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Flagrante delito: uma faceta importante

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 97-103)

A prisão em flagrante é uma das modalidades de prisão em cujo policial militar participa mais ativamente por razão de sua competência legal originária – procedimentos de policiamento ostensivo e preventivo nas ruas da cidade. Schlittler (2016) faz afirmar que a prisão em flagrante é o resultado da vigilância dos agentes de segurança que se utilizam da habilidade do “tirocínio”

para selecionar pessoas que estejam cometendo algum tipo de crime, logo na sequência de seu ato ou na presença de objetos e instrumentos que façam presumir ser esta pessoa a responsável pela autoria. Consoante às definições de Lima (2017), o flagrante possui quatro fases distintas:

a captura, primeira delas, antecede a condução coercitiva destinada à autoridade competente, seguida da lavratura do auto de prisão em flagrante e, finalmente, o encarceramento do sujeito.

Neste sentido, em tese, o protagonismo policial-militar durante as ações de abordagem se faz presente nas fases de captura e condução coercitiva.

Ainda para Schlittler (2016, p. 38) não seria inadequado inferir que a ausência de definições institucionais precisas à mobilização policial no que tange à identificação de sujeitos suspeitos resultasse em uma ampla gama de perfis daqueles que são presos e/ou mortos pela polícia. No entanto, os números – alguns anteriormente apresentados – têm exposto um cenário diverso. Nas palavras da autora, o que ocorre, ao contrário, é a “reiteração de um padrão de atuação policial que focaliza um público específico, o qual é marcado por signos de raça e de classe social e identificado como suspeito de cometimento de crimes”.

Na esfera da segurança pública, a análise positivista da criminologia desloca a atenção do ato infrator para o autor e, então, a intervenção limita-se à oferta do crime (MELICIO, 2012).

Da competência discricionária que confere ao policial militar a autoridade da análise e escolha de como e quando intervir em suas atividades de policiamento ostensivo, Soares (2015, p. 29),

faz assinalar que o formato de uma estrutura organizacional interfere significativamente na instauração do processo decisório de seus membros. Para o autor supracitado, tendo em vista as normatizações constitucionais:

Dada a divisão do trabalho [...] que atribui a investigação com exclusividade às polícias civis, resta aos policiais militares, quando se lhes cobra produtividade, fazer o quê? Prender e apreender drogas e armas. Prender que tipo de transgressor? Atuar contra quais delitos? Se o dever é produzir, se produzir é sinônimo de prender e se não é permitido investigar, o que sobra? Prender em flagrante [...] Com frequência jovens de baixa escolaridade, pobres, moradores de periferias e das favelas [...] O pulo do gato, que torna tão efetiva a ação policial militar – quando avaliada não pelo resultado que deveria importar (a redução da violência), mas por índices de encarceramento, dá-se quando o imperativo de prender apenas em flagrante encontra um instrumento legal para fazê-lo com celeridade e em grande escala: a política criminal relativa a drogas e a legislação proibicionista dela derivada.

Dito de outro modo, no campo da legalidade, à PM é negada a autonomia de investigar ao passo que lhe cabe realizar prisões. Conforme denota o autor, a exigência por resultados é uma contínua retórica tanto dos governos, quanto dos comandos, tal qual se apresenta inscrita nas reivindicações da população e no que é explorado pelos veículos de mídia que, de igual modo, pressionam requerendo demonstrações de produtividade. Nesta perspectiva, em um sistema bipartido, admitindo a complexidade do conjunto de atividades dispensadas à Polícia Militar, bem como levando em consideração a política de combate às drogas vigente no país, parecem ser estes aspectos fundamentais à promoção da seletividade nas estratégias de policiamento adotadas indicando, pois, que alguns crimes talvez recebam mais atenção que outros. Soares (2015) faz enunciar que a lei de drogas é o mote que viabiliza e justifica a seletividade que captura de maneira singular àqueles vinculados à dinâmica do varejo. Analisar, portanto, quem são os sujeitos presos em flagrante delito nas ações de abordagem configura-se como um encaminhamento importante ao exame das políticas de segurança adotadas no país e no Estado e das técnicas de controle social inscritas nas ações de policiamento da PMERJ, sobremaneira, as de abordagem.

Somados a isso, a discussão sobre os parâmetros de produtividade reconhecidos pela instituição policial-militar. A vigília sobre a população e a abordagem de suspeitos têm como única face mensurável o seu elemento final: a quantidade de criminosos presos ao longo de um dia de policiamento nas ruas (SOARES, 2015). “Realizar uma boa prisão, ou seja, autuar um criminoso em flagrante delito é o que todo policial gostaria de fazer em suas atividades diárias”

(PINC, 2006, p. 27). Portanto, podemos inferir a predileção da Polícia Militar por registros quantificáveis, tais como Boletins de Ocorrência, prisões em flagrante e apreensões de jovens em situação de infração (SCHLITTLER, 2016).

Assim, o clamor punitivo e a pressão por resultados numéricos específicos, ao que tudo indica, atuam como reforçadores da seletividade de suas escolhas. Em sua página eletrônica, a PMERJ, divulgou, em janeiro de 2018, os índices da “Produtividade da Polícia Militar em 2017”. Distribuídos em quatro quadros distintos, os resultados de suas ações: apreensões de armas de fogo (a quantidade de fuzis aparece discriminada), artefatos explosivos e granadas, além da quantidade de drogas, prisões de adultos e “menores”. Entre os dados, o número geral de ocorrências atendidas e de violência contra a mulher também despontam com certa evidência (PMERJ, 2017). Para capitão Gregory: “a Polícia Militar sustenta a segurança pública com sangue, suor e lágrimas”. Ao que cabo Luciano completa: “o pessoal não sabe, mas tem garoto de quatorze anos aqui na favela do lado com fuzil maior que o meu, mais moderno. Esse aqui que eu uso tem quarenta anos e eu vou praticamente só com ele enfrentar isso aí”.

Os dados divulgados, porém, para efeitos desta discussão, não possibilitam afirmar o quantitativo das prisões e apreensões em flagrante e por mandado, bem como o perfil social das mesmas. De igual forma, não podemos atestar com base no informativo que são estes os tipos criminais mais atendidos pelos policiais militares no decurso do referido ano. Contudo, os limites da análise não fazem desta uma investigação menos interessante, à medida que permitem examinar quais atividades a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro classifica e torna disponível na categoria “produtividade” anual (SCHLITTLER, 2016). As falas do subtenente Stephan e do sargento Fábio aparentam confirmar a lógica:

A abordagem é extremamente necessária porque muita arma é tirada da rua devido à abordagem. O comando mesmo fala: abordar, abordar, abordar. A patrulha, o ruim é que ela é muito empenhada, né? No final de semana ela pega vinte ocorrências numa noite. Então você tira a liberdade de tá patrulhando, parar e abordar. A abordagem é extremamente eficaz pra você tirar mau elemento da rua e arma (Subtenente Stephan, 42 anos, branco, Zona Norte 2).

Se a polícia não tirar mais de quatrocentos, quinhentos fuzis da rua, eu não sei qual a estatística desse ano, só chega mais. Tem quinhentos, a polícia não tira nada, ano que vem tem mais quinhentos e isso a gente tá falando só o que apreende, o que tá tirando, fora o que já estão lá. Igual o Exército agora, eu acho que eles têm o respaldo de equipamento, estão bem estruturados, mas eles não têm experiência (Sargento Fábio, 44 anos, pardo, Zona Norte 2).

Chama a atenção no primeiro relato não somente a quantidade de ocorrências a que são demandados em um único plantão, mas também a ênfase conferida às ações de abordagem em detrimento das demais atividades – nota-se que a grande justificativa é a retirada de armas. Para Schlittler (2016), afirmações como esta inferem, sobretudo, duas constatações importantes: que os indicadores de produtividade policial se restringem somente a uma parcela da amplitude de tarefas desempenhadas nas ruas e que, durante o policiamento, situações que venham a destoar

das prescritas em termos de produtividade poderão ser menos valorizadas pela Corporação.

Aquelas que, informalmente, recebem o título de “feijoada”.

Ainda falávamos sobre as ocorrências policiais quando o sargento Fábio colocou em destaque: “na verdade, quando a gente trabalha em patrulha, a nossa função não é só servir e proteger, o polícia é tudo. O cara que tá trabalhando na patrulha, ele é juiz, psicólogo, terapeuta, médico, é ele que resolve tudo”! Segue a narrativa dando exemplos de demandas que “fogem”

às atribuições policiais e se encaixam nestes outros papeis assumidos pelo profissional que está na rua, ou “na ponta”, como costumam dizer. “Faz parte”, ele completa. Outros policiais também falaram de suas experiências com este tipo de intervenção, principalmente no Zona Norte 1, o “batalhão diferenciado”: “aqui é um ponto fora da curva, o que mais tem é ocorrência de som alto e violência contra a mulher”, assegurou cabo Luciano.

O policial da ponta é o cara que mais trabalha. Plantão de doze horas. É o serviço de RP [radiopatrulha], o serviço 190, que a população liga solicitando ajuda. A gente tem um local de atuação, cada equipe tem um local de atuação que a equipe fica. Tem uns tempos de liberdade que você circula a área toda e tem uns locais que o batalhão faz a mancha criminal aí você intensifica em alguns lugares. O polícia vai sempre em dupla. A gente que é envolvido em ocorrência assim... Teve um dia que uma senhora pediu ajuda porque ela brigou com o marido, o marido tava drogado dentro de casa e ela queria nossa ajuda pra entrar na casa dela e pegar as coisas dela. Eu falei: “senhora, a senhora é a dona da casa”? Ela falou: “sou, eu moro junto com ele. Essa casa é minha também”. Perguntei de novo pra ela: “a senhora autoriza então nós entrarmos na casa com a senhora”? “Autorizo sim”, ela falou. Quando a gente entrou, o cara começou a quebrar o teto e agredir a gente. Pra conter o cara, minha filha... E acabou que a gente teve que se envolver (Sargento Fábio, 44 anos, pardo, Zona Norte 2).

Exemplo banal que acontece muito aqui: som alto. A gente não tem meios para coibir um som alto. A pessoa coloca um funk e a gente vai e pede pra... Funk eu tô falando de uma maneira geral porque geralmente a pessoa ouve funk com altura, né? Ela extrapola o limite do som. Aí a pessoa fala que não vai diminuir. Dependendo do horário a pessoa nem entra na perturbação do sossego. A pessoa quer saber até que volume pode ouvir. Eu vou falar o que pra essa pessoa? Coloca no número cinco?! É vago. Eu falo: “pô, usa o bom senso pra ver se seu vizinho consegue dormir tal hora da noite”. Aí a pessoa vai e diminui lá só um pouquinho, o que não deixa de continuar incomodando (Cabo Luciano, 37 anos, negro, Zona Norte 1).

Na cultura da polícia, as “feijoadas” apontam situações que demandam um trabalho exacerbado e geram poucos resultados, ou seja, ocorrências que, na visão dos agentes policiais, representam baixo potencial ofensivo. Em geral, são atendimentos que envolvem conflitos familiares, brigas em bares e restaurantes ou entre vizinhos. Nestes casos, a negociação informal entre as partes é o primeiro procedimento (SOUZA, 2008). Assim, se por um lado, as ações de abordagem são reconhecidas como atividades policiais legítimas devido a sua inscrição como modalidade de combate ao crime/criminoso e manutenção do ordenamento social, por outro, as

“feijoadas” não têm o mesmo status. Ainda de acordo com a autora:

Coexistem no âmbito policial carioca categorias nativas que demonstram esses valores. Se por um lado, há casos que são desconsiderados pelos policiais por não serem considerados trabalhos legítimos da instituição, como a feijoada, por outro lado, existem os casos de polícia usados por eles para indicar situações explicitamente de ação policial [...] como operação policial e prisões [...] De certa forma, os casos feijoada são atendidos como uma atividade que não faz parte da função polícia, esse atendimento é percebido como um “favor” dos policiais para a pessoa que pede auxilio [grifos da autora] (SOUZA, 2008, p. 14-15).

A partir dos relatos dos entrevistados e de outros estudos que se debruçam sobre a questão apresentada (SOARES, 2015; JESUS, 2016; SCHLITTLER, 2016) podemos inferir que as ações de abordagem e as prisões em flagrante constituem-se, portanto, dadas as divisões estruturais, o mote das políticas de segurança pública adotadas e as exigências de mensuração da produtividade policial – que não se encerram, necessariamente, na redução dos índices de violência –, em meio à tamanha complexidade de funções admitidas pela PMERJ. Quanto à efetividade e outras proposições, no que tange à recorrência de sua aplicação, capitão Gregory faz um comparativo entre as investidas em torno de suspeitos aos arremessos de um jogador de basquete que, quanto mais se propõe a jogar, aumenta também sua chance de ser mais efetivo.

Efetividade tem a ver com resultados, né? Meios e resultado. A abordagem policial é efetiva e a abordagem a veículos, sem dúvida, é a mais efetiva porque o crime flui pelo trânsito, né? Se você verificar o modus operandi do criminoso, muito dificilmente ele rouba a pé. Existe, não é que não existe. Mas ele vai roubar na maioria das vezes de moto ou de carro pra poder facilitar a fuga. Então se a gente priorizar a abordagem a veículos os resultados são muito maiores porque o policial só vai poder prender se ele abordar. Então a orientação é abordar continuamente. Quem mais aborda mais prende. É igual o Oscar quando vai lançar a bola lá na cesta. Ele só acerta mais se ele jogar mais. Ele tem que jogar (Capitão Gregory, 37 anos, branco, Zona Norte 2).

Faz-se importante ressaltar que em relação ao trabalho da PMERJ, de acordo com os policiais entrevistados, são três as entradas possíveis que dão origem às ocorrências policiais:

uma parcela das atividades é demandada no encontro direto entre a população e o próprio agente ou por chamadas telefônicas no 190.

Maré Zero é o Centro de Comando Integrado de Controle. Quando uma pessoa disca 190 no telefone a ligação cai lá. Então, dependendo da ocorrência, ela despacha uma radiopatrulha ou ela informa a uma sala de operações pra tomar uma providência. Por exemplo, se há uma ocorrência que tem um policial sequestrado em uma comunidade, não vai chamar uma radiopatrulha pra ir lá verificar. A Maré Zero vai passar a ocorrência pra sala de operações do batalhão, vai passar pro tenente ou pro oficial de serviço, que vai avaliar a condição de fazer uma operação ou acionar um escalão superior pra reforço. Vai depender da ocorrência exatamente (Capitão Gregory, 37 anos, branco, Zona Norte 2).

Outra parte resulta da avaliação de um superior encarregado sobre a necessidade de patrulhar determinado setor com base na incidência criminal da região e um terceiro eixo que se estabelece na imprevisibilidade própria do trabalho de rua (SCHLITTLER, 2016). Sobre a

última, coronel Firmino destaca que “o PM é aquele que tem que tá sempre preparado pra ocorrência. Ele não escolhe a ocorrência, a ocorrência é quem escolhe ele. Você não escolhe pra qual ocorrência vai, você é chamado”. Faz um paralelo, ainda, utilizando-se da própria divisão institucional:

O lema da polícia no mundo sabe qual é? Servir e proteger. Agora, qual o papel da polícia? O que o Governo me impõe, é o que a política me impõe. E outra coisa: o policial não se acha policial se ele não tiver combatendo. Isso é uma construção que ele faz antes de entrar pra polícia. Por isso que em 2007 todo mundo queria ser do BOPE, a partir do filme ‘Tropa de Elite’. Mas mesmo antes até, quando você vê naqueles filmes policiais americanos, como é o policial? Grosso, violento. E por isso que eu falo do BOPE porque por incrível que pareça é a unidade que menos mata e ele só sai pra combater. Isso acontece porque ele sabe o motivo dele sair do quartel.

Ele tá preparado para aquela missão. Ele é pontual, terminado aquilo ele volta, retrai.

Ele não vai sair também pra dar um susto no garoto que tá na praça fumando maconha, pra outra que precisa de ajuda pra atravessar a rua movimentada. Ele é “pá-pou”. Tem mais tempo pra treinar, atua em ações coordenadas, além de ser mais bem treinado (Coronel Firmino, negro).

Dito de outro modo, a problemática da concentração em atividades cujo objetivo é a realização de prisões em flagrante e apreensão de armas e drogas é que elas reforçam a condição de seletividade sobre um campo restrito de tipos criminais, em sua maioria, os patrimoniais e àqueles ligados ao comércio de drogas ilícitas, bem como sobre pessoas com um perfil social específico: homens jovens, negros e moradores de regiões favelizadas. Neste contexto, Mena (2015, p. 23) aponta que, no Brasil, a prevalência do flagrante em detrimento das investigações produz uma distorção que é própria também da ineficiência da divisão do trabalho policial.

Afirma que enquanto a Polícia Militar volta suas ações à prevenção e ao patrulhamento, à Polícia Civil cabem as investigações; atividades encaminhadas, no entanto, com uma troca de informações mínima entre as organizações envolvidas. Entende a autora que “a simples criação de bancos de dados conjuntos revelou-se uma epopeia”.

Por tudo isso, Luiz Eduardo Soares (2015, p. 29) não hesita em dizer que as estruturas organizacionais das polícias e as políticas em jogo conformam-se como alguns dos elementos fundamentais à definição das escolhas orientadas de suas ações.

Se o flagrante como expediente exclusivo de ação policial no campo da persecução criminal submete a aplicação da lei a um crivo seletivo muito peculiar, o recurso à lei de drogas submete o princípio constitucional elementar, a equidade, a refrações de classe e cor. E assim o acesso à Justiça revela-se uma das mais impiedosas e dilacerantes desigualdades da sociedade brasileira.

Ainda que seja esta uma discussão que ultrapassa os limites pretendidos nesta pesquisa, cabe salientar que a grande maioria dos crimes que são executados hoje, no Brasil, por via do flagrante delito é apenas homologada pela justiça brasileira. A justiça, em casos de flagrante

não julga, ela homologa aquilo que foi encontrado pelo PM em sua abordagem. Nesta direção, é preciso pensar que a ação de abordagem não se trata apenas de um processo de prevenção, mas significa também um processo de investigação, de julgamento e, ainda, de execução penal.

Se hoje entendemos que o nosso sistema penitenciário é atravessado pela mesma seletividade que estrutura a sociedade brasileira, podemos inferir, de igual modo, que os processos de prevenção contribuem de maneira preponderante para o modo como o sistema penitenciário opera hoje (BICALHO, 2016).

Em suma, a polícia que circula pela cidade é também aquela proibida de investigar.

Assim, como a maior parte das prisões decorre dos flagrantes – por razões já levantadas – os crimes que compõem o foco de ação da instituição policial-militar, ao que tudo indica, são aqueles passíveis de prisão em flagrante, ou seja, patrimoniais e vinculados ao comércio de drogas ilícitas. Desta forma, o que podemos supor é que há uma intrínseca relação entre um policiamento interessado nas abordagens, cujo objetivo, de maneira geral, é a realização de prisões em flagrante e a prisão de pessoas ligadas a um número restrito de tipos criminais.

(SOARES, 2015). Portanto, o que o exame desta questão sugere é que há um crivo seletivo não somente nas ações de polícia, mas, por conseguinte, nos perpetradores.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 97-103)