• Nenhum resultado encontrado

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2023

Share "Universidade do Estado do Rio de Janeiro"

Copied!
143
0
0

Texto

Entre vínculos e nós: narrativas de violência nas relações afetivo-sexuais de adolescentes de uma escola da região da Costa Verde (RJ). Entre vínculos e nós: narrativas de violência nas relações afetivo-sexuais de adolescentes de uma escola da região da Costa Verde (RJ) / Renata de Souza Carvalhaes – 2019.

Adolescência e juventude

Porém, a cronologia tem uma função social e a partir dela se constroem políticas públicas para as etapas da vida. Em nossa sociedade, as representações atuais da adolescência carregam estereótipos como uma “fase problemática da vida”, cuja principal interpretação é o conceito de “crise”.

A construção de direitos

Em 1998, o Ministério da Educação (MEC) editou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, que não incluíam a temática da sexualidade. Na escola ouvi falar de um episódio em que uma menina foi punida por meninos. Este convite representou mais um “acordo justo” em que a escola demonstrou expectativas de que eu ajudaria a resolver “problemas” relacionados à sexualidade.

Entendendo que a escola é responsável pela circulação do “conhecimento científico” e os professores têm o peso do espaço do conhecimento e do discurso “autorizado” (ALTMAN, 2005), e assim têm relevância na construção do conhecimento e do significado nos alunos. Esse discurso permaneceu mesmo com as narrativas em que as meninas praticavam atos equivalentes ao que foi exemplificado como “abuso”. Havia uma espécie de código de conduta esperado dos pares onde não era aceito “ficar” ou namorar um “ex”.

Lowenkron (2016), no artigo “As diferentes faces do cuidado na cruzada antipedofilia”, contribui com reflexões sobre os riscos da naturalização da mulher como cuidadora, pois, além de reforçar um modelo heteronormativo de divisão do trabalho, o cuidado dos filhos, gera a erradicação da violência sexual cometida pelas mulheres. A menina ressalta que não sofreu agressões físicas, mas ao relatar sua trajetória, afirma agressões sofridas e retaliadas em namoros e relacionamentos de “ficar”, que não foram concebidas como violência, talvez em decorrência do “esporádico " natureza e em brigas que aparentemente não envolviam grande sofrimento emocional. 2016) aponta que para as meninas há uma certa desvalorização da violência física nos relacionamentos; a violência psicológica é muitas vezes considerada mais grave que a violência física, devido às suas consequências na autoestima e na confiança no parceiro. Quando questionadas se os adolescentes já haviam praticado violência ou sido abusivos em namoros e/ou relacionamentos, as meninas responderam que nunca haviam praticado e apenas Guilherme e William responderam positivamente, expondo respectivamente as seguintes situações: "só verbalmente assim, o que eu te disse, mas fora isso, não.

Tabela  1  –  Identificação  das/os  adolescentes  da  pesquisa  (com  os  quais  se  estabeleceram  interações  mais  frequentes  durante a observação participante, incluindo alguns que concordaram em participar na entrevista)
Tabela 1 – Identificação das/os adolescentes da pesquisa (com os quais se estabeleceram interações mais frequentes durante a observação participante, incluindo alguns que concordaram em participar na entrevista)

Sujeitos de direitos ou sujeitos tutelados: tensões no

Mapeando o espaço escolar

A pesquisa foi realizada em uma escola pública da região da Costa Verde do estado do Rio de Janeiro, onde estudavam alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. No período da manhã, a escola contava com 10 turmas regulares de ensino médio e 10 cursos profissionalizantes, e à tarde, 10 turmas de ensino fundamental e 10 cursos profissionalizantes avançados.

Estratégias metodológicas

Trabalho de campo e as “saias justas”

O diretor disse que tinha “muitos problemas de namoro na escola” e que um grande número de estudantes estava engravidando; Inclusive, foram sugeridas lições para o desenvolvimento da pesquisa. Porém, a grande circulação de alunos no pátio também representava um desafio, pois eles tinham que lidar com as regras quebradas na escola.

Entrevistas e seus múltiplos processos de afetamento

Ele é evangélico e mora com a família (pai, mãe e dois irmãos) em um bairro popular, onde o tráfico de drogas é forte. Ela é evangélica e morava com a família paterna (pai, madrasta, duas irmãs e um irmão) em bairro de classe baixa no momento da entrevista. Em ambos os encontros, ela foi “traída”, viveu conflitos que levaram a agressões físicas mútuas, isolamento do grupo de amigos por ciúmes e queixou-se de violência psicológica por parte do noivo.

É espírita não praticante e mora com a família paterna (pai, madrasta, irmã e mãe da madrasta) em um bairro popular da cidade. Prática ou vivência de violência nas relações afetivo-sexuais 1 Cora Branca 14 8º ano/tarde Apresentado por.

Sociabilidade, afetos e espaço escolar

Os alunos circularam por diferentes espaços, alguns sozinhos, outros em pares, outros em pequenos ou grandes grupos. O almoço era distribuído em horários diferentes dependendo do ano letivo, assim enquanto um grupo fazia fila para entrar no refeitório, os alunos que não estariam participando naquele horário da refeição circulavam pela sala, ora para confraternizar com os colegas, conversar, ora para conversar, outras vezes para conversar. flerte. Dentro da quadra, os alunos que não participaram da atividade foram até a cerca para conversar ou saíram da quadra para cumprimentar, muitas vezes com abraços sedutores.

Em conversa sobre a convivência com alunos do ensino fundamental, Cora (14 anos, branca, 8º ano) relatou que os alunos do ensino fundamental eram vistos como crianças, o que os tornava alvos de ridículo e bullying, circunstância que o irritou: "Eles são muito chato, acham que os adultos são superiores e que somos crianças." Nesse trânsito, poucos faziam contato com os alunos e alguns eram sempre abordados por alunos e alunas.

Os roteiros do “ficar” e namorar

Os valores morais e as normas hegemónicas de género que permeiam e orientam os roteiros sexuais também podem criar e reforçar desigualdades e encorajar episódios de violência. Para melhor compreender os roteiros sexuais e as produções de desejo do grupo estudado, foi questionado durante as entrevistas “o que fazia a menina ou o menino chamar a atenção”. O investimento na aparência física surgiu na fala dos adolescentes pesquisados ​​como um cuidado necessário no processo de sedução, como evidencia o relato de Guilherme sobre a festa que daria ao completar 18 anos: “no dia que eu for.

Embora “atitude”17 corresponda a reuniões casuais, é possível que as pessoas envolvidas continuem as reuniões sem caracterizar compromisso, utilizando assim o termo “atitude”. “Ficar” é algo mais tranquilo do que “ficar”; concentra-se no interesse físico, na beleza e na sensualidade (RIBEIRO et al., 2011) e envolve encontros específicos.

As interações afetivas

Estes relatos são consistentes com as observações de Abramovay et al., 2004), na medida em que as relações afetivo-sexuais entre adolescentes antecipam novas e velhas perspectivas sobre as relações de género. As análises das relações afetivo-sexuais neste estudo terão como foco as relações heterossexuais, pois são essas as experiências narradas principalmente pelos interlocutores. Mesmo que tenhamos observado algumas dinâmicas de relações homossexuais no pátio, estas foram insuficientes em termos de interações afetivo-sexuais para serem consideradas neste estudo.

Quando se trata das relações afetivo-sexuais na escola estudada, os pares geralmente apresentam mais perturbação do que os familiares com experiências vivenciadas na adolescência. Os adolescentes que mencionaram conversar com os pais sobre suas práticas afetivo-sexuais informaram a família sobre seus relacionamentos e, em geral, orientaram sobre a prevenção da gravidez.Os argumentos de pais e mães eram de que tal acontecimento os faria parar de estudar. e a falta de preparação de filhas e filhos para assumirem a responsabilidade da maternidade ou paternidade.

A reputação das meninas em jogo

A sexualidade nos espaços formais de aprendizagem

Contrastes e singularidades são importantes para compreender as diferentes formas como a violência atua nas relações. Segundo Castro e Casique (2010), existem vários tipos de violência no namoro e entre eles, a “violência de gênero”. Há convergência nas pesquisas em apontar a primazia da violência psicológica, seguida da violência sexual e depois da violência física.

Na investigação de Oliveira et. 2011), cada tipo de violência costuma se expressar com ações diferentes, a saber: Segundo Murta e Santos (2016), os programas existentes de prevenção da violência no namoro não são muito eficientes e eficazes.

Expressões da violência nos relacionamentos afetivo-

As formas de comunicação entre os casais no pátio da escola por vezes me fizeram questionar se estavam ocorrendo atos violentos, como o episódio ocorrido entre Robert (17 anos, negro, 3º ano do ensino médio) e Helena (branca, 1º ano). ano do ensino médio).ensino médio). Muitas intrigas viraram motivo de ridículo entre os adolescentes, que chamavam seus colegas de “chifres”. Embora no caso descrito acima se trate de uma briga entre meninos, segundo as histórias contadas, as brigas geralmente aconteciam entre meninas.

Ao mesmo tempo em que falaram sobre o medo e o não relacionamento com eles, o desejo movido pela beleza e o momento de prazer podem fazer com que algumas pessoas se envolvam com garotos traficantes de drogas. No tráfico de drogas há uma grande disputa na relação entre os meninos, seja por boca, mercadoria ou poder, sendo o uso da violência um sinal de poder.

Os enredos da violência nas interações afetivo-sexuais 101

A dor silenciada

Contudo, a percepção do amor é construída através de uma ideia universal que esconde paradigmas hegemónicos de género. Como aponta Gregori (1993), as ambiguidades e tensões nas relações de gênero constituem uma dinâmica de comunicação entre o casal que por vezes é violenta. Desta forma, a interpretação de uma relação vivenciada como violência depende do que se entende como violência e de uma série de fatores e aprendizagens, que são atravessados ​​por normas desiguais de género e sexualidade, que afetam meninas e meninos de forma diferente.

Violência física perpetrada por ciúme no namoro adolescente: uma análise de gênero em dez capitais brasileiras. Gênero e relações de poder: Adolescentes e direitos sexuais e reprodutivos no Estatuto da Criança e da Criança.

As fronteiras entre o dito e o não dito: agenciando conflitos

Os significados da violência no “ficar” e no namoro

Há necessidade de refletir sobre formas de vivenciar relações afetivo-sexuais que vão além dos padrões tradicionais de gênero, de problematizar a violência como relacional e de compreender que tanto meninas quanto meninos são atores no cenário da violência. Reconhecer que as raparigas cometem violência não significa confirmar que a violência é simétrica, uma vez que as hierarquias e as desigualdades de género tornam as raparigas e os rapazes vulneráveis ​​de diferentes maneiras. Essa ideia é apoiada pelo projeto de lei “Programa Escola Sem Partido”, que visa minar os diálogos sobre gênero e sexualidade na sala escolar e deixá-los sob responsabilidade da escola.

O discurso da “ideologia sexual” cria um pânico moral promovido pelo atual presidente da república, baseado em uma coalizão político-religiosa e no apoio de uma parcela da população que apoia o projeto de lei do “Programa Escola Sem”. Partido”. Gênero e normas, valores e expectativas de gênero em torno de “ficar” e namorar, desde as formas como as abordagens são feitas até os próprios relacionamentos;

Imagem

Tabela  1  –  Identificação  das/os  adolescentes  da  pesquisa  (com  os  quais  se  estabeleceram  interações  mais  frequentes  durante a observação participante, incluindo alguns que concordaram em participar na entrevista)
Tabela 2 – Perfil sócio educacional das/os entrevistadas/os.

Referências

Documentos relacionados

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ SUB-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA - SR2 DEP... UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UERJ SUB-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E