Os termos do acordo de renegociação da dívida entre o Estado do Rio Grande do Sul e a União, assinado em abril de 1998, ainda estão em discussão. Os efeitos desta política económica nas contas públicas foram os seguintes: por um lado, registou-se um forte crescimento do serviço da dívida pública; A estratégia passou a ser a criação permanente de superávit primário para controlar o crescimento da dívida pública.
Este estudo visa aplicar a proposta de Giambiagi, Blanco e Ardeo (2008) para a reconstrução da dívida pública com o setor financeiro privado, para o caso do estado do Rio Grande do Sul. Na segunda seção, é feita uma avaliação do contrato de renegociação da dívida pública do RS. Ao final de 30 anos, o valor das parcelas pagas, R$ 16,91 bilhões, é mais que o dobro da dívida refinanciada, e o total de juros pagos, R$.
Caso aceite o parcelamento, a trajetória da dívida é de queda gradativa até o pagamento integral, ao final de 30 anos. Nessa situação, o parcelamento e o saldo da dívida são reajustados ao final de cada ano pela variação da inflação medida pelo IGP-DI. Riani e Andrade (2006) propõem as seguintes alterações nos contratos de refinanciamento da dívida pública: a) quando o somatório (indexador + taxa de juros) for superior à taxa Selic, aceitar a taxa Selic; b) substituição do IGP-DI pelo IPCA (a substituição é retroativa à data de assinatura do contrato); e 3) redução da taxa de juros, de forma a possibilitar a amortização da dívida no prazo previsto em contrato.
O primeiro problema diz respeito à falta de incentivo para aumentar a receita, sabendo que 13% da RLR está comprometida com o pagamento da dívida.
Os valores do RLR são os mesmos da tabela 2. Juros reais de 6% ao ano. A Tabela 6 simula a evolução da dívida do RS em uma situação hipotética em que a União está disposta a realizar uma nova renegociação da dívida nacional adotando a proposta da TPA.10 O mesmo procedimento foi utilizado para obter os resultados das Tabelas 1 e 5. O valor inicial da RLR é o valor disponibilizado pelo Ministério da Fazenda para o ano de 2010; para os demais valores foi utilizada uma taxa de crescimento de 2,5% ao ano.
Ao criar uma nova dívida bruta, alongar o prazo da dívida e reduzir a taxa de juros real de 6% para 2%, as vantagens do ponto de vista do devedor são: a) garantir a redução dos pagamentos iniciais do patamar de cerca de R$ US$ 2 bilhões por ano no valor de R$ 630 milhões; b) reduzir os pagamentos anuais durante a vigência do contrato; c) reduzir os índices dívida/RLR e parcelamento/RLR; d) restaurar a capacidade de investimento sem comprometer a sustentabilidade da política fiscal; e e) promover maior equidade intergeracional por meio da redistribuição do ônus da dívida. A implementação TPA nomeada por Giambiagi et al. 2008) a "privatização da dívida nacional" ocorre por meio da reconstituição da dívida pública junto aos bancos privados.11 Trata-se de uma solução cooperativa que envolve a cessão de ativos à União que rendem 6% ao ano mais IGP-DI em troca de redução da dívida mobiliária federal.12 Supondo operações simultâneas e coordenadas, na Fase 1 a instituição financeira venderia títulos públicos federais ao Tesouro Nacional (TN) no valor de R$ 20 bilhões. Uma solução não cooperativa para a União consiste em manter ativos que rendem 6% ao ano mais IGP-DI, ao invés de reduzir os títulos da dívida.
Assim, o Estado não terá alívio financeiro representado pela redução do serviço da dívida pública. A proposta cooperativa transforma a dívida do governo com a União em dívida com um banco comercial que não é controlado pelo setor público. Ou seja, ele não ajudará o banco e o estado em caso de não pagamento das obrigações da dívida do estado.
11 Outra opção seria um órgão federal assumir a dívida nacional nos termos propostos pela TPA. No entanto, verifica-se que a proposta de recriação da dívida nacional com bancos privados corresponde a uma situação ganha-ganha, em que todas as partes envolvidas se beneficiam, pois se encontram em melhor posição após as negociações. Claro, a vantagem para o estado é maior se a taxa de juros do novo papel não exceder a taxa de juros do papel original.
A Tabela 7 mostra o cronograma de pagamento da nova dívida de R$ 20 bilhões com taxa de juros de 6% aa em termos reais, prazo estendido de até 30 anos e taxa de crescimento real de pagamento de 2,5%. O valor inicial da RLR é o valor disponibilizado pelo Ministério da Fazenda para o ano de 2010; para os demais valores foi utilizado um percentual de crescimento de 2,5% ao ano. Isso não apenas evitaria o aumento da dívida pública, mas também reduziria a relação dívida/PIB.
4 Dívida pública do RS: dinâmica e cenários
A dinâmica da dívida pública do RS 14
Naturalmente, a atratividade da operação será maior em um contexto de queda consistente das taxas de juros de curto e longo prazos.13. Uma crítica geral à solução proposta é a seguinte: com a ociosidade financeira, o Estado pode reduzir o superávit primário e aumentar gastos desnecessários. Para garantir a total confiança dos agentes financeiros no esquema proposto, considera-se importante não reduzir a relação superávit primário/PIB.
A variação da relação dívida/produto, bt-bt-1, é dada pela soma de dois termos: a) o produto entre a relação dívida/produto do período anterior, bt-1, e a diferença entre a taxa de juros real e a taxa de crescimento real do produto, r-n; e b) o resultado primário do setor público consolidado do estado, gt-τt. Assim, a relação dívida/produto cresce quando o déficit primário é gerado e quando as taxas de juros reais excedem o crescimento real do produto. A relação dívida/produto diminui quando um superávit primário é alcançado e o crescimento real do produto excede as taxas de juros reais.
Assumindo como hipótese mais razoável que r>n, a relação dívida/produto cai se o superávit primário for suficiente para compensar maiores gastos com juros.16. Essa condição sugere que existe um limite que impede a renovação contínua da dívida pública, tanto em termos de principal quanto de juros totais. A política fiscal é, portanto, sustentável se a dívida for igual ao valor presente dos superávits primários futuros durante um determinado período de tempo.
Choques pontuais podem gerar déficits primários, porém, para satisfazer a condição de equilíbrio intertemporal, superávits primários necessariamente surgirão em períodos posteriores. 16 Para Fischer e Easterly (1990), a hipótese r No cenário 1, a política fiscal do governo gera superávit permanente de 0,62% do PIB, mantendo a relação dívida/PIB em 17,5%. No cenário 3, o acúmulo de dívida é maior porque a taxa de crescimento real do produto é de 2% ao ano. Os três cenários a seguir assumem alívio financeiro na forma de redução da taxa de juros real para 2% ao ano. O déficit primário de 0,08% do PIB é necessário para manter a relação dívida/PIB de 17,5% e foi calculado a partir da equação (15). O Cenário 5 reduz o crescimento real do produto para 2% ao ano, mas gera um superávit primário permanente de 0,62% do PIB. No cenário 4, a política fiscal do governo parece gerar um déficit primário permanente de 0,08% do PIB, mantendo a relação dívida/PIB em 17,5%. Nos cenários 5 e 6, a política fiscal é mais apertada do que no cenário 4 e gera um superávit primário permanente de 0,62% do PIB. No cenário 6, a queda da relação dívida/PIB é maior porque o crescimento real do produto é de 2,5% ao ano. Em suma, sem flexibilização fiscal, a relação dívida/PIB cairá no longo prazo se a relação superávit primário/PIB ultrapassar 0,62% do PIB e/ou o crescimento real do produto exceder 2,5% ao ano. Se houver flexibilização financeira, representada pela redução da taxa de juros real para 2% aa, e for assumido o compromisso de manter a relação superávit primário/PIB em 0,62%, então o cenário é de queda contínua da relação dívida/PIB relação- de. Para manter as obrigações em dia, os gastos com investimentos são comprimidos, comprometendo o potencial de crescimento da economia gaúcha. Primeiro, não considerou a possibilidade de renegociação de cláusulas contratuais em caso de mudanças nas condições macroeconômicas. Na época da assinatura do contrato, não havia regime de metas de inflação (pelo IPCA) e o índice comumente utilizado era o IGP-DI. Com novas informações disponíveis após a assinatura do contrato, é prática comum no mercado financeiro renegociar cláusulas contratuais, como prazo e índice, para ampliar o espaço fiscal. Dada a baixa probabilidade de uma combinação de inflação em queda acentuada e crescimento real elevado do produto por um longo período de tempo nos próximos anos, quais são as alternativas para o Estado reduzir o peso das responsabilidades contraídas com a dívida refinanciada? Nesse caso, a relação dívida pública/PIB pode ser reduzida se o esforço fiscal aumentar, gerando, por exemplo, superávit primário permanente de 0,68% do PIB e/ou crescimento real do PIB superior a 2,5% ao ano por um longo período tempo. A alternativa colaborativa é adotar a proposta de Giambiagi et al. 2008), de recriar a dívida do Estado com os bancos privados, aumentando o vencimento da dívida pública. Nesta situação, as prestações da dívida serão reduzidas durante vários anos, permitindo ao Estado reduzir significativamente a relação dívida/PIB, desde que se mantenha o esforço fiscal de 0,62% do PIB e que a taxa de crescimento real do PIB seja igual a 2,5% por ano. A proposta de recomposição da dívida do Estado com os bancos privados, somada à manutenção da disciplina fiscal, não prejudica a credibilidade da política fiscal do Estado perante os agentes econômicos, pois o mercado de crédito exerceria o controle social sobre a capacidade financeira do Estado. Tal estratégia de política fiscal de longo prazo resultaria em baixos níveis de endividamento, o que colocaria o Estado em condições de pleno acesso aos mercados financeiros. AnexoCenários para a dívida pública do RS 17
5 Considerações finais