ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DA PESCA DA SERRA (Scomberomorus brasiliensis) DESEMBARADA NOS PORTOS DO FRETE CAETÉ RIVIERA. Figura 17 Inspeção gráfica da análise de variância paramétrica da produção de serraria desembarcada por diferentes tipos de embarcações nos portos da região de Bragantina no período de junho de 2000 a junho de 2001.
INTRODUÇÃO
A PESCA DA SERRA, Scomberomorus brasiliensis
Dentre os diversos peixes que desembarcam nos portos do estuário do Caeté, a serra (Fig. 1), Scomberomorus brasiliensis (COLLETTE; RUSSO; ZAVALA, 1978), representa um importante recurso pesqueiro (BRAGA; ESPÍRITO-SANTO, no prelo). ). Segundo Furtado Jr et al. 2006), a serra é a terceira espécie mais importante em termos de volume de captura no estado do Pará (Fig. 2).
ECOLOGIA DA SERRA
Contudo, a pesca é tipicamente sazonal na Colômbia (DAHL, 1971), Venezuela (GRIFFITHS; SIMPSON, 1972), Trinidad (STURMS, 1978), nos estados do Ceará (FONTELES-FILHO, 1988) e Maranhão (BATISTA; FABRÉ, 2001), apresentando este último uma avaliação espacial e temporal diferente dos demais que realizam apenas uma análise temporal. Apesar da existência destes trabalhos tanto sobre a pesca regular como sobre a pesca de montanha na região norte, o sistema de recolha de dados de pesca ainda não tem sido realizado de forma contínua ou sistemática.
OBJETIVOS
GERAL
ESPECÍFICOS
Os dados foram coletados diariamente (exceto aos domingos, quando não houve desembarques) entre março de 2000 e junho de 2001, por meio de listagem de desembarques. A produção total da grande pescaria de montanha registada nos portos de Bacuriteua e Bragança entre Junho de 2000 e Junho de 2001 foi de 229 039 kg.
MATERIAIS E MÉTODOS
ÁREA DE ESTUDO
Esta área corresponde ao litoral norte do Brasil e inclui os estados do Amapá, Pará e Maranhão (Fig. 4), estendendo-se desde o Golfo de São Marcos (Maranhão) até a foz do rio Oiapoque (Amapá). O litoral norte é dominado pela periodicidade do ciclo de chuvas e pela descarga dos rios para o oceano, especialmente o rio Amazonas, com vazões médias máximas em junho da ordem de 2,7 x 105 m3/s e mínimas em novembro da ordem. de 0,6 x 105 m3/s (GABIOUX, 2002). As chuvas na região costeira começam entre dezembro e janeiro e duram de seis a sete meses.
As mudanças sazonais de precipitação no litoral do estado do Pará são caracterizadas por um período chuvoso, que na região Bragantina abrange os meses de janeiro a agosto (MORAES et. al., 2005), e um período menos chuvoso (estação seca). ) do que na região Bragantina corresponde geralmente ao período de setembro a dezembro (Figura 6). Durante o período chuvoso, as águas mais salgadas, de origem oceânica, afastam-se do litoral, principalmente devido à grande vazão do rio Amazonas. Durante a estação seca, porém, ocorre o contrário, onde a zona de mistura salina se aproxima do continente e pode penetrar no estuário (EGLER; SCHWASSMANN, 1962; RÓSARIO, 2008).
COLETA DE DADOS
Embarcação a remos, com pequeno casco de madeira, vulgarmente designada por barco a remos, bote ou montaria. Embarcação movida a vela ou a remo e à vela, sem convés ou com convés semifechado, com ou sem casotas, com quilha, vulgarmente designada por canoa ou batelão. Embarcação movida a motor ou motor e vela, com ou sem convés, com ou sem cabine, comprimento até 7,99 m, vulgarmente conhecida como canoa motorizada, bastarda ou lancha rápida.
Embarcação movida a motor ou motor e vela, com casco de madeira, convés fechado ou semifechado, com ou sem cabine, comprimento entre 8 e 11,99 m, vulgarmente conhecida como pequena embarcação motorizada. Embarcação movida a motor ou motor e vela, com casco de madeira ou ferro, com cabines, convés fechado, comprimento igual ou superior a 12 m, vulgarmente conhecida como embarcação de médio porte. Embarcação motorizada com casco de aço, equipada com equipamentos de apoio à navegação, captura e preservação do pescado, comprimento igual ou superior a 15 metros, com cabines, convés fechado e maior autonomia, vulgarmente designada por barco industrial ou barco de ferro.
PROCESSAMENTO DOS DADOS
Dados de produção, número de pescadores e dias de pesca foram utilizados para determinar a CPUE.
RESULTADOS
FROTA PESQUEIRA
As grandes embarcações que desembarcavam nas montanhas dos portos da região bragantina empregavam de 4 a 9 pescadores, com média de 6 pescadores por embarcação. O número de pescadores variou entre 8 e 9 para o barco industrial com média de 8 e de 4 a 9 para o barco de médio porte com média de 6 pescadores por ano. Uma análise paramétrica entre tipos de embarcações mostrou diferenças significativas entre o número de pescadores (F=22,317; p= p=0,0000) (Fig. 10).
As embarcações que desembarcaram nas montanhas dos portos de Bacuriteua e Bragança tinham comprimentos entre 14 e 12 metros, com média de 12,14 m. Esta embarcação fez apenas 7 desembarques e tinha características de 12 metros de comprimento, duração média de viagem de 17 dias, cerca de 8 pescadores por viagem e urna com capacidade para 10 toneladas. Enquanto 31 barcos de médio porte fizeram 95 desembarques e tiveram duração média de 11 dias, havia cerca de 6 pescadores por viagem, comprimento médio de 12,15 metros e capacidade da urna de 7,55 t.
DESEMBARQUES
O equipamento de pesca registrado como utilizado para a captura do peixe-serra no litoral norte pelas embarcações que desembarcam no estuário do Rio Caeté é do tipo rede. Uma análise de variância mostrou que não existem diferenças significativas (F=1,6096 e p=0,2051) entre a produção dos diferentes tipos de artes de pesca utilizadas na captura do peixe-serra. Na análise da distribuição mensal dos desembarques e da produção da pesca de montanha desembarcada nos portos da região bragantina, entre junho de 2000 e junho de 2001, ficou claro que o mês de março é o que apresenta a maioria dos desembarques (32) e a maior produção (94.507 kg), correspondendo no total a 31,37% dos desembarques e 41,26% da produção.
Uma análise de variância paramétrica mostrou que existem diferenças significativas entre a produção de serra dos diferentes locais de captura entre os períodos (F=4,2156 e p=0,0427). A produção em larga escala de peixe-serra desembarcada nos portos do estuário do Caeté no período estudado é proveniente exclusivamente de capturas com redes, principalmente redes de malha, redes-serra e redes de lagosta. No entanto, uma análise de variância concluiu que não existem diferenças significativas entre a produção dos diferentes tipos de artes de pesca utilizadas para capturar o peixe-serra.
A grande pesca de montanha realizada no litoral norte do Brasil, desembarcada nos portos de Bacuriteua e Bragança, representa uma predominância de embarcações de médio porte, sendo a maioria dos desembarques provenientes de embarcações cujo porto de origem é a cidade de Bragança em si. A captura de peixe-serra na costa norte, efectuada por uma frota de grande escala, utiliza predominantemente artes de pesca conhecidas como artes de pesca de malha.
ARTES DE PESCA
PRODUÇÃO
Uma análise paramétrica de variância mostrou que não houve diferenças significativas (F=1,1350 e p=0,2893) entre a produção de barcos industriais e médios (Fig. 18). A análise paramétrica entre a produção dos diferentes tipos de embarcações que desembarcam nos portos da região Bragantina nos diferentes períodos não mostrou diferenças significativas (F=1,3984 e p=0,2398). Uma análise de variância paramétrica mostrou que as diferenças entre a produção nos períodos seco e chuvoso não são significativas (F=0,0692 e p=0,7929) (Fig. 21).
Além disso, podemos diferenciar a produção em duas épocas, uma mais produtiva, que corresponde praticamente aos meses da estação chuvosa definida por MORAES (op. cit.), e outra menos produtiva, que corresponde aos meses da estação seca (Fig. 22).
RENDIMENTO ECONÔMICO ANUAL
Durante o período chuvoso, a pesca de terra firme desembarcada nos portos de Bacuriteua e Bragança estava bem distribuída ao longo do litoral norte do Brasil, concentrando-se no litoral do Amapá (Cabo do Norte e Alto Mar) e no litoral do Pará (Barra de Bragança, Canal Grande, Mar de Salinas e Maguari), além de uma pequena concentração no litoral maranhense (Cacipore e Maracaçume). No período seco, a captura de peixe-serra desembarcada nos portos de Bacuriteua e Bragança apresentou maior concentração no litoral do Amapá (Cabo do Norte), no litoral do Pará (Barra de Bragança e Canal Grande) e em Foz do Norte. Amazonas. Na verdade, no litoral do Pará, o período de colheita nas montanhas parece ocorrer durante o período chuvoso.
Porém, os barcos médios tiveram valor médio superior (38,36 kg/pescador*dia) no período chuvoso, possivelmente relacionado ao período de colheita em terras altas. Os dados mensais da produção costeira nas montanhas mostram claramente os períodos de colheita e os períodos de entressafra para a captura deste peixe. A captura montanhosa no litoral norte do Brasil tem períodos de colheita e entressafra bem definidos; Estas são afetadas pelo período hidrológico (seco e chuvoso), com maior produção na estação chuvosa e menor produção na estação seca.
RENDIMENTO DA PESCA DE SERRA
DISTRIBUIÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA PESCA DE SERRA NA
A produção do litoral do Amapá no período chuvoso foi significativamente superior à produção do litoral do Pará e do Maranhão no mesmo período. Vale ressaltar que as capturas ocorreram apenas no litoral do Maranhão durante o período chuvoso, enquanto na região da foz do Amazonas as capturas ocorreram apenas durante o período seco (Figura 28).
DISCUSSÃO
Isto implica que a pesca de montanha seja uma actividade especializada, exercida principalmente por embarcações de médio porte e por vezes por embarcações industriais. Contudo, não é possível afirmar que este resultado seja representativo das características dos navios da região, pois a comparação foi feita entre um grande número de navios de médio porte e apenas um navio industrial. A capacidade da embarcação industrial era significativamente maior que a média dos barcos de médio porte.
A análise de variância mostrou que existem diferenças significativas entre o número de pescadores que pescam em barcos industriais e de médio porte. O maior desempenho económico das embarcações de média dimensão está associado ao elevado número de desembarques desta frota, levando a considerar que a pesca de montanha é realizada quase exclusivamente por este tipo de embarcações. Os barcos industriais apresentam valor médio de CPUE maior no período seco (32,16 kg/pescador*dia) do que no período chuvoso (21,99 kg/pescador*dia).
CONCLUSÃO
Aspectos socioeconômicos e percepção ambiental de coletores de caranguejo uca, Ucides Chordatus Chordatus (L. 1763) (Decapoda, Brachyura), no Estuário do Rio Mamanguape, Nordeste do Brasil. Descrição da estrutura pesqueira na região dominada por manguezais de Bragança (Estado do Pará, Norte do Brasil). Caracterização da pescaria da pescada amarela Cynoscion acoupa (LACÈPEDE, 1801) desembarcada no município de Bragança – Pará. Dissertação de mestrado) – UFPA, Campus Bragança, 2008.
Síntese sobre distribuição, abundância, potencial pesqueiro e biologia da cavala Scomberomorus cavalla (Cuvier) e Serra Scomberomorus brasiliensis (Collete, Russo e Zavala-Camin) na região Nordeste do Brasil. Resultados assimétricos: avaliando aspectos centrais da sustentabilidade biológica, econômica e social do caranguejo de mangue, Ucides cordatus (Ocypodidae), pescado no norte do Brasil. Trabalho realizado para o Programa Nacional de Diversidade Biológica - PRONABIO, subprojeto “Avaliação e medidas prioritárias para a zona costeira e marinha”, área temática “Peixes demersais” Fundação da Universidade Federal do Rio Grande.