Maquinaria e grande indústria: a inserção das mulheres no mercado de
Mulheres e patriarcado
Mulheres e história do Brasil: que história?
Neste regime, as mulheres são objecto de gratificação sexual dos homens, produzindo herdeiros, trabalhadores e novos procriadores. Pensar a história das mulheres no Brasil é pensar essas mulheres na formação econômica e social do país, é pensar como sua história foi negada e, portanto, invisibilizada.
Feminismo ou feminismos?
É por isso que é importante pensar nesta aparente contradição: como podemos aumentar a denúncia e ao mesmo tempo manter a invisibilidade da violência doméstica contra as mulheres. A lei Maria da Penha não atinge a realidade histórica das mulheres, embora em certa medida consiga, sem dúvida, dar voz à violência doméstica contra as mulheres de uma forma que não existia no Brasil até então. Pode-se dizer, portanto, que a visibilidade da violência doméstica contra as mulheres no Brasil tem duas características fundamentais.
A segunda característica da violência doméstica contra as mulheres no Brasil é que ela é uma violência contraditória, mas invisível.
Feminismos no Brasil: ondas, fases e a temática da violência doméstica
A partir de então, a questão da violência contra as mulheres passou a ser estudada no contexto das relações de género. Foi nesse período que a luta política por políticas públicas de combate à violência contra as mulheres começou a tomar corpo. A partir desse momento, a violência contra a mulher não só ganhou visibilidade, mas também passou a ser objeto (ainda que de forma falha) das políticas públicas brasileiras.
Em relação à violência contra as mulheres, o ganho mais importante da década de 1980 foi a implementação de uma rede de DEAMs.
Feminismos brasileiros na contemporaneidade
Feminismo Radical
Segundo (OPPEN,s/d), diferentes conceitos de patriarcado originaram-se do feminismo radical. Nesse sentido, o feminismo radical tenta se afastar do feminismo liberal e ao mesmo tempo busca respaldo teórico no marxismo. A contribuição do feminismo radical é que ele considera a opressão das mulheres no seu radicalismo e busca essa raiz, que para as feministas radicais está no patriarcado;
O feminismo radical sustenta que as mulheres, como classe social ou grupo social, são oprimidas pelos homens.
Feminismo Liberal
Esta relação alarga-se quando as mulheres saem de casa17 para o mercado de trabalho, criando mais uma contradição na vida familiar moderna. A manutenção da autoridade patriarcal apoiada na ideologia do chefe de família masculino seria ameaçada pelas necessidades económicas da família (única razão) que determina que as mulheres trabalhem fora de casa. Quando a mulher sai para trabalhar e se afasta do espaço do trabalho doméstico, estabelece-se uma relação de ausência, configurada no duplo papel que a mulher assume no seio da família: esposa e mãe.
Esse duplo papel, que dentro do processo de individuação moderno - repleto de liberdade formal que incentiva a busca pelos familiares e pela própria individualidade - coloca a mulher no papel de mediadora dos conflitos familiares, pois ao mesmo tempo em que a mulher busca a autonomia, ela são responsáveis pelo bem-estar da família (MAGALHÃES, 2005).
Feminismo Marxista
Assim, dadas as condições criadas de hierarquia e dominação, a causa histórica da emancipação das mulheres não pode ser alcançada sem ser afirmada. Nestes termos, as feministas marxistas tentaram compreender como a luta das mulheres se relaciona com a luta mais geral, sem perder de vista as suas reivindicações específicas, que são uma razão permanente de luta. Assim, a emancipação política das mulheres é, como já foi mencionado, limitada, tal como a emancipação política de todos.
É esta compreensão que faz com que o feminismo marxista compreenda a importância da emancipação política das mulheres com base nas relações sociais de género e, ao mesmo tempo, compreenda a luta pela emancipação humana, mas sem esquecer a dinâmica do capital e a sua capacidade de se reorganizar para salvar . domínio da exploração.
Feminismo Negro
Neste sentido, a luta antirracista das mulheres negras é indissociável das relações de classe e de género baseadas na dialética que existe entre estas categorias, uma dialética que vários feminismos não têm apontado ou discutido, dadas as suas próprias origens de classe e étnico-raciais. Esta foi e continua sendo uma tarefa das mulheres negras: pensar e lutar dialeticamente para promover a reflexão sobre a opressão que as mulheres negras sofrem. O feminismo negro precisa então pensar em questões que se articulam dialeticamente20 no cotidiano de mulheres e homens, pensar em como essas lutas se articulam à luz da questão das mulheres negras.
A luta das mulheres negras, como uma luta que precedeu mas estava ligada ao feminismo, não é uma luta separada das relações de classe e de género.
Interseccionalidade e Consubstancialidade
A análise de Kergoat permite-nos pensar género, raça e classe a partir de uma dinâmica que muda mas permanece a mesma, na medida em que persegue a dinâmica das relações sociais e não a sua mudança estrutural. Permite-nos pensar nas categorias acima referidas em termos de um contexto e de um modo de produção e, em seguida, indica os limites e possibilidades colocados nas relações sociais. A consubstancialidade é assim pensada a partir das relações sociais que se dão na sua concretude dentro de uma determinada sociedade e contexto.
Kergoat explica que não podemos pensar que “[..] as relações sociais de classe se inscrevem exclusivamente na instância econômica e as relações patriarcais na instância ideológica, p. 403), mas que esses exemplos se articulam entre si para formar relações sociais.
Violência contra mulheres
Não podemos negar que a violência contra as mulheres afeta a integridade da saúde feminina (física e psicológica) e, ao mesmo tempo, não podemos perceber as mulheres em partes isoladas (afetadas separadamente). Mas é preciso distinguir o que é a violência doméstica e a violência contra a mulher, como se processam e como se concretizam no universo feminino e, de que forma, ambas são fruto da violência de género. Ao afirmar os espaços, os conceitos dimensionam a violência doméstica como uma das formas de violência contra a mulher e não como violência contra a mulher.
Ou seja, a violência doméstica não equivale à violência contra a mulher, mas sim uma das formas de concretização dessa violência, cuja principal característica é ocorrer no espaço privado e no círculo afetivo da mulher, com destaque para sobre o relacionamento conjugal. e tem como explicação para o seu efeito as relações de gênero, ou seja, é a violência de gênero.
Os estudos sobre violência doméstica contra mulheres no Brasil
A violência contra a mulher na família é uma violência social sancionada pela sociedade patriarcal capitalista, porque estamos inseridas nesta sociedade. Portanto, a violência contra a mulher na família também é privada e é uma violência relacionada ao sentimento de posse do outro. Assim, existem diferentes ideias sobre a violência contra a mulher na família e teorias que perduram até hoje dentro dos movimentos feministas no Brasil.
Nessa direção, os estudos de gênero iniciaram-se no Brasil com forte tendência a compreender a violência contra a mulher e a violência contra a mulher na família como temas centrais.
Alagoas: mulheres e história
Mulheres indígenas
30 Não entraremos nesta tese sobre a história dos povos indígenas de Alagoas, mas queremos situar as mulheres indígenas em Alagoas com base na violência histórica. Entre as conquistas das mulheres indígenas alagoanas está a fundação do Comitê Intertribal das Mulheres Indígenas de Alagoas em 1997 e oficializado em 2000, que desenvolveu trabalhos em todo o Nordeste brasileiro. A necessidade de uma discussão sobre a violência doméstica contra as mulheres indígenas, dada a escassa informação que temos sobre este tema, torna-se urgente, e não é.
Neste contexto, podemos pensar na invisibilidade da violência contra a mulher no semiárido alagoano, com base também nesta realidade, caso haja dificuldades com os dados sobre a violência doméstica contra a mulher no semiárido alagoano. Quando analisamos as mulheres indígenas do semiárido a situação só piora.
Mulheres negras
A história das mulheres negras de Alagoas também é uma história não contada, uma história invisível, mesmo diante do Quilombo dos Palmares, que também tem origem na violência contra a mulher, já que Palmares tinha a prática de sequestrar mulheres. O mesmo pode acontecer com mulheres negras livres, liberadas, mestiças e até mesmo com mulheres indígenas (SCHUMAHER, 2004, p. 28). Assim, o legado da resistência das mulheres negras permanece em Alagoas através das demais comunidades quilombolas: “Embora o estado de Alagoas seja o segundo menor da federação, atualmente abriga 68 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, divididas em 35 municípios” (ALAGOAS, 2015, p. 13).
A realidade de mulheres negras remanescentes de comunidades quilombolas que sofrem violência doméstica em Alagoas não é uma situação para a qual temos números, embora o Brasil saiba que em termos estatísticos as mulheres negras estão sujeitas a mais violência do que as mulheres brancas, o que discutimos anteriormente.
Uma história da violência contra mulheres e da resistência feminista em
União de Mulheres do Sertão Alagoano (UMSA), cuja mobilização inicial partiu de um grupo de ativistas de Santana do Ipanema (AL); Em 1985, foram formadas duas entidades que se tornariam referência para o desenvolvimento do feminismo no estado: o Centro da Mulher Alagoana (CEMA) e a Associação Alagoana Pró-Mulher” (SCHUMAHER, 2004, p.141). Só em 1992 é que foi desenvolvida uma proposta de “serviço” com o Grupo de Ajuda Mútua (GAM) para ajudar mulheres vítimas de violência. Esse grupo tinha como objetivo ajudar mulheres que haviam feito denúncias na DEAM de Maceió e no Fórum de Entidades Autônomas do Movimento de Mulheres dos Estados Unidos. Alagoas. O que chama a atenção é o fato de essas associações revelarem relações de gênero ligadas às condições de classe, às relações de trabalho e ao pertencimento étnico-racial, mostrando assim a diversidade das mulheres e as diferentes demandas que estavam em pauta naquele dia.
A SEMULHER também deixou de existir e foi substituída pela Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, cuja composição conta com 04 (quatro) supervisões: Fiscalização de Políticas para as Mulheres, Fiscalização de Proteção e Defesa do Consumidor, Fiscalização de Políticas e Direitos das Pessoas. com deficiência e supervisionar políticas de direitos e igualdade racial, seguindo a recente tendência nacional de substituir secretarias estaduais e municipais de mulheres por secretarias de direitos humanos.
O enfrentamento à violência contra mulheres no cenário alagoano atual
Centros de atendimento à mulher em situação de violência (Centros de referência de atendimento à mulher, Centros de atendimento à mulher em situação de violência, Centros Integrados de Mulher), abrigos, abrigos temporários (Casas-de-Passagem), Unidades de centros especializados de atendimento à mulher em esquadras de polícia ( Delegacias ou Delegacias de Atendimento à Mulher), Núcleos da Mulher nas Defensorias Públicas, Promotorias Especializadas, Juizados Especiais de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Centro de Atendimento à Mulher - Ligue 180, Ouvidoria da Mulher, Serviços de saúde voltados ao atendimento dos casos de violência sexual e doméstica, Atendimento Humanizado em aeroportos (tráfico de pessoas) e Centro de Atendimento à Mulher para serviços de apoio a migrantes. 4 Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência - CRAMSV (Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, da Prefeitura de Arapiraca/AL). Em todo o estado de Alagoa existem três centros de referência que oferecem atendimento a mulheres em situação de violência.
Um em Arapiraca, Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência – CRAMSV, vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social e Políticas para Mulheres de Arapiraca. Portanto, é fundamental debater o papel da política de assistência social no enfrentamento e atendimento às mulheres em situação de violência. Nestes termos, hoje não podemos apontar o número real de mulheres em situação de violência ou em situação de violência doméstica.