Na primeira, procuramos trazer uma discussão sobre as políticas de segurança pública preventivas, penalistas e militaristas (DA SILVA, 2004), e seus impactos no planejamento do espaço público na cidade do Rio de Janeiro. Da Silva (2004) refere-se a essa dinâmica de alternância de políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro como uma disputa equivocada entre.
Política prevencionista
As políticas de segurança devem ser orientadas por medidas de prevenção primária, secundária e terciária. Os programas foram considerados inovadores porque apresentavam uma tentativa de mudar o rumo das políticas de segurança.
Políticas penalista e militarista
Criminalização
A relação da polícia com parte da população era regida por um sistema de repressão violenta e não de proteção de direitos. Atualmente, no século XXI, como destaca Campos (2005), o Estado continua a exercer um controle violento sobre a parcela mais pobre da população, que tem menos oportunidades e recursos para contestar individualmente as ações brutais das forças, a polícia tem provocado. no seu local de residência.
Sujeição
Partindo da premissa da subjugação criminal, que permeia a atuação das forças policiais por meio de mecanismos subjetivos, todos os moradores das favelas são considerados suspeitos e seus moradores são considerados tipos sociais negativos, possíveis criminosos. Diferentemente de Misse (2010), que enfoca a subjugação criminosa do indivíduo, de um sujeito historicamente identificado como negativo, Cecchetto, Monteiro e Muniz (2018) trabalham com o conceito de criminalização dos moradores de favela pelo viés da sociabilidade, dos laços sociais.
Necropolítica
Nas favelas do Estado do Rio de Janeiro, além das mortes de supostos criminosos, são cometidas e assumidas por policiais, o que por si só demonstra a ineficácia da política de segurança, que não é orientada pela garantia do direito de resgate vitalício, as autoridades governamentais correm o risco de uma atitude beligerante e de confronto, o que acaba por contribuir para o assassinato de outros moradores desses espaços. Regulamento Fundamental (ADPF 635)11 do Supremo Tribunal Federal (STF), criticando a política de segurança pública adotada no Estado do Rio de Janeiro12.
Cidadania e incolumidade
Mas foi legislação introduzida num ambiente de baixa ou nenhuma participação política e de aplicação incerta dos direitos civis. A Tabela 1 revela que, no âmbito dos direitos civis, as chaves que condicionam a atuação das forças de segurança pública dentro dos parâmetros legais são atuar sem discriminação social, racial, econômica, cultural e espacial. A falta de direitos civis é evidente sobretudo em termos de segurança individual, integridade física e acesso aos tribunais.
Ao refletir sobre a existência ou inexistência de cidadãos no Brasil, bem como sobre a distância que separa a retórica da implementação dos direitos em si, Santos nos incita a considerar se o simples fato do nascimento não deveria ser suficiente para ser completo. cidadão, com todos os direitos derivados de tal situação. Referindo-se à consciência dos grupos subalternos, classificados como coletivos sociais de gênero, etnia, raça, camponeses, kulombolas e trabalhadores pobres, Arroyo (2018) nos faz pensar nos processos que possibilitaram essa consciência da política, o que tornaram possível. reflectir, agir e resistir, face à opressão e negação de direitos essenciais destes grupos populacionais. A falta de garantias dos direitos civis aparece especialmente em relação à segurança individual, à integridade física, ao acesso à justiça” (CARVALHO, 2021, p. 215).
Escolarização e capital cultural
Para o autor, o conceito de capital cultural tornou-se essencial nas últimas cinco décadas ao tentar explicar as trajetórias escolares dos sujeitos. O argumento que sustenta a necessidade de reconsiderar a aplicabilidade do conceito de capital cultural está envolto no seu caráter abrangente e multifacetado, o que, segundo o autor, o torna ao mesmo tempo forte e frágil. Assim, uma limitação do conceito seria, por exemplo, a sua utilização por investigadores com base em objetivos quantitativos, pois seria difícil medir a contribuição do capital cultural em correlação com o percurso académico bem-sucedido dos sujeitos.
Ainda em Nogueira (2021) encontramos os postulados que orientam a evolução do conceito de capital cultural a partir da sua utilização por pesquisadores americanos e franceses. A outra definição seria “limitada”, pois associaria o capital cultural à cultura considerada legítima, proclamada pela classe hegemônica como válida e representativa da sociedade. Do ponto de vista social, continua o autor, as questões levantadas pelos investigadores da tradição francesa relativamente ao conceito de capital cultural vão no sentido de tentar compreender a sua aplicabilidade e relevância para a compreensão do universo escolar hoje.
Escolarização em territórios conflagrados
Portanto, os autores afirmam que em áreas de alta vulnerabilidade social há uma disputa entre as escolas pelos limitados recursos investidos nesses locais, bem como por profissionais e alunos que atendam às características valorizadas no universo escolar. Neste cenário, “as escolas de áreas altamente vulneráveis acumulam desvantagens e tendem a consolidar-se como locais de. Ainda entre os autores citados, o quinto mecanismo que provocaria o efeito vizinhança no processo educativo em áreas de alta vulnerabilidade social seria a dimensão didático-pedagógica institucional, que por sua vez teria como objetivo fortalecer as atividades do sistema educacional como um para enviar orientação. todos.
Em relação à influência do bairro no processo de escolarização, o autor destaca o desafio de ensinar crianças que vivem em áreas ameaçadas. Desse ponto de vista, Burgos (2012, p.), apesar de não esquecer de considerar a influência do bairro no processo escolar em áreas de alta vulnerabilidade social, enfatiza o potencial das escolas localizadas nesses locais, pois ao propor outras abordagens ao pensar a influência do bairro no processo de escolarização em áreas de vulnerabilidade social, os autores enfatizam que uma escola não pode ser um espelho do seu entorno.
A Maré
Segundo Silva (2010), a formação do Território da Maré surgiu a partir de um processo de mudanças urbanas na cidade do Rio de Janeiro, especialmente na segunda metade do século XX, fortemente impulsionado pelo crescimento das indústrias cariocas e a construção da Avenida Brasil18. Rodeado pela Avenida Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha, três importantes vias da cidade do Rio de Janeiro, o bairro da Maré possui localização estratégica em termos de mobilidade urbana para seus moradores. Nessa perspectiva, se o bairro da Maré fosse um município, teria a 21ª maior densidade populacional do estado do Rio de Janeiro, em comparação com as 92 cidades fluminenses (REDES DA MARÉ, 2019, p.19).
Nesse sentido, Redes da Maré (2019) nos traz, como exemplo de resistência aos ditames do Estado, o fato de que na década de 1990 o poder público, ao construir casas populares em duas localidades do território da Maré (Bento Ribeiro Dantas e Nova Maré), preocupou-se com a implantação de uma arquitetura que dificultasse a ampliação dos imóveis, os chamados "puxadinhos". Nesse sentido, o território da Maré também é resultado de uma estratégia popular na busca por moradia, comprovada pela localização privilegiada do bairro, que fica próximo ao centro da cidade do Rio de Janeiro e a importantes vias de trânsito. Quanto ao seu perfil populacional, Redes da Maré (2019) destaca que o Censo IBGE 2010 revelou que, no território da Maré, o número médio de habitantes por família era de 3,11, enquanto o número registrado na cidade de Maré Rio de Janeiro era 2,92.
Perfil escolar
Este trabalho teve como objetivo analisar e compreender as práticas pedagógicas das escolas do Mare diante da violência policial. Portanto, no capítulo seguinte apresentaremos as práticas pedagógicas dessas 10 escolas municipais de Mare diante da violência policial, buscando compreender sua contribuição para a construção da cidadania no território. Acreditamos que os professores que atuam nas escolas localizadas no território da Maré entendem o quão inofensiva e ameaçadora é a política de segurança pública baseada na guerra que ocorre nos espaços populares.
Helicóptero da Polícia do Rio de Janeiro durante operação policial no território da Maré em 18.09.2019. Procuramos verificar como são desenvolvidas as práticas pedagógicas para o enfrentamento da violência policial que ocorre no território da Maré. Título da pesquisa: Práticas escolares frente à violência policial no território da Maré/RJ Objetivo: Compreender como as escolas municipais da Maré/RJ lidam com a violência policial, independentemente de contribuírem ou não para a construção da cidadania no território.
Práticas escolares frente à violência policial no território da Maré/RJ” liderada por Vagner Luiz Belchior Mesquita. Este estudo tem como objetivo compreender como as escolas municipais da Maré/RJ lidam com a violência policial, independentemente de contribuírem para a construção da cidadania na área.
As unidades em foco
A voz dos docentes
De acordo com os relatos dos professores participantes desta pesquisa, as práticas docentes nas escolas municipais da Maré estão imbuídas de expertises que visam garantir a segurança dos alunos e dos profissionais que atuam nas unidades escolares. E as pessoas falam com muita naturalidade quando estamos prestes a tomar posse: Ah, essa é a cereja do bolo da Maré. Alunos se protegendo no corredor de uma escola municipal da Maré durante ação policial realizada no dia 18/09/2019.
Alunos se protegendo no corredor de uma escola municipal da Maré durante ação policial realizada no dia 06/05/2019. Brincamos muito na escola dizendo que ser professor na Maré não é para fracos. Ser professor na Maré é desafiador [..] porque você está constantemente tentando se ressignificar emocionalmente, pedagogicamente [..] Não existe ser professor na Maré e só entregar o mínimo.
A voz dos gestores
Mas não podemos mandar um lado que está superlotado para outro, porque eles não vão atravessar, não vão. Não pode ser de outra forma [..] por motivos faccionais, isso também afeta o nosso trabalho. Mas de repente o responsável não consegue vir buscar, às vezes manda mensagem se pode liberar com um colega.
Mas quando não chega é algo que não podemos prever, por isso ficamos com um pouco de pena de não ter inaugurado a escola. Mas sentimos um pouco por não ter aberto a escola, um pouco daquele mea culpa. Mas em geral não se pode tomar posição contrária, colocar nas redes sociais e assim por diante.
Práticas cidadãs
Esse fato merece maior atenção de pesquisadores e gestores da secretaria municipal de educação da cidade do Rio de Janeiro. Espaço e lugar na favela: as diferentes representações e identificações sobre a favela da Maré, Rio de Janeiro. Violência, medo e estigma: efeitos socioespaciais da atualização do mito da marginalidade no Rio de Janeiro.
Aspectos simbólicos, políticos e práticos das mortes policiais no Rio de Janeiro e em São Paulo durante o Governo Bolsonaro. Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana. Há quanto tempo você atua como professor na rede pública de ensino da cidade do Rio de Janeiro?
Em quais escolas você atuou como professora da rede pública de ensino da cidade do Rio de Janeiro? Que funções você desempenhou no sistema público de ensino da cidade do Rio de Janeiro?