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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A análise do trabalho em condições análogas à escravidão (escravidão contemporânea) e do tráfico de pessoas são temas abordados principalmente por advogados, antropólogos e cientistas sociais (FIGUEIRA, 2000; FRINHANI, 2011; VENSON; PEDRO, 2013; SANTOS, 2004). pelos economistas. O terceiro capítulo relata a escravidão contemporânea na América do Sul e no Brasil, agravando o baixo número de mulheres em situações de exploração no Brasil.

Tabela 1 - V´ıtimas de escravid˜ ao contemporˆ anea por sexo, segundo os relat´ orios GLOTIP (UNODC, 2014; UNODC, 2016; UNODC,2018)
Tabela 1 - V´ıtimas de escravid˜ ao contemporˆ anea por sexo, segundo os relat´ orios GLOTIP (UNODC, 2014; UNODC, 2016; UNODC,2018)

Escravid˜ ao contemporˆ anea: conceito e defini¸ c˜ oes

No Brasil, os conceitos de escravidão moderna e de condições de trabalho análogas à escravidão podem ser confundidos com o trabalho forçado, que é uma das formas de exploração. A base de dados brasileira sobre escravidão moderna SMARTLAB (2018), portanto, contém apenas vítimas de trabalho forçado5.

Oportunidade para Liberdade

Mais do que utilidade, a capacidade, conjunto de funções que conferem mais liberdade individual, é fundamental para o bem-estar dos indivíduos e, consequentemente, da sociedade. Nesta perspectiva, o bem-estar não pode ser totalmente caracterizado pela utilidade e/ou rendimento.

Precariza¸ c˜ ao das condi¸ c˜ oes de trabalho como priva¸ c˜ ao de liber-

Compreender o funcionamento de uma parte do mercado de trabalho cuja variável de decisão não é o salário mas sim a coerção, que será tema do próximo capítulo. Porém, ingressar no mercado de trabalho e obter um salário é uma forma de aumentar o pacote de bens do indivíduo e aumentar o bem-estar. Portanto, existem diversas formas de ampliar as liberdades individuais e ingressar no mercado de trabalho, e esta é uma delas.

O objetivo deste capítulo é compreender como a tentativa de aumentar o pacote de bens, através da troca de trabalho por um salário, pode levar a uma redução da liberdade em vez de a um aumento. O indivíduo que, por assimetria de informação ou vulnerabilidade, na tentativa de trocar sua força de trabalho por salário, acaba sendo forçado a trabalhar em condições que não possui aceitaria, se não houvesse coerção, a ênfase desta seção. Enfatize que o mercado de trabalho é uma das dimensões da questão da escravidão.

No contexto da exploração, a liberdade relaciona-se com o facto de o indivíduo não ser proprietário da sua força de trabalho quando dela é privado.

Comportamento do consumidor

A resolução do problema mostra, através de condições de primeira ordem, que o salário é igual à taxa marginal de substituição entre lazer e consumo (que é a inclinação da curva de indiferença). 2) A Figura 1 representa o conjunto ideal (C∗, L∗) que maximiza a utilidade. A inclinação da restrição é o salário e a distância da abcissa representa a renda não auferida - R. O salário mínimo proporciona ao trabalhador e sua família, incluindo condições mínimas dignas de moradia, alimentação, educação e lazer.

O salário mínimo geralmente não é determinado pela oferta e procura de trabalho, mas pela legislação laboral. O objetivo do salário mínimo é estabelecer um valor que cubra as condições mínimas para uma vida digna. Suponha que haja um número limitado de vagas no mercado de trabalho legal que ofereçam o salário mínimo para trabalhar.

Os trabalhadores pouco qualificados e desempregados estarão dispostos a vender a sua força de trabalho abaixo do salário mínimo, no ponto (w0, L0s) onde a procura de mão-de-obra e a nova oferta de mão-de-obra se encontram.

Figura 1 - Trade-off entre consumo e lazer
Figura 1 - Trade-off entre consumo e lazer

Escolha individual e escravid˜ ao

A taxa marginal de substituição (TMS) varia dependendo da localização do indivíduo na curva de indiferença. Segundo a hipótese, o indivíduo tipo 1 encontra-se num ponto extremo da curva de indiferença. Esse indivíduo não consegue trocar o tempo de lazer pelo tempo de trabalho, h=L0−L, devido à demanda insuficiente de trabalho.

Devido à falta de oportunidades de emprego e à ausência de rendimentos não laborais, R, o indivíduo tipo 1 é vulnerável à exploração. A Figura 6 mostra a perda de utilidade do indivíduo quando este perde o seu estatuto de agência devido à exploração. O indivíduo do tipo 2 é forçado a trabalhar mais e a ganhar quase nada, pelo que a curva de indiferença se desloca para um nível mais baixo de utilidade, de IC para IC'.

O custo mínimo de existência necessário para a sobrevivência de um indivíduo, representado pela linha vermelha na Figura 6.

Figura 2 - Redu¸ c˜ ao nos sal´ arios devido ao aumento da oferta de m˜ ao de obra
Figura 2 - Redu¸ c˜ ao nos sal´ arios devido ao aumento da oferta de m˜ ao de obra

Maximiza¸ c˜ ao de Utilidade na situa¸ c˜ ao de Escravid˜ ao Contem-

Dado que os custos de mão-de-obra não são por hora, não há equilíbrio entre consumo e lazer29. Esta escolha é exógena ao consumidor, pelo que a decisão de maximizar a utilidade não se limitará ao trade-off entre consumo e lazer. A escolha do consumo e do lazer não será alcançada pela maximização da utilidade; o consumo e o lazer já eram escolhidos pelo escravo (C =s, L=Ld).

Para o indivíduo 1, que se encontrava em situação de subsistência causada apenas por desemprego involuntário e. 31 Um tipo de coerção é a privação de alimentos; porém, se o dono do escravo quiser mantê-lo, ele os alimentará com o mínimo, representado pelo art. A Figura 4 descreve o caso de uma pessoa vulnerável que entrou na escravidão e a Figura 6 mostra a redução da utilidade.

A mudança no estado de bem-estar é principalmente o resultado de uma diminuição no estado do agente causador.

Figura 6 - Deslocamento da Curva de Indiferen¸ ca para casos de escravid˜ ao contemporˆ anea
Figura 6 - Deslocamento da Curva de Indiferen¸ ca para casos de escravid˜ ao contemporˆ anea

Agˆ encia, Bem-estar e Liberdade

A liberdade de viver a vida que têm motivos para valorizar é comprometida pela coerção. A limitação do funcionamento do ser é acompanhada pela limitação do funcionamento do fazer (por exemplo, como decidir quanto dormir e o que comer). A liberdade do escravo é limitada não apenas pelo movimento do seu corpo físico, mas também pela incapacidade de escolher a vida que valoriza.

32 O conceito de escravidão adotado por Bellagio-Harvard (2012) reflete essa manipulação do ser humano como se ele fosse um objeto, sem identidade e agência. 33 Tradução: “As vítimas não se queixam e lamentam o tempo todo e muitas vezes fazem grandes esforços para desfrutar de pequenas misericórdias e reduzir os desejos pessoais a proporções modestas. Para compreender as características da escravidão contemporânea nos países da América do Sul, este capítulo tem como objetivo descrever a escravidão contemporânea, comparando países e analisando tendências com base no Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas - GLOTIP (UNODC, 2014; UNODC, 2016; UNODC, 2018). e) Índice Global de Escravidão – GSI (WFF, 2016; WFF, 2018).

O objetivo é destacar a escravidão moderna brasileira por meio desses relatórios juntamente com dados do SmartLab (2019).

Am´ erica do Sul

A escravidão contemporânea nem sempre é denunciada por vários motivos: a) são ocultados pelos seus autores; b) as vítimas podem ser confundidas com criminosos; O GLOTIP descreve o tráfico de seres humanos, enquanto o GSI é mais amplo na comunicação e estimativa da prevalência da escravatura contemporânea, incluindo vítimas que podem ou não ter sido traficadas. O GSI37 é um método de extrapolação baseado num conjunto de variáveis ​​estatísticas e significativamente não colineares que afetam a escravatura moderna, como resposta do governo à vulnerabilidade.

Apesar das críticas, o GSI é amplamente aceite como uma estimativa fiável da escravatura contemporânea porque é a única tentativa de estimar a escravatura no mundo. O sindicato têxtil local tem sido de grande valia no combate à escravidão contemporânea, pois investiga e denuncia casos de escravidão (BARATTINI, 2010). Na próxima seção, o Brasil, como país de destaque na América do Sul, será analisado de acordo com a base de dados da escravidão contemporânea (SMARTLAB, 2018).

A análise permitirá identificar as especificidades do perfil da escravidão moderna no Brasil (em comparação com a América Latina).

Brasil

A existência de uma população oculta, segundo Bales, Hesketh e Silverman (2015), está relacionada ao fato de a escravidão contemporânea ser um crime e não ser visível na sociedade. A natureza criminosa da escravidão contemporânea torna impossível quantificar o número de vítimas no Brasil e, portanto, sua prevalência. Utilizando dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil (MPT, 2017), é possível caracterizar a escravidão contemporânea no Brasil.

Ressalta-se também que o aumento das operações de fiscalização na primeira fase do período analisado pode ter contribuído para a redução da população oculta de vítimas da escravidão moderna e, consequentemente, para a diminuição do número de resgates nos anos subsequentes. A proporção de vítimas da escravidão moderna resgatadas por setor de atividade no período de análise está representada na Figura 10. As Figuras 11 e 12 mostram a distribuição das taxas de escravidão contemporânea por município de nascimento e residência, respectivamente.

Conforme descrito anteriormente (Figura de vítimas resgatadas de condições de trabalho análogas à escravidão, exerciam atividades no setor agrícola.

Figura 7 - Quantidade de v´ıtimas resgatadas (SmartLab, 2003-2017)
Figura 7 - Quantidade de v´ıtimas resgatadas (SmartLab, 2003-2017)

Considera¸ c˜ oes sobre a escravid˜ ao contemporˆ anea feminina: ex-

Análise da escravidão contemporânea no Brasil mostra mais de 35 mil sobreviventes, via informações do SmartLab (2018). Esta maior incidência da escravatura contemporânea nestes sectores pode levar a uma especialização não intencional dos agentes policiais. Se a vítima tiver menos de 18 anos, a denúncia de informações é separada da escravatura moderna.

A análise descritiva dos dados sobre a escravidão contemporânea no Brasil indica a relativa concentração espacial desse fenômeno. Nessa perspectiva, há uma tentativa metodológica de sistematização de um painel municipal sobre a escravidão contemporânea no Brasil e a avaliação futura de um modelo mais amplo. Inclui apenas municípios que apresentam informações sobre a escravidão contemporânea - SmartLab e BIM (2013).

Da mesma forma, os locais onde o sector agrícola é relevante têm menos probabilidade de apresentar dados sobre a escravatura contemporânea. Finalmente, os elevados níveis de pobreza, desigualdade e desemprego aumentam a probabilidade da escravatura moderna. A baixa disponibilidade de dados sobre a escravidão contemporânea tem um impacto negativo no debate acadêmico sobre este tema.

Figura 15 - N´ umero de sobreviventes por gˆ enero e eficiˆ encia -CPT(2003-2018) e SmartLab (2003-2018).
Figura 15 - N´ umero de sobreviventes por gˆ enero e eficiˆ encia -CPT(2003-2018) e SmartLab (2003-2018).

Imagem

Tabela 1 - V´ıtimas de escravid˜ ao contemporˆ anea por sexo, segundo os relat´ orios GLOTIP (UNODC, 2014; UNODC, 2016; UNODC,2018)
Figura 1 - Trade-off entre consumo e lazer
Figura 2 - Redu¸ c˜ ao nos sal´ arios devido ao aumento da oferta de m˜ ao de obra
Figura 3 - Curva de indiferen¸ ca de um trabalhador vulner´ avel desempregado
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Referências

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Na apresenta¸ c˜ ao deste paradoxo em [04], Alchourr´ on afirma que ´ e not´ oria a inten¸c˜ ao de punir todos os homicidas, a menos que sejam menores de idade, ou seja, no caso de