrário da maioria das atividades anti-fome no Brasil. No Fome Zero, é menos importante distribuir alimentos do que gerar renda, trabalhar e recuperar a autoestima e a cidadania. O Fome Zero é um programa de âmbito governamental, embora concebido e controlado por um ministério, o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, para o qual todas as políticas sociais devem convergir.
PRATO é esta grande rede de voluntários, espalhados por todo o país, que encontrarão cada um a sua forma de participar no Fome Zero. O braço hídrico do Fome Zero é a ASA – Articulação no Semiárido, maior fórum de unidades do Brasil.
GESTÃO INTERGOVERNAMENTAL PARA O ENFRENTAMENTO DA EXCLUSÃO
O modelo de gestão preconizado pela Constituição Brasileira de 1988 para as políticas sociais pressupõe a articulação entre o âmbito da gestão democrática e a consolidação dos direitos sociais. A transferência seletiva de renda sob orientação segmentada de políticas sociais visa restaurar a capacidade de consumo dessas famílias para serem usuárias dessas políticas sociais. Uma das respostas a estas dúvidas, geralmente motivadas por economistas, tem sido subordinar o âmbito das políticas sociais à regulação económica neoliberal e ao monetarismo, gerando programas oficiais de transferência de rendimentos que não entram no domínio dos direitos sociais.
A relação intergovernamental para a inclusão social e, inversamente, para o enfrentamento da exclusão social exige um novo pacto federal para a gestão interinstitucional das políticas sociais no Brasil. O modelo político das políticas sociais brasileiras deve ser revisto à luz de uma regulação estatal clara, que, sem.
O MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE NO ENFRENTAMENTO À POBREZA
Na estrutura da política municipal de assistência social, o órgão gestor é a Fundação de Assistência Social e Cidadania - FASC, que tem como função administrar o sistema de assistência social, que consiste em programas e serviços próprios e na manutenção e fiscalização/assessoramento de serviços sociais. Serviços. rede assistencial, serviços prestados por entidades não governamentais. O órgão consultivo da política de assistência social em Porto Alegre é o Conselho Municipal de Assistência Social/CMAS, que é organizado regionalmente por meio das comissões regionais de assistência social. A estrutura de gestão do sistema de assistência social está dividida entre a rede básica e a rede de serviços especializados.
Dessa forma, a gestão da política de Assistência Social de Porto Alegre é realizada por meio da articulação de programas e serviços em um sistema regionalizado e hierárquico, composto por unidades operacionais municipais, entidades vinculadas e parcerias com o setor privado. O conceito adotado na oferta de serviços em rede tem como estratégia o objetivo da política de Assistência Social, a acessibilidade a outras políticas, a incompletude dos programas, a complementaridade entre diferentes políticas públicas e a articulação e ampliação de ações.
SISTEMA INTEGRADO DE CONTROLE SOCIAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS
O sistema integrado de controle social das políticas públicas do Estado do Ceará é concebido tendo em vista a inclusão política como pré-requisito para estruturar ações no campo da inclusão econômica e social. Nesta perspectiva, a Secretaria Extraordinária de Inclusão Social foi responsável pela coordenação deste sistema integrado, que ultrapassou a dimensão puramente técnica dos instrumentos de controlo estatal. O objetivo é trabalhar a questão da inclusão social no âmbito do governo estadual para que cada secretaria ou órgão conveniado agregue valor social às ações implementadas, ao mesmo tempo em que busca possibilitar a mobilização social a partir do eixo da inclusão e da gestão compartilhada da sua política.
UMA PROPOSTA DE INCLUSÃO
POLÍTICA COMO INSTRUMENTO DE INCLUSÃO SOCIAL
- JUSTIFICATIVA
- OPERACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA
- OBSERVATÓRIOS DE INCLUSÃO SOCIAL Inicialmente instalados nas universidades estaduais e
- DIMENSÕES FUNDAMENTAIS PARA A DEFINIÇÃO DE ÁREAS DE AÇÃO COMUM
- OS SIGNIFICADOS DA ESTRUTURAÇÃO DE UM SISTEMA DE INCLUSÃO SOCIAL PARA
- ÁREAS PRIORITÁRIAS DE POLÍTICAS DE INCLUSÃO
Consolidação das metas de inclusão social a partir de alinhamentos com setores da sociedade e novamente com o poder público. Definição pública do compromisso político do governo com a inclusão social através da apresentação dos objectivos de inclusão social – destacando 14 objectivos principais a serem massivamente divulgados – num fórum composto por todos os líderes da sociedade. Organização de observatórios de inclusão social, ou seja, espaços com competência técnica e credibilidade política, independentes e respeitados, que possam produzir informações qualificadas sobre as políticas públicas e a realidade do Estado para os diversos setores da sociedade como conselhos, organizações da sociedade civil, etc.
Devido à sua importância crucial, vale a pena dar mais atenção aos observatórios de inclusão social. Para tanto, a Secretaria de Inclusão e Mobilização Social do Estado do Ceará (SIM Ceará) concentrou inicialmente esse esforço em universidades que pudessem se tornar verdadeiros centros de referência na avaliação de políticas públicas de inclusão social no estado.