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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Afinal, por que não analisar outros aspectos que se cruzam com as experiências trans? 5 Voltaremos à discussão desse aspecto posteriormente neste estudo no segmento “Representações de pessoas trans em textos acadêmicos”.

Transparentalidade ou parentalidade de pessoas trans?

Os primeiros estudos acadêmicos brasileiros que enfocam especificamente o tema da parentalidade de pessoas trans a partir de diferentes abordagens surgiram durante a primeira década do século XXI. Portanto, vale a pena refletir sobre que tipos de experiências parentais de pessoas trans estão sendo levadas em consideração quando esse termo é utilizado na perspectiva apresentada nestes artigos.

Aproximação da temática da transparentalidade

Afinal, na altura em que vi o referido documentário, eu ainda, sem me aperceber, tinha uma forma de compreender o mundo fortemente influenciada pelo conceito de binarismo de género. Não demorou muito para que me deparasse com outros casos semelhantes de quebra de lógica binária na prática da transparência: quando participei de grupos de discussão em plataformas virtuais, como aplicativos de WhatsApp e Facebook, encontrei diversos relatos de mulheres trans, que se autodenominavam como - País‖.

Metodologia

Tais registros consistem em textos, fotos e vídeos publicados em redes sociais online, como Facebook e YouTube, livros autobiográficos, documentários, entrevistas, aparições em talk shows televisivos e discursos em conferências, nos quais três mulheres trans e seus familiares fazem relatos. de suas experiências e percepções de mundo em relação à questão da parentalidade dessas mulheres trans. Levando em conta tudo o que foi exposto até aqui, definimos o objetivo geral: investigar como a transparência das mulheres trans pode se constituir no contexto brasileiro, a partir da análise de registros disponíveis publicamente sobre as experiências parentais dessas mulheres trans.

Desafios e considerações éticas

Representações de pessoas trans em textos acadêmicos

Tal pensamento resulta num estigma que caracteriza as pessoas trans não apenas como absurdas, pecadoras, doentias e criminosas, mas também como perigosas e exóticas. Assim, embora pretendam aproximar-se das pessoas trans e procurem abordar os processos de patologização e estigmatização destes sujeitos numa perspectiva crítica, estes primeiros estudos recriam invariavelmente uma ligação entre o tema das experiências trans e temas desmoralizantes.

Pessoas trans e lugar de fala

As produções literárias e acadêmicas feitas por pessoas trans sobre suas experiências e transições trans no Brasil começaram a se desenvolver no final do século XX, mas principalmente a partir do início do século XXI. É comum que grande parte dos trabalhos literários e acadêmicos de pessoas trans com temas de experiências trans e outros temas que se cruzam tenham um caráter intimista, pois tais autores costumam usar narrativas de suas próprias experiências para traçar temas norteadores. dos seus textos.

Cisheteronormatividade Compulsória, ou Cisheteronorma

É importante ressaltar que, segundo a seis heteronorma, o corpo humano terá um gênero que lhe é atribuído a partir da análise de uma característica específica: a morfologia da genitália externa, que é facilmente observada após o nascimento de um ser humano. ser. pode ser. ... Já neste momento da vida, porém, uma falha inaceitável pode ser encontrada devido à cisheteronormatividade obrigatória: a hipótese de que o embrião ou recém-nascido tem genitália ambígua.

A Polissemia dos conceitos Sexo e Gênero

Com base na reflexão e crítica realizadas a diversas autoras feministas que se debruçaram sobre o tema da diferença entre homens e mulheres, Judith Butler (2015) afirmará que os corpos são sexualizados, generificados e racializados, e proporá uma compreensão de género que não é assim. muito parecido com uma característica possuída por um sujeito, mas como uma performance repetida no dia a dia. Partir da prerrogativa de que toda perspectiva é um discurso é dizer que é uma construção social.

Transfobia

Portanto, a mera existência de uma pessoa trans, a partir desse discurso, configura-se como uma modalidade de existência incompatível com uma família, o que está diretamente relacionado ao fenômeno da invisibilidade das experiências parentais de pessoas trans, abordado na tese de Mônica Angonese (2016). Em última análise, a transfobia reside na discriminação de experiências que de alguma forma escapam à cisnormatividade; na persistência da exigência de conformidade com todos estes estereótipos cisnormativos de género; no desprezo pela identidade de género de uma pessoa trans que não se comporta de uma forma que corresponda a todas estas expectativas decorrentes de uma lógica cisheteronormativa obrigatória.

Transfeminismos no Brasil

Um exemplo de transfobia em relação à paternidade é não reconhecer o direito de uma pessoa trans de ter filhos ou respeitar a maneira subjetiva como a pessoa trans vivencia sua paternidade. Portanto, a importância de trabalhos como o de Viviane Vergueiro (2015), onde é apresentada uma reflexão mais profunda sobre o conceito de cisgeneridade, a partir da qual é possível compreender, em diálogo com o que é defendido neste estudo, que os padrões de normatividade de uma sociedade cisnormativa aplica-se a todas as pessoas que nela vivem, independentemente do seu sexo, género e sexualidade. O ato de nomear a cisgeneridade é o ato de partir de uma perspectiva que aponta como a cisgeneridade é tão construída socialmente quanto o transgenerismo.

Neste sentido, também não é uma manifestação doentia, inadequada ou falsa de uma identidade de género. A partir dos pressupostos da dissertação de mestrado de uma de nossas interlocutoras, Letícia Lanz (2014), os sujeitos se identificam com um gênero e passam a conviver em sociedade para repeti-lo no dia a dia. E o processo de identificação não é uma escolha, mas um processo de perceber a existência de um padrão de comportamento como fundamental para a manutenção do bem-estar, bem como de buscar a manutenção desse padrão.

Em alguns casos, as agências serão verificadas num sentido próximo à proposição de ação de Saba Mahmood (2006), o que é possível dentro do contexto em que estão inseridas, em que a cisheteronorma se repete estrategicamente.

Uma breve reflexão sobre as noções de famílias

É com base em questões sobre o significado da família e dos modelos utilizados para legitimar os arranjos sociais entre os indivíduos e a subjetividade dos desejos apresentados por eles que Marilyn Strathern (1995) descreve casos de mulheres na Grã-Bretanha que nunca tiveram relações sexuais, e como elas buscaram a maternidade por meio da fertilização assistida justamente para evitar a necessidade de relações sexuais. Além destas questões levantadas por Marilyn Strathern (1995), muitas outras podem ser acrescentadas: Uma criança deve ter uma mãe. Uma criança não pode ter mãe ou pai que seja ou tenha falecido.

Essas pessoas têm que se adaptar a algumas demandas externas para que consigam alcançar o que exigem. Independentemente do que afirmem ou por que motivo esses sujeitos fazem determinadas exigências, a partir das reflexões sugeridas por Judith Butler (2003), é possível questionar: é necessário que tais pessoas queiram os desejos do Estado para que possam satisfazê-los ou pelo menos legitimar qualquer uma de suas demandas. É preciso antecipar que sujeitos específicos façam exigências específicas para que sejam permitidas, legitimadas e cumpridas.

É importante perceber quais as reivindicações que são feitas por estas entidades, especificamente por estas mulheres que praticam a parentalidade.

Transparentalidades: vivendo e fazendo família para além da abjeção

A autora destaca o facto de os direitos das pessoas trans à saúde reprodutiva estarem a ser negligenciados ao ponto de estar a ocorrer o que ela chama de “esterilização simbólica” da população trans. Nos casos em que pessoas trans e travestis são submetidas à cirurgia de redesignação sexual, a retirada das gônadas promove infertilidade. Como se não bastassem todos esses aspectos acima mencionados, são inúmeros os processos de “esterilização simbólica” (ANGONESE, 2016) que resultam do péssimo tratamento recebido pelas trans e travestis que procuram os sistemas de saúde.

Simultaneamente a tudo isso, segundo Mônica Angonese (2016), todos os tipos de atitudes transfóbicas a que as pessoas trans são submetidas enquanto planejam ou exercem suas experiências parentais podem ser consideradas práticas de “esterilização simbólica”. Por outro lado, no que diz respeito à transgressão, defende que as pessoas transgénero também expressam um desejo de reconhecimento e legitimação das suas experiências de vida que se desviam das normas hegemónicas, mais especificamente daquelas que regulam as experiências de género. Como se diz, parece que o processo de transição de género das pessoas trans que têm filhos se dá de tal forma que a pessoa trans tenta necessariamente reintegrar-se na lógica binária de género, e fá-lo de forma simples, imediata, objectiva. .

Ou os seus autores assumem involuntariamente uma perspectiva a priori de que todos os contextos que envolvem pessoas trans são, até prova em contrário, “um arranjo não baseado no binarismo de género”.

DISCUSSÃO DOS CASOS DAS INTERLOCUTORAS

Letícia Lanz

A mãe de Letícia foi pouco citada e geralmente lembrada por repreender as transgressões de gênero de nossa interlocutora com violência física e psicológica. É também a partir deste momento que ela decide contar aos filhos sobre a sua identidade de género. Sua maior preocupação em revelar sua identidade de gênero era a possibilidade de afetar negativamente sua esposa e filhos.

A falta de apoio para que o casal permaneça junto apesar da transição de género da nossa interlocutora é algo que a afecta há anos. Diante desta apresentação da trajetória de vida e construção da identidade de gênero de nossa interlocutora Letícia, passamos à apresentação de suas experiências parentais. Nessa lógica, a transição de gênero de Letícia estaria fortemente ligada a possibilidades de mudanças simbólicas radicais.

Nossa interlocutora ensina ativamente seus netos a chamá-la pelo rótulo de avô, conforme leitura de gênero feita pelos filhos de Letícia.

Figura 01 – Letícia Lanz (à direita) e sua esposa Angela (à esquerda)
Figura 01 – Letícia Lanz (à direita) e sua esposa Angela (à esquerda)

Sara York

Então, o que eu estou dizendo é: fuga, ou esse “eu sou isso” ou “eu sou isso” acelerado já foi discutido pelo Michel Foucault, né. E acho que esses dois pontos, ser “travesti na educação” e “da educação” vão ressoar de uma forma análoga ao que costumamos dizer quando você diz “sou uma mulher das artes” ou “sou um homem de história" ou "Eu sou uma feminista negra". Sara fica em silêncio novamente, demonstrando que está procurando por palavras] Quando ela disse: "Estou grávida", a primeira coisa que pensei foi: "Você vai abortar.

Não me lembro de um dia ter pensado: “Nossa, que sorte eu tenho de ter um filho”; Pensei, mas também não pedi para meu filho me chamar de “mãe”. Vê se você pode me ligar aqui no Brasil?” e quando eu ligo a pessoa atende o telefone e diz “Alô” e eu digo “Alô”. Outro dia ele disse que não via a hora de ir para academia comigo, ‘pai e filho, duas pessoas’ e eu disse ‘você viaja’.

Sara aproxima seu smartphone da câmera e mostra na tela a imagem de um aplicativo de bate-papo onde ela está conversando com o filho, que lhe envia a imagem do símbolo de um coração] E ele diz: "Eu te amo pai, eu amo você‖.

Figura 03 – O encontro entre Sara (à esquerda) e Elza (à direita)
Figura 03 – O encontro entre Sara (à esquerda) e Elza (à direita)

Leonora Áquilla

Imagem

Figura 01 – Letícia Lanz (à direita) e sua esposa Angela (à esquerda)
Figura 02 – Letícia cercada por sua família e amigos
Figura 03 – O encontro entre Sara (à esquerda) e Elza (à direita)
Figura 04 – O reencontro entre Sara e seu filho Victor
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Referências

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