O Norte do Paraná é sede de uma iniciativa pioneira - GETER - Um grupo de empreendedores de turismo rural, que, utilizando o formato de uma organização em rede com eficácia comprovada em outros setores econômicos, visa promover o desenvolvimento satisfatório da atividade turística no campo. , que representa o caso que estudamos e analisamos aqui. O Norte do Paraná é berço de uma iniciativa pioneira - GETER - Grupo de empreendedores de turismo rural, que utiliza formato de rede com eficácia comprovada em outros setores econômicos, com o objetivo de promover o desenvolvimento satisfatório das atividades turísticas no meio rural. , o que é o caso em análise.
Contextualização do tema
A decisão de estudar o formato de organização em rede como forma de promover a atividade turística no meio rural baseou-se inicialmente no conhecimento prévio de uma experiência no norte e noroeste do Paraná a partir de 2001, onde, através da instituição do GETER – Grupo de Empreendedores Turísticos do Espaços Rurais, criados e coordenados pela RETUR – Rede Regional de Turismo, que procura dinamizar a atividade através do associativismo. Dado que o estudo de caso desta dissertação, o GETER – Grupo de Empresários Turísticos em Espaços Rurais, apresentou uma distribuição considerável.
Problemática da pesquisa
A análise desta experiência inicia-se pela contextualização histórico-geográfica do espaço rural do norte do Paraná e sua transformação ao longo do tempo, a fim de ajudar a compreender o cenário que contribuiu para que o turismo se apresentasse no espaço rural abrangido pelo GETER. A técnica utilizada para compreender a real contribuição do formato de organização em rede no caso específico do GETER, bem como os obstáculos percebidos para a maximização dos resultados pretendidos a serem alcançados, foi o DSC – Discurso do Sujeito Coletivo, por meio do qual os participantes foram ouvidos. coordenadores e alguns dos empresários participantes e foi realizada uma análise completa de suas falas para chegar ao cerne do conjunto de depoimentos.
Objetivos
Objetivo geral
Assim, a observação empírica e generalizada do crescimento do turismo no Brasil rural, que não acompanha a profissionalização e regulação do setor, foi o ponto central do problema desta pesquisa. A iniciativa pioneira GETER teve como objetivo preencher as lacunas percebidas no desenvolvimento de atividades através do trabalho conjunto entre empreendedores do setor e serve como estudo de caso para analisar o papel das redes na consecução deste objetivo.
Objetivos específicos
Portanto, a questão central desta pesquisa foi: Como a aplicação do formato de organização em rede contribui para o desenvolvimento satisfatório da atividade turística no meio rural, bem como quais fatores estão inibindo os melhores resultados esperados neste formato de organização. Verificar a perceção dos atores envolvidos no GETER – Grupo de Empresários do Turismo em Espaços Rurais, relativamente aos contributos e limitações da aplicação da organização em rede no aumento da atividade de turismo rural dos empreendimentos participantes.
Metodologia
Procedimento da pesquisa
Este estudo de caso teve um carácter explicativo, e não apenas exploratório, porque teve como objectivo compreender como a organização em rede contribui para o desenvolvimento das actividades turísticas no meio rural e, além de explicar as limitações percebidas, também tenta compreender porque é que estas ocorrem. O material utilizado no estudo de caso provém de documentos que testemunham os compromissos assumidos e as ações implementadas pelos intervenientes no GETER – Grupo de Empresários Turísticos em Espaços Rurais.
Organização, análise e interpretação dos dados
Apesar das polêmicas sobre a transferência da teoria da autopoiese para o campo social, a utilização do conceito de redes e organizações em rede pela sociedade civil é um fato. Em sua análise do uso do conceito de redes na sociedade civil, Castells (2003, p. 565) diz que “as redes formam uma nova morfologia social de nossas sociedades e que a difusão da lógica de rede muda fundamentalmente o funcionamento e os resultados da produção”. . processos e experiências, poder e cultura."
Sistemas
Teoria Geral dos Sistemas
A rede permitiria a troca de informações, o acesso a novas informações, o crédito e uma maior visibilidade dos participantes do mercado. Ele enfatiza os princípios que Bertalanffy observa e que estão presentes em todos os níveis de um sistema: integralidade e auto-organização.
Teoria da Autopoiese
O princípio do equilíbrio leva em conta a manutenção do equilíbrio, enquanto o essencial num sistema aberto é a manutenção do desequilíbrio. Esses determinantes coexistem dentro de um sistema organizacionalmente fechado, inserido em um sistema maior, cujas mudanças, no entanto, são determinadas internamente.
Redes
Morfologia das redes
- Auto-organização
- Horizontalidade
Por outro lado, é possível afirmar que existem vários centros dentro de uma rede, que se destacam de acordo com o objetivo mais urgente. Um terceiro aspecto relacionado à horizontalidade de uma rede é que não é possível delinear as conexões estabelecidas por seus membros.
As redes de pequenas e médias empresas
Contextualização histórica para o advento de redes de empresas
Nas décadas de 1950 e 1960, um modelo de desenvolvimento conhecido como fordista, baseado no papel do Estado como promotor e garantidor dos direitos sociais básicos e no mercado livre como gerador e distribuidor de riqueza, foi adotado pela maioria dos países do Hemisfério Norte e depois transpostos para países do hemisfério sul e países orientais. A adoção de um modelo único de desenvolvimento foi rejeitada e as especificidades locais foram tidas em conta no plano de desenvolvimento local e regional, que enfatizou a parceria entre o Estado, o mercado e a sociedade civil, e adotou os conceitos-chave de sustentabilidade, território, sociedade civil participação e ênfase nos valores desta sociedade.
Sobre redes de pequenas e médias empresas
Ebers & Jarillo (1998) enfatizam três tipos de relacionamentos em uma rede: relacionamentos intraorganizacionais entre membros de uma mesma organização; As relações pessoais entre os membros de uma rede podem aumentar a aprendizagem e melhorar a troca de informações.
As regiões no contexto de redes
A diversidade de nomes aplicados às atividades turísticas em meio rural leva à utilização do termo genérico “turismo rural”. Oxinalde trata os termos turismo rural e turismo rural como sinônimos, afirmando: “o turismo rural inclui modalidades de turismo que não são mutuamente exclusivas e complementares, de tal forma que o turismo rural é a soma do ecoturismo. e turismo verde, turismo cultural, turismo espontâneo, agroturismo e turismo de aventura.” (apud SILVA; VILARINHO; DALE, 2000, p.16).
Turismo Rural x Agroturismo
Segundo EMBRATUR (1999), o turismo rural sempre se desenvolve em propriedades produtivas e a questão de saber se representa uma fonte de renda principal ou secundária não é explicitamente levantada. O seu principal diferencial em relação ao chamado turismo rural é a participação ou mera observação de atividades agropastoris rotineiras por parte dos hóspedes, o que por si só já é atrativo.
Ecoturismo
A participação da comunidade local: parte do pressuposto de que a natureza no seu estado mais original é a principal motivação para o ecoturismo e que desta forma uma parte significativa da população que vive nestes locais tem oportunidades limitadas de actividade económica, dada a necessidade para preservar o ambiente em que vivem, pressupõe-se que otimizem os resultados esperados das atividades de ecoturismo, que o seu desenvolvimento seja liderado pelas comunidades locais, cabendo a estas últimas tomar decisões sobre as atividades a desenvolver. Os espaços utilizados para a implementação do ecoturismo no Brasil estão em uma gama que inclui ambientes em seu estado mais natural, ambientes parcialmente modificados e remanescentes de ambientes preservados dentro de áreas.
A dinâmica do turismo no espaço rural
Portanto, o turismo nas zonas rurais, por si só, não consegue trazer as pessoas de volta ao seu equilíbrio pessoal, uma tarefa bastante complexa. O turismo no meio rural deve proteger a sua especificidade, pelo que não pode imitar o turismo oferecido nos centros urbanos;
A rede francesa “Accueil Paysan” e seu correspondente brasileiro “Aco-
Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia – AACC
A Organização das Cidades Patrimônio Mundial e o caso espanhol
A Associação das Cidades Patrimônio da Humanidade da Espanha
A Espanha é o país onde o maior número de cidades foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. O grupo foi posteriormente ampliado com a adição de outras cidades patrimoniais da Espanha: Alcalá de Henares, Córdoba, Cuenca, Ibiza e La Laguna (Tenerife).
Uma síntese
É importante conhecer o contexto em que a RETUR – Rede Regional de Turismo, e o GETER – Grupo de Empresários de Turismo Rural, foram concebidos e desenvolvidos, para que esse conhecimento contribua para a análise da eficácia do formato de rede da organização neste caso específico. Portanto, a seguir apresenta-se um panorama histórico da colonização do norte do Paraná, a sede da iniciativa estudada, e os princípios norteadores para a integração do turismo neste espaço rural e a idealização e desenvolvimento da rede analisada.
Contextualização histórico-geográfica do turismo no espaço rural norte
O início da colonização
O total de terras colonizadas pela CTNP foi de 546.078 hectares3, resultado de uma transação comercial, e não de concessão, como aconteceu em tentativas anteriores de ocupação. O objetivo da empresa era lotear terras para o plantio de café, ainda que o preço do produto no mercado internacional apresentasse quedas sucessivas e as colheitas brasileiras fossem constantemente superiores à demanda.
O norte do Paraná e o café
O turismo no contexto do “Novo Rural” no norte do Paraná
34; o turismo moderno é um grande consumidor da natureza e seu desenvolvimento nas últimas décadas aconteceu como resultado da “busca do verde” e da “fuga” da agitação dos grandes conglomerados urbanos de pessoas que tentavam estabelecer um equilíbrio psicofísico no contato. com ambientes naturais no tempo livre.". O regresso às origens é justificado por uma percentagem considerável da população, que tem ao longo da sua história o campo como local de residência e produção.
RETUR – Rede de Turismo Regional
Quanto à área de atuação, a RETUR tem ênfase no norte e noroeste do Paraná, porém, pode atender qualquer localidade que necessite de seus serviços. ROTA DO CAFÉ: tem como objetivo desenvolver um roteiro turístico temático como oportunidade de conhecer a história do café no norte e noroeste do Paraná, impulsionador da colonização e do desenvolvimento da região.
GETER – Grupo de Empreendedores do Turismo no Espaço Rural
Participantes do GETER
Turismo rural: empreendimentos localizados em zonas rurais, mas que com elas não mantêm ligações diretas. A terceira edição do “Mapa Regional do Turismo” foi lançada em 2004, com a participação de 18 empreendimentos turísticos, destacando-se a inclusão de restaurantes localizados ao longo de rodovias, servindo pratos típicos regionais ou étnicos, aqui caracterizados como turismo “rural”.
Discurso do Sujeito Coletivo: princípios, conceitos e procedimentos
Para elaborar o DSC, partimos dos discursos brutos, os quais são submetidos a um trabalho inicial de decomposição analítica, que consiste basicamente em selecionar as principais âncoras e/ou ideias centrais presentes em cada um dos discursos individuais e em todos eles, finalizando em um forma sintética em que se busca a reconstituição discursiva da representação social. O próximo passo consiste em agrupar as respectivas ideias centrais e as âncoras dos termos-chave nas colunas correspondentes da tabela IAD 1, após o que se continua a identificar e agrupar as ideias centrais e as âncoras correspondentes, marcadas nesta pesquisa com letras: A , B , C, .
O discurso dos coordenadores do GETER
Surgimento da idéia de redes visando o desenvolvimento e fortalecimento
Deveríamos ter uma rede onde as pessoas fossem informadas sobre as opções disponíveis. Depois de fazer o primeiro mapa, entramos em contato com os proprietários para ver a GETER como uma escola de negócios.
O papel da RETUR em relação ao GETER e suas formas de relaciona-
E o GETER já é um dos trabalhos da RETUR – portanto são empreendedores com as mesmas características e os mesmos interesses. DSC dos coordenadores quanto à questão 2: Qual é, na prática, o papel do RETUR em relação ao GETER.
Os aspectos de formalização do GETER
O GETER é coordenado por uma entidade neutra – RETUR, de forma a preservar o interesse do grupo. Tabela 15: O IAD 2 – GETER é coordenado por uma entidade neutra – RETUR, de forma a preservar o interesse do grupo.
A dinâmica de ação do GETER
DSC dos empresários relativamente à questão 3: Qual a relação entre os coordenadores da RETUR e os participantes do GETER? DSC dos empresários em relação à questão 6: (para quem saiu do GETER) qual foi o motivo que levou seu empreendimento a sair do GETER.
A compreensão das dimensões da confiança e da cooperação, juntamen-
A dispersão geográfica do GETER e suas conseqüências
Acho que o maior obstáculo do GETER é a falta de visão de rede; Os resultados não foram maiores porque ainda não tínhamos consciência da força das associações. Acho que o maior obstáculo do GETER é a falta de visão de rede entre os empreendedores; Os resultados não foram maiores porque ainda não tínhamos consciência da força das associações.
O discurso dos empreendedores do GETER
- A motivação para a inserção no GETER
- A tomada de decisões no GETER
- O relacionamento entre os coordenadores e os participantes do GETER
- Os resultados advindos da participação no GETER
- Os aspectos inibidores de melhores resultados no contexto do GETER
- Motivações para a saída do GETER
- A questão da comunicação entre os participantes do GETER
A diversidade de empresas participantes no GETER dificultou a tomada de decisões benéficas para todos. A diversidade de empresas participantes no GETER dificultou a tomada de decisões benéficas para todos.
O cruzamento dos discursos
O GETER possibilitou a comunicação entre os empreendedores, mas com a disseminação do grupo essa comunicação diminuiu. No que diz respeito ao processo de comunicação entre os membros da rede: a investigação desta questão confirmou o que já foi revelado nas contribuições teóricas sobre redes – o estabelecimento de comunicação entre os membros de uma rede constitui uma das principais vantagens deste formato organizacional, pois permite a troca . de experiências e informações que contribuam para o melhor desempenho das empresas participantes.
Quanto aos objetivos do trabalho
O terceiro objetivo específico: verificar a percepção dos coordenadores e empresários do GETER quanto às contribuições e limitações da aplicação da organização em rede na utilização da atividade turística rural dos empreendimentos participantes, foi bastante revelador. Ao analisar os DSC de coordenadores e empreendedores, com base no referencial teórico apresentado, foi possível perceber principalmente a importância de respeitar alguns pressupostos ao utilizar o formato de organização em rede, como o compartilhamento de objetivos comuns e a existência de confiança e cooperação entre concorrentes.
Quanto à utilização do “Discurso do Sujeito Coletivo”
Um caminho a seguir na adopção da forma organizacional de uma rede é definir muito claramente os objectivos da rede, os requisitos de desembolso e a forma de coordenação, por exemplo, que podem ser incluídos num contrato assinado pelos participantes. , que permanecem na rede o tempo necessário, ou seja, a rede se estabelece em torno de um objetivo que é determinado ao longo do tempo e permite a entrada e saída de participantes que desejam atingir esse objetivo. Outra forma de rede que parece apresentar um maior nível de dificuldade, considerando o aspecto da longevidade da rede, é o agrupamento de pequenos ou médios empreendedores com características muito semelhantes e cujos objetivos mudam ao longo do tempo, mas obedecem às necessidades comuns dos seus parceiros. .
Sugestões para trabalhos futuros
Conclusões
Globalmente, pode-se dizer que o formato organizacional em rede é efectivamente uma alternativa para permitir o desenvolvimento satisfatório do turismo nas zonas rurais, mas os princípios necessários devem ser respeitados. Cooperação interempresarial: novas estratégias empresariais para pequenos negócios no processo de desenvolvimento local e turismo.
Roteiro de entrevista com coordenadores do GETER
Roteiro de entrevista com empreendedores turísticos participan-
E o GETER já é uma das obras do RETUR – Grupo de Empreendedores Rurais – portanto são empreendedores com as mesmas características e os mesmos interesses. Mas, sim..., foi um pouco diferente de..., a filosofia eu acho que é um pouco diferente da GETER.
Transcrição entrevista Wanda Pille – coordenadora
Transcrição entrevista Prof. Jacó Gimenes – coordenador
Transcrição entrevista empreendedor 1 (E1)
Transcrição entrevista empreendedor 2 (E2)
Transcrição entrevista empreendedor 3 (E3)
Transcrição entrevista empreendedor 4 (E4)