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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ - Univali

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Academic year: 2023

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Embora as transformações no mundo e no homem contemporâneo sejam grandes, a sexualidade humana ainda é vivenciada, na sociedade ocidental atual, cercada de preconceitos que contribuem para o surgimento de doenças mentais. Diante deste contexto, foi realizado um estudo com o objetivo de compreender como a Psicanálise e a Psicologia Social definem e compreendem a sexualidade humana ocidental e a orientação sexual humana. Com os resultados obtidos, fica claro que o conceito de gênero é o ponto central do pensamento de ambas as abordagens quando se trata da orientação sexual humana.

O eixo norteador da pesquisa é a questão: como a psicanálise e a psicologia social definem e compreendem a sexualidade humana ocidental e a orientação sexual humana? Com o objetivo geral de compreender como a psicanálise e a psicologia social definem e compreendem a sexualidade humana ocidental e a orientação sexual humana, e, como objetivos específicos:

SEXO E SEXUALIDADE

Pelo exposto, fica claro que não há unanimidade em relação à sexualidade, por isso pensamos na ideia de sexo. Como sabemos que estamos falando da mesma coisa quando entendemos o que a outra pessoa chama de sexo ou sexualidade. Para responder questões como essas e compreender melhor a sexualidade e seus componentes, é necessário enfatizar a diferença entre os conceitos de sexo e sexualidade, pois é comum a confusão com eles, pois não tratam apenas de aspectos objetivos como o corpo físico , mas também aspectos subjetivos como cultura e fenômenos psicológicos.

Isto permite-nos estabelecer que o conceito de sexualidade, que é de natureza simbólica e consequentemente cultural, é muito mais amplo e complexo do que o conceito de sexualidade, que tem origem em dados objetivos, como o corpo biológico, especificamente os genitais. determina se uma pessoa é homem ou mulher. Em seu livro Sobre as teorias sexuais das crianças, Freud afirma que a sexualidade não é apenas instintiva, porque as pessoas não se satisfazem apenas com a satisfação das necessidades instintivas.

A SEXUALIDADE INFANTIL SEGUNDO A PSICANÁLISE

  • Do ser instintivo ao ser pulsional
  • As instâncias psíquicas
  • Fases do desenvolvimento psíquico
  • O Complexo de Édipo
  • Sobre a castração

É no centro do Id, que determina toda a vida psíquica, que encontramos o que Freud chamou de complexo de Édipo, ou seja, o desejo vergonhoso de um dos pais em detrimento do outro, como veremos a seguir. O Superego se desenvolve com a experiência de castração vivenciada durante o declínio do complexo de Édipo, num período chamado por Freud de período de latência, localizado entre os seis ou sete anos de idade e o início da puberdade/adolescência. Após as fases oral e anal (que são organizações pré-genitais), dos três aos cinco anos de idade, ocorre a fase fálica, que neste trabalho ganha relevância por ser a fase onde ocorre o complexo de Édipo, como iremos Veja abaixo.

Dependendo de como a criança se desenvolve e de como ela vivencia o declínio do complexo de Édipo (castração), sua sexualidade será definida em termos de orientação sexual (FREUD, 1976). Esta é a fase em que o complexo de Édipo atinge os seus picos e diminui: através do medo da castração nos rapazes (conforme explicado abaixo) e do desejo de um filho nas raparigas como o equivalente simbólico do pénis. É importante ressaltar que a resolução do complexo de Édipo possibilita a substituição do amor (erótico) pelos pais pela identificação.

Escrever sobre o complexo de Édipo é necessário neste trabalho porque é impossível estudar os investimentos sexuais sem falar deste complexo que, juntamente com o complexo de castração, é a base do aparelho psíquico dentro da psicanálise. O complexo de Édipo é um conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que uma criança sente em relação aos pais. O complexo de Édipo é uma estrutura porque neste drama de fantasia há uma organização de personagens interligados.

Primeiramente, segundo LAPLANCHE & PONTALIS (2001), o complexo de Édipo foi construído teoricamente a partir do modelo de um menino caracterizado por sentimentos de ternura direcionados à mãe, a quem cabe o atendimento de suas necessidades, e também por um interesse especial. na figura do pai que o menino admira. Por muito tempo, Freud acreditou que o complexo de Édipo seria o mesmo para meninos e meninas, mas em 1923 afirmou que na fase fálica (quando o complexo de Édipo atinge seu ápice) apenas o falo conta para ambos. Não podemos falar do complexo de Édipo sem falar do complexo de Castração, pois é a castração que marca o declínio do complexo de Édipo e na concepção freudiana um complexo é indissociável do outro.

Freud acredita que é nesse momento que as meninas começam a sentir inveja do pênis, o que caracteriza o lado feminino do Complexo de Castração (FREUD, 1908). Como vemos, a vivência do Complexo de Castração em ambos indica a falta, a incompletude que caracteriza a vida pulsional humana.

SEXUALIDADE SEGUNDO A PSICOLOGIA SOCIAL

O conceito de gênero

O conceito de gênero com essa concepção social, segundo Lelita Benoit (2000, p.76 apud SEVERIANO, 2007), surgiu na década de setenta com o trabalho da socióloga Ann Okley. Segundo Junqueira (1996, p.185 apud SEVERIANO, 2007, p.25) as categorias da identidade de gênero são: identidade de gênero nuclear, o sentimento de pertencimento a um sexo; identidade do papel de género; orientação de parceria sexual. A atenção a esta divisão é extremamente importante para a compreensão das questões de género, porque ter uma determinada identidade de género não requer necessariamente ter um objeto sexual específico.

Erros são comuns entre os menos observadores, e vale ressaltar que uma pessoa pode se vestir, falar e agir como homem e ter preferência sexual por outro homem sem necessariamente precisar ser como uma mulher para agir ou se vestir. A natureza não está completamente descartada do conceito de género, o que acontece e o que a abordagem sócio-histórica defende é que não pode ser considerada uma questão central e definidora na construção de género. O fato de a sexualidade ser uma construção social também mostra o quanto o poder interfere no processo, pois como afirma Figueiró (2001 apud SEVERIANO, 2007), as construções sociais são condicionadas pela história, pela economia e pela política.

Por ser influenciado por tantos segmentos e principalmente relacionado ao poder, fica clara a natureza dinâmica do conceito de gênero. Para concluir o conceito de gênero, vale citar Judith Butter (2003 apud SEVERIANO, 2007, p.23), pois ela defende que este não deve ser entendido ou construído como uma “identidade estável não”, pelo contrário, sugere que o gênero é uma identidade constituída no tempo e estabelecida no espaço externo, ou seja, no espaço social através da “repetição estilizada de atos”.

Gagnon e os roteiros sexuais

A ideia da origem social do desejo sexual é contrária à crença psicanalítica, pois para a Psicanálise, como já dito, o desejo sexual surge de impulsos internos provenientes de um exemplo psíquico (Id), que, ao ser submetido à repressão do ambiente de externos, são moldados e determinados pelo Ego que atende às demandas de outra instância psíquica (Superego). Para a Psicanálise, o psiquismo é influenciado pelo meio social, sim, mas como agente limitante e não como componente do desejo sexual. A autora estabelece que as “preferências” são construídas socialmente e que há uma construção do desejo baseada no gênero, e não através do sexo.

O autor refere-se ao fato de as pessoas considerarem a homossexualidade como resultado de algum tipo de trauma ou problema individual, enquanto a heterossexualidade é vista como resultado natural de processos de sexualização.” (OLTRAMARI, 2007, p.502). A contribuição que Gagnon fornece ao estudo da sexualidade humana é a utilização da teoria dos "roteiros sexuais" para explicar como o comportamento sexual é construído no ambiente social. Segundo este autor (apud OLTRAMARI, 2007, p.503) fornece "O significado dos scripts sexuais para as experiências sexuais das pessoas.

O autor acredita que existem formas de comportamento previsíveis dentro de um universo social de acordo com situações específicas. Para Gagnon (2006), os roteiros sexuais são compostos por três níveis, a saber: níveis intrapsíquicos, níveis interpessoais e cenários culturais. Em outro contexto, William Simon e eu chamamos esses projetos de roteiros sexuais, que pretendíamos formar uma subclasse da categoria geral de comportamento social escrito.” (Simon e Gagnon, 1969 apud Gagnon, 2006, p.114).

É portanto para Gagnon, através dos roteiros sexuais, que as pessoas constroem a sua sexualidade e fazem a sua escolha de objectos sexuais, aprendem o comportamento e especialmente a identidade de género. Oltramari (2007) revela que para Gagnon sua teoria é sombria e pessimista, pois segundo ela as pessoas vivem segundo roteiros que seguem etapas que acontecem sucessivamente e mostram dependência do meio social e da cultura em que vivem.

ANÁLISE DO CAPÍTULO

É importante mencionar que Freud se preocupou em estudar a influência do meio social sobre o homem. Ao publicar “Descontentamento na Civilização” em 1930, propôs uma reflexão crítica sobre a relação entre o homem e a sociedade, portanto não desconsiderou o meio social como elemento importante na constituição do homem. Ele argumenta que embora o ambiente social afete todo o processo de desenvolvimento psíquico, a civilização é causa de grande desconforto ao homem.

O ambiente social não deve ser negligenciado, pois a percepção de si e da diferença ocorre em relação aos outros. Para Freud, o ambiente social funciona como uma “barreira” aos instintos, a civilização estabelece limites que fazem o homem viver controlando seus instintos e abrindo mão da satisfação dos instintos para se enquadrar em grupos sociais. Quando o desenvolvimento ocorre de forma saudável, esse vínculo é rompido gradativamente, o que possibilita a independência e a integração da criança no meio social.

Portanto, para a psicanálise, o ambiente social não é negligenciado, mas contribui para o desenvolvimento psicológico, mesmo que cause sofrimento devido à frustração. A psicologia social, em contraponto à psicanálise, defende a sexualidade, que surgiu das relações sociais humanas, mas não do meio social, que serviria de proibição. Esta abordagem afirma que somos produtos e produtores do ambiente social e do contexto cultural do grupo em que vivemos.

Entende-se que o gênero não deve ser entendido como uma identidade estável, mas sim como uma identidade que se constitui ao longo do tempo e se estabelece no meio social. Este autor também traz a ideia de roteiros sexuais para explicar como o comportamento sexual é construído no meio social. O conceito de gênero também foi destacado por ser um conceito fundamental de sexualidade nesta abordagem.

Para a psicologia social, gênero é um conceito que surge “dentro e fora” do meio social, pois acredita que o sujeito constrói sua identidade de gênero a partir do meio social por meio das influências que dele recebe, em um processo contínuo ao longo de sua vida. Também seriam relevantes pesquisas sobre a influência do meio social na construção do gênero e a consequente influência na orientação sexual de uma pessoa, bem como pesquisas com pessoas que mudaram o meio social e cultural para observar seu comportamento sexual.

Referências

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