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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Entendendo que esta legislação faz parte do rol das chamadas “ações afirmativas”, o objetivo deste trabalho envolve analisar a implementação da Lei nº 12.711/12 nas Universidades Federais brasileiras. Escolhi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) por ser pioneira na criação de ações afirmativas.

O que são as chamadas “minorias”?

Com base nessas premissas, este capítulo se propõe a discutir as bases teóricas e conceituais das ações corretivas. Na próxima seção discutiremos a ideia de igualdade e justiça social, que tem sido a principal base para pensar as ações afirmativas no campo teórico.

Desigualdade e as bases para as ações afirmativas no campo teórico

Em primeiro lugar, devemos sublinhar que existe uma distinção entre igualdade formal e igualdade substantiva, o que é fundamental para a compreensão da operacionalização/conceptualização de ações positivas. Além das visões anteriormente diferenciadas sobre a igualdade, Paiva (2016) afirma que o grau de participação na esfera pública também deve ser levado em consideração.

Histórico das Ações afirmativas no Brasil e no mundo

No ensino superior, a Universidade da Califórnia implementou ações afirmativas para estudantes negros em 1960. A compreensão das ações afirmativas no Brasil destaca que houve uma luta histórica do movimento negro para denunciar o racismo.

Ações afirmativas na Índia, nos Estados Unidos e no Brasil: como esses

Esse passado escravista e os desenvolvimentos pós-abolição no Brasil e nos Estados Unidos nos fizeram pensar em um terceiro aspecto necessário para compreender a implementação da lei de cotas: a articulação dos movimentos negros na luta por direitos. Com base nesse panorama, o próximo capítulo buscará compreender as ações afirmativas por meio de leituras do campo das políticas públicas.

Política pública: do conceito à prática

Então, se salientarmos que é o Estado quem estrutura a ação governamental, como podemos pensar as políticas públicas? É importante ressaltar que não entendemos as políticas públicas como algo abstrato, elas se materializam nas ações dos sujeitos e nos documentos.

Os tipos de políticas públicas

É por isso que as políticas públicas também são chamadas de algo que foi decidido fazer, ou seja, algo que virou item da agenda. Partindo do princípio de que as políticas públicas são uma arena de poder, Lowi defende que para realizar uma análise de uma determinada política é necessário compreender qual é o seu objetivo e onde ela se enquadra na arena do poder e que tipo de coerção ele recebe.

Ciclo da política pública como ferramenta analítica

Compreender onde a ação afirmativa se enquadra nos tipos de políticas públicas nos ajuda a observar os processos de implementação da lei de cotas. Além disso, é necessário observar o papel desta fase no contexto do ciclo das políticas públicas.

Avaliação da implementação: processos para além dos resultados

Este último visa observar os efeitos e resultados das políticas públicas sobre uma população. Não podemos deixar de afirmar que o processo de implementação intervém necessariamente na avaliação final da política pública.

Uma lacuna entre top down e bottom up

Entendemos os reitores de graduação como burocratas de nível médio que desempenham um papel fundamental de coordenação dentro da instituição de ensino superior. Os reitores traduzem e realizam isso de forma contextual a partir de suas relações com a instituição e outros atores.

Os burocratas do nosso campo

Contudo, como escrevemos na introdução desta tese, por querermos compreender o processo de implementação da lei, não incluiremos a entrevista no universo de análise. Além disso, cinco dos nossos entrevistados participaram efetivamente na criação de medidas positivas nas suas instituições antes da adoção da Lei nº. Combinando as duas teorias da “burocracia ativista” e da “burocracia representativa”, juntamente com a fala dos nossos entrevistados, observamos que nosso campo possui nuances quando se trata de pensar o processo de implementação da Lei nº. 12.711/12.

Primeiros Projetos de Lei protocolados com a temática de ação afirmativa

Como podemos constatar, no ano anterior à conferência de Durban, entre 1999 e 2000, foram apresentados sete projetos de lei sobre o tema. Após a conferência de Durban em 2002, o número de projetos de lei destinados a introduzir ações afirmativas diminuiu. A mentalidade de decadência da escola pública permeou grande parte dos projetos de lei desse período.

Gráfico 1 – Quantidades de Projetos de Lei com a temática das ações afirmativas para o ensino  superior público por ano
Gráfico 1 – Quantidades de Projetos de Lei com a temática das ações afirmativas para o ensino superior público por ano

Expansão do ensino superior e centralização do ensino superior público

Outra mudança observada foi a aceitação do exame como forma de ingresso no ensino superior. Ainda são poucas as análises sobre o impacto do PNAES nas instituições federais de ensino superior. Nesse sentido, podemos dizer que houve sim uma expansão do ensino superior federal após o REUNI.

Gráfico 2 – Número  de matrículas  em  cursos  de graduação na  rede pública  brasileira  (1980-  2019)
Gráfico 2 – Número de matrículas em cursos de graduação na rede pública brasileira (1980- 2019)

Aprovação da lei de cotas

A aprovação da lei nº 12.711/12 ocorre quatro meses após esse julgamento, mantendo como subcota a reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e autóctones. Outro ponto importante foi a forma de cumprimento da lei em que as instituições federais de ensino superior poderiam optar, durante os primeiros quatro anos de vigência da lei, por um percentual entre 12,5 e 50. Além disso, como mencionado na seção anterior, havia todo um contexto. da centralização das políticas de ensino superior que influenciou diretamente a promulgação da lei de cotas.

Figura 2 – Fluxograma de distribuição de vagas no estado do Rio de Janeiro após a promulgação  de lei n°12.711/12
Figura 2 – Fluxograma de distribuição de vagas no estado do Rio de Janeiro após a promulgação de lei n°12.711/12

Recepção e adesão das instituições de ensino superior federal

Por outro lado, estudantes do ensino fundamental goiano se reuniram em uma praça para protestar a favor da criação da Lei nº 12.711/12. Conforme examinamos neste capítulo, a política nacional do PNAES já existia na época da aprovação da Lei nº 12.711/12. O primeiro denominado “processual” diz respeito a projetos que visavam alterar os procedimentos de implementação da Lei nº 12.711/12.

Tabela 1 - Instituições de ensino superior  federais analisadas no capítulo e as ações afirmativas  e a adesão das ações afirmativas
Tabela 1 - Instituições de ensino superior federais analisadas no capítulo e as ações afirmativas e a adesão das ações afirmativas

Adaptação à estrutura da lei

Ainda na questão étnica, outra crítica ao desenho da lei foi a não inclusão de vagas para estudantes quilombolas. Podemos ilustrar isso com a Tabela 3, onde o número de vagas para alunos em escolas públicas de baixa renda é de apenas quatro. Uma reservando vagas pela lei de cotas, outra pelo programa UFGInclui e por fim você pode optar pelo Centro Takinahakỹ de Ensino Superior Indígena.

Validação

Critérios de validação e o grau de complexidade

Ao implementar a lei, as instituições federais de ensino superior se organizaram para confirmar esse tipo de cota no momento da matrícula. Até 2017, nove instituições de ensino superior aderiram a comitês de heteroidentificação como forma complementar de autodeclaração (DOS SANTOS, 2018). A preocupação das instituições de ensino superior ao atribuir comissões no momento da matrícula era garantir que uma vaga passasse a ser objeto do direito.

Tabela  3 – Composição  das bancas de heteroidentificação nas instituições  de ensino  superior  federal
Tabela 3 – Composição das bancas de heteroidentificação nas instituições de ensino superior federal

Atores sociais

Durante esta pesquisa percebemos que esses grupos tiveram um papel importante na implementação da lei nº 12.711/12. Como observamos anteriormente, o Ministério Público Federal foi um ator não universitário relevante no combate à fraude na lei de cotas. É importante destacar que o presidente da Educafro é um ator histórico do movimento negro brasileiro e participou ativamente tanto da formulação da lei de cotas quanto de sua implementação em nível nacional (MIRANDA, 2018).

Permanência Estudantil

Segundo o Líder 2, a universidade teve que tomar cuidado devido ao orçamento insuficiente. Santos (2020) argumenta que essa situação se justifica pelo aumento do número de alunos em situação de vulnerabilidade social na UFT, que estão no ano dos contemplados pelas políticas de permanência. Considerando que mais de 80% dos estudantes necessitam de ajuda, os recursos são sempre insuficientes.

Algumas observações sobre os trabalhos acadêmicos

Nas dependências da instituição, os Centros de Estudos Afro-Brasileiros se estabelecem como ator efetivo na avaliação do processo de implementação como um todo. Além disso, os trabalhos analisados ​​destacam os grupos universitários e os Diretórios Acadêmicos como atores relevantes na luta por políticas de retenção estudantil mais eficazes. Em termos de retenção de alunos, identificamos este como um dos principais desafios na implementação da lei de cotas.

O campo e a entrada no campo

Os nossos entrevistados analisaram realmente este processo e destacaram os pontos fortes e os desafios da implementação de uma política tão complexa. Com isso, procuramos enquadrar nossos entrevistados com base em três formas de classificação dos burocratas: burocracia de nível médio, burocracia representativa e burocracia ativista. Na verdade, todos os nossos entrevistados tentaram mediar as questões que surgiram durante a implementação da lei de cotas.

Perfil das universidades analisadas

Além disso, 2% das vagas de cada curso são reservadas para alunos que se declarem de origem indiana e que tenham estudado desde a quinta série do ensino fundamental até a conclusão do ensino médio em escola pública. Além disso, havia duas vagas adicionais para estudantes indígenas residentes em aldeias ou pertencentes a comunidades quilombolas, que tivessem concluído a quinta série do ensino fundamental até a conclusão do ensino médio integralmente em escolas públicas. Ainda no universo desta pesquisa, a universidade que teve ações afirmativas tanto para estudantes de escolas públicas quanto para estudantes autoproclamados pretos e pardos sem enforcá-los foi a UFSC.

Da pulverização a integração: órgãos implementadores da lei n° 12.711/12

Assim, o primeiro fato importante a considerar ao considerar a implementação da lei de cotas é que, no âmbito deste estudo, todas as universidades tomaram ações positivas. Nas nossas entrevistas, a criação da SAAD também é destacada como um momento relevante na implementação de ações positivas. No presente caso, tanto as reitorias e secretarias instituídas como resultado de ações positivas, quanto os órgãos que desenvolvem políticas de assistência estudantil, estão diretamente ligadas ao sucesso da implementação da Lei nº 12.711/12.

Figura 4 - Organograma da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (SAAD) da UFSC
Figura 4 - Organograma da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (SAAD) da UFSC

Burocratas e a adaptação da estrutura da lei

A hipótese que temos aqui em Brasília é que 12.711 é uma resposta para garantir que as universidades não adotem políticas tão ousadas e comprometidas com a questão racial como a política da Universidade de Brasília. Eu sabia que tinha que haver vestibular; um processo seletivo específico para povos indígenas. O parágrafo que fala sobre um processo especial de cotas para estudantes de comunidades quilombolas foi testado pelo (Bureaucrata 2 da UFPA).

Tabela  4 - Grupos contemplados por ação afirmativa adicionais a Lei de Cotas
Tabela 4 - Grupos contemplados por ação afirmativa adicionais a Lei de Cotas

Atores sociais e o processo de implementação da lei de cotas

Portanto, na próxima seção tentaremos analisar o papel desses atores no processo de implementação da lei de cotas nas universidades aqui analisadas. Neste estudo, pedimos aos entrevistados que identificassem os atores que participaram do processo de implementação da lei de cotas. Até certo ponto, este cenário reforça o nosso argumento de que poucos atores externos foram importantes durante o processo de implementação da lei de cotas.

Tabela  5  –  Resposta  dos  entrevistados  quanto  aos  atores  envolvidos  no  processo  de  implementação  da lei de cotas
Tabela 5 – Resposta dos entrevistados quanto aos atores envolvidos no processo de implementação da lei de cotas

A criação das Comissões de Heteroidentificação

O burocrata não faz menção à criação de comitês de heteroidentificação, mas sim a uma autodeclaração justificada por escrito. Nesse sentido, podemos dizer que os comitês de heteroidentificação foram inicialmente considerados negativos para o processo da UNB. Argumentamos que a criação de comitês de validação é a segunda mudança mais importante na implementação do projeto de lei.

Assistência e permanência estudantil após a lei n°12.711/12

Além disso, estamos fazendo parceria com universidades para trazer o modelo coreano para isso, o que é muito interessante. Estamos discutindo com os reitores os critérios para regulamentação da política de auxílio estudantil. Então realmente acabou sendo, assim, insuportável e até frustrante para os alunos, porque ele tinha mesada para um ano e depois acabou (Bureau 1 da UFRJ).

Políticas de permanência para estudantes com deficiência

Hoje, a bolsa de permanência é um dos elementos fundamentais para que a grande maioria desses alunos consiga concluir seus cursos. Por isso entram em jogo todas as questões dos edifícios que antes não eram mais acessíveis e que não tinham condições de realizar obras mínimas, justamente, para torná-los acessíveis, justamente (burocrata 2 da UFRJ). Só existe um setor na universidade para estudantes com deficiência, teoricamente deveriam ter esse setor em todas as universidades.

Observações e outros resultados

Cinco anos da lei de cotas sociais nas universidades federais: o perfil dos cotistas da Universidade Federal de Pelotas. O Princípio Constitucional da Igualdade e Ações Afirmativas: Aplicação da Lei de Cotas) na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Estudo do desempenho acadêmico na graduação após a implantação da política de cotas na Universidade Federal de Uberlândia.

Figura 5 – Linha do tempo da implementação da lei n°12.711/12
Figura 5 – Linha do tempo da implementação da lei n°12.711/12

Imagem

Gráfico 1 – Quantidades de Projetos de Lei com a temática das ações afirmativas para o ensino  superior público por ano
Gráfico 2 – Número  de matrículas  em  cursos  de graduação na  rede pública  brasileira  (1980-  2019)
Figura 1 – Interiorização das instituições de ensino superior federais (2005- 2019)
Figura 2 – Fluxograma de distribuição de vagas no estado do Rio de Janeiro após a promulgação  de lei n°12.711/12
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Referências

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