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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A reforma do ensino secundário no Brasil: uma reforma contratrabalhista do trabalho docente / Vera Lúcia da Costa. O processo de modificações no trabalho docente nas escolas públicas, após a implementação da reforma do ensino médio em curso no Brasil, é o objetivo central desta tese.

O TRABALHO NO SÉCULO XXI

A centralidade da categoria trabalho na pesquisa

Apesar dessa divergência, o autor demonstra o quanto ambos continuam juntos, ainda que de formas distintas, na defesa da centralidade do trabalho. O processo de produção/reprodução social:. uma crítica da teoria do trabalho imaterial. 2005) e Trabalho e o Proletariado no Capitalismo Moderno.

Segue-se, portanto, que este desempenho eficaz do trabalho é semelhante à privação de direitos do trabalhador.” (Idem). Na sociedade capitalista, o valor de uso, produto do trabalho concreto, avança na desconstrução do ser social e não serve mais para satisfazer as necessidades deste ser.

Trabalho docente: a produtividade de um trabalho improdutivo

Dessa forma, a existência do trabalho produtivo fica limitada à esfera da produção, pois é somente no processo de produção eficiente que se produz mais-valia e, portanto, capital (COTRIM, 2009. . p.32-33). Assim, as circunstâncias estabelecem que esta determinação se torna uma característica marcante do trabalho produtivo no sentido económico, pois torna-se sobretudo colectivo e limitado à esfera da produção. Em nossa avaliação, Lessa estabelece uma ambiguidade sobre o caráter produtivo do trabalho docente na esfera privada, pois o identifica como produtivo, mas isso.

Parece-me, portanto, um erro tentar compreender o significado do trabalho na educação através da polarização entre trabalho produtivo e trabalho improdutivo. Portanto, a polarização entre trabalho produtivo e trabalho improdutivo é insuficiente para compreender a natureza do trabalho na educação. Quanto à rejeição da polarização entre trabalho produtivo e improdutivo como critério adequado para a categorização do trabalho docente nas escolas públicas, o próprio Saviani formula a resposta à contestação de suas ideias, com base no inédito Capítulo VI de O Capital, onde Marx a presença do modo de produção capitalista também no domínio da produção imaterial.

O ESTADO NA SOCIEDADE CAPITALISTA CONTEMPORÂNEA

As funções do Estado capitalista e sua ampliação subordinada à lógica mercantil

  • A ampliação subordinada do Estado capitalista
  • O alargamento das funções do Estado capitalista
  • O bloco histórico neoliberal e o Estado servidor

Aponta que a função política do Estado burguês era uma necessidade que também se intensificou para mitigar a luta de classes. Atividades que se enquadraram num processo de valorização do capital e também passaram a fazer parte do novo perfil do capitalismo monopolista com suas funções ampliadas. Assim, se para Mandel houve um processo de intervenção estatal na economia na fase tardia do capitalismo que se limitou à “estimulação, inflação e subsídios”.

Portanto, entendemos que, sendo o modo de produção capitalista um enorme conjunto de contradições, necessita do Estado como elemento importante para gerir suas crises. Estas foram organizadas com base nas novas funções do Estado capitalista nos territórios nacionais sujeitos a uma hegemonia. Este papel do Estado foi decisivo para acabar com a crise e abrir um novo ciclo de acumulação.

Fundo público, políticas públicas e a relação de exploração da força de trabalho no

Justifica-se, portanto, a necessária análise desta categoria em relação ao objeto de nossa pesquisa, pois sua centralidade enfatiza cada vez mais a interferência que a apropriação de recursos públicos acarreta no processo de produção e reprodução social. Com o crescente papel central do fundo público na produção e reprodução do capital, o Estado passa a ser muito mais intensamente contestado para garantir as condições gerais de produção e gerir a crise, além das suas funções repressivas e integradoras (ou de legitimação). , cuja importância permanece decisiva. Em tempos de intensificação da hegemonia neoliberal, o fundo público acaba por expandir ainda mais as suas funções para garantir a expansão da produção e reprodução do capital.

Fica também claro que a tendência do rumo político da composição e alocação do fundo público é favorecer abertamente a hegemonia dos segmentos de capital78, o que se acentua ainda mais com a crescente primazia do capital financeiro (LENIN, 2011) e a globalização disso. (CHESNAIS, 1996). No mesmo movimento, o fundo público atua na reprodução extensiva do capital e do trabalho, que constituem causas contraditórias para a queda da taxa de lucro (BEHRING, 2021, p. 91). Fenômeno em que a alocação de recursos públicos regula o processo e auxilia no alinhamento do Estado à lógica do capital.

CAMINHOS E DESCAMINHOS DO ENSINO MÉDIO NO BRASIL

O ensino médio entre o pragmatismo e a lógica mercantil

Também inovações quanto ao âmbito e carácter do nível do ensino secundário, definindo a responsabilidade do Estado em procurar “o alargamento progressivo do ensino secundário obrigatório e gratuito” (artigo 208.º, ponto II). O que na verdade acabou por formalizar a dualidade do ensino secundário e ser um divisor de águas na disputa pela identidade desta etapa do ensino escolar. A partir do DKNEM/1998, foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), cuja natureza é instrutiva e que foram distribuídos com as especificações e conceitos gerais do DKNEM/1998, representando, como afirmou Borba (2011), a ação mais significativa na reforma do Ensino Médio no período.

Foi através deste decreto que se estabeleceu uma identidade para este ciclo do ensino escolar com possibilidade de ensino secundário integrado. Contudo, o relatório final sobre a tramitação do PL n apresentou algumas alterações, como a necessidade de uma reformulação do currículo do ensino médio de acordo com as áreas de conhecimento. O MEC publica os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). para cada área/disciplina Parecer 16/99.

Tabela 1 Ensino Médio e Educação Profissional Técnica de Nível Médio – Cronologia dos      marcos normativos e ações do poder executivo federal – 1931/2018
Tabela 1 Ensino Médio e Educação Profissional Técnica de Nível Médio – Cronologia dos marcos normativos e ações do poder executivo federal – 1931/2018

O neoliberalismo e os impactos no ensino médio

  • A era FHC
  • A era petista

Dessa forma, teve impacto profundo nas condições de exercício do ensino primário e, consequentemente, no trabalho docente. Segundo Vieira (2012), antes dessa aprovação, “não existia legislação nacional que definisse a igualdade salarial para os profissionais do ensino fundamental público no Brasil. 100 De acordo com a última pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), de 2016, e o artigo de Jacomini, M.

A instituição do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que, através da promulgação da Lei nº, reúne dezenas de programas que abrangem o ensino primário – incluindo as suas fases e modalidades – e o ensino superior. O chamado Plano de Desenvolvimento da Educação, apresentado ao país em 15 de março de 2007, foi lançado oficialmente em 24 de abril, simultaneamente à promulgação do Decreto nº 6.094, que dispunha sobre o Plano de Compromisso de Todos com as Metas da Educação. Dessa forma tivemos também outro movimento, também liderado pelo TPE, e impulsionado pelo PDE: a consolidação da política de metas e ranking na educação através da imposição de um instrumento que passou a medir o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). )104 .

A disputa pelo ensino médio, o eterno castigo de Sísifo

Encerramos então este capítulo com esta secção, cujo título sublinha direta e sucintamente a saga que se desenrolou ao longo da nossa história nos confrontos sobre a identidade e a função do ensino secundário. Ressaltamos que não pretendemos resumir tudo em uma única palavra, pois as contradições são grandes, e assim nos impedem de definir em um único termo, todo o ziguezague de movimentos de avanços e retrocessos que constituíram a legislação referente à educação no âmbito histórico. limites médios. Contudo, a particularidade desta fase da educação escolar é justamente o que procuramos destacar nesta alegoria do castigo de Sísifo110, dado que na construção da legislação que se refere ao ensino secundário brasileiro identificamos o sinal de instabilidades contínuas, de uma forma tendência ascendente eterna. “na montanha”, que ao contrário da lenda grega, não provém de forças misteriosas, mas de forças sociais inseridas na nossa formação histórica, que tanto na estrutura económica como no sistema jurídico sempre apoiaram os seus interesses de classe.

Entendemos que esta perspectiva é essencial para a compreensão das mudanças pelas quais o ensino secundário tem passado em nosso tempo. Ou ainda avanços posteriores, como os contidos na Emenda Constitucional 14/1996, que previu a universalização gradual do ensino médio como etapa final do ensino fundamental. Com efeito, a forte presença da luta do movimento estudantil, que ocupou cerca de 1.197 escolas com a exigência de retirar da agenda governamental a proposta de reforma do ensino secundário, expressou o perigo imediato de agitação social.

UMA AGENDA DE CONTRARREFORMAS: A REGRESSÃO DOS DIREITOS172

Reforma-Renascimento

É evidente que o processo molecular de afirmação de uma nova civilização, que se desenvolve no mundo contemporâneo, não pode ser compreendido sem a compreensão da ligação histórica Reforma-Renascimento (GRAMSCI, 2001, p. 247). Refletindo não apenas o fenômeno de uma aristocracia separada do povo, mas a domesticação liderada pela Igreja Católica. Que o atual processo de formação molecular de uma nova civilização possa ser comparado ao movimento da Reforma é algo que também pode ser demonstrado através do estudo de aspectos parciais dos dois fenômenos.

Identificamos em todas essas análises elementos que Gramsci, numa perspectiva histórica, apontou como fundamentais no processo de formação do Estado moderno, tanto na França, na Itália e também na Alemanha. Isto implica ações reacionárias, elitistas e excludentes destinadas a impedir ganhos civilizatórios razoáveis ​​de uma revolução burguesa clássica. Com estas modificações, através da apresentação de um novo e moderno “outfit”, voltamos ao “velho”.

A reorganização do bloco no poder do período Temer

Isto reflectiu-se aqui, a partir de 2010, sob a forma de um forte abrandamento, como ilustra o gráfico abaixo relativo à evolução do Produto Interno Bruto (PIB). Por um lado, o primeiro era governado por um modelo híbrido, em que o poder executivo permanecia refém do diálogo com o legislativo, que por sua vez expressava um sistema partidário frágil, com uma maioria composta por partidos rentistas. Em sua análise, o teórico norte-americano enfatiza a criação de uma aliança entre facções burguesas, formada por neoliberais, neoconservadores, a nova classe média profissional e populistas autoritários.

Tais grupos incluem neoliberais, neoconservadores, populistas autoritários e uma secção distinta de uma nova classe média crescente. Perry Anderson (2020) também mostra a surpreendente velocidade com que um acordo foi alcançado de cima, apoiado pelo programa econômico do governo Temer, que apoiou a adoção de uma agenda de ajuste. 123 O afastamento categorizado por Gonçalves (2017) como golpe civil, jurídico e midiático: “O golpe contou com o apoio de muitos empresários, que financiaram uma série de manifestações pró-impeachment, e as ações em curso do governo têm, entre as maiores beneficiários, empresários, como podemos verificar com as propostas da reforma previdenciária, da reforma trabalhista e da própria reforma do ME” (GONÇALVES, 2017, p.134); e com forte conteúdo político conforme análise de Lima e Maciel (2018), “Diante de uma crise econômica aguda, as elites brasileiras, compostas principalmente por setores neoliberais e neoconservadores, derrotadas nas eleições de 2014, aproveitaram a oportunidade para produzir um golpe institucional. de natureza jurídica e midiática, motivando um processo de impeachment.

Gráfico 1 - PIB entre o período de 2010 – 2017
Gráfico 1 - PIB entre o período de 2010 – 2017

A ofensiva do capital se materializando em leis

  • E o golpe chega à educação: da emissão da MP a sanção da Lei
  • Teto para o Social e porta aberta para o capital: a instituição do NRF
  • A reforma da legislação trabalhista: a institucionalização da precarização no novo

127 A privatização foi um dos pilares do governo Temer, que abriu a economia do país ao capital privado e estrangeiro. Ressaltamos que mesmo com forte campanha defendendo a urgência de medidas para prevenir o déficit previdenciário veiculada na imprensa, a medida não foi aprovada pelo governo Temer. O governo Temer não foi eleito e, portanto, não teve um programa apresentado e debatido democraticamente, mas o seu projeto está claramente expresso no manifesto de outubro de 2015.

A aprovação de uma reforma trabalhista tão ampla em tão pouco tempo mostra tanto a força e eficiência do governo Temer em manter o Congresso disciplinado através de todos os meios tradicionais da política brasileira (para liberar emendas à distribuição de cargos), quanto a relação de identidade entre o Congresso e um governo quase parlamentar. O governo Temer é a tomada do Poder Executivo pelo Poder Legislativo e nasceu de um processo de impeachment cuja peça central era o presidente da Câmara dos Deputados (preso desde outubro de 2016); O próprio Temer foi presidente da Câmara dos Deputados duas vezes, e todos os primeiros-ministros escolhidos por ele têm a característica de serem excelentes políticos e conhecedores do funcionamento do Congresso (BENEDETTO, 2017, p. 565, grifo nosso). O governo Temer acabou, portanto, extremamente impopular, com apenas 5% da população classificando o seu governo como bom ou excelente e 74% classificando-o como mau ou péssimo.

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Tabela 1 Ensino Médio e Educação Profissional Técnica de Nível Médio – Cronologia dos      marcos normativos e ações do poder executivo federal – 1931/2018
Gráfico 1 - PIB entre o período de 2010 – 2017

Referências

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