Agradeço a Deus por me dar a oportunidade de chegar ao dia da defesa da tese. A todas as instituições que me apoiaram na realização da tese na Escócia, o Scottish Institute for Enterprise e New Enterprise Scotland, especialmente Andrew Tomkins, que me acompanhou em entrevistas em instituições de ensino em Glasgow.
CONTEXTUALIZAÇÃO
A operacionalização do ensino empreendedor perpassa práticas pedagógicas em diferentes níveis e processos educativos que adquirem significado social, pois pretendem facilitar a aquisição de competências empreendedoras. 4 Colleges são instituições de ensino superior que oferecem cursos de educação profissional no Reino Unido.
PROBLEMATIZAÇÃO
Organizações financiadas pelo Governo Federal Escocês, como a Young Enterprise Scotland5, promovem o empreendedorismo como uma opção de carreira no ensino profissional (ensino superior). Do ponto de vista das instituições que oferecem educação profissional no Brasil, a Lei nº. 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Fundamentos (LDB) – regulamenta o ensino profissional e as diretrizes nacionais dos planos curriculares (DCN) e em seu artigo 14 especifica o ensino do empreendedorismo na educação profissional.
OBJETIVOS DA PESQUISA
Objetivo geral
Desta forma, procurámos compreender o modelo britânico de educação para o empreendedorismo, especialmente o implementado na Escócia, de modo a identificar boas práticas, casos de sucesso e lacunas neste sistema educativo, de modo a diagnosticar as semelhanças, possíveis alternativas e deficiências no o ensino do empreendedorismo na educação profissional brasileira. Para alcançar o desejado, a questão de pesquisa é: Como a educação para o empreendedorismo está integrada à atividade empreendedora da educação profissional no Brasil e na Escócia.
Objetivos específicos
RELEVÂNCIA DA PESQUISA
Quanto à metodologia, esta tese apresenta um tema de pesquisa composto por dois objetivos: aprender empreendedorismo e educação. Ampliando a compreensão do tema, buscamos estudar a educação para o empreendedorismo praticada na Escócia, país que apresenta indicadores positivos na sua operacionalização.
ORGANIZAÇÃO DA TESE
Para obter uma compreensão geral da tese, propõe-se o exame de dados bibliográficos e estatísticos de ambos os países, bem como uma abordagem inicial do campo com os stakeholders do ensino de empreendedorismo na educação profissional de ambos os países, quais gestores educacionais, professores e professores cobrem. instituições que apoiam e incentivam o empreendedorismo. Será também apresentada e discutida a EE no ensino básico, superior e no ensino profissional, bem como um panorama da educação para o empreendedorismo no Reino Unido, mais especificamente, as iniciativas realizadas no ensino profissional na Escócia.
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL
Concepções filosóficas da educação profissional
O modelo de educação profissional vigente no Brasil tem como princípio básico a “formação integral de pessoas”. No contexto educacional brasileiro, as diretrizes de aprendizagem propostas pela Educação Profissional e Tecnológica (EPT) sugerem a verticalização do ensino.
Críticas ao ensino do empreendedorismo na educação profissional. 41
Assim, a teoria do capital humano configura-se como um novo disfarce para velhas questões já colocadas a partir da visão técnica da educação. A partir da revisão teórica da educação profissional, considerando autores brasileiros e britânicos, e das leis e decretos que instituem a EF em ambos os países, foi possível traçar um referencial teórico que constitui esta modalidade de ensino.
EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA
Considerações históricas do ensino do empreendedorismo
Conceitos e objetivos da educação empreendedora
A educação para o empreendedorismo centra-se no desenvolvimento e aplicação de uma mentalidade e competências empreendedoras no contexto específico da criação de novos empreendimentos, através do desenvolvimento de negócios existentes ou da criação de uma nova organização. Reforçar o espírito, a cultura e as atitudes empreendedoras, criar novos negócios e empregos, contribuir para a sociedade e estimular competências empreendedoras.
Ensino do empreendedorismo na educação básica, no ensino
No ensino profissional brasileiro, o ensino do empreendedorismo pode ser realizado no ensino básico (ensino fundamental e médio) e no ensino superior (diploma tecnológico e especialização técnica), de acordo com o ponto 3 do artigo 39 da lei nº. 9394/96. O ensino do empreendedorismo na educação profissional, segundo esses autores, é uma oportunidade de desenvolvimento econômico, de criação de riqueza, de renda, de empregos e de desenvolvimento social por meio de negócios e empreendimentos criados por empreendedores.
Ensino do empreendedorismo na Escócia - Reino Unido
O modelo britânico de educação proporciona acesso ao ensino superior através da educação profissional realizada em faculdades. 2008) salientam que a oportunidade de progredir desta forma contribui para a flexibilidade e acessibilidade do sistema de ensino superior na Escócia.
Dimensões da educação empreendedora
- Nível macro-organizacional da educação empreendedora
- Nível institucional da educação empreendedora
- Nível da aprendizagem empreendedora
- Nível individual da educação empreendedora
- Pressupostos teóricos da Educação Profissional e da Educação
Esta secção conclui destacando o papel da instituição de ensino na promoção do emprego, do empreendedorismo e de experiências de aprendizagem. Tais interacções podem ser conceptualizadas através da ligação institucional e da integração de experiências de aprendizagem individuais. A Tabela 14 mostra que os estudos sobre aprendizagem empreendedora estão distribuídos por áreas macroestruturais, como a questão das influências políticas e o papel da instituição nos processos de aprendizagem.
POSICIONAMENTO ONTOLÓGICO E PARADIGMÁTICO DA TESE
É apresentado um breve panorama teórico dos métodos de coleta e análise de dados, com ênfase na utilização da análise fenomenológica interpretativa - IPA (interpretative phenomenological analysis), que foi o principal método de análise dos dados coletados. À luz destes argumentos, esta tese assenta num paradigma interpretativista, tendo a fenomenologia como fundamento teórico para a recolha e análise dos resultados. Da mesma forma, as análises dos dados coletados em campo seguiram a técnica de análise do Reino Unido denominada Análise Fenomenológica Interpretativa (IPA) (SMITH; FLOWERS; LARKIN, 2009; SMITH, 2011).
DESIGN METODOLÓGICO
Primeira etapa: a investigação qualitativa nas instituições de EP no
- Passos da pesquisa junto às instituições de EP
- Definição e caracterização da amostra
Os sujeitos desta fase de pesquisa de campo em instituições de ensino do Brasil e da Escócia são alguns stakeholders internos da EA (MATLAY, 2009). Das três instituições de ensino profissional na Escócia, uma não foi inquirida porque os gestores institucionais não estavam dispostos a participar no inquérito. O perfil dos sujeitos da investigação variou desde coordenadores e gestores de área até professores e instituições de apoio à educação para o empreendedorismo (no caso específico da Escócia).
Segunda etapa: a investigação qualitativa com empreendedores
A coleta de dados resultou de 12 entrevistas e mais de 66 páginas transcritas de mais de 10 horas de gravação. Ao final da primeira fase da pesquisa, os resultados encontrados permitiram compreender o contexto da educação profissional nos dois países, os procedimentos e práticas de ensino do empreendedorismo, e também foi possível realizar roteiro de entrevistas para empreendedores. Buscou-se homogeneidade quanto ao número e perfil dos empreendedores, bem como a aplicação das entrevistas seguiu critérios semelhantes, tanto para os escoceses quanto para os brasileiros.
PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS
As amostras na IPA são geralmente pequenas, variando de casos únicos a 8 participantes, o que é suficiente para que o potencial da IPA seja alcançado (SMITH; FLOWERS; OSBORN, 1997; SMITH; FLOWERS; LARKIN, 2009). Ressalta-se que não foram encontrados no Brasil estudos que tratem da IPA na área de administração, por esse motivo optou-se por apresentar mais detalhadamente o procedimento de análise da IPA na Tabela 31, bem como o formulário de aplicação na atual pesquisa . A seguir, a apresentação dos dados pertencentes a cada uma das categorias estudadas, a saber: 4 categorias institucionais (formação profissional, educação empreendedora ao nível macroorganizacional, nível institucional e aprendizagem empreendedora), que é o resultado da fase exploratória através de entrevistas com , entre outros . os stakeholders das instituições (gestores e professores) sobre a sua prática docente em empreendedorismo.
ENSINO DO EMPREENDEDORISMO NA ESCÓCIA: OBSERVAÇÃO
Inicia-se com a análise da observação de seis meses dos participantes durante o estágio de doutorado. A Tabela 32 apresenta os elementos da observação participante e uma breve descrição das atividades relacionadas ao objeto observado. O projeto de educação empreendedora Triplo E é composto por coordenadores, tutores e alunos, público que foi possível atender durante o período de observação participante.
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DAS CATEGORIAS E TEMAS DE
Análise das categorias de EP para os stakeholders
Este baixo conhecimento da prática educativa deve-se à influência das instituições de apoio no ensino do empreendedorismo na Escócia. Nesta categoria foram considerados emergentes dois temas: projetos movidos pela demanda e instituições de ensino que apoiam o empreendedorismo. Nas instituições de ensino profissional pesquisadas no Brasil, fica claro que a avaliação é uma decisão pessoal de cada professor.
As práticas de aprendizagem são previsíveis e ministradas por instituições que promovem e apoiam o empreendedorismo neste país, dentro de padrões pré-definidos. As diferenças entre os empresários são pequenas, pelo que as mais óbvias são os métodos de ensino mais padronizados e estruturados e as instituições externas de apoio ao empreendedorismo, que na Escócia desempenham um papel muito eficaz na criação de novas empresas de licenciados profissionais.
Análise das categorias de EE – nível macro-organizacional
Análise das categorias de EE – nível institucional
Este conjunto de temas trata de decisões institucionais relativas à educação para o empreendedorismo e é composto por métodos inovadores, formação de professores, deficiências metodológicas, práticas docentes reflexivas. Em contraste com a forte influência direta de instituições externas nos métodos e práticas de ensino das instituições, instituições como o SEBRAE, por exemplo, exibiram baixa interação no Brasil. Os progressos diagnosticados no país europeu em relação à estrutura externa de apoio ao ensino do empreendedorismo, a rigidez do currículo que afeta a prática docente e a baixa e assumida reflexividade na mesma parecem positivos.
Análise das categorias emergentes de nível macro-organizacional e
Quando se trata de ensinar empreendedorismo, existem enormes lacunas no processo de ensino e aprendizagem. Para os empreendedores brasileiros, as deficiências metodológicas e as instituições que apoiam o empreendedorismo apareceram como novas categorias em ambas as amostras, de modo que ambos os temas foram frequentemente mencionados devido às dificuldades que os empreendedores tiveram em ensinar e iniciar um negócio. Na Escócia, instituições de apoio (como o SIE e o YES) intervêm diretamente no estabelecimento de ensino, utilizando métodos inovadores, na formação de professores e na procura de lacunas metodológicas.
Análise das categorias de EE – nível da aprendizagem para gestores
Análises dos resultados pertencentes à categoria aprendizagem
Na amostra brasileira de empreendedores, os processos de aprendizagem empreendedora são revelados na forma de aprendizagem prática, currículos e atividades extracurriculares, incubadoras e estágios. Aprendemos de todas as maneiras, mas acho que ter alguém explicando pessoalmente é insubstituível e a melhor forma de aprender. Sendo um tema emergente, o apoio escolar a estudantes empreendedores é altamente relevante para empreendedores nas fases iniciais do seu negócio, uma vez que compreendem o papel do professor ou conselheiro para contribuir para o seu processo de aprendizagem empreendedora.
Análises dos resultados pertencentes à categoria nível individual
Todos os entrevistados escoceses desenvolveram as suas ideias e definiram oportunidades durante o período de estudo no ensino profissional. Os resultados confirmam os estudos de Nair e Pandey (2006), pois o fato de não pertencer a uma família empreendedora não afeta o sucesso empreendedor, e de Pruett (2012), quando afirma que o apoio familiar não afeta a intenção empreendedora. Fica claro que o apoio da família ao empreendimento ocorre de forma defensiva, acreditando que esta iniciativa poderá trazer um futuro incerto.
Temas emergentes do nível individual
A exceção é o apoio a antigos professores profissionais que continuam presentes nas fases iniciais da empresa. Os objetivos futuros baseiam-se mais na atividade profissional do que em ambições ou objetivos pessoais, o que sugere que o pequeno empresário formado no ensino profissional escocês tem a dimensão do âmbito das suas atividades e do seu potencial. Somente entre os empresários brasileiros foi observado um tema emergente, a saber, as metas de educação profissional.
RELAÇÕES ENTRE CATEGORIAS E TEMAS ESTUDADOS
- Semelhanças e divergências entre empreendedores brasileiros e
- Análise Interpretativa Fenomenológica entre as amostras
- Elementos da EE incorporados na carreira empreendedora dos
- Síntese dos objetivos e resultados alcançados
As instituições de ensino brasileiras apresentam diferenças significativas em diversos aspectos, como o tempo de existência, as filosofias institucionais, o foco de seus cursos e programas e o nível de maturidade no ensino do empreendedorismo. Métodos de ensino inovadores são vistos como fundamentais para a aprendizagem empreendedora, mas no caso brasileiro tiveram um impacto modesto devido ao fato de esses métodos terem sido pouco utilizados durante o período do PE. Este capítulo apresenta as considerações finais relativas ao tema examinado: as conclusões gerais sobre as categorias analisadas, tanto para as instituições de ensino como para os empresários dos dois países examinados;
CONCLUSÕES DO ESTUDO
Em termos de métodos e práticas das instituições de EFP inquiridas, as atividades na Escócia são rigorosamente planeadas e executadas, e muitas delas são realizadas por instituições externas. Constatou-se que a falta de padrões curriculares, disciplinas, conteúdos, métodos e técnicas de ensino gera um déficit de qualidade na educação, principalmente pela falta de preparo dos professores para oferecer educação para o empreendedorismo. No Brasil, a menor influência de organizações externas (baixa participação do SEBRAE nas instituições de EF) e as fortes consequências econômicas do direcionamento ao mercado de trabalho na prática educacional caracterizam a educação oferecida.
RECOMENDAÇÕES PARA MELHORIA DA EDUCAÇÃO
Repensar e reestruturar as disciplinas de gestão do curso, pois constatou-se que não se preparam adequadamente para os desafios do mercado e da gestão de uma empresa. Verificou-se que a maior necessidade do empreendedor não é a competência técnica, apesar das deficiências estruturais e metodológicas apresentadas, mas sim as competências e capacidades gerenciais e estratégicas que podem ser utilizadas no dia a dia do empreendedor. A dimensão profissional deve, portanto, ser mobilizada para a conquista da dignidade humana, e o trabalho não é apenas um meio de subsistência, mas também uma forma de alcançar a felicidade e a realização do trabalhador.
LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS ESTUDOS