Para começo de conversa
Internação ou cadeia?
Com menos de 18 anos, adolescentes e crianças são cidadãos, mas ainda cidadãos em desenvolvimento. A autora defende que os adolescentes, ao se depararem com privações de liberdade, estão mais sujeitos à presença de violência social e institucional porque estarão em um ambiente diferente em termos de seu ambiente familiar e comunitário.
O Brasil e os órgãos executores de medidas socioeducativas
Esses países representam um afastamento da maior parte do país, assim como o Rio de Janeiro, que tem a particularidade de ser o único país do Brasil onde as medidas socioeducativas são administradas pela Seeduc através da Degasa. 15 Existem muitos relatos sobre esse tema, como: Além desse legado, as décadas que se seguiram à criação do Degase foram turbulentas para as políticas públicas do estado, causando tremendas irregularidades. O processo de descentralização da implementação de medidas indica um avanço democrático, mas representa mudanças bastante significativas para quem visita regularmente as instalações do Degase. Os alunos “Padre” estão geograficamente mais distantes, mas continuam próximos, bastando atravessar a rua. Além disso, é comum que a aula tenha dois inícios: quando chegam os alunos da “Mansão”, e mais tarde, quando chegam os “alunos do Clero” (ou vice-versa). Escolhemos o referido termo em nosso detrimento: “perpetrador”, dado que não podemos reduzir um jovem a um suposto ato que cometeu, “contra a lei”, pois entendemos que, em geral, é a lei que está em conflito com as necessidades e expressões dos adolescentes aqui expostos e do “agressor”, pois de acordo com o processo de criminalização da pobreza incrustado no modelo atual de sociedade, nem sempre é possível comprovar que o adolescente acusado realmente cometeu um crime que é reconhecido como contravenção quando ele é preso. Se nos concentrarmos apenas no crime (como fazem frequentemente os juízes, as autoridades públicas e os principais meios de comunicação), a questão pode ser reduzida a cada vez mais penas de prisão. É evidente que existem altos índices de distorção série/idade no sistema socioeducativo do estado do Rio de Janeiro. Trajetória de vida de jovens privados de liberdade no sistema socioeducativo do estado do Rio de Janeiro. O principal objetivo da aula-oficina foi que os alunos compreendessem que o conceito de justiça tem historicidade, ou seja, pode mudar ao longo do tempo. Construção, no quadro, da cronologia do autor do texto lido, a partir de uma atividade de leitura e escrita sobre sua vida. Um problema relativamente comum na criação de cronogramas na “cadeia” é que alguns socioeducadores não sabem quando nasceram. Portanto, o formato da linha do tempo também merece alguma atenção na análise desta fonte. Nesta atividade discutimos: o formato da linha do tempo (vertical), respeito pela duração dos eventos (distância entre eventos), importância. Este aluno não estava pronto para estabelecer marcos na linha do tempo sobre quando ele era criança. O tema das etapas da vida é comum no ensino de história, pois ajuda as crianças a adquirirem uma certa dimensão de tempo. Por isso, optei por aplicá-lo ao Degas e analisar aqui as Fases da Vida e as Atividades do Tempo. Quem são os alunos que participaram dessa pesquisa? Reflexões O segundo capítulo desta tese visa esclarecer como a experiência de docência no Degase se transformou em uma pesquisa acadêmica que entrelaça o ensino de história em um ambiente de privação de liberdade com a categoria tempo. Este segundo capítulo pretende, portanto, fornecer uma breve estruturação da categoria tempo, relacionando-a sempre com o contexto em que decorreram as aulas e com os alunos que nelas participaram. A escolha de escrever na primeira pessoa do plural foi feita porque muitas decisões durante a pesquisa não foram tomadas apenas por mim. A escolha de escrever na primeira pessoa do singular é utilizada quando falo especificamente sobre minha experiência, como argumenta Zavala (2012), quando sigo o caminho da autobiografia. Viver, lembrar e contar são processos/ações que ocorrem em momentos distintos e, portanto, possuem temporalidades distintas. Contar histórias é um compromisso entre um sujeito que importa (neste caso, eu; e é por isso que a escolha foi feita aqui para explicar quem é esse sujeito que importa) e o tempo que decorre entre o que é vivido e o que é mantido. Este trabalho pretende ser uma forma de registo organizado e sistemático de uma ação de aprendizagem atravessada pelos dilemas da época. Portanto este trabalho é também um desabafo, não uma denúncia, mas um desabafo, por conta de afetos e sentimentos diversos. Parte-se do pressuposto de que a prática do ensino de história é um tema (de pesquisa) de difícil concretização, uma vez que as fontes mais utilizadas pela historiografia especializada são manuais, normas, livros didáticos, entre outros, e não a prática docente em si. Segundo ela, uma boa análise das aulas de história acontecerá quando os professores de história forem pesquisadores de suas próprias práticas. Com isso, a prática do ensino de história passa a ser objeto de pesquisa do professor pesquisador, o que é de extrema importância. Zavala (2012) defende que a pesquisa no ensino de História deve ser realizada pelo próprio agente docente. O mesmo policial entrou na sala de aula, constrangeu os alunos, chamando-os pelo “número de acesso” e não pelo nome. Ensinar lá era diferente de tudo que eu já havia experimentado (na época, eu era professor em sala de aula há doze anos). Apesar da desconfiança inicial, foram muito receptivos e ficaram surpresos ao saber que eu estava lá voluntariamente (de graça) e que era professor. Mais do que não conhecer outras pessoas, este aluno não sabia que o tempo é uma construção social43. Rafinha é identificado como bebel, gíria para "prisão" e também gíria de favela usada para se referir a um jovem adolescente. Outros termos que se referem ao tempo de “prisão” são aqueles utilizados para distinguir um adolescente que cumpre pena há pouco tempo. A maioria dos adolescentes vê o período em unidades de detenção e no sistema socioeducativo como um caminho natural para aqueles envolvidos em uma “vida de crime”. Porém, o tempo passado na “cadeia dimenor”, como era chamada, sempre foi definido como “sofrimento” ou “massacre”. Diante de tantas abstrações e pouca objetividade na resposta à questão inicial aqui proposta – o que é o tempo –, percebemos que não é intenção do autor fazer tal definição. O seu carácter fechado ou total é simbolizado pela barreira à interacção social com o mundo exterior e pelos recolheres obrigatórios frequentemente incorporados no esquema físico – por exemplo, portas fechadas, muros altos, arame farpado, água, florestas ou pântanos. É preciso ter sensibilidade ao lidar com questões delicadas como a violência cotidiana – como vítima ou como agressor – e a falta de direitos enfrentada pelos adolescentes deste estudo. Escolhemos sempre objetos que os alunos sejam capazes de criar de forma independente e que façam parte do seu mundo. Em 2019, escolhi 12 encontros para realizar tais atividades com os alunos. Ressalta-se que os alunos desta turma, diferentemente de todos os citados até aqui, sabiam que faziam parte de uma pesquisa universitária, que estavam sendo observados por um pesquisador e que o que ali era produzido poderia ser discutido em outros espaços. . 52 O número total de 12 encontros está longe de ser satisfatório, não há carga horária suficiente para criar vínculo com os alunos ou ensino aprofundado do tema escolhido. Contudo, penso que é importante que os alunos também compreendam que fazem parte da investigação académica, mas compreender efetivamente o significado disso é bastante difícil, pois é uma realidade distante da sua. Desde então, após esta aula, algum tempo de brincadeira foi incluído em todas as aulas e isso se refletirá nas atividades que analisaremos posteriormente. Começamos as aulas perguntando o que está acontecendo no Rio de Janeiro, no Brasil ou no mundo. Portanto, para que a aula seja viva e divertida, não basta que o professor seja animado e divertido. Lá, os alunos muitas vezes consideram o modelo escolar tradicional correto e se comportam de forma passiva nas aulas. Utilizo a linha do tempo como recurso pedagógico desde a primeira disciplina que ministrei em 2017. A linha do tempo ajuda a compreender o conceito de duração; no entanto, pode comprometer uma compreensão completa da sincronicidade. Antes mesmo de nos cumprimentar, ele começou: “Deixe-me ver minha linha do tempo. A linha do tempo que usei para apresentar à turma (e como ela é comumente apresentada nos livros didáticos) foi desenhada na posição horizontal. Os alunos foram convidados a criar, juntos, no quadro, a linha do tempo de Geovani, com base nas informações biográficas contidas no relatório da segunda apostila. Optei por criar a linha do tempo em tabela pela facilidade de apagar e reescrever os momentos envolvidos, e assim testar hipóteses. Este aluno criou seu próprio horário com mais autonomia; Portanto, não participei muito do processo. Talvez seja por isso que eu não interferi – em termos de estimular ou corrigir a lacuna entre os marcos – em nada na sua linha do tempo. É interessante notar que as atividades – produção de texto e linha do tempo – efetivamente dialogaram entre si e juntas criaram um enredo. É comum que os materiais didáticos dos anos iniciais tenham como foco a passagem do tempo pelo conteúdo do tema fases da vida. Seguindo o trecho da citação acima, uma das formas de nossa sociedade medir a passagem do tempo vivido é por meio dos aniversários. Porque tal discussão exige um raciocínio mais complexo: as ritualizações e os sinais do tempo são específicos de cada cultura. Esta pesquisa parte do pressuposto de que em nossa sociedade existe uma diferenciação significativa entre as etapas da vida humana. Essa confusão surge também porque, apesar de existir um critério de idade para orientá-los, as fases da vida não são definidas apenas por esse parâmetro. A subjetividade das “eras da vida” no morro é complexa e podem ocorrer condensações, prolongamentos ou supressões de determinadas etapas (LYRA, 2013, p. 81). A ideia de trabalhar cenas de vida com estudantes em “cadeias” estava relacionada à ideia de conscientizar que, desde os 18 anos, estão se desenvolvendo e, portanto, pertencem a uma dimensão garantidora de direitos. , função fundamental do ensino de História. Nesta fase da aula, os alunos ficaram muito impressionados, principalmente com as figuras femininas com corpos nus. Mais importante ainda, os alunos não se identificaram com os direitos concedidos pelo Tribunal de Contas Europeu e consideraram desnecessário aprender sobre eles. E já escrevi sobre isso, mas não aqui, pois é um tema que foge do tema central desta pesquisa: o tempo. Esta vitória, que não existe fora das relações humano-mundo, só pode ser verificada pelas ações dos homens sobre a realidade concreta em que ocorrem as “situações-limite” (2016, p. 126). A forma como Dieguinho se sente após completar sua internação e nos conta através de um texto - e aqui o ato de contar ganha um duplo sentido, o de metrificação e o de narrar - nada mais é do que uma sistematização do tempo. Este texto é rico porque é o ponto de vista de um adolescente sobre sua rotina no hospital. 83 Le Goff (1990) apontou alguns exemplos históricos de resistência popular a esse “controle de tempo” exercido pelos poderosos, como na Revolução Francesa, quando o povo não aceitou a imposição de um calendário. Afirmo que eles estão vivos, e as melhores notícias possíveis, o que é algo muito triste de se esperar de um jovem.Um breve apanhado histórico: a redemocratização do Brasil e a
O adolescente internado não é um “menor infrator”
O adolescente internado em números oficiais: Brasil, estado do
O adolescente internado e a categoria sujeito-homem
Introdução ao segundo capítulo
A dissertação como uma narrativa e o tempo
O ensino de História como objeto de pesquisa: o saber docente e
Como eu fui parar na “cadeia”?
O que é o Emancipa?
Bebel, relíquia e passagem
Instituição total e tempo como conceito sociológico
A experiência docente se transformando em pesquisa: um pouco
Um pouco (mais) de explicação sobre como as aulas funcionaram 120
Linha do tempo: periodização, tempo vivido, necropolítica e
A aplicação da atividade: as linhas do tempo da turma 2019.1
As fases da vida, o tempo vivido e o ensino de História
Adolescente? Bebel, menor e sujeito-homem
A aplicação da atividade as fases da vida para a turma 2019.1
Um relato de experiência: o cotidiano da internação através dos