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Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Você me incentivou a escrever mais do que ninguém, sempre elogiando o que escrevi mesmo quando não fazia sentido. Obrigado por permanecer em mim para que eu tenha orgulho dos caminhos que escolho.

O corpo como território colonizado

Para Galindo (2014, p es una verdad a medias de un lugar social brutalmente conflictivo, desgarradoramente irresuelto, ilegal y cientos de veces prohibido) y también “[..] aquí no hay mestizas, sino cabrones”. Para repensar y cambiar, en cierto modo, la historia y la política de estos cuerpos es necesario reconstruirlo como territorio histórico y político, de esta manera conozco mi cuerpo como un territorio con historia, memoria y conocimientos, ancestrales y propios de mí. . Historia personal.

Por otro lado, considero mi cuerpo como el territorio político que realmente puedo habitar en este espacio-tiempo, a partir de mi decisión de repensarme y construir mi propio relato desde una posición reflexiva, crítica y constructiva. Este proceso de habitar mi cuerpo ha adquirido una dimensión holística, ya que lo hago cada vez más desde una perspectiva integral, entrelazando las dimensiones emocional, espiritual y racional. Ahora me enfrento al cierre de mi cuerpo como territorio político, a la pregunta que me invade: qué hacer para descolonizar este territorio que somos nosotros.

Ao mesmo tempo, é a criação de um sujeito político que é essencial concretizar – o sujeito político foi expresso por Galindo (2014), metaforicamente, como índias, putas e lésbicas – juntas, bravas e irmãs.

As sexualidades enquanto sistema político

Como aponta a teórica literária brasileira Francine Oliveira (2015), por exemplo, havia práticas homossexuais entre os índios que, antes do período da colonização, não eram uma questão social, mas simplesmente uma forma de vínculo, como ela escreveu em seu texto “Foram existem índios gays?" Para Francine Oliveira (2015), há evidências de que a homossexualidade era socialmente aceita entre os índios de diversas tribos, mas vale considerar que a aceitação ou não dessa homossexualidade não era uma questão social, pois era apenas uma das muitas formas de conexão que variava de acordo com as vivências de cada pessoa, crenças, vivências, perspectivas, interpretações, rituais, de cada tribo.

No criacionismo, como conta a Igreja Católica, Adão e Eva são uma espécie de casal modelo, ou seja, heterossexual, branco, cristão, burguês. Surgem fraturas e na tentativa de definir o ser não plenamente humano, ou seja, a mulher, cuja diferença humana se baseia na sua genitália imaginada, essa ruptura desestabilizadora manifesta-se na lésbica. Segundo o autor, a lógica criacionista é aquela em que as mulheres, os homens, a vida e o universo são construídos por um deus onipresente e onipotente que tudo vê, controla e sabe.

Vale ressaltar que, segundo essa lógica, a mulher surgiu da costela do homem - ela não só não muda durante as revoluções sociais burguesas, mas também pode ditar como a ciência é compreendida e interpretada, ou seja, serve como estrutura do lógica de como a sociedade foi inventada, composta e permaneceu até hoje.

Entendendo o que é descolonizar através do feminismo descolonial

Se o movimento colonizador ao qual fomos submetidos distancia-se inerentemente de si mesmo, do próprio corpo, da própria sexualidade, o movimento decolonial propõe a reconexão consigo mesmo. Isto lembra-me que nos séculos XVIII e XIX, no auge do período industrial e, portanto, no auge da expansão capitalista, a masturbação deixou de ser condenada pela Igreja Católica e foi patologizada pela medicina. São exemplos de controle sobre o próprio corpo, propostos pela Igreja e estabelecidos em nossa realidade desde a chegada dos espanhóis e portugueses a Abya Yala (GALINDO, 2013).

Assim, quando digo que o movimento decolonial propõe acabar com o distanciamento de si e do próprio corpo, é porque pretende romper com o pacto de conhecimento, de sabedoria científica da elite intelectual (europeus brancos) do indivíduo e dos conjuntos , em seu lugar, a partir dele, memórias sociais e saberes populares; a comunidade para libertar as mulheres; e gênero e sexualidades consideradas desviantes (não se enquadrando na lógica heterossexual e no sistema binário sexo/gênero). Não existe verdade, não existe relação de poder, mas sim diferentes pontos de vista e formas legítimas de fazer as coisas que não precisam de ser peneiradas pela ciência ou pela religião. O dimorfismo sexual tornou-se a base para a compreensão dicotômica do gênero, a característica humana.

Dado que não existem mulheres colonizadas como seres, sugiro que nos concentremos em seres que resistem ao colonialismo de género com base na “diferença colonial”.

Mas o que tem, então, o gênero e sexualidades a ver com descolonialidade?

Lugones (2011) afirma que a partir da observação que ela mesma fez e sistematizou, a partir das tarefas que foram desempenhadas na história - como quem caça e quem planta, principalmente - surgiram os gêneros, ou seja, além disso, que sexo e gênero são inseparáveis ​​- assim como a teoria de Butler (1990), ele partiu do conceito de que gênero não é biológico, mas performativo - para Lugones (2011), gênero constrói gênero, ou seja, fatores biológicos e subjetivos não são separados, mas fazem parte do mesmo composição com perspectiva da construção subjetiva do sujeito a partir de suas experiências em todas as áreas, inclusive gênero e sexualidade. Isso ocorre porque no binário de gênero só existe masculino e feminino, onde os homens têm pênis e as mulheres têm vagina, portanto, olhar para a genitália de um indivíduo infere seu gênero e, por sua vez, seu gênero, e então as cadeias de comportamentos que eles terão que siga, empreiteiros. Por outras palavras, a intersecção de género/raça/classe deve ser sempre considerada quando se pensa em decolonialidade de género.

Ao ler e tentar construir as bases da minha pesquisa através do pensamento e das práticas dos autores mencionados neste capítulo, procurei aprofundar o estudo da colonialidade de gênero e das sexualidades dentro da instituição escolar através do desenvolvimento dos meus seminários, como explicarei no próximo capítulo metodológico. Utilizar os vieses dos estudos críticos de gênero e sexualidade para tentar descolonizar afetos, saberes, metodologias, enfim, modos de estar no mundo. Ou seja, um processo que abre oportunidades para encontrar outros sentidos da sociedade, outros horizontes de pensamento que não precisam ser aprovados universalmente, mas reconhecidos por cada comunidade.

Estas oficinas foram realizadas no formato de grupo de reflexão com estudantes, sobre as temáticas de gênero e sexualidades.

Metodologia da pesquisa

Isso, segundo a diretora, aconteceu em decorrência da expansão das igrejas evangélicas naquela comunidade e da consequente difusão da ideia de “ideologia de gênero”. O mesmo problema surgiu nesta escola com a abertura de diversas igrejas evangélicas e a expansão da ideia de “ideologia de gênero” mencionada pela diretora da primeira escola. Foi muito importante para a minha investigação já ter tido esse impacto nas diferentes atitudes dos diretores escolares e no medo que ambos têm de ultrapassar ao chegar ao terreno, através da consciência das diferentes formas de lidar com os problemas, dos limites de cada Individual. , a forma de se constituir politicamente, mesmo quando confrontado com a questão da promoção da ideia de “ideologia de género”.

Nas oficinas realizadas posteriormente nesta escola, discuti com os alunos o conceito de identidade de gênero e sexualidade como objeto de construção subjetiva e social ao mesmo tempo. Falamos sobre relações de poder e sobre quem serve o modelo social de gênero e sexualidade hegemônico no qual estamos inseridos. Aproveitei a oportunidade de estar nesta escola para tentar compreender a construção de estereótipos de género, utilizando o tema do género e da identidade de género para questionar as relações de poder.

Essas atividades discutem as relações entre os sujeitos, o consentimento, a construção de gênero e sexualidade, etc., de forma bastante didática e ilustrativa.

Múltiplos atravessamentos na escola

No caso deste dia de atividades, evitou a possibilidade de divisão de grupos fora da sala de aula e se tornou um momento para as crianças mostrarem onde brigaram, quem sentaria onde, se prestaram atenção se o que eu falei foi algo positivo ou não , onde eles estavam brincando demais consigo mesmos o tempo todo. No caminho para a sala de aula, a professora de português, que em poucos meses se tornaria minha companheira de sala e me daria horários de atividades, parou a diretora e reclamou do comportamento da aluna do sétimo ano, dizendo que novamente ela não foi fácil, ela até comecei a ensinar o conteúdo para a turma que não queria ficar atenta e nem calada, embora ela tentasse fazer algo que eu via como uma negociação horizontal com eles (que não sei o que era, só estava ouvindo a conversa). Os oito rapazes que observei na actividade anterior de toda a turma eram os rapazes menos populares da turma.

E então comecei a dar oficinas para os meninos e a preparar a oficina de maneiras diferentes daquelas para um grupo maior de meninos e meninas. Por exemplo, teve uma atividade onde pedi para eles tirarem fotos da escola: o que mais gostaram e o que menos gostaram, já que desde o primeiro encontro, mesmo com a turma toda, sempre reclamaram da estrutura da escola. escola como instituição. No final do semestre havia apenas um participante, então apresentei ao diretor uma proposta que já havia discutido previamente com o professor de geografia, de realizar atividades durante as aulas com professores que estivessem dispostos a gastar parte de seus recursos para dar . horário da aula para realizar as atividades que proponho.

E foi assim que comecei a fazer as atividades que escolhi para serem analisadas aqui, com turmas de 8º ano do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio.

As meninas são criadas para quê?

Para que são feitas as meninas?, discutirei a construção de gênero que emergiu nas atividades, no tópico 2.4.

Qual sexualidade nos ensinam a viver?

A Psicologia é destruição e potência

Eu tinha medo do que ela iria falar, de como ela iria agir, se ela iria criar algum problema com o que eu ia falar. Mas no final de assistir a este vídeo, os alunos me disseram que não entendiam exatamente do que se tratava. Achando que estava sendo muito didático, perguntei à turma o que eles consideravam pertencente a cada gênero.

Segundo a professora, a turma é liderada por um trio de meninas que não gostava de uma das meninas da turma. Houve uma grande evasão, mas estar na escola em outro lugar que não como estudante me fez ver a escola como um lugar potente de transformação e aprofundamento, como um espaço para outras possibilidades de transformação da vida, da sociedade e de si mesmo. Todo esse cenário descrito me paralisou em meu trabalho de pesquisa.

E o que mais gosto nessa resposta é que ela não tem fim, não se esgota. Porém, não posso dizer que foi fácil ou que não pensei em desistir inúmeras vezes quando o transtorno me encontrou. Ficar ao meu lado e dizer que o reflexo de mais uma violência a que fui submetido - e que ela não fazia ideia - não foi um obstáculo para a minha formação.

Referências

Documentos relacionados

A ideia de monumento aqui é aplicada segundo o que propõe Jacques Le Goff em História e Memória: “[o] monumento tem como característica o ligar-se ao poder de