Tese (Mestrado em Ciências Sociais) - Departamento de Filosofia e Humanidades, Universidade do Estado do Rio de. Este último pode ser considerado o “lugar da emoção” no mundo do futebol: devem agir com paixão e colocar o seu amor no futebol.
Sociologia do futebol
A gênese do futebol como um esporte moderno
Os esportes modernos emergem, portanto, de um processo de padronização e normalização de vários jogos populares praticados durante a Idade Média. Portanto, os esportes modernos surgem como práticas elitistas, em contraste com os jogos populares dos quais surgiram.
O futebol no Brasil: uma questão de identidade
A popularização do futebol no Brasil só aconteceu com a sua efetiva democratização, na década de 1930, quando foi oficialmente adotado o regime profissional (1933). O status do Brasil como “país do futebol” foi até contestado, ou seja, teve uma crise de identidade.
O futebol como campo social específico
O autor define esses agentes de acordo com suas diferentes formas de atuação no mundo do futebol. Murad tenta explicar a violência no futebol – e não no futebol – com base em factores exógenos a este contexto, de forma a minimizar os efeitos da violência inerentes à prática desportiva.
Antropologia das emoções
O lugar das emoções nas ciências sociais
Por serem entendidas como fatores psicobiológicos, as emoções têm constituído historicamente objetos de estudo específicos das ciências naturais e da psicologia. Como vimos, as emoções foram excluídas do âmbito da análise científica social, em primeiro lugar, porque estavam relacionadas com os planos do indivíduo e da natureza.
A constituição da antropologia das emoções
Nessa perspectiva, as emoções são tidas como elemento fundamental para a construção de significados culturais. Finalmente, Abu-Lughod e Lutz apresentam o contextualismo como um novo tipo de abordagem da emoção.
Emoção e esporte: algumas abordagens
Embora não haja separação formal entre os sexos no hipismo, Rojo vê uma maior participação dos homens nas provas de saltos, enquanto as mulheres aparecem em maior número na equitação de adestramento. Por serem mais emotivas, sensíveis e intuitivas, as mulheres teriam maior facilidade no trato com cavalos, tornando-as mais qualificadas que os homens para as provas de adestramento. Além da sensação de coragem, as provas de salto também exigiriam um maior controle das emoções por parte dos atletas.
Analisa como as emoções, e principalmente o sentimento de amor, são representadas e vivenciadas pelos fãs, participando da construção da masculinidade. Partindo de uma abordagem contextualista, Bandeira define emoções como práticas discursivas, envolvidas em relações de poder. Os estádios de futebol serão constituídos por contextos sociais específicos, onde as emoções serão representadas e vivenciadas de uma forma específica.
Portanto, o futebol surge como um contexto em que as emoções desempenham um papel importante na construção das identidades masculinas.
Gênero e masculinidade
O gênero e a construção cultural de comportamentos
Contudo, Bandeira destaca que o comportamento de gênero corresponde a um aprofundamento cultural e também está sujeito a variações em diferentes contextos sociais. No capítulo seguinte apresento a noção de que o comportamento de género é socialmente construído e, portanto, variável, e que podem existir diferentes formas de “ser homem”. O conceito de gênero foi criado na época para denotar a elaboração cultural das diferenças biológicas entre homens e mulheres, numa primeira tentativa de combater o determinismo biológico (VALE DE ALMEIDA, 1995).
Nesse sentido, os arranjos de gênero teriam como função primordial a garantia da reprodução social (HEILBORN, 1999). Os estudos de gênero permitirão, portanto, visualizar como as desigualdades entre os sexos dão origem às desigualdades estruturais, que organizam uma determinada sociedade (HEILBORN, 1999; VALE DE ALMEIDA, 1995). Na obra de Ortner e Whitehead (1981), os conceitos de gênero e sexualidade são considerados símbolos culturais.
Atualmente, os estudos de gênero na antropologia questionam se o “sexo”, como categoria de análise, apresentaria de fato uma espécie de auto-exame.
Estudos sobre masculinidade
Segundo ele, em todos os momentos existe sempre um modelo de masculinidade culturalmente valorizado que ocupa uma posição de hegemonia. Como vimos, o número de homens que se enquadram plenamente nos padrões hegemónicos de masculinidade é bastante pequeno. Em Pardais, por exemplo, Vale de Almeida identifica divergências entre modelos de masculinidade ligados a diferentes condições socioeconómicas.
Por ser internamente hierárquico, o modelo hegemônico de masculinidade faz com que nas disputas entre homens haja uma ameaça à feminilidade e à homossexualidade. No livro A Construção Social da Masculinidade, ele destaca que o conceito de masculinidade surgiu apenas no século XVIII, na época da distinção entre os sexos. Nesse sentido, destaca a formação dos Estados-nação com seus exércitos e o surgimento de um modelo de masculinidade associado à figura do soldado, incluindo elementos como força física, disciplina e coragem.
Oliveira afirma que esse modelo de masculinidade começa a dar sinais de crise à medida que a modernidade entra na sua fase tardia.
Metodologia
Entrevistas qualitativas com torcedores
Na minha pesquisa, procurei fazer com que os entrevistados falassem detalhadamente sobre as lembranças mais marcantes que tiveram no campo do futebol e detalhassem suas carreiras como torcedores. Os entrevistados foram selecionados com base em recomendações de terceiros, que inicialmente incluíam pessoas pertencentes à minha rede de contatos e, posteriormente, recomendações feitas pelos próprios entrevistados. Portanto a minha experiência pessoal como fã deve ser tomada como um dos motivos que me levaram a criar este tópico.
Em todos os casos, os entrevistados me identificaram, ao mesmo tempo, como pesquisador e como fã, abordando-me de forma informal e divertida em diversos momentos. De minha parte, procurei deixá-los “confortáveis” para falar mal do Flamengo quando os entrevistados apoiavam outros clubes, e procurei não interferir excessivamente em seus relatos e contar minhas próprias experiências quando os entrevistados eram torcedores do Flamengo. Além disso, procurei que os entrevistados me dessem o maior detalhamento possível em suas lembranças, pois ao me reconhecerem como torcedor, pararam de desenvolver alguns de seus relatos, pois esperavam que eu soubesse exatamente o acontecimento (objetivo, título, etc.) a que se referiram.
Essas questões versaram sobre o processo de escolha do “clube do coração”, as lembranças da primeira ida ao estádio de futebol, as experiências marcantes de títulos e gols “inesquecíveis”, o comportamento dos torcedores durante as partidas, além de discursos sobre a importância e o tipo de relacionamento mantido com o clube.
Memória e identidade
O caráter coletivo da memória também fica evidente pelo fato de um indivíduo recorrer sempre ao testemunho de outrem para complementar o que sabe, ou melhor, o que lembra sobre determinado acontecimento. Neste texto, Pollak pretende chamar a atenção para os elementos constituintes da memória – individual ou coletiva – destacando acontecimentos, pessoas e lugares que as pessoas conhecem direta ou indiretamente. Outro elemento importante para a constituição da memória na análise de Pollak são as pessoas ou personagens.
Por fim, o autor destaca que mesmo locais muito distantes, localizados fora do espaço-tempo da vida de uma pessoa, podem tornar-se importantes para a constituição da memória grupal e, consequentemente, para a formação de memórias individuais. Nesse sentido, por exemplo, pode haver uma combinação de pessoas, lugares e acontecimentos que nunca estiveram realmente conectados, mas que passam a fazer sentido na configuração específica estabelecida no mapa de memória. O autor sublinha ainda que a fluidez da memória costuma prevalecer sobre a fixidez das datas públicas, ou seja, sobre a cronologia oficial e política, embora esta última seja mais fortemente apoiada pela reconstrução historiográfica.
Segundo Pollak, as formas como a memória é construída podem ser conscientes ou inconscientes, envolvendo processos de esquecimento, repressão e silêncio.
O futebol e a formação de vínculos afetivos masculinos
Eu falei: "Ei, meu pai está usando essa roupa vermelha e preta, tem uns caras vermelhos e pretos na TV...", lembro disso, vagamente. Aí eu falei “nossa, esse desfile deve ser importante né, porque meu pai tá, tá me levantando, tá comemorando”. Mas essa questão da relação com meu pai, eu e meu pai sempre tivemos uma relação muito boa, independente de futebol ou não, mas o que mais conversamos é sobre futebol.
Olha, posso afirmar com segurança que 90% das vezes que saí com meu pai foi para ir ao Maracanã. Muitas vezes meu pai teve que me ajudar e me levar ao hospital, pois pensei que ia morrer por causa disso, ficaram horrorizados com minha relação com o futebol, e meu pai acabou sendo torcedor do Fluminense, mesmo sendo do Vasco , porque ele apoia eu não me sinto mal Ele tentou me tornar jogador do Vasco, me levou várias vezes para São Januário, mas eu sempre dizia “não gosto, não gosto daquele time”.
Sempre diz que quando a gente assiste programas como “Gols, o maior momento do futebol”, que mostra gols antigos, meu pai sempre fala “nossa, esse time era ótimo, esse time tinha caras assim”.
O sentimento pelo clube
Agora, se eu tivesse que definir em uma palavra, diria que o que sinto é paixão. Sabe de uma coisa, costumo falar algo que não disse na entrevista. Alguém me chamou para fazer alguma coisa, a menina falou “ei, vamos sair”, eu falei “não, vou ficar em casa”, tipo.
Isso me define, a imagem que tenho do tricolor, enfim, a imagem que idealizei para ele. Mas acho que, no bom senso, como as pessoas interpretam essa expressão, acho que talvez, acho que seria considerado. Não se trata de “ah, acho que o time é muito bom, acho que o time vai seguir em frente”.
Não foi por tristeza, foi por raiva porque eu estava muito bravo.
Memórias marcantes
Mas gosto de assistir os vídeos em que participei, como os vídeos que vivi na época, para relembrar. Porque eu lembro, eu falo “nossa, esse jogo é legal”, e aí eu vou assistir para lembrar e tal, que é tipo, eu volto para aquele, aquele momento. Já te disse que tenho uma memória futebolística que sempre foi uma memória.
A maior partida de futebol que vi na minha vida foi Fluminense e Bayern de Munique em 1975. Perderam por 1 a 0, com a melhor atuação que vi de um goleiro na minha vida, que foi o Maier, como ele disse em, na entrevista que foi a maior conquista de sua vida, para ele esse jogo é inesquecível. Eu lembro disso, lembro de usar uma camisa que dizia “Vermelho e preto desde pequeno”.
Mas de repente, se você me perguntar, eu não sei, que dia foi meu aniversário naquele ano, não lembro o que fiz, sabe.