Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de mestre, ao programa de pós-graduação em ciência política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) – Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014. Como resultado, propõe-se a convergência entre uma teoria crítica do Estado e uma ideia de processo histórico aberto à variação, contingência e contextualidade.
Desta forma, implica a recuperação de uma teoria crítica do Estado e de uma noção de processo histórico aberto à variação, à contingência e à contextualidade.
A HISTÓRIA, O ESTADO E A TEORIA SOCIAL: DEFININDO E
Os sentidos do passado e a explicação histórica
- A história é ou a história está?
- A concepção magistral da história
- A razão contra a história
- A história em direção a si própria
- O conflito de métodos no século XIX e suas consequências
- A proposta da sociologia histórica contemporânea
- Observações finais: repetição, duração e necessidade
A expectativa de que o conhecimento do passado possa ser frutífero para a compreensão da realidade levanta a necessidade de um método mais rigoroso de lidar com a história. Nestes termos, a existência da história humana depende de um conflito entre ambos os princípios nas suas formas puras. A economia seria então a porta de entrada para uma nova ciência, armada com uma lógica divina agostiniana.
Assim, mesmo a imputação teórica da reprodução de um fenómeno ao longo do tempo depende da definição de tempo, o que nos leva à questão da “duração”.
Teoria do estado como abstração
- Caráter e escopo da teoria política
- O contratualismo
- O organicismo
- A teoria crítica
Neste sentido, a teoria crítica do Estado está indissociavelmente ligada a uma teoria crítica da sociedade em geral. O nosso caminho a seguir envolve detalhar historicamente as relações entre a guerra e o desenvolvimento do Estado na Europa moderna. Aos olhos dos observadores contemporâneos, só pode ser uma “estratégia” para a construção do Estado.
A sociologia política dos Estados típicos revela, por outro lado, uma maior sofisticação na relação entre história e teoria do Estado.
Construção de estados e modernização
- A discussão contemporânea sobre a construção de estados
- O viés modernizador como problema
- Os estados latino-americanos e o viés modernizador
A FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS ESTADOS EUROPEUS: TEORIA E
A agenda de pesquisa: conceitos, hipóteses e explicações
- Os estados europeus e seu aparato: do séquito pessoal à burocracia
- Os estados europeus e as classes sociais: a barganha como mecanismo macro-
A contrapartida disto não foi, logicamente, a sublimação de uma agência estatal como summa potestas que domina a sociedade e deriva a sua racionalidade de alguma metafísica nacional. A base estrutural da acção autónoma do Estado muda assim historicamente, tornando impossível derivá-la dedutivamente de uma teoria geral. Devido à sua ênfase logística, o poder infra-estrutural enquadra-se prima facie no conceito da capacidade do Estado para executar as suas decisões.
Também não existe um postulado que determine a margem de autonomia do Estado, independentemente do contexto político em que este negocia uma iniciativa concreta. A formação do Estado francês foi promovida por um mecanismo tipicamente coercitivo-extrativista durante a Guerra dos Cem Anos no século XV, durante a qual a monarquia expandiu o tributo e desmantelou o padrão militar cavalheiresco dos seus vassalos. A reforma do Estado prussiano no século seguinte foi dirigida pelo recentemente criado Comissariado Geral da Guerra, responsável pela preparação do exército regular prussiano.
Com o fim da “intermediação”, ocorreram duas transformações importantes na importância do capital para a criação do Estado: a criação da economia nacional e a industrialização da guerra. A transformação em curso no aparelho de Estado, mais do que uma simples mudança morfológica, é indissociável da sua capilarização territorial e da integração da vida social com a sua autoridade administrativa. Aqui fica claro como este mecanismo causal se enquadra (em contraste com o que um estadista maximizador faria) com o argumento geral sobre o papel transformador da guerra na formação do Estado.
O segundo aspecto do poder administrativo do Estado pré-industrial diz respeito à política de controlo social. A expansão das despesas civis do Estado (na educação, mas também nos transportes, na segurança social, etc.) é assim o principal pilar do seu apoio. O primeiro ponto baseia-se numa observação que pode parecer trivial, nomeadamente que os caminhos mais coercivos ou intensivos em capital apresentavam diferentes configurações de classe dependendo do maior peso de um ou outro componente no processo de formação do Estado.
A hegemonia do governo direto e o esforço para introduzir conflitos de classe no Estado são características fundamentais da negociação nos países europeus modernos.
Balanço e crítica
- A explicação histórica em questão
- A teoria política do estado como crime organizado
O argumento então desenvolvido é que a ascensão do Estado moderno se baseia na transferência da estrutura de legitimidade de uma base monárquica e tradicional (criada na Europa Ocidental pela fusão da hierarquia eclesiástica com o direito consuetudinário germânico) para um “mandato de o povo”, em que a autoridade emana simbolicamente dos cidadãos e da nação. Incluir o Estado e as classes sociais na análise da situação periférica e do desenvolvimento na América Latina seria, portanto, a delimitação mais importante das teorias da dependência. Para tornar a exposição mais concisa, reteremos para exame apenas algumas obras, com foco na densidade e na visão geral: Formação do Estado-nação na América Latina (KAPLAN, 1974), O Estado nas Sociedades Dependentes: o Caso da América Latina (KAPLAN, 1974), O Estado nas Sociedades Dependentes: O Caso da América Latina (GOMARIZ MORAGA, 1977) e Estado na Periferia Capitalista (EVERS, 1981).
Resta, portanto, estabelecer como a sua delimitação afetou o viés modernizador da teoria do Estado. Por outro lado, O'Donnell acabou por sacrificar a sua teoria do Estado em nome da democratização. Se tomarmos a ordem em que o argumento é construído no livro, vale a pena partir do seu diagnóstico básico: a fraqueza ou o fracasso do Estado na América Latina.
O principal argumento de Centeno é que, se nos voltarmos para a tese do “belicismo”, podemos entender a fraqueza do Estado e a sua “inação internacional” como um mecanismo causal circular. Permanecendo no argumento principal de Centeno, fica claro que a sua convicção depende do diagnóstico inicial: fraqueza, fraqueza ou fracasso do Estado na América Latina. Em tempo: o diagnóstico do “fracasso” do Estado latino-americano assenta, do ponto de vista teórico, na premissa de que ele encarna, ainda que na sua forma autêntica, o bem comum.
A partir desta proposta ficam evidentes alguns conceitos que sustentam a proposta do autor, especialmente “construção do Estado” e “democracia”. Escusado será dizer que os países latino-americanos são principalmente contentores de escassez, como evidenciado pela sua incapacidade crónica de atingir os objectivos esperados de um Estado moderno.
ESTADO, HISTÓRIA E TEORIA NA AMÉRICA LATINA: PARA UMA
Panorama da reflexão teórica sobre os estados latino-americanos
- O estruturalismo latino-americano e o estado
- A sociologia política da dependência
- As teorias de estados típicos
- Balanço
Num segundo momento, chama-se a atenção para as formulações típicas (ou historicamente delimitadas) do Estado na região, como o Estado. O terceiro aspecto, relacionado com a agenda político-prática, tem consequências diretas para a discussão deste texto, devido ao papel do Estado na economia. A instrumentalização do Estado gera uma análise superficial da organização, que prejudica ou minimiza a sua fixação social e o conflito político que dela resulta.
Além desse predicado, a teoria do estado com a qual o autor inicia a obra torna-se extremamente complexa ao incluir uma lista de elementos descritivos de “características” e. Como pano de fundo, tem-se a transformação da autonomia relativa do poder político do Estado: passando a mediar a nova estrutura de classes, “o Estado na América Latina será modernizado no sentido do Estado burguês desenvolvido” (GOMARIZ MORAGA, 1977: 90). Do ponto de vista teórico, trata-se de uma operação delicada em que a dependência é considerada como uma situação histórica concreta, e não como um atributo dado a uma determinada economia ou ao Estado que a dirige.
Por um lado, as três operações conceituais realizadas pela crítica da dependência aos estudos do desenvolvimento configuram uma superação criativa do discurso modernizador em relação ao processo macro-histórico, com potenciais consequências para o estudo da formação do Estado. Ao lado da ampla reflexão sobre a situação histórico-estrutural do Estado na América Latina, existe uma literatura dedicada à configuração específica que os Estados adquiriram sob uma circunstância histórica. Conforme destacado, a historiografia econômica da CEPAL teve um impacto significativo na segmentação que o pensamento político latino-americano aplicou à sua sociologia do Estado.
O foco desta seção é apresentar a gestação de teorias na faixa intermediária a respeito dessas configurações de estado. Como nota final para equilíbrio, vale ressaltar que o pensamento latino-americano sobre o Estado fornece diversos insights metodológicos e argumentos teóricos que sinalizam caminhos alternativos ao viés modernizador no estudo da construção do Estado.
A guerra e os estados latino-americanos: a recepção da tese de Tilly
- Sangue e dívida: a contribuição de M. A. Centeno
- O argumento principal
- A crítica
- Alternativas internas
- Guerra, formação do estado e democracia: a contribuição de F. López-Alves
- Trajetórias de formação dos estados
- Mobilização popular e democracia
- Balanço: guerras fizeram estados e vice-versa?
No outro extremo, os autores apresentam um primeiro argumento importante: o diagnóstico de preconceito, etnocentrismo e falso universalismo das teorias sociais “gerais” não deveria ter como contrapartida crítica a busca de uma “teoria latino-americana” para substituí-lo. Cabe agora analisar detalhadamente como esses autores implementaram esta proposta, em diálogo com a tese de Charles Tilly, para melhor compreender o processo de formação dos Estados na América Latina. Primeiramente, será apresentado o principal argumento do autor para explicar as trajetórias estatais na América Latina com base na teoria da extração bélica, resumindo suas implicações para a questão do Estado, da cidadania e da nacionalidade.
Voltando ao termo de Atilio Borón, não é exagero dizer que o argumento de Centeno é no seu cerne “estatista”. Se o argumento for estritamente belicoso, chega a um ponto cego: se “as guerras não criaram Estados na América Latina”143 (CENTENY como foram historicamente formadas). Este ponto cego corresponde ao desafio de superar o estatuto negativo da América Latina no quadro de uma “teoria geral”, aspecto metateórico com o qual iniciamos a crítica.
O destino da América Latina deve ser normalizado e recompreendido na ausência de um outro implícito"145 (CENTENO. Em outras palavras, a hipótese da "baixa intensidade" na reconciliação da teoria da "força de guerra" com a América Latina seria excluídos Esta proposta envolveu uma mudança subtil da perspectiva mais estrita do argumento do “sangue e culpa”, que enfatizou particularmente a intensidade das guerras na Europa e na América Latina.
A hipótese de que os Estados fazem as guerras e as guerras fazem os Estados gerou uma agenda inovadora para os estudos latino-americanos. Do ponto de vista teórico, a centralidade da explicação extrativista da guerra é acompanhada pela proposta de colocar a América Latina como uma só.
Diagnóstico, crítica e alternativas ao viés modernizador
- A sociologia do cronicamente inviável
- Críticas e alternativas
Todos estes elementos pertencem ao campo semântico do não-Estado, ou do Estado não-moderno, que poderia ser progressivamente superado através da acumulação de “competências”. Mais profundamente, a nação está dividida e enfraquecida por grandes desigualdades, maiores do que em qualquer outro lugar do mundo, levando também à violência, aprofundando a erosão do estado e da nação" (MANN. Não só o desenvolvimento do estado se mostra no direção de “objetivos públicos”, já que a sociologia de sua formação se abstém do conflito em favor da cooperação entre as partes – como se o contratualismo se passasse por um relato historiográfico.
A história política dos últimos duzentos anos pode ser lida como uma inocorrência agonística e permanente do Estado efectivo, democrático e nacional. Preocupado com a mudança da agenda de reformas neoliberais em favor do fortalecimento do sector público, o argumento baseou a sua convicção no sacrifício de uma teoria crítica e historicamente fundamentada do Estado moderno. Neste sentido, é necessário recuperar a formação do Estado não como uma receita de reforma institucional, mas sim como um processo político contingente e de longo prazo.
Por outras palavras, "não se deve cair na armadilha de medir as 'falhas' do Estado usando como critério um modelo de Estado que nem sequer existia na Europa"156 (KNÖBL. A segunda linha de trabalho explora a relação entre desenvolvimento económico e organização do Estado, captado pelo aforismo “o mercado fez o Estado em vez de o Estado fazer o mercado”158 (LEWIS, 2005: 06) Talvez a inovação resida precisamente na questão da sequência: é uma agenda dirigida à economia com consciência do argumento extrator da guerra, assumindo suas premissas sobre como será a formação do Estado.
No estudo de Grindle sobre o clientelismo, o equilíbrio mais interessante é a crítica do raciocínio evolucionista que percebe a burocracia weberiana como a conquista última e universal do Estado moderno. Pelo contrário, entende que “os agentes estatais estão presos no mesmo ciclo de medo que caracteriza a actividade de outros que lutam dentro do espectro do poder estatal”160 (HOLDEN, 2004: 14).