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universidade estadual de santa cruz

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Academic year: 2023

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Para ler além da letra: a alusão como constituição do espaço autobiográfico em Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós/Girlândia Gesteira Santos. A pesquisa intitulada Ler além das letras: a alusão como constituição do espaço autobiográfico em Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós tem como objetivo investigar como os jogos alusivos podem evidenciar as características do espaço autobiográfico na obra.

PANORAMA DA PESQUISA

Alusão: uma leitura e uma escrita para além da palavra

É portanto no espaço autobiográfico das representações do 'eu-outro(s)' que reunimos, com a alusão, as partes deste todo certo de uma obra literária, em fios tecidos através e em memórias, metáforas. e metonímias, que possibilitam ao leitor costurar o sentido da narrativa. Com isso, capacitamos os indivíduos para enfrentarem um mundo conflitante e de desafios constantes, em que talvez o mais importante deles seja se reinventar, ser ‘diferente’ a cada novo amanhecer.

Os caminhos teórico-metodológicos com a alusão

No segundo capítulo, temos o referencial teórico de investigação e análise, baseado na alusão como suposta teoria em Torga Nele, que investigamos. A partir dessas explicações, analisamos o corpus com o objetivo de promover a dialogicidade assumida entre teoria e objeto na feitura alusiva da linguagem literária de Vermelho Amartar (2011).

ALUSÃO

Margens e imagens da palavra outra

  • Vermelho amargo: matizes de uma vida em tela
  • Litera(lei)tura e alusão em Vermelho amargo
  • Desenho verbo-visual: letras que pintam uma paisagem autobiográfica

Ao exteriorizar-se, reconhece-se a partir de uma perspectiva imbuída de certos tons axiológicos dos valores da vida, formados no coletivo e, portanto, na vivência com os outros. Reescrevendo suas memórias, Queirós (2011) condensa na cor da tinta vermelha, derramada sobre papel branco, mas aparentemente envelhecida (cartas/memórias/sentimentos), sinais, vestígios e vestígios do ‘eu’ que não se cala, mas compartilha literatura conosco (lendo) “mensagens rabiscadas por uma faca no ar que corta o vermelho em fatias”, o ciclo constante da vida viajando nos trilhos invisíveis do tempo (QUEIRÓS, 2011, p. 65).

Figura 1 – Ilustração da diagramação/composição da obra, Vermelho amargo, de Bartolomeu  Campos de Queirós
Figura 1 – Ilustração da diagramação/composição da obra, Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós

Memória

  • O revi(ver) de uma vida nas malhas do tempo
  • Memória: a constituição do “eu” no espaço autobiográfico
  • A represent(atividade) de um eu
  • Memória e autobiografia: vestígios do eu

É transcendente ao tempo, é o que vai embutir a autoimagem do “eu” na escrita e/ou relato de uma vida, mesmo que de forma fragmentada. A escrita das memórias organiza e/ou desorganiza a autoimagem satisfatória (CANDAU, 2014, p. 64), por outro lado, é através das memórias do passado que podemos traçar a escrita do “eu-por- meu". '. Desta forma, podemos pensar que as narrativas literárias são representações de um ‘eu’ em ação, num processo de auto(re)conhecimento e autorreflexão, inscrevendo-se no espaço da sua própria (re)significação.

Diante disso, vemos a narrativa do 'eu' baseada numa atividade de representação não do real, mas das imagens criadas desse real. Este “eu” impessoal na escrita autobiográfica não é transcrito, mas (re)elabora o seu projeto originário. Assim, a autobiografia é composta pelas memórias de um “eu” facetado, fruto de outros, daqueles que fornecem a imagem do “eu”.

Este ‘eu’ não é morfológico, mas orgânico à escrita representativa, enfim, é o ‘eu’ no espelho e na voz do ‘outro’, onde ele não se vê nem fala de si mesmo.

Alusão e memória

  • O vivido e o sonhado inaugurando o depois do olhar
  • Uma leitura alusiva das memórias em Queirós

Como operação mediadora de sentidos intra e interdiscursivos, a alusão na memória encontra uma categoria que mobilizará sentidos construídos na cooperação dialética entre 'eu' e 'outros', entre autor e leitor, quando ocorre a transfiguração na memória do que é vivenciado através memórias que aquele que lembra pode recuperá-las porque isso significou, mas é transsignado para o agora. Eles resumem como a escrita autobiográfica é composta em e através de memórias fragmentárias e deixa vestígios de uma (re)representação do “eu” que é (re)formulado em relação ao(s) outro(s). As tardes vermelhas e sem perfume, como os tomates, representam a ausência da mãe, por isso, embora sejam lindas, “arranham os olhos”.

Elas (memórias/chamas) reaparecem vermelhas e brilhantes, explodindo em suspiros de raiva que se manifestam com e nos gestos ásperos da madrasta. As memórias são duplamente fragmentadas: no processo de recordação e na escrita literária que faz uma ruptura entre metáforas e metonímias nas palavras balbuciadas ao leitor, transformando-as em marcadores alusivos aos sentidos que dão certo acabamento à obra. Ao escrever e/ou ler, o recordador (re)compõe as memórias que se transformam em pontes de duplo sentido, ambos.

É o movimento do já-ser para o não-ser, característico da dinâmica de sentidos que se movem fora da linearidade narrativa, em fragmentos, citações, lacunas, silêncios, rupturas, de onde vêm são aludidos. com a palavra.

Alusão, metáfora e metonímia

  • Entre o dito e o não-dito: o espelho interroga a palavra
  • Cores, sabores e odores em Vermelho amargo: uma análise metaftonímica

Portanto, consideramos metáfora e metonímia categorias integrais porque toda metáfora resulta de um processo metonímico porque. Isso acontece a partir de um olhar transgressor, em que as relações são complementadas pelo olhar para o outro, pois o que vemos não é o que o ‘outro’ vê, o outro tem uma visão externa diferenciada do todo, enquanto só vemos o todo vemos partes . A condensação mostra a compartimentação do espelho, os pedaços de um 'eu' que, formados a partir das partes, são fragmentos de um todo condensado nos e pelos movimentos que, com alusão, formam a parte/todo, o dentro/fora, e reflete um 'eu-outro' em 'um'.

Não é o todo, mas uma parte de um todo que não termina quando expresso. As lembranças do menino passam a ter os tons axiológicos do personagem narrador adulto e exigem uma compreensão interpretativa, pautada em certa completude do ‘outro’, o leitor. Memórias transformadas e transsignadas numa “primeira leitura [que] se deu a partir de uma mensagem escrita pela faca no ar que corta o vermelho” (QUEIRÓS, 2011, p. 65).

O cheiro da mortadela mostra a ausência de um pai tão poucos quanto suas relíquias, que, “para conquistar o amor, negociou o destino dos filhos com tomates, clandestinamente” (QUEIRÓS, 2011, p. 13).

AUTOBIOGRAFIA

O (re)inventar de uma vida no fio da palavra

  • Alusão, memória e autobiografia: marcas dialógicas

A nova cultura da imagem revela como o ‘eu’ necessita de um certo acabamento do ‘outro’ e, ao se apresentar ao ‘outro’, cria uma imagem de si a partir do que o outro espera e se constitui para e para o outro. segundo. A vida do autor torna-se referência para o leitor, por isso a obra autobiográfica não é questionada, pois necessita de um objeto referente “estável”, unificado no tempo. O espaço autobiográfico em Vermelh Bitter (2011) é (re)composto nos rastros deixados pelas memórias, uma memória construída nos moldes do passado como captura do presente que constitui o tempo narrativo.

O percurso de um menino narrador, sob o olhar do narrador adulto, é delineado nas metáforas criadas entre as flutuações da memória e os devaneios, fantasias/sonhos e/ou fantasias do autor. Nasceu na cidade de um avô que escrevia nas paredes, e morreu na cidade de outro avô com seu olho de vidro (QUEIRÓS, 2011, p. 37, grifo nosso). Com isso, há um certo amassamento de memórias, baseado em um passado sempre atualizado no tempo do leitor e também no narrador adulto que aprecia, desconfia, repensa “a dor [que] vem de distâncias distantes, de tempos enterrados”. , lugares inconvenientes, futuro incerto” (QUEIRÓS, 2011, p. 8).

Já a madrasta decapitou, cortou o tomate em rodelas fininhas, no processo de quebrar o tomate escreveu uma expressão de ódio feroz contra os não familiares e anunciou sua morte (QUEIRÓS, 2011, p.

Autobiografia: imagem, reflexo, refração do ‘eu’ em ‘nós’

  • A escritur(ação) do ‘eu’ e as marcas do poder em Vermelho amargo

A autobiografia é, portanto, uma forma pela qual o autor, ao escrever (ver-se) em palavras, povoa outros mundos, através dos diferentes sentidos e usos da palavra que, na linguagem literária de um ‘eu’, não se inclui a si mesmo. , mas abre-se ao “nós” (mundo), parte fundamental do seu todo inacabado. Através deles transcrevem os conflitos internos de um mundo que, sendo o seu passado, ecoa, ressoa e reverbera nos nossos desejos, nas nossas memórias e na nossa sociedade, transformando o 'eu' em um 'nós', o privado em público. , o singular no plural e o individual no social. Nesse sentido, algumas questões perturbam e movimentam a reflexão desta passagem: como os pontos percebidos na narrativa de um eu, que ao ser ‘eu’ passa a ser a expressão de um ‘nós’.

Dessa forma, entre a vida e a morte, o conhecido e o estranho, o conhecido e o desconhecido, o tudo e o nada, a arte literária e a vida literal, revelamos 'outros' significados que, quando insinuados, enfatizam a construção da teia narrativa . que expande as fronteiras do 'eu' e revela um mundo de significados que, portanto, não são tão estranhos para nós, leitores. Os significados derivados do tomate se movem e se compartilham e vão em diferentes direções, formando esse 'eu' (narrador-personagem) e esses 'eu-outros' (pai, mãe, madrasta, irmãos) a partir dos quais refletem e refratam o 'eu-social' social. nós extraímos. A cena que dá origem aos fios que tecem a performance 'Eu-nós' é justamente aquela que serve de motivo para a reunião familiar, a refeição.

Uma narrativa que se concretiza a partir dos gestos, cheiros e sabores presentes nas refeições, e é, com o corpo e os sentidos aguçados, nas palavras e nos seus reversos, que com a alusão ganhamos o conhecimento de um ‘eu’ que se multiplica em um ‘nós’, por meio de uma escrita que adquire dimensão pública, pois “a escrita (autobiográfica) produz um apagamento das fronteiras entre a tematização do outro e a de si mesmo” (ORLANDI, 2007, p.84). .

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por outro lado, esse todo particular inacabado é tecido em metáforas e metonímias que, articuladas em movimentos parte/todo/parte, constituem o processo metaftonímico, no qual os significados de eu-te amo e eu-mato-te se movem e se condensam. no tomate – teamo/tomate/temato. É uma leitura hipnotizante para o leitor que, com a alusão, é levado a ir além das palavras, preencher os silêncios e compreender os fios que tecem esta história. O jogo entre ficção e realidade é o espelho invertido que, sob a influência da luz, atrapalha o olhar e impede o leitor de buscar sentido além das linhas, além das margens, além das palavras, além do olhar, porque “está em busca de significado além das linhas, além das margens, além das palavras, além do olhar.” Uma palavra capaz de nomear o que está além do olhar é dialogar com enigmas.

Na construção teórico-metodológica desta pesquisa, utilizando a alusão como teoria de leitura e investigação científica, articulamos saberes linguístico-literários que nos permitiram compreender que em estratégias semântico-discursivas e jogos de linguagem articulados em memórias, metáforas e metonímias, categorias. de alusão, são os vestígios que compõem o espaço autobiográfico da obra de Queirós (2011). A alusão, nesse sentido, funcionou como um produto em processo e permitiu recuperar os fios e (des)atar os nós narrativos e/ou recompor as partes (re)cortadas, (re)quebradas da escrita de Queiroz que complementam e fundem-se em um determinado todo, pois “quando falo das partes, falo do todo” (LIMA, 1998, p. 124). Nessa perspectiva, a alusão, como teoria da leitura, valida nossa compreensão para que possamos descobrir enunciados insuspeitados, ampliando nossa interpretação das práticas linguísticas, da comunicação e, portanto, do próprio mundo, à medida que se torna importante compreender os detalhes de uma obra. que se completa não só nas palavras, mas no silêncio, no trabalho gráfico na relação parte/todo, todo/parte que movimenta os sentidos que deslocam e comprimem em memórias, metáforas e metonímias que marcam o espaço autobiográfico e servem de indícios para a leitor mapeie de forma alusiva ao todo narrativo próprio.

Assim podemos entender que esta obra também é apenas um vislumbre do buraco da fechadura da linguagem através do qual não podemos alcançar o todo inacessível, mas apenas ilumina a trama para ver com maior clareza o que já foi decifrado, pois temos certeza de que “qualquer estudo , quando chega ao fim, é apenas uma parte do todo que procurou ser conhecido e, portanto, permanece aberto para ser conhecido” (TORGA, 2001, p. 19).

Imagem

Figura 1 – Ilustração da diagramação/composição da obra, Vermelho amargo, de Bartolomeu  Campos de Queirós

Referências

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