Eventos causadores de movimentação de massas
Tipos de Movimentos
Fluência: movimentos descendentes, lentos e contínuos da massa de solo de um talude, caracterizando deformação plástica, sem geometria e superfície de ruptura definidas; Os movimentos dos blocos são devidos à gravidade, sendo divididos em quatro tipos básicos: Blocos em Queda, Blocos Tumbling, Rolamento de Blocos e Deslocamento;. Corridas: movimentos gravitacionais em forma de fluxo rápido envolvendo grandes quantidades de materiais; quedas são movimentos de queda livre de fragmentos de rocha (de volume variável) que se desprendem de encostas ao longo da superfície onde ocorre pouco ou nenhum deslocamento.
Os fluxos de lama e detritos, também conhecidos como fluxos de massa, são movimentos de massa extremamente rápidos causados por um fluxo intenso de água na superfície, devido às fortes chuvas, que liquefazem o material da superfície que flui pela encosta na forma de um material que forma uma substância viscosa consistindo de lama e detritos rochosos. Esse tipo de movimento de massa é caracterizado por amplo raio de ação e alto poder destrutivo (GUIDICINI e NIEBLE, 1984). Ainda neste contexto, é importante ressaltar que para que esses movimentos ocorram é necessária a presença de agentes que influenciam o movimento de massas.
Agentes causadores de movimentos de massa
Importância da utilização da Carta geotécnica na engenharia civil
Classificação da cartografia
A cartografia geotécnica tem sido utilizada em diversas áreas por sintetizar diversos parâmetros do ambiente físico, incluindo o mapeamento geotécnico de áreas de risco (FRANCO et al., 2009). O Ministério das Cidades/IPT (2007, p.26) apresenta a definição de risco como uma “condição ou fenômeno com potencial para causar uma consequência desagradável”. Portanto, esta análise é adequada para uma investigação preliminar da situação de risco numa região e pode posteriormente ser utilizada para implementar medidas estruturais, incluindo o planeamento urbano.
Segundo Cerri (2006), cada mapeamento de risco é realizado de acordo com um setor de risco, que demarcará diferentes locais com situação de risco semelhante. A Tabela 3 apresenta os níveis de probabilidade de ocorrência de riscos propostos por Cerri (2006) e utilizados pelo Ministério das Cidades no mapeamento e gestão de riscos. Os mapas de risco são instrumentos utilizados pelo Ministério das Cidades para identificar áreas propensas a desastres (CERRI, 2006).
A partir do Decreto Federal nº 5.376 publicado em 2005, que trata do Sistema Nacional de Defesa Civil, a elaboração e implantação do sistema tornaram-se obrigatórias. mapeamento das áreas de risco juntamente com o plano abrangente dos municípios. Ainda na Figura 1 apresenta 12 setores denominados áreas de risco no bairro São Jacinto que foram estudados. Após análise e preenchimento dos relatórios de controle, aliados às informações da Tabela 1 referentes aos critérios de determinação dos níveis de risco, foi possível identificar duas áreas com nível de risco médio (R2), oito com nível de risco alto (R3) e duas com nível de risco muito alto (R4) para deslizamentos.
A seguir estão listados os números obtidos nas localidades analisadas, as definições e suas classificações quanto aos níveis de risco. As Figuras 04 a 12 apresentadas a seguir foram caracterizadas como alto risco (R3) de movimento de massa devido aos altos níveis de risco como inclinação maior que 70º, observa-se a presença de sinais significativos de instabilidade, como pode ser observado na figura 12, na qual o imóvel já está desocupado. As Figuras 13 e 14 foram caracterizadas como tendo grau de risco muito elevado (R4) para movimentação de massa, devido aos altos níveis de risco como inclinação superior a 70º, os locais indicando sinais de instabilidade como fissuras no solo, degraus de desabamento em encostas e árvores inclinadas.
Pelos resultados da pesquisa percebe-se que ocupações irregulares e cortes ou lixões são os maiores geradores de áreas de risco e consequentemente causam desastres. Mapa de risco geológico e mapa geotécnico: uma diferenciação baseada em casos em áreas urbanas no Brasil. Modelagem matemática na avaliação de áreas de risco de deslizamentos: o exemplo das bacias dos rios Quitite e Papagaio (RJ).
Metodologias de levantamento e utilização dos dados
Gerenciamento dos riscos
Mapas de risco
Fases para a elaboração do mapa de risco
Gestão de risco
Para quantificar esse risco utiliza-se a equação um, que leva em consideração a probabilidade de ocorrência do evento e sua vulnerabilidade (Brasil, 2007). Para Oliveira e Robaina (2015), a gestão de riscos inclui o desenho, o diagnóstico e a priorização dos riscos, a fim de desenvolver atividades de redução e prevenção de riscos, para que, na ocorrência dos mesmos, os danos sejam menores.
Classificação da pesquisa quanto aos fins
Classificação da pesquisa quanto aos meios
Procedimento de coleta de dados
Caracterização da área de estudo
Tratamento de dados
Pesquisas realizadas na área confirmaram a existência de 12 pontos com possibilidade de movimentação terrestre no bairro São Jacinto. As figuras 02 e 03 abaixo foram consideradas médias devido à leve inclinação, as encostas possuem baixa altitude, suas faces são em sua maioria cobertas por vegetação, o nível de intervenção no setor é de médio potencial para o desenvolvimento de processos de deslizamentos. O processo de erosão é detectado em algumas encostas devido à exposição da face como nas figuras seis e sete, pode-se notar que algumas residências, como as figuras 07, 08 e 12, foram construídas a menos de cinco metros das encostas, aumentando a possibilidade de desastres.
A Figura 13 apresenta feições erosivas, como pode ser observado, há presença de pequenos movimentos de massa devido à exposição da face. A partir dos dados coletados é possível observar a presença dos mais diversos problemas capazes de agravar as situações que levam aos deslizamentos em massa, os fatores mais notáveis foram: o corte e remoção irregular do solo, a falta de conscientização da população contingente, a falta de de fiscalização dos órgãos competentes, falta de drenagem e erosão causada por enchentes. Outro fator a considerar são as construções irregulares, muitas das quais observadas em locais com risco iminente de movimentação de massa, implicando que os órgãos públicos devem tomar medidas para minimizar e mitigar os riscos existentes.
Portanto, a implementação da gestão de riscos é muito importante para evitar a ocorrência de deslizamentos de terra que causem prejuízos financeiros ou até mesmo perda de vidas humanas. Algumas suposições podem ser feitas nesses locais ou em outros para evitar esse problema, neste caso deve ser realizado o mapeamento e zoneamento de toda a área urbana, já que a pesquisa abordou apenas o bairro São Jacinto, outro fator que considera deve ser a preparação de planos de acção de contingência (PDC) que incluem: obras de contenção, drenagem, protecção de superfícies, reurbanização e reassentamento de habitações e população. Dissertação (Mestrado em Geotecnia) – Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, São Carlos, 2003.
A importância do mapeamento geotécnico no uso e ocupação do meio físico: fundamentos e instruções de preparação. Tese Livre, - Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, São Carlos, 1993.