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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Possibilidades políticas e estratégias militantes em contextos de violência rotinizada: uma comparação entre a Zona Oeste do Rio de Janeiro e Guerrero (México) / Simone da Silva Ribeiro Gomes. Oportunidades políticas e estratégias militantes em contextos de violência rotinizada: uma comparação entre a Zona Oeste do Rio de Janeiro (Brasil) e Guerrero (México).

As oportunidades políticas: contribuições fundacionais

As oportunidades políticas: esboços iniciais de conceituação

Para Jasper (2016), questões de oportunidade política podem ser resumidas na abertura de certos tipos de protesto e no desencorajamento de outros. Brockett (1991), por outro lado, destaca a mudança na análise em direção às ações dos ativistas como um dos pontos fortes da leitura moderna de oportunidade.

Os principais autores: Eisinger, Tilly e Tarrow

Entre elas, entre outras lacunas analíticas, a persistência que as estruturas de oportunidades políticas dão em detrimento da ação combativa, a relativa imprecisão analítica do conceito e a negligência da noção de agência. Além disso, o esforço para avançar na reinterpretação da noção de possibilidades políticas, iniciado na década de 1990, deve incluir a necessária tensão entre militantes e movimentos, mostrando que as possibilidades não devem ser consideradas de uma forma única.

A crítica norte-americana: estrutura, indistinção e agência

Embora as opções políticas possam restringir ou facilitar os processos de formação da acção colectiva, a extensão ou gama de opções políticas em qualquer sociedade raramente, ou nunca, é uma unidade estrutural clara e legível. O autor afirma que ao tratar a mobilização como variável dependente primária, as oportunidades foram referidas aos ativos do ambiente e não aos ativistas, resultando em uma teoria cuja prerrogativa - de que as oportunidades externas influenciariam as variáveis ​​dependentes - negligenciou a estrutura possível das mobilizações, incluindo fatores sociais, políticos e culturais.

A crítica francesa: trajetórias, afetos e conjunturas

A antropologia moral, a etnografia política, a etnometodologia, a teoria das arenas públicas e o pragmatismo da ação coletiva unem-se em novas possibilidades de compreensão da dinâmica relacional e conversacional dos problemas públicos. Considerar as acções colectivas como dependentes do sistema político-institucional seria responsável por localizar oportunidades de acção principalmente fora dos movimentos, negligenciando o facto de que os activistas podem criar as suas próprias formas de acção.

A crítica periférica: perspectivas latino-americanas

Embora a América Latina seja vista como um dos laboratórios mais vibrantes de movimentos sociais do mundo, infelizmente o progresso teórico sobre este tema na região ainda é bastante limitado. O contexto surge, neste sentido, como garante dos recursos subjetivos e das condições que os atores deram às circunstâncias, permitindo uma melhor compreensão da existência ou não de possibilidades políticas.

Militância como resistência: as janelas de oportunidades

Aqui é necessário conceber as janelas de oportunidade, antecipando a situação que dá origem à questão principal da investigação, para poder avaliar as oportunidades de uma forma menos estanque, deixando de lado a caracterização racionalista do activista que está constantemente calculando as ações em campo empurradas. . É nesse sentido que entram em cena diversos atores (como traficantes de drogas, agentes do Estado, policiais, coronéis, milicianos e policiais comunitários) que em geral.

Das limitações às estratégias militantes

Portanto, as estratégias militantes nada mais são do que uma avaliação contínua entre as possibilidades de ação (oportunidades) e as formas e horizontes prescritos para alcançar determinado resultado (as próprias estratégias). Ao considerar contextos muito restritivos, em termos de OP, para a ação militante, é necessário discutir estratégias militantes como uma relação contingente.

As oportunidades políticas e a violência dos/nos movimentos

A multidimensionalidade da violência e sua centralidade analítica

Eisinger (1973) já afirmou que as oportunidades políticas permitem uma definição de protesto que inclui a violência política. Desde as suas primeiras formulações, com Eisinger, o tratamento da violência e a sua relação com as oportunidades políticas parte de pontos opostos num continuum de agressividade e resposta violenta dos atores, na guerra política.

A democracia como regime e a violência como prática

Face ao que aqui nos interessa, é necessário sublinhar que a relação entre opções políticas e estratégias militantes não pode ficar confinada a uma concepção limitada de democracia, como o regime oposto ao autoritarismo. Contrariamente ao tratamento habitual do fenómeno da violência nas teorias dos movimentos sociais, visto no seu carácter excepcional (guerras, rebeliões, motins, revoluções e outros tipos de conflitos políticos), o nosso foco de análise será a sua constância, ou seja, a sua constância. elemento central no contexto em que se desenrolam as ações coletivas, a sociabilidade militante e suas estratégias políticas.

A violência como exceção e como rotina

Notas gerais sobre a violência, o confronto político e o Estado

Weber considera a gênese do Estado moderno como uma associação que extorque cidadãos comuns e controla recursos. Se Tilly tentou compreender a construção do Estado moderno, Marx estava mais preocupado com a sua desintegração.

A população e a militância das periferias e seus (des)encontros com os agentes estatais

É importante a ressalva de Berti e Auyer (2013) quanto à importância que a população atribui à experiência da violência, sem a qual permaneceriam apenas as casuísticas macroestruturais. Ao mesmo tempo, nesta tese, muitos ativistas relataram, como veremos, que vivenciam grande parte da violência com a cumplicidade do Estado, o que confirma a análise de Feltran (2011).

A violência como prática e como representação coletiva: dados alarmantes e percepções

Além disso, na categoria de boletins de resistência, utilizados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ), a Zona Oeste também ocupa o primeiro lugar na cidade28 e a tendência é que sejam arquivados, sem investigação de suas circunstâncias (MISSE, 2012 ). 25 Fonte: Perfil das pessoas desaparecidas no estado do Rio de Janeiro em 2010, do ISP – Instituto de Segurança Pública.

Entre a repressão e a radicalização política: a militância em contextos de violência

O paradigma repressivo

Por um lado, a perspectiva que evita abordar o Estado como um inimigo autoritário, contra o qual os movimentos sociais se mobilizam, é muitas vezes negligenciada. Em suma, o paradigma repressivo é uma chave analítica amplamente utilizada na literatura sobre movimentos sociais, principalmente porque revela as respostas e práticas do Estado em relação aos movimentos.

O paradigma da radicalização política

No entanto, esta caracterização, utilizada para movimentos que utilizam a “violência revolucionária”, silencia outras formas de violência que expõem contradições estruturais e o seu significado político. Portanto, a análise de episódios anteriores de violência e repressão contra movimentos, muitas vezes deixados de lado ou vistos de forma fragmentada, são elementos analíticos importantes nesse processo.

A militância diante da violência rotinizada

Para Machado da Silva (2008), o aumento da criminalidade nas favelas provoca instabilidade nas rotinas de seus moradores, afetando a confiança entre os sujeitos, tornando problemática a resolução coletiva de problemas e reduzindo os movimentos de base local, além de incitar o medo e a desconfiança. . Quando se tem um domínio tão forte como o que se tem sobre estes territórios, os movimentos sociais, as associações de bairro, qualquer coisa, tornar-se-iam impossíveis ou cooptados pelo poder armado.

O Estado nas margens: atores, dinâmicas e representações

A violência da ausência do Estado

Essas localidades e regiões corresponderão às fronteiras do Estado, segundo Das e Poole (2004), o que se torna um importante locus para observar não apenas as representações da população local, mas também as percepções do próprio Estado e de seus agentes sobre essas áreas e seus habitantes. Para Das e Poole (2004), a ligação proposta entre ausência de Estado e violência também implica formas específicas de sociabilidade às margens.

O coronelismo e as zonas cinzentas

A redefinição dos modos de governação nestes espaços pode ser lida de uma forma que reconhece a violência como instrumento de poder efetivo e como uma particularidade da compreensão da população sobre a presença e o funcionamento do Estado nestas áreas. Apesar de originárias de áreas predominantemente rurais, as periferias da cidade também são ideais para observar situações semelhantes às práticas dos cronistas.

O clientelismo e a imbricação entre o medo e a tranquilidade

Esta convivência entre o urbano e o rural revela não só as dimensões demográficas e territoriais da transformação do espaço ao longo do tempo, mas também a base para a compreensão histórica e socioeconómica que nos permite identificar certas configurações contemporâneas da zona Oeste do Rio de Janeiro para ver. . Assim, ao estabelecer a ligação entre este cenário e o panorama actual de um ambiente altamente armado, com diversos desafios relacionados com a pobreza e a insegurança, procuramos também explorar as oportunidades e estratégias políticas de jovens activistas, envolvidos em diferentes movimentos sociais, em determinados espaços na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A Zona Oeste do Rio de Janeiro: história mínima e contextualização

Características socioeconômicas, pobreza e remoções

No seu espaço mais fronteiriço, no limite do município do Rio de Janeiro, nas proximidades de Paciência, por exemplo, existem muitas áreas empobrecidas. Na última década, por razões estruturais, ligadas principalmente às grandes obras e às políticas habitacionais e de segurança dos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, ocorreu uma nova onda de remanejamentos e migrações dentro da cidade, para a zona Oeste70.

Problemas, dificuldades e percepções

Não quem mora na zona oeste, se quiser ir ao cinema tem que se mudar para outro bairro, para o Barro, na zona sul. Por exemplo, Jonathan expressa a importância das divisões de classe no movimento social da Zona Ocidental: “Se eu conheço algum militante aqui na Zona Ocidental que tenha família militante, é muito raro porque quem é militante é da classe universitária, pai e mãe eles fizeram universidade, no final são pequeno-burgueses, não tem muita chance de escapar”.

Militância e movimentos sociais em perspectiva histórica

Militância na Zona Oeste e sua dimensão local e institucional

Tenho um parente que foi líder eleitoral dele, na zona oeste isso ainda existe, as pessoas negociam asfalto na rua, para calçada. Da mesma forma, Felipe de Realengo comenta: “durante a eleição é uma coisa bárbara, se você andar pela zona oeste você vê muitos cartazes colados, não consultaram quem está na casa e quer reclamar, é muito perigoso”.

Obstáculos para a militância e o engajamento em “eventos críticos” recentes 142

O objetivo desta seção é examinar como os principais atores do conflito político-territorial na zona oeste do Rio de Janeiro influenciam a configuração das oportunidades políticas para a população e a militância local. Ambos competiam pela supremacia na região e ocorriam frequentes incidentes de tiroteios em áreas de trânsito na zona oeste.

A polícia: a face mais visível do Estado

Em Campo Grande, sede do 40º Batalhão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), responsável pelo patrulhamento dos bairros de Campo Grande, Santíssimo, Senador Vasconcelos, Inhoaíba e Cosmos, são muitas as denúncias sobre a atuação policial. locais de oficiais. 96 De acordo com a legislação, todo ato público deve ser organizado e comunicado antes de sua realização, sendo enviados ofícios à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e à Guarda Municipal.

Do fechamento à (possível) abertura de oportunidades

Brechas e a construção do horizonte do possível

Com a perda de poder dos sindicatos e das associações de moradores locais, especialmente na década de 1990, o monopólio associativo na zona oeste parece ter-se desintegrado. Dado que as oportunidades são reduzidas e as estruturas repressivas são mais abertas, a possibilidade de participação em ações políticas públicas na Zona Ocidental também é limitada.

Estratégias militantes

É importante estabelecer uma analogia, com base em Acselrad (2012), entre a militância na Zona Ocidental e a luta secreta no contexto da ditadura militar brasileira, no sentido de que ambas possuem uma certa espacialidade e, portanto, configurariam uma topologia própria. . É particularmente importante destacar este medo internalizado, um importante operador analítico para pensar estratégias de mobilização na zona Ocidental.

Guerrero: história mínima e contextualização

Características socioeconômicas, pobreza e migrações

Eu me pergunto por que numa região sem sinal telefônico, como La Montaña, em Guerrero, os jovens caminham pelas estradas não pavimentadas com o celular na mão. A concentração de terras em Guerrero, nas atividades agrícolas, florestais e agrícolas, durante os séculos XIX e XX, é uma herança do porfiriato que antecede a presença das atuais grandes fazendas.

Problemas, dificuldades e percepções

Apesar disso, a falta de oportunidades de vida e as condições difíceis incentivam a migração massiva de muitos jovens para outras regiões do México. A ativista Ines me conta: “Aos 16 anos fui para um internato no estado do México, pois não havia oportunidades aqui, até 2000 e fiquei cinco anos lá [...] trabalhei em muitas coisas, em cozinhas econômicas , como servo” (tradução nossa).

Militância e movimentos sociais em perspectiva histórica

Militâncias contemporâneas em Guerrero: militarização e política local

El programa triunfó en Iguala, Taxco, Chilpancingo y en Acapulco, y empezamos a organizar festivales, ahí empezamos a organizar un festival que se llama "Resiste Iguala", hemos iniciado otro "Voces de la Calle", que reuniría a rockeros. , grafiteros, raperos, que pueden colarse. 145 No original, en español: "Desde los 15 conozco un tipo de música que se llama ska y las bandas te enseñan modales, otras cosas, y empezamos un programa de televisión, "Voces de la Calle", que por cable era, durante 4 o 5 años.

Obstáculos para a militância: a dupla via da militarização

No passado, poucos jovens de La Montaña de Guerrero tinham acesso ao ensino secundário, e menos ainda ao ensino superior, que frequentavam em localidades próximas, por falta de dinheiro para viajar para localidades com maior oferta académica. Na prática, a desarticulação da actividade militante parece ser o seu principal objectivo, pelo menos no estado de Guerrero.

Atores e cenários de restrição das oportunidades políticas na região de Guerrero 197

O Estado: falência e violência em um “evento crítico” recente

As polícias comunitárias: hibridismo violento ou pré-requisito para a geração de novas

Do fechamento à abertura de oportunidades políticas

Oportunidades ambivalentes e o sistema político

As estratégias militantes

Referências

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