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SANTOS, MURILLO SALDANHA DOS.pdf - Unicesumar

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Academic year: 2023

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O objetivo é discutir como novos projetos jornalísticos, como agências de monitoramento e bots, podem intervir no processo de alfabetização midiática e ajudar a combater a desinformação e a desqualificação do jornalismo. Dado este contexto, a questão que permeia a investigação é esta: como a literacia mediática pode combater a desinformação e a desqualificação do jornalismo.

DESINFORMAÇÃO: “PARE DE DIZER FAKE NEWS”

Apontamentos Importantes Sobre o Fenômeno da Desinformação

Segundo Petrola (2019), o fenômeno das “fake news” (termo utilizado pelo autor) é uma competição de mercado entre o jornalismo, a imprensa tradicional e as redes sociais. Canavilhas e Ferrari (2018) mencionam que as “fake news” (termo utilizado pelos autores) não tiveram origem na tecnologia e não apareceram nas redes sociais.

Como e Por Que Conteúdos Falsos São Impulsionados?

Na análise, os autores identificaram que informações falsas são baseadas em valores como notoriedade e valor notícia, ou seja, produzem conteúdo falso com figura relevante em determinado contexto ou segmento da sociedade, seguido de um fato que também seria ser um elemento relevante na classificação de uma notícia. Em estudo sobre “fake news” (termo utilizado pelos autores) na campanha eleitoral de 2018, Dourado e Gomes (2019) consideraram quatro elementos importantes para a compreensão de como conteúdos falsos são promovidos, não apenas na esfera política. Um grupo mobilizado em torno de um assunto delicado, seja ideológico ou não, cria um ambiente que promove a disseminação de conteúdos falsos.

Com a recusa do presidente, foram compartilhados alguns conteúdos falsos sobre a vacina, o que contribuiu para manter a atenção coletiva voltada para a decisão de Bolsonaro. Esses aspectos incentivam o compartilhamento de conteúdo falso nas redes sociais entre pessoas que desejam se comunicar com comunidades ou tribos online. 21 Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-coronavac-pode-matar-mais-que-covid-19-medico-faz-comparacao-enganosa/.

22 Disponível em: https://www.aosfatos.org/noticias/e-falso-que-coronavac-pode-alterar-codigo-genetico-e-causar-homossexualismo/.

PÓS-VERDADE: DESMORONAMENTO DA VERDADE E A CRISE DA

No modelo de aprendizagem social, as pessoas adoptam uma determinada inovação quando existem evidências passadas que levam o indivíduo a acreditar que a inovação é importante. Em outras palavras, pressupõe que as pessoas fariam uso racional das informações dos adotantes anteriores para decidir. Se na Idade Média a fé e o misticismo eram a base daquilo que os indivíduos acreditavam, na era moderna o homem começa a determinar o que é verdadeiro ou não através da razão e do conhecimento científico.

Em relação ao jornalismo, por exemplo, as pessoas se consideram repórteres e passam a produzir conteúdo, mesmo sem o conhecimento técnico e ético que possa garantir a verificabilidade e o interesse público. Segundo Rech (2017), o algoritmo divide as pessoas em bolhas, determina o conteúdo que irão ler e apresenta aos indivíduos conteúdos que reforçam as crenças e ideias adotadas, com o objetivo de gerar. O algoritmo entende que é provável que as pessoas consumam conteúdos em que acreditam e, num esforço para alcançar engajamento e resultados financeiros, seleciona conteúdos que os indivíduos irão gostar, compartilhar e replicar.

Nesse sentido, o algoritmo não coloca as pessoas em contato com pontos de vista diferentes e não oferece diálogo.

DESQUALIFICAÇÃO DO JORNALISMO COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA

A desconfiança na mídia fez com que a população das democracias ocidentais ou ocidentais se concentrasse nas redes sociais. 31 Após os ataques, grupos de mídia decidiram não enviar mais repórteres para cobrir o Alvorada, alegando falta de segurança. Em 1982, a UNESCO publicou a Declaração de Grünwald32, na qual reconheceu o importante papel dos meios de comunicação social na vida das pessoas e declarou que o sistema educativo deveria promover a compreensão crítica das mensagens dos meios de comunicação social entre os cidadãos.

É verdade que os meios e formatos mudaram e que as pessoas evoluíram de receptores a consumidores e sujeitos activos no processo de comunicação, mas a vida na esfera pública e privada ainda é mediada pelos meios de comunicação. 43 Num diálogo sobre educação e mídia, Freire e Guimarães (2011) discutem o papel da mídia e sua relação com a escola e o processo de aprendizagem. Contudo, os autores sublinham que é necessário questionar a serviço de quem os meios de comunicação gerem as mensagens.

Lévy (2018) define o ciberespaço como “um meio de comunicação resultante da interconexão global de computadores” (LÉVY, 2018, p.17).

POSICIONANDO CONCEITOS: ALFABETIZAÇÃO MIDIÁTICA, MÍDIA-

Alfabetização Midiática

O documento Alfabetização midiática e informacional: currículo para a formação de professores, da UNESCO, une as áreas de alfabetização midiática e alfabetização informacional com um novo conceito: alfabetização midiática e informacional (AMI). A AMI aborda vários outros conceitos, como se vê na Figura 1, denominados de literacia no documento, como a literacia televisiva, a literacia na internet e, como já explicado, a literacia mediática, que será utilizada como conceito principal neste trabalho. Nas discussões sobre alfabetização midiática, é comum traçar conexões entre o termo alfabetização e o processo escolar de aprendizagem da leitura e da escrita.

Para ele, o processo de alfabetização midiática está ligado à escrita e à leitura da mídia, para compreender como ela funciona e espalha mensagens. A metáfora da alfabetização – mesmo que tenha os seus problemas – oferece uma forma de sugerir uma abordagem mais coerente e ambiciosa. Na concepção freiriana, a alfabetização é entendida como um modelo de emancipação, uma filosofia radical de alfabetização e pedagogia.

Nesse sentido, o modelo de alfabetização discutido por Freire e Macedo (2011) cumpre a proposição da alfabetização midiática e destaca a importância de os indivíduos serem vistos como sujeitos e não como objetos.

EMANCIPAÇÃO, PROTAGONISMO E CIDADANIA NA UNIÃO ENTRE

É sobre este processo de mediação que pretendemos analisar no próximo capítulo o robô de controle “Fátima”, da agência de controle Aos Fatos. Para apresentar os resultados da análise é necessário estabelecer o contexto da fact-checking e dos novos projetos jornalísticos que surgem e têm a fact-checking como produto. Segundo Santos (2019), as iniciativas de fact-checking no Brasil foram alimentadas pelo movimento de fact-checking em outros países, antes mesmo de as discussões pós-verdade ganharem intensidade.

Contudo, é possível perceber o retorno das práticas de controle salvas por iniciativas como agências responsáveis ​​pela verificação dos factos. As agências de verificação verificadas pela IFCN seguem um código de boas práticas e disponibilizam publicamente a metodologia utilizada para selecionar e verificar a informação. Neste capítulo, o trabalho analisa como o robô de controle “Fátima”, da agência de controle Aos Fatos, dá dicas para que as pessoas possam verificar de forma independente as informações que encontram na Internet.

Por isso, os materiais aqui apresentados na pesquisa como desinformação são baseados em levantamentos de órgãos de controle ou em informações de veículos tradicionais.

VÍDEO: “SENSACIONAL! PESQUISADOR DA USP DESTRÓI FAKE NEWS

Assim, com a declaração no canal do YouTube, o conteúdo foi divulgado como fato concreto nas redes sociais para “negar” o que certos grupos acreditam ser “notícias falsas”, como chamam. Esta é uma questão complexa, há relatos de organizações como o IPCC que mostram o contrário da afirmação, mas argumentos negativos, ganhando espaço no canal do YouTube e depois promovidos nas redes sociais com legendas alarmantes, ajudam a espalhar desinformação. Assim, utilizando o vídeo como material de referência, foi feita uma análise das instruções de controle fornecidas pelo robô “Fátima” em relação ao conteúdo audiovisual.

O robô ‘Fátima’ afirma que uma das formas de monitorar vídeos é verificar se aparecem insultos ou linguagem depreciativa nas imagens. Na diretriz final, mostrada na Figura 5, “Fátima” disponibiliza um link para um manual46 com 10 dicas para verificação de vídeos virais nas redes sociais. As mensagens mostram que o robô não só orienta como deve ser feita a verificação, mas também mantém o usuário informado sobre a diferença de fatos e opiniões e, por exemplo, redes sociais e fontes de informação.

Além disso, “Fátima” dá apoio na preparação de sujeitos para que futuramente possam conferir outros conteúdos de forma independente.

IMAGEM: “O CHICO DANDO O AR DA GRAÇA… TEU CARÁTER É VERMELHO,

A inteligência artificial não considera os indivíduos como latas vazias a serem preenchidas, como afirma Guimarães48 sobre a crítica de Freire à educação bancária, e que também podem ser transferidas para a mídia. A montagem foi utilizada como material de referência para análise do guia de controle de imagens “Fátima”. Neste caso, a inteligência artificial destaca a importância de as pessoas poderem verificar informações em mais de um veículo, garantindo a verificabilidade da informação e, de forma mais geral, em mais de um local.

A inteligência artificial pede que a pessoa determine se existe um texto detalhado, se a informação é atribuída a uma fonte e se a linguagem conta os fatos de forma agressiva ou exaustiva. A Inteligência Artificial explica como utilizar as duas ferramentas e ainda alerta que algumas fotos são reais, mas em alguns casos podem ser tiradas fora do contexto e combinadas com situações, características e lugares que nunca existiram. Embora algumas dicas sejam referentes ao texto, o que pode indicar falha na inteligência artificial, pois houve necessidade de orientação na verificação das imagens, a informação foi importante para a verificação da legenda, que possuía algumas dessas características, apesar de não ter não cabem como título51 ou se assemelham a um texto jornalístico.

Apesar disso, a inteligência artificial não esclareceu o que pode ser considerado uma fonte de informação, o que pode ser um problema para usuários que não conhecem alguns termos utilizados no jornalismo.

Figura 6: Montagem envolvendo Papa Francisco e o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, publicada  no Facebook
Figura 6: Montagem envolvendo Papa Francisco e o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, publicada no Facebook

NOTÍCIA: “MAIS DA METADE DO DINHEIRO DESTINADO PARA COMBATER A

A publicação foi utilizada como material de referência para análise das dicas de checagem de notícias do bot “Fátima”. O bot então pergunta se a informação foi publicada em um meio de comunicação tradicional ou em um site de opinião. Nesse caso, o site não é reconhecido, portanto não pode ser considerado uma “máquina tradicional”, mas possui características semelhantes ao jornalismo.

Fátima” pede ao indivíduo que preste atenção à linguagem do material, independentemente de o texto usar adjetivos ou ser exaustivo e muito agressivo. A informação é respaldada por balanço da Polícia Federal, ou seja, a informação é atribuída a uma fonte. Dessa forma, as dicas de controle para verificação do material durante a análise ignoram a complexidade do fenômeno da desinformação e não auxiliam o usuário a conferir as informações com mais segurança.

Como em outros materiais, não houve aconselhamento ou opção para verificar as informações com agências de verificação ou portadores de informações.

Figura 10: Texto publicado no site Terra Brasil Notícias
Figura 10: Texto publicado no site Terra Brasil Notícias

BOATO: “STF QUER LIMPAR FICHA SUJA DO LULA PARA TORNÁ-LO

56 Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/Ministros-do-stf-duvidam-que-lula-seja-candidato-em-2022/. 75 O material serviu de referência para analisar a dica de controle do robô “Fátima” sobre boatos. 58 Disponível em: https://www.poder360.com.br/poderdata/41-usam-veiculos-jornalisticos-na-internet-para-ler-noticias/.

Com base nas discussões teóricas e nos resultados obtidos através da análise, o trabalho demonstra que o robô “Fátima”, como um novo projeto jornalístico que utiliza tecnologias como a inteligência artificial, atua como mediador no processo de alfabetização midiática para corrigir a desinformação. 70-88 Disponível em: http://www.riaeditorial.com/index.php/big-data-e-fake-news-na-society-do-desconhecimento/. Disponível em: http://www.cecs.uminho.pt/publicacao/educacao-para-os-media-em-portugal-experiencias-actores-e-contextos/.

Disponível em: http://www.riaeditorial.com/index.php/big-data-e-fake-news-na-society-do-desconhecimento/.

Figura 13: Informação distorcida envolvendo o STF e o ex-presidente Lula publicada no Facebook
Figura 13: Informação distorcida envolvendo o STF e o ex-presidente Lula publicada no Facebook

Imagem

Figura 2: Reprodução do trecho da entrevista em página no Facebook
Figura 6: Montagem envolvendo Papa Francisco e o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, publicada  no Facebook
Figura 10: Texto publicado no site Terra Brasil Notícias
Figura 13: Informação distorcida envolvendo o STF e o ex-presidente Lula publicada no Facebook

Referências

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