Caracterizar o perfil sociocultural das famílias e crianças envolvidas em ações de suspensão e retirada do poder familiar. Analisar as causas que motivaram as ações de suspensão e destituição do poder que foram decisivas nas decisões judiciais.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A família e suas atribuições sociais
Como não há status ou poder para transmitir, o que determina a extensão da família entre os pobres é a teia de obrigações que se cria. Portanto, é necessária uma relação mais precisa do que a de sangue para determinar quem é parente ou não, entre os pobres, à medida que a noção de obrigação se torna central na ideia de parentesco, sobrepondo-se aos laços de sangue.
Mudanças sociais e seus reflexos na organização e atribuições
3 Segundo os autores, o crescimento dos domicílios unipessoais, pessoas que vivem sozinhas, está associado principalmente às mudanças na pirâmide etária e ao envelhecimento da população, uma vez que a maioria dessas unidades é composta por idosos. Além da forma como está organizada, a renda familiar per capita é um indicador muito eficaz para caracterizar o perfil socioeconômico das famílias brasileiras, segundo pesquisadores do IBGE (2000, p. 55).
O rompimento do vínculo de filiação entre pais e filhos
Desta forma, é típico que a perda do poder familiar esteja muitas vezes relacionada com os problemas socioeconómicos das famílias em causa. As obras citadas trazem condições econômicas humilhantes como causa da institucionalização e ações para eliminar o poder da família.
Infância: breve retrospectiva histórica sobre seu significado e
As grandes instituições juvenis albergavam infratores e vítimas de abandono ou abuso, sem distinção entre eles, com o argumento de que todos respondiam à “situação irregular” e eram, portanto, vistos como objetos de proteção coercitiva por parte do Estado. Dessa forma, pode-se considerar que a prática da internação é parte importante da política voltada às crianças no auge da doutrina da “situação irregular”, que acabou envolvendo cerca de 70% da população infanto-juvenil brasileira nesta condição, permitindo, posteriormente, que fosse declarado que “o Estado brasileiro se encontrava em situação irregular”. (SARAIVA, 2005, p. 48).
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E ASPECTOS JURÍDICOS: POLÍTICAS
Doutrina da Proteção Integral
Desde então, os direitos das crianças têm sido baseados num documento global, vinculativo para os estados signatários, incluindo o Brasil, que ratificou a Convenção no ano seguinte. Portanto, pode-se concluir que essa mudança de paradigma no tratamento da infância, traduzida no Estatuto da Criança e do Adolescente, é um reflexo, no direito brasileiro, dos avanços ocorridos na ordem internacional em favor da infância e da juventude.
Aspectos jurídicos do poder familiar
Daí o exercício do poder familiar por pai e mãe, estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu art. O exercício do poder familiar fica também suspenso para o pai ou a mãe condenados com pena transitada em julgado, em Olhando para o Estatuto, percebe-se que a retirada do poder familiar se apresenta como medida aplicável aos pais ou responsáveis, conforme o artigo.
Estas ações visam investir na unidade familiar, evitando ações que suspendam ou retirem o poder da família.
CONTEXTO DA PESQUISA
- Traços da história do Município
- A colonização
- Aspectos econômicos
- Aspectos contemporâneos
- Políticas Públicas em Concórdia - SC
- A Comarca de Concórdia – SC
Os autores geralmente buscam conceituar o caboclo em termos de sua origem étnica, mas a historiadora Jaci Poli (1995, p. 99) concluiu que “o caboclo do Ocidente se origina não apenas da mestiçagem racial pura, mas da mestiçagem de indivíduos já mestiços”. ; mas “é mais importante saber que o conceito caboclo é muito mais social e econômico do que racial”. Segundo a antropóloga Arlene Renk (1997, p. 208), o termo brasileiro representa bem essas mestiças presentes, mas ela estima que “a atribuição mais comum a esse grupo é a de caboclo, que carrega consigo uma carga estigmatizada porque somos diferentes, porque não temos os mesmos valores, porque “não estamos jogando o mesmo jogo”, nos termos de Barth (1969, p. 15)”. 27 O termo “no mato” refere-se à localização da erva, que fica longe do fitoterapeuta, ao contrário de “no mato” da erva, que é encontrada em áreas agrícolas ou de pastagem, em pequenas propriedades.
É essa ideologia do trabalho colonizador que marcará o desenvolvimento do município de Concórdia, tornando-o denominado “capital do trabalho”.
RESULTADOS DA PESQUISA EMPÍRICA
Caracterização dos processos
O pedido do Ministério Público para retirar o poder familiar começou quando a criança tinha 6 meses e a pena terminou quando a criança foi adoptada dez dias depois. A proposta de retirada do poder familiar, feita pelo Ministério Público, foi iniciada quando a criança tinha três meses. A proposta de retirada do poder familiar, apresentada pelo MP, foi implementada quando a criança tinha um ano e oito meses.
A proposta de afastamento do poder familiar feita pelo Ministério Público Estadual começou quando a criança tinha onze meses.
Caracterização das crianças envolvidas nos processos em análise
A unidade médica entrou em contato com o corpo devido às condições de saúde e higiene do bebê. A criança foi internada por desnutrição e até então não estava sob nenhum acompanhamento médico (vacinas, teste do pezinho, etc.). Assim, de acordo com os dados que identificaram com quem as crianças moram, constatou-se que quatro (50,0%) moram com o pai e a mãe, dois (25,0%) com a mãe e/ou familiares.
Nas informações sobre com quem moravam os irmãos, notou-se que dois (50,0%) moravam com os pais e dois (50,0%) com os avós e/ou avós paternos.
Caracterização dos genitores destituídos do poder familiar
- Perfil social dos pais destituídos
- Perfil social das mães destituídas
- Renda Familiar
- Acesso das famílias a programas sociais
III Programa Habitacional; SISVAN – sistema de vigilância alimentar; PSF – Programa Saúde da Família; O programa. VI Programa Abrigo; cesta básica; roupas; auxílio transporte; doação de madeira para construção de casas; Secretaria do Conselho Tutelar de Desenvolvimento Social e Habitação VII Programa Habitacional; serviços de saúde; cesta básica;
Uma família (14,3%) teve acesso a três programas, que eram apoio a programa de abrigo, programa de saúde mental e inscrição em programas de moradia.
Causas que fundamentaram as ações de destituição
- Motivações da Promotoria da Infância
- Causas que fundamentaram as sentenças
- Considerações sobre as causas
III Citar laudos e depoimentos de testemunhas que comprovem total descumprimento dos deveres do poder familiar, contrários ao art.229 da Constituição Federal e ao Art. Dessa forma percebe-se que o conceito de abandono constitui grande parte do eventos que suscitam a sugestão de ações para retirar o poder familiar. Na avaliação das causas que fundamentaram os acórdãos que determinaram a perda do poder familiar dos progenitores em causa, as que mais dominaram referem-se à grave violação dos deveres do poder familiar, assinalada em quatro casos (57,1%) e, este mesma proporção foi observada na causa definida como recidiva no grupo familiar.
Violação grave dos deveres do poder de família Reincidência no seio do grupo familiar Abandono Exposição a perigo de vida do filho Outros motivos.
Outras questões observadas
Por fim, no Caso VII, destacam-se a omissão e a negligência da mãe por parte do Conselho Tutelar e do Ministério Público; O abandono é o motivo apresentado pelo Ministério Público e pelos profissionais e é a base da pena.
A DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR E AS CONDIÇÕES
Crianças envolvidas
Filhos de mães com menos de quatro anos de escolaridade eram 28% das crianças, mas hoje restam apenas 11%. Comparativamente, é possível verificar a relação entre escolaridade, estado de saúde, poder de compra e desnutrição infantil, que afetou a grande maioria das crianças estudadas. O registo de nascimento dos filhos envolvidos é outro aspecto que merece atenção pela importância de tal documento para a afirmação da cidadania e a sua expressão na questão do género.
O fato de a maioria das crianças terem sido registradas apenas em nome da mãe aponta para a questão da não inclusão da figura masculina como corresponsável pela gravidez.
Grupos familiares de origem
Podem existir vários motivos para o não registo do nascimento de uma criança, incluindo: negligência parental; perda da certidão de nascimento vivo fornecida pelo hospital; falta de documentos dos pais; a mãe espera que o pai reconheça a paternidade. Ainda que a falta de condições financeiras não justifique o não registo de nascimento, sabe-se que esta condição tem estado na base de muitas situações, acompanhadas de desconhecimento por parte dos pais sobre o direito ao livre acesso ao tal documento. . A mãe foi, na maioria dos casos, a única personagem no processo de retirada do poder familiar.
Neste último caso, segundo Sarti (2007, p.85), a representação familiar para os pobres parece estar associada “aqueles em quem se pode confiar.
Expressões de gênero
Com as mesmas “lentes” utilizadas até agora, não há outra forma de olhar para esta característica senão entendê-la como uma expressão tanto da vulnerabilidade social como do problema de género que expõe muitas mulheres (independentemente da idade) à exposição e exploração de o corpo e muitas vezes o transformam em fonte de renda. Percebe-se, portanto, que a questão de gênero mostrou-se expressiva e multifacetada nesta pesquisa, mostrando que o significado de ser homem e de ser mulher, construído historicamente, impõe às mulheres a responsabilidade de cuidar dos filhos e, em muitos casos, casos, veio o aumento da responsabilidade pelo sustento material da família. Em sua pesquisa, Fávero (2000) também concluiu que a questão do gênero é um componente dos problemas que ocasionam o parto ou a retirada da criança.
Confirma-se assim com Fávero (2000, p. 23) que não se pode analisar pesquisas deste tipo sem realizar a necessária articulação com o tema das relações de género e outras condições sociais já mencionado anteriormente, ao qual voltaremos no ponto seguinte.
Escolaridade, moradia, trabalho e renda e suas implicações com a
III, e que marca o perfil da maioria das pessoas privadas do poder familiar, pesquisadas neste trabalho. Da mesma forma, parece que em nossa pesquisa a questão econômica não aparece diretamente nas causas que fundamentaram as ações e punições para a retirada do poder familiar, mas revelam as precárias condições de vida dessas famílias. A pesquisa realizada destaca os principais motivos que deram origem às sentenças que decretaram a retirada do poder familiar desses pais e mães em relação aos filhos protegidos nessas ações.
Observa-se que existe uma linearidade entre estas causas, sendo as mais importantes: negligência, omissão, abandono e violação grave dos deveres do poder familiar (figura 13).
As ações públicas: alcances e desafios
Na pesquisa empírica analisada, constatou-se que as famílias envolvidas em ações de eliminação do poder familiar receberam alguns programas sociais básicos. O objetivo central deste estudo foi analisar as condições que determinaram as medidas legais de afastamento do poder familiar em Concórdia e a presença de políticas públicas relacionadas a elas. Está estabelecido que o desempoderamento da família aborda casos específicos de proteção infantil, mas não reduz a vulnerabilidade social da família.
A intervenção dos serviços sociais no problema da retirada do poder familiar no judiciário catarinense.