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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Relações de poder na construção do currículo praticado: uma análise dos conflitos na prática cotidiana dos professores na implementação da Lei 10.639. Relações de poder na construção do currículo praticado: uma análise dos conflitos na prática cotidiana dos professores na implementação da lei 10.639 no ensino de geografia.

A raça, racismo e o sistema-mundo moderno-colonial

É importante enfatizar que o racismo universalista de base espiritualista justifica um modelo de civilização em que existirão mais ou menos diferentes culturas. Ao mesmo tempo, esta mudança também faz com que o racismo universalista baseado no espiritualismo se transforme em racismo baseado no biomaterialismo.

As múltiplas faces do racismo no Brasil

Da sua forma oculta, à branquitude e branquidade: os mecanismos

Na obra citada, o argumento é que é necessária a construção de uma leitura que possibilite analisar como essas novas formas de racismo se manifestam no contexto atual. Como mencionado anteriormente, toda forma de antirracismo apresentada traz consigo elementos de racismo que buscam combater a divulgação dessas formas de discurso.

As inculcações do racismo nas relações espaciais brasileiras

Neste ponto, problematizar a produção social do espaço construída a partir das relações de poder presentes em nosso cotidiano é fundamental para aprofundar o debate proposto, pois ao mesmo tempo entendemos o espaço como algo produzido historicamente, como indica Milton Santos (2006). . devemos compreender que a nossa compreensão dela é também uma construção histórico-social, como aponta Doreen Massey (2008). Porque é também através de aspectos emblemáticos da harmonia entre negros e brancos (a praia, o futebol, o carnaval/samba, etc.) que se concretiza a ideia da existência de uma sociedade em que o racismo não existe ao nível das relações sociais. propagado.

Reflexões para a análise do racismo no presente estudo

Por outras palavras, tanto os discursos da meritocracia como aqueles que procuram criar um currículo comum trazem consigo uma série de relações de poder. Na terceira, consideramos as dificuldades na criação de um currículo antirracista num ambiente impregnado de relações de poder.

Cotidiano escolar e as relações de poder

Ao mesmo tempo, é necessário romper com uma visão muito distante da realidade quotidiana ou com uma visão que tenta ser neutra. Portanto, entende-se que o conteúdo histórico presente no contexto também é constitutivo da escola. Este esforço deve ter em conta o facto de que “a explicação e a reconstrução das relações peculiares e imprevistas desta realidade permitiram a elaboração de categorias e a precisão de conceitos necessários a uma conceptualização alternativa da escola”. (ROCKWELL & EZPELETA, 2007, p. 135).

Essa compreensão se justifica porque a vida escolar é vista como um lugar dinâmico que varia de escola para escola.

Apontamentos acerca da construção do currículo

As teorias e as políticas de currículo

Das teorias tradicionais às pós-críticas, nota-se, portanto, a tentativa de criação de chaves analítico-conceituais que escondam ou destaquem diferentes dimensões das relações de poder existentes. Por outras palavras, esta visão (neo)liberal acaba por criar uma leitura da diferença que deixa em segundo plano todo um conjunto de relações de poder que a constroem. Do ponto de vista crítico, as diferenças são constantemente produzidas e reproduzidas pelas relações de poder.

Apesar das diferenças, ambas as concepções fazem-nos procurar não separar o multiculturalismo das relações de poder.

Escalas da construção curricular: o prescrito, o praticado e o oculto

Ao colocar a dimensão prescrita do currículo na interface com as relações de poder e os mecanismos reguladores, fica claro que, em última análise, também influencia o currículo praticado por professores e professoras. Contudo, além das influências do currículo prescrito na prática docente, esta dimensão da tradição também enfatiza as influências do/no chamado currículo oculto. Esta manipulação do currículo oculto permite à leitura compreender como as próprias relações de poder e o racismo são reproduzidos e combatidos na vida quotidiana.

Ao ler isto, fica claro que as três dimensões apresentadas são formas de compreender a parte do desenho curricular.

Campos de disputa para construção de uma educação

A construção do conhecimento e o rebatimento na formação de

Na mudança de atitudes, é preciso pensar também no currículo como espaço de transcrição do conhecimento escolar. Outro aspecto da construção do conhecimento é a necessidade de se atentar à cognição do aluno no processo de ensino e aprendizagem. Esta discussão evidencia a necessidade de pensar como os diversos artefatos culturais e políticos presentes na sociedade e consequentemente no ambiente escolar atuam na construção do conhecimento e como esse ‘conhecimento’ atua na construção de identidades.

Compreender esse “conhecimento oficial” como uma dimensão que ajuda a perpetuar/criar uma ideologia de branquitude e a formação da branquitude leva à compreensão de que, além da construção de conhecimentos e de metodologias para transmiti-lo, há necessidade de desafiar essas identidades .

Multiescalaridade do combate ao racismo na educação

A ação coletiva de um movimento manifesta-se através da quebra dos limites de compatibilidade do sistema dentro do qual a própria ação está situada. Com isso, o referido autor defende que os movimentos sociais devem ser entendidos como a expressão de um conflito e não como a resposta a uma crise, fato que geralmente está conectado. Já o termo solidariedade, elencado por Alberto Melucci, indica a capacidade dos indivíduos de se identificarem e serem identificados como parte de um movimento social complexo.

Tal leitura nos permite dar unidade analítica a todos os indivíduos e grupos que se posicionam e atuam no combate ao racismo e que se apresentam na sociedade como negros na figura de um movimento social que é plural, denominado Movimento Negro.

As mudanças na geografia que se ensina e a formação de uma

Da geografia corográfica à formação da geografia tradicional

A negação do modelo de geografia implementado e mantido no Brasil ao longo do período imperial só começou a resistir às críticas oficiais quando as ideias científicas, baseadas no positivismo, ganharam adeptos numa nação que se queria moderna. Ainda sobre essa influência francesa na geografia ensinada, Rocha (1998) destaca que “O modelo francês foi utilizado pelas elites/autoridades políticas brasileiras para organizar nossa escolarização como um todo, e o ensino de geografia em particular”. (idem, ibdem, p.11). Devido à sua ampla penetração nas escolas, esses livros podem ser considerados como um dos responsáveis ​​por consolidar o estudo da geografia com base nos eixos “Natureza-Homem-Economia”, padrão estruturante do ensino de geografia até hoje.

Mas se esta norma é utilizada atualmente, qual a contribuição do movimento de renovação crítica da geografia para a geografia ensinada hoje?

A renovação crítica da Geografia: ruptura, consolidação e

Portanto, nesta dissertação optou-se por trabalhar o processo de renovação crítica da geografia com um movimento único, mas dividido em três momentos interligados, complementares e de certa forma acompanhantes. É importante notar que atualmente o contato entre a geografia e as teorias pós-críticas do currículo tem aumentado. Porém, como se verá mais adiante, a expansão e o desenvolvimento deste campo de análise só serão possíveis após a consolidação da renovação crítica no interior da geografia.

Discutindo esta dimensão dos conteúdos e o período de transição entre a ruptura com a geografia tradicional e a posterior consolidação da geografia de base crítica no ensino primário, Vasconcelos (2015) sublinha isso.

A geografia que se ensina, o racismo e as teorias pós-críticas

Outros caminhos para o ensino de geografia

4 DESAFIOS PARA IMPLEMENTAR UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO ENSINO DE GEOGRAFIA: CONFLITOS NA PRÁTICA DIÁRIA DOS PROFESSORES. Dentre eles, destacam-se como reguladores internos: o livro didático de geografia, as relações com outros professores de geografia. Para realizar esta análise, esta tese utiliza dados empíricos obtidos no projeto de pesquisa “Lei 10.639/03 e o Ensino de Geografia” vinculado ao Centro de Estudos e Pesquisas em Geografia, Relações.

Por fim, combinando os procedimentos escolhidos e os dados sistematizados, pretendemos realizar uma análise qualitativa desses conflitos, para compreender possíveis tipologias de racismo no cotidiano escolar e o impacto no ensino de geografia.

Acerca dos procedimentos metodológicos para a análise das

Para evitar tal atitude, neste ponto discutimos um pouco sobre o método utilizado para analisar as situações de conflito que estão presentes no cotidiano dos professores de geografia. Isso acontece porque essas pessoas que atuam no cotidiano escolar também pertencem, na verdade, a outras esferas de atuação e formação, com outras relações de poder presentes dentro e fora do cotidiano escolar. Quanto à possibilidade de analisar o racismo na vida cotidiana e as relações de poder-saber nele embutidas, é importante destacar que, como visto com Rockwell &.

Vale destacar que se entende que estes de fato fazem parte do que Bourdieu chamou de habitus, e afetam diretamente as relações rotineiras (GIDDENS, 1991) que estão presentes no cotidiano escolar.

Conflitos na prática docente: entre embates e dilemas

Apresentação dos conflitos no cotidiano das/dos docentes

Ou seja, o fato de lecionar em locais diferentes faz com que suas relações cotidianas sejam abaladas, inclusive a percepção desses “desvios” presentes no cotidiano escolar. Isso faz com que o processo educativo sofra, deixando o professor com dificuldades para articular as discussões com o conteúdo, transformando o conteúdo em uma forma de combater o racismo no cotidiano escolar. O que significa que existem tantas relações conflituosas entre os professores monitorados e a gestão e outros professores.

Esse processo, somado a outros, faz com que os professores questionem suas práticas e o próprio sentido da escola que está sendo construída.

Gráfico 1 – Separação entre Embates e Dilemas relatados pelos 5 professores  acompanhados de 2008 a 2011
Gráfico 1 – Separação entre Embates e Dilemas relatados pelos 5 professores acompanhados de 2008 a 2011

A prática docente antirracista e as tensões nas relações do/no

Com isso, percebe-se que as estruturas presentes no cotidiano escolar fazem com que esses professores não entrem e/ou se apropriem de determinadas formas de interação enquanto constroem outras (variando o nível de interação). Ressalte-se que essa articulação envolve relações de poder, pois ratifica atitudes contrárias à implementação de novas práticas que visam combater as hierarquias presentes no cotidiano escolar. Esses professores passam a se questionar no campo das relações estabelecidas no cotidiano escolar e na própria geografia, até então aceita hegemonicamente.

Ou seja, ao romper com o habitus, com o conjunto de práticas e relações que se organizam espacial e temporalmente no cotidiano escolar, o professor adentra um intenso e múltiplo campo de conflitos.

Cotidiano escolar e o ensino de geografia: de um palco de conflitos a

Então eu acho que é algo que precisamos começar a nos preocupar mais na produção de material didático. Acho que isso foi o suficiente para dar andamento à discussão, muitos estavam mais conectados, outros nem tanto, mas então, acho que a questão do material didático é uma coisa que precisamos pensar. E aí tentar usar isso como contraponto para você fazer a criança olhar e pensar e refletir, acho que é assim.

Mas acho que eles [alunos] estão mais atentos, até porque outro dia um aluno fez um comentário e outro se manifestou.

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Gráfico 1 – Separação entre Embates e Dilemas relatados pelos 5 professores  acompanhados de 2008 a 2011
Gráfico 2 – Relação entre Embates e Dilemas por Professor(a)
Gráfico 4 - Interlocutores em relações de Embates
Gráfico 5 - Porcentagem de opositores a prática dos professores acompanhados
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Referências

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Erick Felinto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ, Brasil Francisco Rüdiger, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Rio Grande do Sul