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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Atualmente, temos assistido a ataques a comunidades de religiões africanas e a perseguições aos praticantes desta religião. Isto permitiu-nos descobrir o que está para além do fenómeno dos ataques a estas comunidades de religiões africanas.

A noção de religião

É claro que as religiões de base africana também estão imbuídas desta lógica perversa do capital e, embora sejam espaços de resistência, tornam-se espaços contraditórios porque reúnem as lógicas da sociabilidade burguesa. No entanto, ainda defendemos a noção de que as religiões de base africana assumem uma interpretação diferente da religião que não a reconecta com o divino.

O candomblé

Entendemos do autor que calundus era o nome dado às práticas das religiões africanas anteriores a 1826. Portanto, percebemos que a perseguição às comunidades de terreiro de religiões africanas durante a monarquia brasileira estava diretamente relacionada à necessidade de manter a subordinação dos negros aos a classe dominante.

O racismo religioso

No caso das religiões de origem africana, o objectivo é a destruição, pois não pertencem à mesma lógica da actividade judaico-cristã. Mas quando se trata de religiões africanas, pode-se ver a intenção de um apagamento completo, em vez de um novo significado das suas práticas. Nesta perspectiva, compreendemos o reducionismo motivado pelo racismo que ocorre nas práticas religiosas de origem africana.

O debate que surge é que o racismo religioso está diretamente ligado ao racismo institucional, pois geralmente é criado pelo poder institucional. A produção de excedentes pelos escravizados era especificamente o formato em que se baseava a economia da colônia brasileira.

A raça como elemento social de legitimação da dominação

As revoluções inglesa, americana e francesa foram o culminar de um processo de reorganização do mundo, de uma longa e brutal transição da sociedade feudal para a sociedade capitalista, em que a composição filosófica do homem universal, dos direitos universais e da razão universal se revelou fundamental para a vitória da civilização. O autor nos mostra como a transição dos modos de produção feudal para o capitalista significou um ponto de congruência para o fortalecimento do conceito de raça. O conceito de raça baseia-se na ideia de que o homem europeu é aquele a ser entendido como padrão para o mundo, uma vez que a civilização e a modernidade estão ligadas à experiência europeia, com outros povos, culturas e sociedades capazes de se tornarem civilizados como o foram. interpretados como selvagens.

Contudo, destacamos que os processos das revoluções liberais serviram de ambiente para a difusão da ideia de raça e, portanto, para o reforço do racismo. O racismo que surgiu da noção da raça branca como mais desenvolvida, serviu como ideologia para legitimar o processo de dominação europeia e posteriormente representou um elemento essencial na consolidação e desenvolvimento do capitalismo na Europa e no mundo, como veremos mais tarde .

O processo de colonização como subsídio à propagação da civilidade

Portanto, por ocasião desta ideia de um lugar de desenvolvimento cultural, social, político, económico e religioso, foi legitimada a ideia de que era necessário levar a civilização a outras áreas geográficas do globo e isso foi conseguido através da colonização. O que pretendemos dizer é que compreender o racismo religioso, sua relação com o racismo estrutural e sua continuidade e reforço no Brasil hoje, só será possível se analisarmos as razões de como o racismo molda a construção da sociedade brasileira forjada. E foi esse movimento de levar a civilização para onde ela não existia, que levou a um processo de destruição e morte, de pilhagem e humilhação, feito em nome da razão e que foi chamado de colonialismo (ALMEIDA, 2019, p.19) .

O marco histórico do que comumente se chama de ‘grandes descobertas’ (MOURA, 2014) foi a chegada de Cristóvão Colombo à América em 1492 e posteriormente o desembarque de Pedro Álvares Cabral no Brasil em 1500. A partir desse momento, um dos processos mais sangrentos na história mundial: colonização.

Aspectos gerais da colonização do Brasil

Neste sentido, queremos sublinhar que o binômio escravidão e colonização se conjugam no processo de construção de uma sociedade moderna na Europa e nas colônias. O processo de colonização realizado nessas terras resultou na transformação do território e de seus habitantes por meio da violência e do etnocídio. Isso significa que o processo de colonização brasileira marcou o lugar que o país ocuparia na história e qual foi a sua contribuição para as potências europeias.

Nesse aspecto, podemos considerar que o valor de uso criado pelo processo produtivo do escravizado foi inteiramente dominado pelos interesses do proprietário de escravos. Este processo de criação e manutenção de uma lógica religiosa baseada na dominação também constituiu racismo.

Figura 1 - Fotografia de mulher pertencente ao povo berbere.
Figura 1 - Fotografia de mulher pertencente ao povo berbere.

O sistema colonial escravista como antessala do capital

Nesse sentido, é possível entender que o tráfico de escravos beneficiou a Inglaterra no processo de acumulação primitiva, mas quando o capitalismo se consolidou em seu território, a necessidade de formar um mercado internacional que significasse o consumo de sua produção fez com que o país pressionasse que aqueles que lhe estão subordinados abandonem este comércio. O que se revela, então, é que o processo de escravidão está diretamente relacionado ao processo de nascimento e maturação do capital. Não estamos de forma alguma a afirmar que o racismo foi criado pelo capital, mas o que pode ser visto nos processos sócio-históricos que discutimos até agora é que o racismo foi um elemento fundamental no processo de expansão do poder político e económico da sociedade. Potências europeias...

Esse processo só foi possível devido ao domínio dos povos que ocuparam as áreas invadidas pelo processo de colonização. Desta forma, a nosso ver, o racismo serviu como ideologia para justificar este processo de difamação.

A transição do escravismo ao trabalho livre no Brasil: Elementos históricos

Nota-se que desde o período colonial até meados do século XIX, o processo de escravidão baseou-se principalmente na produção de produtos excedentes que eram demandados pelo mercado internacional. A relação unida entre o arcaico e o moderno29 é característica dos ciclos de desenvolvimento no Brasil, e podemos dizer que no processo de formação social brasileira isso é evidente em todas as fases. Portanto, o processo de inserção do Brasil no cenário mundial de desenvolvimento capitalista se desenvolveu por meio dessa dependência, e é essa característica marcante que se identifica no desenvolvimento econômico brasileiro.

É necessário ressaltar que na lógica capitalista o processo de valorização do capital depende da exploração da força de trabalho identificada por Marx (2014). Portanto, a ideia do homem europeu como superior e civilizado legitimou o processo de difusão, implementação e consolidação do capitalismo.

Principais elementos que influenciaram a transição do escravismo ao trabalho

A formação de um clube escravista que visava estruturar a revolta evidencia a capacidade organizacional e coletiva desses sujeitos. Terceiro, é preciso considerar que os processos internos da necessidade de criação de uma força de trabalho livre e assalariada foram outro elemento de pressão pela abolição da escravatura. Numa sociedade que passou a produzir excedentes numa lógica capitalista, não tem condições de manter o trabalho dos escravizados.

Como agravante de uma crise que já tinha causas internas, surgiram fatores internacionais que contribuíram para o declínio da produção açucareira: o trabalho escravo, rotineiro, com baixa produtividade e técnica rudimentar, não tinha condições de produzir este artigo. um nível de preço e qualidade que pudesse competir com o Havaí, as Antilhas, etc., que o produziam com métodos mais racionais, utilizando mão de obra livre em suas plantações (MOURA, 2014, p. 101). Portanto, nesse sentido, observamos a complexidade da transição da escravidão para o trabalho livre no Brasil.

A metamorfose do racismo na República

A estratégia de não incluir os negros no processo direto de formação do mercado de trabalho no Brasil está relacionada ao mercado que se pretendia criar e resultou na subordinação dos trabalhadores negros. Se antes as perseguições estavam relacionadas a condições de subjugação, onde procuravam impedir que os negros se organizassem contra a escravidão, agora, segundo a lógica aplicada, o próprio modo de vida dos negros estava em luta. Esse tipo de cultura e prática de crenças era, portanto, antitética ao que se pretendia consolidar como sociabilidade.

Os modos de vida presentes e nestes espaços estavam numa lógica em desacordo com o tipo de sociedade civil que se pretendia. Portanto, a dinâmica do racismo como estruturador da sociedade brasileira é uma realidade e é elemento fundamental na construção da formação social brasileira.

Figura 3 – Imagem da Obra “A redenção de Cam”
Figura 3 – Imagem da Obra “A redenção de Cam”

O liberalismo clássico e sua relação com o racismo

Em meio a esta noção de liberdade e igualdade entre os homens, legitima-se que eles tenham condições iguais na negociação de compra e venda de trabalho. O que pretendemos afirmar é que mesmo em tempos de acumulação primitiva na América, o liberalismo foi suficiente para defender as ideias capitalistas. Contudo, o liberalismo garantiu a consolidação do processo de dominação colonial-escravista e baseou-se na ideia de raça para justificar a implementação da escravatura moderna.

Com base neste ponto, podemos afirmar que a lógica liberal foi adequada e formulada de acordo com as exigências feitas na implementação de um novo tipo de sociabilidade. Com base no exposto, é possível verificar que a racialização da humanidade foi um elemento essencial para a adequação das ideias liberais no processo de acumulação primitiva de capital.

O neoliberalismo e a “nova” roupagem do racismo estrutural

O intenso crescimento dos neopentecostais, subsidiado pela lógica neoliberal, intensifica os ataques a essas comunidades de terreiro de religiões de base africana. Como discutimos, a subalternidade à qual os negros foram relegados desde a imposição da escravidão enfatiza a perseguição e a impossibilidade de acesso a qualquer direito, inclusive à prática de sua fé em comunidades de terreiro de religiões de base africana. A impossibilidade de culto nas comunidades de terreiro de religiões de base africana é a materialização da negação do direito constitucional à liberdade de culto.

A este respeito, é evidente a aparente determinação do racismo religioso em demonizar as religiões de origem africana. A violência utilizada nos ataques revela o ódio inerente a estes ataques e a humilhação a que são submetidos os praticantes das religiões africanas.

O racismo religioso materializado nos ataques de violência contra as

Eles são um registro da violência vivida por adeptos de comunidades de terreiro de religiões de base africana no estado do Rio de Janeiro nesse período e, consequentemente, representam um acervo da materialização do racismo religioso. Portanto, com base em nossa pesquisa, podemos afirmar que a Baixada Fluminense é a região em que a prática das religiões de base africana sofre maior e mais violenta perseguição no estado do Rio de Janeiro. Nova Iguaçu é o município com maior fluxo de ataques e, portanto, o local mais violento do estado para comunidades de terreiro de religiões de base africana.

Os dados demonstram efectivamente que os ataques sofridos actualmente pelos praticantes de comunidades de terreiro de religiões de base africana são na sua maioria perpetrados pelo crime organizado. As comunidades de terreiro de religiões de base africana foram, desde o seu início, espaços potencialmente de resistência contra o domínio da sociedade colonial.

Tabela - Quadro sinóptico de caracterização do tipo de violência nas reportagens analisados (2014-2021)
Tabela - Quadro sinóptico de caracterização do tipo de violência nas reportagens analisados (2014-2021)

Imagem

Figura 1 - Fotografia de mulher pertencente ao povo berbere.
Figura 2 - Quadro de Pedro Américo representando o “grito do Ipiranga”
Figura 3 – Imagem da Obra “A redenção de Cam”
Figura 4 – Jornal “A Tarde”, 12 dez. 1930
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Referências

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1 Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ, Marquês de São Vicente , Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil [email protected] Palavras Chave: Alumínio,