No Brasil, no período imperial, por falta de diploma processual penal, as normas prescricionais foram extraídas do grosso do Código Penal do Império, editado em 16 de dezembro de 1830. Da leitura atenta de tais teorias, suas fragilidades na tarefa em questão são óbvias, isto é, tomadas isoladamente, não se prestam a sustentar inquestionavelmente a existência e necessidade de um instrumento tão grande, sendo, portanto, alvo de sérias críticas.
ESPÉCIES LEGAIS DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
Prescrição da pretensão punitiva (PPP)
109 não levará em conta as circunstâncias judiciais (do art. 59 do Código Penal) e as circunstâncias agravantes e atenuantes (prescritas nos artigos 61 e 62; artigos 65 e 66, todos do Código Penal), pois não podem alterar os limites legais da punição, o que significa que independentemente da atenuação da pena, esta não pode ser inferior ao mínimo; por mais agravantes que sejam, não pode ultrapassar o máximo. A prescrição da ação penal antes do trânsito em julgado e da irrevogabilidade começa a correr a partir dos seguintes marcos reunidos no art. 111 do antigo Código Penal: a) o dia da prática do crime; b) tratando-se de tentativa, o dia em que pôs termo ao facto criminoso;
MODALIDADES DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
Prescrição da pena em abstrato (ou propriamente dita)
Prescrição intercorrente
Prescrição retroativa
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DA EXECUTÓRIA - PPE
Como o próprio nome sugere, as condições processuais são categorias que condicionam o exercício do direito processual, neutralizando reivindicações sabidamente inócuas. Nesse sentido, há tradicionalmente três condições de atuação, a saber: legitimidade de ser partido; possibilidade jurídica do pedido e interesse em agir. Registre-se, caso não se verifique algum desses requisitos, indispensáveis ao regular exercício do direito de agir, ocorrerá o fenômeno conhecido como falta de ação, que levará à extinção do processo sem que se considere o mérito para eliminá-lo (à luz do art. 267, VI, do Código de Processo Civil) 18.
III - for evidente a ilegitimidade da parte ou faltar a condição exigida em lei para o exercício da infração penal. Parágrafo único - Nos casos do inciso III, o indeferimento da denúncia ou do recurso não impede o exercício da infração penal, desde que instigado por parte em juízo ou preenchido o requisito. II - inexistência de requisito ou condição processual para o exercício da infração penal; ou III – não há justa causa para a infração penal.
Art. 267 do Código de Processo Civil: O processo extingue-se sem solução substantiva: VI - quando qualquer das condições da ação não for satisfeita, tais como a possibilidade jurídica do pedido, a legitimidade das partes e o interesse processual.
LEGITIMIDADE DE PARTES (LEGITIMIDADE AD CAUSAM)
POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO
JUSTA CAUSA
395, expressamente abrigando, em seu inciso III, a única causa como condição autônoma para o exercício da ação penal, pondo fim àquela discussão doutrinária.
INTERESSE DE AGIR
É precisamente por esta razão que esta subespécie é inerente à conduta criminosa acusatória; O exercício da jurisdição penal (intervenção do Estado-juiz) sempre será necessário para a aplicação da sanção penal, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa. Verifica-se, assim, a utilidade da prestação jurisdicional quando é teoricamente possível impor uma sanção ao arguido. Nessa esteira, se em determinado momento do processo, ou mesmo antes da instauração do processo, o juiz verificar que não será possível responder à reivindicação de direitos autorais, torna-se ilógico interromper o início/prosseguimento do processo, pois não é capaz de produzir os efeitos esperados (TELES, 2007).
Desta vez, apesar de haver sempre interesse-necessidade, haverá situações em que se verificará a inexistência de interesse-utilidade, como é o caso do processo-crime em que tenha ocorrido uma das causas extintivas da responsabilidade penal, pelo que ninguém pode cobrar punições aos acusados. Assim, o interesse-utilidade estende-se às hipóteses em que, apesar de não verificada causa que anule a criminalidade, dentre as elencadas exaustivamente no art. Nesse caso, tal procedimento não é mais útil, pois após a instrução processual com o regular pronunciamento da sentença condenatória, o juiz estadual não pode proferir medida judicial, por ter falhado o seu jus puniendi.
Registre-se, a prescrição esperada é justamente o reconhecimento da futilidade do processo (seu principal sustentáculo), pois para iniciá-lo ou para continuá-lo é preciso vislumbrar a eficácia da pretensão formulada na exordial, ou seja, a imposição de um sanção ao acusado.
CONCEITO E ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
Já na Semana de Estudos da Justiça Criminal, ocorrida em 1987, Antônio Scarance Fernandes já sinalizava a necessidade de se obter autorização para não instaurar processo quando a ocorrência de prescrição fosse inevitável, mesmo com base em eventual penalidade a ser aplicada. No entanto, alguns continuaram tentando mostrar que é totalmente viável; foi persistente na defesa de seu uso, apesar das severas críticas que o cercaram. Nesse contexto, e principalmente com base no cotidiano dos tribunais de primeira instância, e alguns dos tribunais brasileiros, como os tribunais dos estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul , juízes e promotores têm reconhecido esse novo instituto e o aplicam aos processos que executam no dia a dia.
Assim, emergiu da experiência jurídica que a prescrição retroativa tem sido repetidamente utilizada ao longo dos anos de antecedência, para encerrar processos inofensivos (judiciais ou processuais-administrativos), haja vista que um número significativo de demandas é instaurado ou desenvolvido. com a finalidade de alcançar a condenação do réu, “quando se sabe de antemão que não obterão resultado útil, pois, ainda que procedente a ação penal, a pretensão penal será cumprida por prescrição no momento da aplicação da pena”. punição definida para o acusado”.21. Como se vê, a ordenação virtual foi considerada por muitos como uma nova forma de ordenação da pretensão penal (ou subespécie da ordenação retroativa), de modo que, ao ser reconhecida, a criminalidade de um sujeito da lei penal foi extinto o Ministério Público. Mas nos tempos modernos a doutrina mais abalizada tem sido abandonar esta posição – classificá-la entre as causas da erradicação da criminalidade – passando então a classificá-la como forma de reconhecimento da inação por falta de interesse em agir.
Embora tal situação não ocorra, dependendo do caso, parece-nos que se deve aceitar não a anulação da pena do arguido, pois esta seria uma decisão ilegal, mas o arquivamento do inquérito para determinar a investigação, a pedido do Ministério Público, ou ainda, rejeitar o edital ou denúncia, por manifesto desinteresse em agir.
Como o prazo prescricional para pena inferior a um ano é de 2 anos, com base nessa provável pena mínima, o prazo prescricional já teria decorrido. 59 25 (condições legais) e 6826 (sistema trifásico), ambos do Código Penal, que orientam o juiz na tarefa de dosimetria da pena. No entanto, é preciso deixar claro que a prescrição virtual só deve ser utilizada quando esses elementos estiverem arquivados, em quantidade suficiente para possibilitar uma antecipação segura e inquestionável da punição.
NÃO SE PODE CONFIRMAR O BANDIDO ACIMA DO MÍNIMO SE NÃO HOUVE MOTIVOS PARA JUSTIFICAR SE FOI AGRAVADO. Assim, por exemplo, a presença de agravantes ou causas especiais para aumento ou redução da pena pode ser facilmente observada e verificada. Assim, após a determinação concreta da multa de 3 (três) meses, cujo prazo prescricional é de 2 (dois) anos nos exatos termos do art.
Se, com base nas circunstâncias do caso concreto, for assim possível prever qual a sanção que será aplicada ao caso concreto; e se, da análise disso, se perceber que a limitação da pretensão penal do Estado se dará inevitavelmente com base na modalidade retroativa, de forma que a sanção penal não será aplicada em hipótese alguma (desde a erradicação da criminalidade acontecerá), a esperada prescrição deve ser reconhecida como inegável desinteresse em agir, com a consequente extinção do processo, sem que seja evidente a apreciação do mérito.
OUTROS FUNDAMENTOS QUE DÃO SUPEDÂNEO AO RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO EM PERSPECTIVA
- A prescrição virtual e a instrumentalidade processual
- A prescrição virtual e o princípio da economia processual
- A prescrição virtual e o princípio da proporcionalidade
- A prescrição virtual e a preservação do prestígio da justiça
- A prescrição virtual e a duração razoável do processo penal
Essa é a verdadeira linguagem por trás desse contingente de posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais relacionados à teoria da prescrição esperada. Por outro lado, o argumento econômico para a prescrição projetada não se limita à área da economia processual, pois é também um importante instrumento para evitar o desperdício de recursos públicos, o que atende ao princípio da moralidade administrativa e, portanto, também tem um discurso de natureza moral. Foi justamente nessa linha de pensamento que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, considerando o caso concreto, distinguiu seu entendimento, que é contrário à adoção da esperada prescrição.
I – No caso em tela, dada a proximidade do fim do prazo prescricional da punição em sentido abstrato, não se trata de recusa justificada, mas sim de desvio do padrão de razoabilidade, da direção judicial pela inaplicabilidade da a instituição da limitação em perspectiva ou virtualmente. O fundamento da manutenção do prestígio da equidade é argumento utilizado tanto pelos que reconhecem o uso da prescrição virtual quanto pelos que a rejeitam. No prisma da causa extensiva da pena de que falamos, o arguido só pode beneficiar da incidência da prescrição comum.
Polícia Judiciária (civil e federal) e que previu a prescrição de penas abstratas de muitos processos.
- A prescrição virtual e o princípio da legalidade
- A prescrição virtual e o princípio da obrigatoriedade da ação penal
- A prescrição virtual e o princípio da presunção de inocência
- A prescrição virtual e a mutatio libelli
Esse argumento, baseado na falta de base legal, está relacionado à visão da prescrição em perspectiva como modo de extinção da criminalidade. Isso significa que a prescrição virtual não deve ser vista como mais uma espécie de prescrição que levará ao reconhecimento da extinção da pena do acusado, mas sim como um resultado lógico do entrelaçamento da prescrição retroativa e da teoria das condições de ação. , o que resultará na falta de interesse em agir, em seu aspecto interesse-utilidade. A adoção da tese da prescrição virtual fere a ideia de poderes tendenciosos, uma vez que um órgão jurisdicional exerceria função legislativa ao criar uma nova hipótese de prescrição e, portanto, de extinção da criminalidade com base em uma sentença hipotética.
Assim, o reconhecimento da prescrição esperada segundo essa tendência doutrinária resultaria inevitavelmente em condenação prévia do acusado, o que violaria seu direito de provar sua inocência. Ora, a aplicação da prescrição projetada não implica de modo algum a prévia admissão de culpa. Ou seja, para concluir que tal ato é fútil, após analisar a punição passível de recair sobre o acusado em caso de eventual condenação, utilizam-se as regras da prescrição retroativa e assim o reconhecimento da improcedência, em razão da falta de interesse em agir, veja, a pretensão punitiva do estado seria anulada pela prescrição retroativa.
Esse raciocínio lógico, que usa uma interação entre a prescrição retroativa e a doutrina do devido processo para verificar a ausência de ação, é chamado de prescrição quase estatutária. Do que foi articulado neste estudo, resta comprovado que a prescrição virtual é resultado da interação entre a técnica utilizada para verificar a prescrição retroativa (art. do código penal) e a análise da presença de uma das condições da acção, nomeadamente o interesse em agir, mensurável no seu subtipo interesse-benéfico (definido no inciso II do artigo 395.º do Código de Processo Penal). Por outro lado, é indesculpável que o uso da prescrição virtual envolva questões relacionadas ao funcionamento de uma justiça lenta e muitas vezes mal equipada.