Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do título de mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tese (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação) - Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas) – Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 2022.
PPGECC Programa de Pós-Doutorado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro PPGEDU Programa de Pós-Doutorado em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Programa de Pós-Graduação PROPED da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente busquei pesquisas desenvolvidas em programas de pós-graduação do estado do Rio de Janeiro5 entre 2014 e 2019.
SER E/OU ESTAR FAVELADO: OUTRAS POSSIBILIDADES DE
Breve recorte sobre a produção acadêmica sobre o tema
Um assunto sempre complexo: sobre periferias e favelas
A população da cidade do Rio de Janeiro é estimada em 6,7 milhões de habitantes, e aproximadamente 20% vivem nas mais de 700 favelas que compõem o território7. A ocupação dos primeiros morros da cidade teve início no século XIX, quando soldados que voltavam da Guerra de Canudos ocuparam o morro mais próximo do Ministério da Guerra, no centro da cidade, para exigir o pagamento dos salários pendentes; Assim surgiu o Morro da Providência8; A partir do século XX, com a crescente modernização e urbanização da cidade devido ao processo de industrialização, muitos trabalhadores procuraram morar próximos ao Centro e às linhas de trem, locais que tinham maiores oportunidades de emprego e maior facilidade de deslocamento; Na época, eram comuns habitações multifamiliares populares – cortiços –, com diversas famílias dividindo pequenas casas e apartamentos, onde as condições de vida eram consideradas insalubres devido ao deficiente saneamento básico da cidade9. Remoções, desapropriações e demolições marcaram um processo de segregação dos centros urbanos baseado na destruição de cortiços e na implosão de morros para o “desenvolvimento” da cidade; As famílias expulsas de suas casas seriam mais tarde os primeiros moradores das favelas próximas.
Podemos observar que os projetos de desenvolvimento da cidade não incluíram as favelas e seus moradores em seu planejamento. 9 “Cabeça de Porco” era um dos conjuntos residenciais mais famosos e populosos da cidade do Rio de Janeiro; foi demolido em 1893. Do lado da cidade iluminada, os discursos de marginalização e criminalização da pobreza e dos moradores das favelas se consolidaram como uma realidade que permanece hegemônica até hoje, dividindo a cidade, hierarquizando áreas e uma política de legitimação da morte.
As periferias podem ser centrais ou remotas, podem ser rurais ou urbanas, entre muitas possibilidades; Insisto que podem ser lugares onde os poderes nascem muito mais do que morrem. As escolas de favela são afetadas por problemas específicos dos contextos em que estão inseridas. Para tanto, observa como ocorre a sociabilidade dentro e fora da sala de aula num contexto em que a violência está presente no cotidiano dos moradores.
As diferentes perspectivas sobre o lugar onde se vive também são destacadas pelo autor como um campo simbólico de disputa, onde os moradores mais velhos guardam lembranças de tempos menos violentos, enquanto os alunos mais novos muitas vezes parecem ter “amnésia” em relação à história do lugar. sala de estar. Os textos apresentados nesta discussão problematizam mecanismos de estigmatização dos estudantes em relação ao território que habitam, identificando entre as desigualdades – sejam sociais ou de poder – tentativas de essencialização e redução de múltiplas possibilidades, em detrimento de uma conexão entre termos depreciativos. que produzem estigmatizações e exclusões.
Sobre a Maré, sujeitos e potência(lidade)s
Minha relação com a Maré começou ainda criança; Como meu pai é professor na Maré há 30 anos, ele sempre contava muitas histórias sobre suas experiências nas escolas e favelas onde trabalhava naquela época. Trabalhar na Maré é para os fortes [risos], como qualquer área de educação, né; Meus pais eram pessoas que não tinham muita escolaridade, né? Eu não nasci aqui na Maré, mas vim aqui na Maré e vi a realidade do meu povo aqui na Maré. E por muito tempo eles me disseram: “Nossa ‘B’, por que você mora na Maré, né?
Aí as pessoas: “Nossa, você mora na Maré e como isso é possível?” Eles veem a Maré como um lugar que não tem atrativos, sabe, uma Maré que não tem educação. Todo mundo fala que não é bom e eu criei três filhos aqui no Mare, sabe, eu tenho um filho autista que ele tem, ele é da área de Biologia, eu tenho um que trabalha na área de restaurante, é minha filha que trabalha na área de supervisão de uma empresa. Os três cresceram aqui na Maré e todo mundo sabe que é difícil criar filhos em qualquer país, e aí o Povo fala: “Mas na Maré é mais difícil”.
Tenho um nome um pouco diferente aqui na Maré, mas nasci e cresci na Maré. Então entrei como voluntário, como bolsista, e depois virei monitor desse projeto que era chamado de “Orquestra Território da Maré”, que era aqui na Maré. Hoje em dia não é como antigamente, hoje em dia os jovens da Maré têm dois caminhos educativos.
Recentemente, seu pai pode confirmar depois, houve um acontecimento aqui na comunidade entre atores armados de um lado e de outro, foi uma correria danada. A gente tem tudo isso e, falando em educação na Maré, tenho um filho que é estagiário aqui na Fundação Oswaldo Cruz estudando Arqueologia.
Entre Cultura e Educação
O reconhecimento da diferença como central pode ser percebido e ajuda a compreender o problema da essencialização dos discursos do ponto de vista da impossibilidade dessa fixação de significados a não ser pelo apagamento das diferenças por meio da violência. Ele reconhece que a incorporação do estruturalismo nas ciências humanas e sociais trouxe uma visão crítica da diferença, mas os conceitos de diferença baseados em identidades fixas são constituídos como uma "diferença entre", o que pressupõe a diferença como uma comparação entre coisas que têm algo em comum. Em seus estudos, a autora, assim como Burity (2010), utiliza as contribuições da teoria do discurso de Laclau e Mouffe (2015) para desconstruir o modelo estrutural, que, segundo os autores, é prisioneiro do exterior constitutivo que determina seus limites e o centro que a estabiliza, assim Macedo (2014) observa que “a infinita riqueza da língua e da cultura comprova o quanto a ideia de fronteiras e de centro é problemática” (MACEDO, 2014, p. 88).
O autor trabalha com as ideias de cultura e linguagem, concebendo a descentralização de estruturas entendidas como sistemas simbólicos dinâmicos, formados por diferenças instáveis que apontam para novas diferenças num processo infinito. Na perspectiva pós-estruturalista, a “diferença entre” pode ser entendida como uma limitação da diferença, uma vez que a cultura, segundo Bhabha (1998), ainda é tratada como um objeto epistemológico que pressupõe a ideia de cultura como repertório. de significados produzidos e compartilhados por um grupo. A compreensão da diferença defendida por Bhabha (1998) e Macedo (2014) rompe com a ideia de identidades fixas; vai além de reconhecer que existem múltiplas posses possíveis.
Trata-se de assumir a própria diferença, sempre anunciada e sempre adiada (BHABHA, 1998), uma compreensão da diferença que se articula com a compreensão da cultura como espaço de significados, negociações e traduções onde tudo o que existe é diferença. Derrida (2008) percebe esse movimento de différance como a produção de sentidos que nunca são plenos, sempre adiados por uma interação criativa de traços de sentido. A cultura como différance refere-se a afirmações criativas que sempre escapam às tentativas de regulação e representação, tentativas articuladas como forma de controle ligadas a processos de exclusão, hierarquias e assimetrias.
Nessa perspectiva, assumo que a mudança pode ser potente para o processo de reflexão sobre os processos de subjetivação vivenciados pelos estudantes que vivem nas favelas. A compreensão desse jovem como sujeito de cultura e da favela, bem como da escola da Favela, como espaço-tempo de comunicação cultural (BHABHA, 1998).
Ser e/ou estar estudante na favela
Para Appadurai (2000), as culturas são sistemas de significado que estabelecem significados, e todas as práticas sociais são entendidas como culturais ou discursivas; cultura, como um fluxo de produção de significados que nunca será concluído.
Produzindo um currículo da favela: (im)possibilidades
Para começar você pega um espaço de lazer e constrói uma escola lá, você quer pensar assim, né: “ah, vamos construir aqui em cima do campo, construir em outro lugar, negociar com a comunidade”, não existe isso coisa. infelizmente, como forma de relacionamento, não existe, então essas coisas afetam diretamente o aluno (Professor A) Na escola onde eu trabalho os professores são bons de trabalhar, sabe, os alunos participam assim, eles acaba tendo um bom comprometimento, e cara, e a comunidade tem uma relação com a escola. Educação é basicamente o que eu estava falando nesta questão sobre cruz, também nesta questão sobre aprender e ensinar.
Por isso digo que essa ideia de identidade é muito forte com a escola onde trabalho, porque foi assim que vivenciei as histórias da Maré dentro da Maré. Aqui na maré eu digo, vou focar onde eu trabalho, onde eu mais conheço, que é a New Holland, nesse caso, não é; [..] quando comecei a trabalhar na comunidade, havia situações de drogas na escola. Aí tem um cara que tem carro, moto, tênis de marca, aí “Como eu consegui isso.
Sabemos que se ele entrar em nossa casa precisará de um mandado de busca e apreensão, mas se ele não tem nada a esconder, por que não deixá-lo entrar? Muito pouco, porque muitas meninas têm filhos cedo, os meninos têm que trabalhar para ajudar na casa ou entrar no tráfico porque acham que é mais fácil, mas acho que não podemos pensar assim. Por isso eu falo que é muito importante, muito legal se eles conseguirem sair, porque é uma coisa que deu certo.
2012 e uns 8 anos se passaram, 9 anos e é a mesma coisa, mas lembro de um episódio onde eu estava na aula e eu. Projetos em que pude participar, integrar, onde pude fazer parte. Acho que essa questão do trabalho fora da Educação, do sentido da Educação, está muito presente; Outra coisa que eu falei antes é que você vê muitos movimentos de jovens das favelas que conseguiram, deixa eu ver.
Eu acho que essa questão da violência é muito pertinente, afeta muito a gente e às vezes acho que a gente até acostuma, mas eu lembro de fazer um projeto, eu participei, sabe, na verdade eu participei. E outra questão que não sei se estou muito focado, mas para mim existe uma. As oportunidades que eu tive dentro das ONGs e dentro da escola também, mas eu acho que o conhecimento mora lá em cada pessoa, né.