• Nenhum resultado encontrado

Scharline Trevizol Bergamini.pdf

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Scharline Trevizol Bergamini.pdf"

Copied!
78
0
0

Texto

Do biológico ao social: causalidade e mortalidade infantil no município de Itajaí/SC em 2013 / Scharline Trevizol. A taxa de mortalidade infantil é um indicador que reflete as condições socioeconómicas e ambientais da população, além da qualidade e do acesso aos serviços de saúde. Esta pesquisa teve como objetivo identificar as variáveis ​​associadas à mortalidade infantil no município de Itajaí (SC).

A taxa de mortalidade infantil define o número de mortes de crianças menores de um ano, por mil nascidos vivos, numa população residente na área geográfica definida e no ano considerado.

REVISÃO DA LITERATURA

Mortalidade Infantil como indicador de saúde

Apesar do declínio observado no Brasil, a mortalidade infantil continua sendo um grande problema de saúde pública. Ainda existem diferenças substanciais e preocupantes nas taxas de mortalidade infantil entre grupos populacionais: as crianças. Por sua vez, as intervenções que visam a redução da mortalidade infantil dependem de uma complexa mudança estrutural relacionada às condições de vida da população e à ação efetiva das políticas públicas de saúde (BRASIL, 2009).

A taxa de mortalidade infantil vem diminuindo no Brasil como resultado do efeito combinado de diversos fatores. A tabela abaixo, disponibilizada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Município de Itajaí, mostra a evolução da taxa de mortalidade infantil nos últimos 14 anos, paralelamente ao período de óbitos. Nota-se que a taxa de mortalidade infantil em 2013 foi a mais elevada desta série histórica, com destaque para o período pós-neonatal, em que o número de óbitos dobrou em relação ao ano anterior (2012), permanecendo um pouco abaixo. ano 2002 (7,1).

Estudos sobre mortalidade infantil no Brasil revelam que a mortalidade masculina sempre foi superior à mortalidade feminina (WANG et al, 2014). O elevado número de óbitos no período pós-neonatal e o aumento de mais de 100% em relação ao ano anterior é um fator surpreendente, devido à contínua diminuição da mortalidade infantil que tem chegado ao país. Maria foi vítima em todo este contexto, tanto quanto a filha e neste caso observa-se claramente a determinação social da Mortalidade Infantil.

O estudo possibilitou evidenciar algumas características relacionadas à mortalidade infantil no município de Itajaí/SC, no ano de 2013, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, fichas de atestados de óbito, declarações de óbito e entrevistas com algumas mães que vivenciaram a morte. de seus filhos. O ano de 2013 foi tomado como referência devido ao aumento da taxa de mortalidade infantil naquele ano (17,69 por mil), que foi a maior dos últimos 14 anos no Município, com 53 óbitos. Determinantes sociais e biológicos da mortalidade infantil em uma coorte populacional de Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

Mortalidade infantil e malformações congênitas no município de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil: estudo ecológico no período 1996-2008. Mortalidade infantil investigada pelo comitê de prevenção da mortalidade infantil em uma região do estado do Paraná. Título do projeto: Do ​​biológico ao social: causalidade e mortalidade infantil no município de Itajaí/SC em 2013.

Figura 1 – Modelo de relação causal do processosaúde/doença.
Figura 1 – Modelo de relação causal do processosaúde/doença.

DETERMINAÇÃO SOCIAL E MORTALIADE INFANTIL

O CASO DE ITAJAÍ/SC

Pelos dados apresentados percebe-se que em 2013 o Município de Itajaí enfrentou um grande aumento na taxa de mortalidade infantil e que apesar de ter um dos maiores índices de Produto Interno Bruto (PIB) do estado, isso não está relacionado diretamente . à taxa de mortalidade infantil, uma vez que o PIB não representa a distribuição de renda nem as condições de vida da população, ressaltando isso. O Comitê de Mortalidade Materna e Fetal do Município de Itajaí foi criado em 18 de janeiro de 2007, em conformidade com a Resolução nº. 001 (PREFEITURA DE ITAJAÍ, 2007). Atualmente a periodicidade das reuniões é mensal e em 2013 e 2014 foram realizadas onze reuniões respetivamente.

Diante do exposto, esta pesquisa teve como objetivo identificar as características relacionadas aos óbitos infantis ocorridos no Município de Itajaí no ano de 2013, além de abordar mães que vivenciaram a perda de seus filhos, com o objetivo de compreender a causalidade sob uma perspectiva mais ampla do processo de saúde – a doença, ou seja, o reconhecimento da definição social que inclui os acontecimentos da vida.

PERCURSO METODOLÓGICO

Devido ao pequeno tamanho da amostra para as entrevistas, foram solicitadas as declarações de óbito dos demais casos, pois esse documento continha o endereço das famílias, bem como a causa da morte. Dessa forma, foram localizadas 24 declarações de óbito na diretoria de vigilância epidemiológica do município, de um total de 35, uma vez que as demais eram óbitos ocorridos fora do município de Itajaí e, portanto, ainda não estavam disponíveis naquele setor. As entrevistas foram divididas em duas partes, a primeira foi estruturada e teve como objetivo complementar as informações sobre as características das famílias.

Também foram orientados/esclarecidos sobre o apoio psicológico oferecido na rede de saúde do Município aos participantes que manifestaram desejo ou aparente necessidade.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Em relação ao pré-natal, foi somente quando voltou para Itajaí, com seis meses de gravidez, que Paula foi ao posto de saúde e fez duas consultas até o nascimento do bebê. Apesar de não seguir o pré-natal recomendado, Paula não relatou complicações durante a gravidez. Neste caso, a infecção não identificada da criança pode estar envolvida com fatores socioeconômicos, relacionados às condições de cuidado que a mãe poderia prestar à criança, uma vez que a família vivia em condições de moradia inseguras, além de ser dependente da assistência de amigos e família. membros para sobreviver.

Após quatro dias internada, Ana foi encaminhada para fazer uma ultrassonografia. Posteriormente, ela foi informada de que as chances de sobrevivência da criança eram mínimas. Após o nascimento do filho, Maria foi morar em Blumenau/SC e ao conhecer o atual companheiro mudou-se para Itajaí. Segundo Joana, a gravidez não foi tranquila porque ela tem pressão alta, o que exige um pré-natal de alto risco.

O pré-natal foi realizado pelo plano de saúde, com consultas mensais e monitorização regular da pressão arterial. Foi então encaminhada para o pré-natal de alto risco e, como não conseguiu agendar a ultrassonografia naquele serviço, decidiu fazer um exame particular. No pré-natal de alto risco não foram solicitados outros exames, pois já estavam disponíveis os exames solicitados pela UBS, além da ultrassonografia.

Na semana em que descobriu que estava grávida, ela disse que sentia muitas dores na barriga, por isso marcou consulta para iniciar o pré-natal na UBS. Luiza, portanto, foi encaminhada para o pré-natal de alto risco pela UBS, orientada pelo médico que tentariam manter a gravidez até o sexto mês e recomendou repouso absoluto. Em relação ao pré-natal não há informações e, em relação aos cuidados infantis, os prontuários incluem vacinações e apenas uma anotação sobre amamentação (aos 9 dias de vida da criança), além de nenhum dado após os 3 meses de vida do bebê.

Em relação à gravidez de Aline, há poucos dados sobre pré-natal ou puericultura, com algumas faltas às consultas, o que pode refletir a falta de compreensão da importância do acompanhamento, a pouca idade de Aline e a falta de desejo de engravidar, pois também negligencia o filho, todos esses fatores são determinados pelo ambiente social e familiar que esse adolescente vivencia.

Tabela 2: Condições maternas e dos recém-nascidos, Itajaí, 2013-2014.
Tabela 2: Condições maternas e dos recém-nascidos, Itajaí, 2013-2014.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nas entrevistas, as mães trazem suas histórias de vida impregnadas de perdas, baixo nível socioeconômico, violência e abandono, destacando o quanto a determinação social define as condições ambientais, que por sua vez desencadeiam eventos de vida, ou seja, o quanto ser “pobre” significa na organização da vida, o quanto não ter luz ou ser abandonado pelos pais determina o futuro, inclusive a mortalidade infantil. É importante ressaltar que em 90% das entrevistas ficou claro que as mães precisavam buscar apoio psicológico, não só pela perda de um filho, mas também pelas histórias de vida anteriores, quando vivenciaram traumas, violência e abandono. . Tais apontamentos não se referem ao julgamento da qualidade dos serviços de saúde prestados, do desempenho das equipes da estratégia saúde da família ou da capacidade dos profissionais, mas sim à necessidade de acompanhar e acompanhar os processos de trabalho, levando em consideração também os motivos. para as usuárias que não procuram os serviços, deve-se analisar a desvalorização do pré-natal nas gestantes, bem como a compreensão delas sobre a importância do acompanhamento da puericultura.

Portanto, o planejamento de um Município para investigação de óbitos infantis é fundamental e deve complementar os dados básicos fornecidos pelo SIM, pois requer não apenas a alimentação de um sistema, mas a pesquisa de cada caso com famílias, equipes de saúde, hospital, por fim acompanhar a trajetória dessas gestantes, no esforço de compreender os fatores que realmente provocam o aumento da mortalidade infantil, uma vez que não há planejamento de ações sem conhecimento prévio de suas necessidades. Dado que o município em questão não possuía equipe suficiente em 2013 para investigar todos os óbitos infantis e que não foram tomadas ações efetivas contra o aumento da mortalidade infantil durante o ano, como seria possível monitorar, prevenir ou mesmo reduzir a mortalidade infantil . Isto levanta outras questões, tais como: Como as mortes infantis ocorrem gradualmente e são monitoradas mensalmente, quando é o momento de intervir.

Desta forma, destaca-se a importância de verificar as características que compõem a mortalidade infantil em um município ou região, com base na epidemiologia crítica, com uma visão mais ampla do processo saúde-doença e com a compreensão da relação causal entre determinantes sociais, causas ambientais e gatilhos biológicos, que são requisitos para eliminar riscos e planejar intervenções adequadas e eficazes para combater a mortalidade infantil. Do biológico ao social, é claro que nenhum problema de saúde é verdadeiramente compreendido, a menos que procuremos compreender como os indivíduos vivem as suas vidas. Trabalho de Conclusão de Curso – Especialização em Atenção Básica à Saúde da Família, Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 2011.

Atenção Básica, Atenção Básica e Estratégia Saúde da Família: hora de brincar com as palavras, 2009. Fatores associados à mortalidade neonatal precoce: análise da situação local.Epidemiologia e Serviços de Saúde Considerando o crescente número de óbitos de crianças menores de um ano no Município de Itajaí/SC em 2013, você é convidado a responder algumas perguntas sobre a morte do bebê ocorrida em sua família, por meio de uma entrevista, que aborda o caminho percorrido até a morte da criança.

Como benefício, os resultados globais da investigação poderão ajudar a reduzir o risco de novas mortes entre crianças menores de um ano devido a causas evitáveis, que serão investigadas.

Imagem

Figura 1 – Modelo de relação causal do processosaúde/doença.
Tabela  1.  Nascidos  vivos,  óbitos  em  menores  de  um  ano  e  coeficiente  de  mortalidade infantil
Tabela 2: Condições maternas e dos recém-nascidos, Itajaí, 2013-2014.
Tabela 3: Condições dos óbitos dos recém-nascidos, Itajaí, 2013-2014.

Referências

Documentos relacionados

Diante da variabilidade do acesso aos serviços de saúde e do impacto significativo da hepatite B nos cenários nacional e internacional, o Departamento de Vigilância, Prevenção