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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O objetivo da pesquisa foi verificar como aconteceu a criação do Memorial e Museu de Severina Paraíso da Silva no Terreiro, desde que a ideia nasceu; Quanto à história do grupo e à formação do museu, o relato aqui apresentado é um discurso sobre a fala do grupo, uma vez que não presenciei o processo de criação do museu e do memorial.

O Candomblé: religião de preservação do patrimônio cultural

Segundo ele, essas religiões não podem mais ser incluídas na categoria de “..religiões para a preservação do patrimônio cultural dos ex-escravos africanos e seus descendentes” (1996, p.11). A criação do Memorial e Museu Severina Paraíso da Silva teve como objetivo contar a história da banda, não só aos fãs mais jovens, mas também à sociedade.

A Posição do negro na sociedade brasileira

Um grupo religioso que, por sua associação com pessoas negras, era visto como marginalizado e excluído da sociedade. Um grupo só pode efetivamente estigmatizar outro quando está bem instalado em posições de poder das quais o grupo estigmatizado é excluído (ELIAS; SCOTSON, 2000, p.23).

O Patrimônio cultural

Aloísio e seus seguidores utilizaram uma nova estratégia para narrar a identidade nacional brasileira e outra concepção de patrimônio cultural (GONÇALVES, 1996). Existem também vários atores envolvidos neste processo de construção do património cultural.

O Patrimônio cultural afro-brasileiro

Outro aspecto da importância do trabalho de Nascimento foi a introdução de uma dimensão simbólica na política africanista. Cunha explica que: “A etnia era vista como um obstáculo à formação da nação moderna, e o chamado ‘tribal’ era acusado de dificultar a sua construção” (2009, p. 236).

O Museu e suas transformações

De forma semelhante, os museus seguem o mesmo caminho, com o objectivo de responder às novas exigências de uma sociedade cada vez mais inclusiva. A ideia de colocar os museus ao serviço do desenvolvimento social e não como espaço privilegiado para determinados grupos nem sempre foi uma preocupação.

O Museu Comunitário como forma de visibilidade

O Museu Severina Paraíso da Silva foi criado com a participação ativa de integrantes do grupo que, por meio da preservação e divulgação de seu patrimônio cultural, estabelecem sua identidade cultural. As casas de candomblé, quando criam seus espaços de memória ou memoriais, também o fazem com o objetivo de dar visibilidade ao grupo, ou seja, de se situar na sociedade, como o Museu Severina Paraíso da Silva e também a Comunidade Mãe Mirinha i Porta Museu no Terreiro de São Jorge Filho da Goméia, localizado em Lauro de Freitas, Bahia.

O Terreiro da Nação Xambá conforme apresentado pelo grupo

O site informa ainda que o babalorixá Artur Rosendo Pereira, que veio de Alagoas para Pernambuco e iniciou a criação do Terreiro de Santa Bárbara,. Na Nação

A História da Nação Xambá e do surgimento do Terreiro

Entre os que abriram seus terreiros está Maria das Dores da Silva, fundadora do Terreiro de Santa Bárbara Ylê Axé Oyá Meguê. Desde então, tem havido uma cerimônia de louvor todo dia 13 de dezembro ao meio-dia, e às vezes há uma cerimônia de “toque” no mesmo dia. Após sua morte, ocorreu um processo seletivo e Severina Paraíso da Silva, mais conhecida como Mãe Biu, assumiu como sua sucessora.

A Mãe-de-Santo Severina Paraíso da Silva (Mãe Biu) - a segunda

A importância atribuída a Mãe Biu dentro do grupo se deve principalmente à sua preocupação constante em garantir um lugar de moradia para os adeptos do terreiro. Quanto à importância de Mãe Biu para o grupo, a questão do espaço construído está presente, não apenas social, mas física. Essa atitude de Mãe Biu remete, por exemplo, ao tema do “quilombismo”, um dos pressupostos criados por Abdias Nascimento para definir o patrimônio cultural dos negros.

O Memorial e o Museu Severina Paraíso da Silva

Afirma que eles aparecem como a encarnação do axé, a força da casa; No Terreiro Xambá, Mãe Biu era a força poderosa que estava diante de seu grupo. Como João já havia estudado história, percebeu que a presença de Mãe Biu nesta conferência seria importante para a casa. Talvez tenha sido por isso que ele foi um dos que escolheu Ivo, o babalorixá da casa e filho de Mãe Biu, para projetar o Museu Severina Paraíso da Silva.

Os Criadores do Memorial e do Museu: Hildo Leal da Rosa, Antônio

Os idealizadores do museu se enquadram em duas dessas categorias, pois eram simultaneamente acadêmicos e gente-de-santo e, curiosamente, nenhum dos três é Candomblé desde o nascimento. Albino explica como o processo de criação do museu começou após a morte de Mãe Biu, em 27 de janeiro de 1993. Segundo Hildo, três meses após a morte de Mãe Biu, Ivo passou para ele as fotos, documentos e alguns objetos. coleção e ele os guardou por todo esse tempo.

Visitasao memorial e ao museu

Percebemos que os integrantes do grupo não frequentam o museu, segundo Hild “..muitos foram ao museu só no dia da inauguração e nunca mais”. No dia desse “toque” (29 de maio de 2011), os integrantes do grupo foram chegando aos poucos, outros já estavam na casa, mas nenhum deles subiu ao museu. Muitas das visitas que ocorreram foram de pessoas de fora do terreiro, e não de apoiadores do grupo.

Questõesobservadas

O Grupo e seus intelectuais “orgânicos”

A comunidade do Terreiro de Santa Bárbara Geralmente, posições de destaque na comunidade são ocupadas por membros da mesma família. Por exemplo, no terreiro Santa Bárbara Xambá, o secretário e um dos idealizadores do museu e memorial é acadêmico e ocupa posição de destaque na organização.

A autenticidade e a pureza da tradição

Segundo sua declaração, o terreiro Mãe Biu é um dos que permanecem na linha antiga, ou seja, um dos que mantém a tradição inalterada. No terreiro de Santa Bárbara, a questão das práticas rotuladas de feitiçaria e feitiçaria não aparece como argumento de impureza, ao contrário das práticas puramente africanas. Atualmente, o Terreiro de Santa Bárbara da Nação Xambá está aberto a pesquisadores e já existem alguns trabalhos sobre ele.

O lugar do Terreiro na cidade

O processo de criação do Museu Mãe Biu também foi longo por outros motivos e levou vários anos para se concretizar. Nesse sentido, vale a pena considerar os espaços arquitetônicos do Terreiro de Santa Bárbara – Xambá e do Museu Severina Paraíso da Silva nele incluídos, para ver como essas diferentes atividades convivem dentro de um espaço maior, o terreiro. Antes da subida, há uma porta de acesso a um depósito embaixo da escada, onde ficam guardados itens que não estão expostos, como as roupas de Mãe Biu.

No Museu do Negro do Rio de Janeiro, estudado por Paiva (2009), pode-se observar o que Gonçalves chamou de relação ‘cotidiana’ com os objetos museológicos e não uma relação museal (exposição/apreciação), em que os objetos que são não são inertes. No caso do Museu Severina Paraíso da Silva, sua criação gerou um sentimento de comunidade e pertencimento, de modo que cada integrante do grupo doou os objetos que possuía e considerava importantes para o museu.

O Conjunto Arquitetônico do Terreiro de Santa Bárbara – Xambá

Os Espaços físicos do terreiro

Espaço sagrado e espaço profano

Em alguns lugares essa casa dos mortos desapareceu, mas no Recife ela permanece com o nome de “sala de balé”, e a casa dos deuses ou orixás é o peji (2001, p. 79). No terreiro Santa Bárbara – Xambá não existe um posto central chamado por Bastide, mas existem espaços “sagrados”: a sala dos orixás, o peji, essencial em todo terreiro, a sala da Jurema e a sala do balé, que não ficam no terreiro Hora de Mãe Biu. Assim a sala de balé faz a mediação com o outro mundo e com os ancestrais que nela habitam.

O local do museu no Terreiro e sua etnografia

1 – acesso pela escada 2 – fotos na parede 3 – vitrine grande aberta 4 – vitrine fechada de Mãe Biu 5 – vitrine fechada de Mãe Tila 6 – instrumentos musicais 7 – pilão de madeira 8 – chapeleiro. Encostada à parede há uma prateleira estreita, que expõe pequenos objetos, como bugigangas da Mãe Biu. O “trono” de Mãe Biu é um objeto que merece destaque especial, por ser emblemático do grupo.

O espaço em dia de festa

Na parte de trás do “trono” havia uma capa sobre o assento, e no topo uma espada e uma coroa ornamentada; em frente ao trono, uma almofada de cetim rosa bordada com a figura de uma coroa (foto 13). As cores de Oyá/Iansã são o branco e o rosa, mas os integrantes do grupo podem usar as cores de seus orixás; depois havia mulheres com roupas rosa, amarelas e azuis. A mesa do bolo, localizada na sala a ele dedicada, foi coberta com uma toalha rosa com uma toalha de renda por cima.

O espaço do Terreiro na sociedade

O Terreiro como espaço quilombola urbano

O título de Quilombo Urbano surgiu da criação de políticas de valorização das populações “afrodescendentes”, num momento de valorização das múltiplas identidades existentes no país. Nesse sentido, os “remanescentes de quilombos” foram definidos como grupos sociais cuja identidade étnica os distingue do resto da sociedade. A definição de Quilombo Urbano já pressupõe autenticidade “não aurática”, com a teoria de Gonçalves (1996), uma vez que não a exige.

Polo Afro Xambá

Outro espaço de destaque é o Polo Afro Xamba, organizado pelo grupo Bongar, que acontece no Carnaval. Concluindo, a notícia diz que Varejão havia dito que a Secretaria do Patrimônio e Cultura implantou o Polo Afro Xambá como forma de reconhecer o simbolismo de Mãe Biu para a cidade. Mas o que se deve ter em mente é que através dos objetos é possível aprender mais sobre o grupo.

Os objetos materiais nas Ciências Sociais e nos museus

Contudo, “..o caráter ativo que os objetos materiais podem assumir, influenciando decisivamente a vida individual e coletiva” (GONÇALVES, 2009, p.67) não foi observado. Os objetos remetem a uma memória, mas por se tratar de um fato milagroso, ou seja, extraordinário, assumem um poder “sagrado”. No Museu do Negro do Rio de Janeiro, estudado por Paiva (2009), os objetos expostos são considerados “sagrados” pelos visitantes, católicos devotos e seguidores de religiões afro-brasileiras.

O poder dos objetos

Este é um exemplo claro de que a relação entre os objetos expostos nos museus e o público nem sempre acontece da forma planejada pelos organizadores das exposições. Este “desaparecimento” também ocorre com objetos que ficam expostos em um espaço da igreja, próximo à entrada, onde estão expostos objetos religiosos trazidos pelos fiéis. A coroa e o cetro de prata, por exemplo, estão entre os objetos mais importantes associados ao Divino Espírito Santo e servem simbolicamente para coroar os devotos que fazem promessas ao Divino.

O Trono de Mãe “Biu”

Além do empoderamento do grupo, com a visibilidade do Terreiro, a criação do Museu trouxe outros benefícios. A ideia da criação do museu partiu do babalorixá Ivo, que pediu ajuda a alguns integrantes do grupo e assim foi criado, com o objetivo, antes de tudo, de. Durante a pesquisa nos preocupamos em observar o público-alvo do museu e, surpreendentemente, descobrimos que os integrantes do grupo só visitavam quando havia alguém novo no local.

Referências

Documentos relacionados

Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Doutor em Direito pela Universidade