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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

Mapeando paisagens, compartilhando histórias: a tessitura de um trabalho

Nas malhas da captura, eis os suspeitáveis

Um dos principais componentes do policiamento ostensivo é a possibilidade de uma ação preventiva que permita aos agentes de segurança pública antecipar a condução de atividades ilícitas, de modo que seja possível identificar e neutralizar o sujeito prestes a cometer um crime. Para ser justo, deve aparecer como prova quando houver uma “suspeita razoável” de que a pessoa levou sob custódia algo obtido por meios ilegais.

Conhecendo fortes, desmanchando fortalezas: um encontro com a PMERJ

  • Zona Norte 1: o “batalhão diferenciado”
  • Zona Norte 2: o “batalhão de questão”

O policial continuou antes que eu pudesse responder sua pergunta inicial: “Nossa, você já está no mestrado. Decidimos que eu ficaria em um espaço aberto, bem próximo à entrada do gabinete do Policial de Plantão do Dia – “aqueles que controlam a entrada e saída dos policiais de rua”, disse o dirigente – que ficaria responsável pela mediação das reuniões com os demais PMs. Claro, foi curioso notar nos dias seguintes à minha chegada a infame preocupação em manter o banheiro sempre aberto e limpo para poder utilizá-lo.

Teve um dia que troquei muito tiro com um carro cheio de retardatários na porta de outra unidade. Todos aqueles carros provavelmente pertenciam aos policiais militares que eu procurava antes mesmo de conhecê-los. Pergunto sobre os riscos da rotina de confrontos que ele mencionou há pouco e recebo uma resposta imediata: “mas é exatamente isso que eu quero.

A euforia do sargento Jason me permitiu experimentar também um pouco daquela “adrenalina”, no jargão policial-militar.

Das convocações amiúde: uma aproximação (in)esperada

Os anos dedicados à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, na verdade, tiveram muito a agregar a esse trabalho. Entendendo os arranjos estruturais como condições predominantes para o estabelecimento da regulamentação a ser seguida em determinada entidade, analisemos as configurações da Polícia Militar como parte integrante de um complexo sistema responsável pela gestão da segurança pública e da proteção social. Como resultado destes últimos acontecimentos, no mesmo período foi criada a Intendência Geral de Polícia do Tribunal e do Estado do Brasil, instituição que deu origem ao atual modelo de Polícia Civil e, posteriormente, em 1809, à Guarda Real de Polícia. , em conexão com a Polícia Militar.

A criação desta força militarizada teve como objetivo fortalecer a polícia nas ruas, combater diversos tipos de crimes e proteger a elite dominante do Rio de Janeiro. É dentro dos parâmetros históricos observados que, a partir de 1831, a Polícia Militar do Rio de Janeiro surgiu como uma força armada destinada a ser o esteio da aplicação da lei e um modelo para aquelas criadas em outras partes do país. Posteriormente, com a fusão entre os Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, as polícias militares das duas unidades foram unidas, criando a atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Dessa forma, observar as trajetórias político-institucionais das polícias significa estar atento ao debate mais amplo sobre os rumos democráticos adotados na cidade do Rio de Janeiro e no país.

Paz sem voz: da narrativa de guerra às forças de ocupação na cidade

No Brasil o que se fez foi ampliar o poder de polícia e confundi-lo com toda a estrutura do Estado [...] Essa era a lógica de um liberalismo autoritário brasileiro que entendia que nós, cidadãos comuns, não estávamos em condições de civilizar nós mesmos e que, portanto, precisávamos da lei e da ordem. Objetivamente, isso fez com que a segurança pública no Rio de Janeiro, a partir de sua publicação, deixasse de ser responsabilidade da esfera estatal e passasse a estar sob o comando de um militar intervencionista. Marcas de um modelo de controle que valoriza a supressão de conflitos através do uso e abuso da força através do estabelecimento de sistemas penais potencialmente genocidas, palavra chocante para a hipocrisia conservadora, como afirma Florestan Fernandes (2016).

Mostrando a escolha do governo de tratar os ataques à segurança pública a partir de uma perspectiva de confronto unilateral, um resquício de uma ditadura que ainda não foi superada. Os tempos do processo de violência, marcados pela instauração do terror, que ainda hoje é utilizado em órgãos e espaços específicos, produzem relações de poder que se concretizam nos modos de ser e de perceber o mundo, sob o emaranhado de uma política que utiliza o a economia das drogas como elemento legitimador do sistema penal (SOARES, 2015; BATISTA, 2003). Aí chega um soldado e diz que você precisa de autorização para fechar a rua e se não tiver, vão passar um tanque sobre sua empresa.

A segunda foi que eu estava correndo em um monte de tanques, de shorts de corrida, então não consegui identificação porque corri para o lugar onde corro há anos.

Notas sobre um Rio dividido: da nova Lei de drogas às limitações do circular

Como eu te contei, às vezes acontece de a gente estar saindo da favela com as crianças para ir na matinê da Playboy lá na Zona Sul e a polícia simplesmente nos parar perguntando: “então playboy, o que você está fazendo aqui na favela?” Neste ponto, a noção de “bens políticos” desenvolvida por Misse (2002) volta a ressoar e a produzir sentidos a partir do entendimento de que tais negociações se baseiam na apropriação privada de um bem público sob monopólio estatal, ou seja, na delegação poder...do estado ao seu agente policial, para que a lei seja aplicada.Isso significa que se a pessoa era pobre, ela devia estar trabalhando em algo que marcou suas mãos.

Portanto, cabe aos agentes de segurança avaliar os casos em que a sua intervenção é necessária desde que respeitado um conjunto específico de limites legais (JESUS, 2016). No que diz respeito ao funcionamento da gestão de conflitos, da defesa ao ataque, o Coronel Firmino inaugura o que chama de “Síndrome de Thor”. Nesse sentido, relatam que se sentem mais expostos quando realizam ações próximas a favelas, o que os leva a se adaptarem.

Se ele avançar muito, então não tem jeito, ele tem que se movimentar porque não dá para esperar reação.

Flagrante delito: uma faceta importante

Portanto, analisar quem são os sujeitos presos em flagrante delito nas ações de abordagem é um passo importante para a investigação das políticas de segurança adotadas no país e no estado e estão incluídas as técnicas de controle social utilizadas nas ações de policiamento da PMERJ. , especialmente aqueles de abordagem. Fazer uma boa prisão, ou seja, prender um criminoso em flagrante delito, é o que todo policial deseja fazer no seu dia a dia.” Portanto, podemos deduzir a predileção da Polícia Militar por registros quantificáveis, como Boletim de Ocorrência, prisões em flagrante e detenção de jovens em situações ofensivas (SCHLITTLER, 2016).

Os dados publicados para fins desta discussão, porém, não trazem informações sobre o número de pessoas presas e apreendidas em flagrante e com base em mandado, bem como seu perfil social. A partir dos relatos dos entrevistados e de outros estudos que enfocam a questão apresentada (SOARES, 2015; JESUS, 2016; SCHLITTLER, 2016) podemos concluir que os atos de abordagem e prisão em flagrante baseiam-se, portanto, em divisões estruturais, o lema de políticas de segurança pública aceitas e exigências para medir a produtividade da polícia - o que não necessariamente termina na redução do nível de violência - com tamanha complexidade de funções reconhecida pela PMERJ. Em outras palavras, o problema de focar em atividades que visam prisões em flagrante e apreensão de armas e drogas é que elas reforçam a condição de seletividade em uma área limitada de tipos de crimes, a maioria dos quais são crimes contra a propriedade e aqueles relacionados ao tráfico ilícito de drogas, bem como pessoas com perfil social específico: jovens, homens negros e moradores de favelas.

O que podemos, portanto, assumir é que existe uma correlação interna entre o policiamento que está interessado em abordagens cujo objectivo é geralmente realizar detenções em flagrante e prender pessoas associadas a um número limitado de tipos criminosos.

Cor padrão: “o elemento do crime é negro, ele é crioulo”

As pessoas formam em suas cabeças a imagem de um ladrão e a imagem de uma pessoa que não é ladrão. Pessoas que não são negras não conseguem entender o racismo e os danos que ele causa (Jeremias, 30 anos, negro, Zona Norte). Eu nunca vivi uma abordagem violenta, mas um policial já me deu uma que você até ria se eu contasse [...] eu estava indo para a loja de Bonsucesso, onde meu pai trabalhava, pelo título porque era dia de eleição e ele ficou na loja.

Na tentativa de formular o que parece funcionar na ordem do não formativo, utilizo uma dica. Então, quando refleti sobre minha suspeita e levantei preocupações como: “fiquei muito tempo na loja” ou “tive que procurar os recibos nas prateleiras de baixo” - afinal, esses motivos por si só poderiam me tornar um pessoa suspeita - meus entrevistados também indicaram algo semelhante, como pode ser visto no relato de Eduard: "Fiquei parando e lembrando dos momentos em que falaram comigo e, na maioria das vezes, fiz algo ilegal". Parece não haver dúvida de que não só para a polícia, mas também para aqueles que são e não são suspeitos, o que está a ser feito parece fazer parte da mesma ordem.

O sargento Jason olha para seus braços e passa a mão pelos cabelos cortados à máquina: “Eu sou sarará.

Tirocínio: da certeza do flagrante à ordem do indizível

Tese (Doutorado em Psicologia) – Departamento de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. O adolescente dobrado: cartografia feminista de uma unidade masculina no sistema sociopedagógico carioca. Doutorado em Psicologia Social) – Departamento de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

Tese (Doutorado em Sociologia e Antropologia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013. Tese (Doutorado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro , 2014. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999.

Representações e práticas da Polícia Militar frente ao consumo e tráfico de drogas na cidade do Rio de Janeiro.

Referências

Documentos relacionados

Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP; o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro SEA, do Instituto Estadual do