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Academic year: 2023

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Dr. Shirlena Campos de Souza Amaral (Shkenca Sociale dhe Juridike – UFF) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF. Sérgio Arruda de Moura (Letërsi krahasuese - UFRJ) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Contribuições para estudos culturais e de cultura gay que considerem o tripé: indivíduo, cultura e sociedade com ênfase nas pesquisas sobre a formação da identidade gay no Brasil, por meio da análise do discurso, tendo como corpus o jornal O Lampião da Esquina. Através da análise do discurso, explorar as relações entre poder, dominação e empoderamento, como objetos de criação e manutenção da formação da identidade gay.

LUTO É VERBO: DITADURA CIVIL-MILITAR BRASILEIRA (1964-85)

Dos porões às ruas: os movimentos sociais e as formas de resistência

Sua aparição foi durante a semana de debates sobre minorias sociais, promovida pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. O nome definitivo - Somos: Grupo de Afirmação Homossexual - foi o meio-termo adotado pelo grupo e estreou durante debate em 6 de fevereiro de 1979, no Departamento de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo.

Figura 1 Ação do delegado José Wilson Richetti contra travestis, no centro de São Paulo
Figura 1 Ação do delegado José Wilson Richetti contra travestis, no centro de São Paulo

Das posições e representações do Lampião da Esquina

O que vemos, portanto, é que os redatores e editores do jornal O Lampião da Esquina, além do capital social, também possuíam capital econômico, formação intelectual e transitavam em esferas sociais em sua maioria reduzidas e restritas. É assim que entendemos a apresentação, no título do editorial número zero da proposta do jornal: Sair do gueto.

Figura 3 Peter Fry, João Silvério Trevisan, Celso Curi, Aguinaldo Silva, Francisco Bittencourt,  Gasparino Damata, João Antônio Mascarenhas e Darcy Penteado
Figura 3 Peter Fry, João Silvério Trevisan, Celso Curi, Aguinaldo Silva, Francisco Bittencourt, Gasparino Damata, João Antônio Mascarenhas e Darcy Penteado

A CONSTRUÇÃO DOS DITOS: OS FUNDAMENTOS E AS PRÁTICAS DA

  • Linguagem
  • Os caminhos históricos da Análise de Discurso
  • A formação interdisciplinar da Análise do discurso
  • Conceituando discurso e interdiscurso

A análise do discurso parte do contexto histórico de instabilidade política e teórica da segunda metade do século XX na França. O segundo período da análise do discurso é marcado pela emergência do conceito de formação discursiva (FD), desenvolvido a priori por Michel Foucault em A Arqueologia do Conhecimento (1969). Dessa forma, dois conceitos poderosos (máquina discursiva e formação discursiva) não poderiam circular no campo gravitacional da análise do discurso.

É neste ponto, portanto, que o conceito de interdiscurso se fortalecerá nas acaloradas discussões em torno da Análise do Discurso. Portanto, o conceito de Formação Discursiva (FD) ganha espaço nos estudos sobre Análise do Discurso. Dessa forma, o conceito de FD representa uma preocupação central para a Análise do Discurso, pois aproxima o sistema linguístico da distribuição dos enunciados, ou seja.

A CONSTRUÇÃO DAS VONTADES: MÍDIA, PODER E PERSUASÃO

Entre tantos devires, afinal, o que é o discurso das mídias?

Nesse sentido, Charaudeau (2015) tenta desmistificar a ideia de que os meios de comunicação são exemplos de manipulação social porque, segundo o francês, ao tentarem manipular a sociedade, eles se manipulam tanto quanto se manipulam. Ou seja: esse setor busca discursos que jornalistas e editores coloquem em pauta. No segundo segmento encontramos a audiência real das notícias, porque a primeira estrutura consiste nos leitores que os jornalistas pensaram que seriam o seu público-alvo, e a estrutura secundária, por sua vez, consiste nos leitores reais que consomem informação mediática. e, além disso, interpretam as notícias de acordo com as suas próprias circunstâncias.

Sendo, portanto, impossível mensurar a quantidade e as formas possíveis de interpretação de um texto, conclui-se que as notícias são produzidas para alcançar “possíveis efeitos de sentido” que derivam de efeitos direcionados. Em termos de comunicação mediática, isto significa que cada artigo de jornal, cada afirmação nos noticiários televisivos ou radiofónicos, está repleta de efeitos possíveis, dos quais apenas uma parte – e nem sempre a mesma – corresponderá às intenções mais ou menos conscientes de, por exemplo, pessoas. os atores envolvidos do organismo de informação, e outro – não necessariamente o mesmo – corresponderá ao significado construído por este ou qualquer destinatário (2015, p. 28). Portanto, as três estruturas são definidas “cada uma em relação às outras como num jogo de espelhos, onde as imagens focam umas nas outras” (CHARAUDEAU, 2015, p.28).

Figura 5 (CHARAUDEAU, 2015, p. 23)
Figura 5 (CHARAUDEAU, 2015, p. 23)

A relação entre mídia, discurso e poder

A sua importância como ponto estratégico que é contestado pela apropriação, pois são espaços onde os interlocutores terão o seu ponto máximo de mediação (2003, p. 45). Assim, ao teorizar o poder, acaba falando em resistência, uma vez que os sujeitos encontram formas de resistir à dominação na rede de poder; não há disciplina, poder, dominação ou vigilância absoluta, pois as relações de poder são transitórias e, portanto, sofrem ruptura, permitindo que a docilidade do corpo seja trocada pela revolução, a ordem pela desordem. 68 Nesse processo, segundo Gregolin (2003), Foucault busca analisar as formas de resistência quando apresenta as relações de dominação e a intimidade entre poder e sujeito; onde nasceram.

Segundo Foucault, existem duas formas de ocorrência de formas de resistência: primeiro, lutam pelo direito à diferença, por diferentes formas de existência; na segunda frente combatem as formas de individualização, tudo o que pode causar o isolamento social do sujeito. Porém, nesta incansável relação de poder, segundo Foucault, temos características que não variam, pois toda estratégia de dominação pode ser superada por formas de resistência e, portanto, toda forma de resistência quer ser uma forma de poder. Portanto, a mídia, como forma de poder, mesmo sob as formas de dominação, ação disciplinar e influência, encontra resistência de indivíduos ou grupos que reivindicam o lugar de poder.

A MÍDIA COMO TABULEIRO: AS INTENÇÕES, O CONTROLE E O JOGO

Número Zero

A edição número Zero descreve as intenções da publicação, a composição da redação, a linha ideológica e uma entrevista com Celso Curi, que na época era acusado pelo Estado de violar os bons costumes e os bons costumes, como em público. ministério, escrever sobre a homossexualidade era um insulto direto à normalidade social. Em seguida, são apresentadas questões artísticas e literárias respectivamente, com Darcy Penteado escrevendo sobre as dificuldades de produção de arte erótica no Brasil, os preconceitos e principalmente a ausência do nu artístico masculino, que, segundo a autora, são os alicerces sexistas da sociedade brasileira. Porém, na edição Zero, os editores explicam que foram feitos vários convites, todos rejeitados.

Além disso, revelam que quando Winston Leyland, da Gay Sunshine Press, esteve no Brasil coletando material para uma antologia de escritores homossexuais latino-americanos, numerosos escritores recusaram o convite e outros nem sequer concordaram em conhecê-lo. Mas ainda assim, segundo os editores, as colunas da revista permaneceram abertas às vozes femininas, pois o feminismo era um dos assuntos abordados pelo jornal e as mulheres não podiam fugir deste tema. Como podemos esperar que eles vejam os animais como seres a serem preservados e cujos direitos sobre o mundo em que vivem são igualmente inalienáveis?

Figura 7 (LAMPIÃO, Nº Zero, p. 11)
Figura 7 (LAMPIÃO, Nº Zero, p. 11)

Aquenda, viado!

Os leitores pediam fofocas, histórias quentes e mais palavrões, porque queriam que o jornal fosse um reflexo mais do que perfeito do que acontecia nas saunas, boates e fofocas sobre estrelas gays. A segunda fase é assim caracterizada pela tentativa de desestabilização do jornal por meio do governo: Lampião foi indiciado inúmeras vezes e os editores foram convidados a depor na Justiça Federal. A 'bicha' está, portanto, sempre ligada às tarefas femininas, ao comportamento vulnerável, com voz fina, afeminada e instrumento sexualmente passivo.

O título da coluna, inspirado na palavra “Bicha”, é descrito por uma das colaboradoras de Lampião, Rafaela Mambaba (1978, p.12) como:. s.f. em Machês, palavra originada de bicha, s.i. substantivo indefinido), adicionado a mixórdia, s.f., mistura, bagunça. Durante sua publicação, a coluna promoveu o concurso “Bixordia”, onde os leitores que enviassem a palavra que melhor representasse o coletivo “bicha” ganhavam um ano de assinatura do jornal. O fato é, portanto, que podemos perceber uma diferença drástica entre a edição Zero e as últimas edições do periódico, desde o jornal intelectualizado, com poucas imagens e muitos textos, até o jornal com duplo sentido e muitas conotações sexuais.

Figura 8Edição 13 do Lampião
Figura 8Edição 13 do Lampião

Entrelaçando discursos

Ou seja, o autor busca nas memórias e práticas discursivas dos sujeitos-leitores, já que ele próprio vive, viveu e está imerso naquela realidade, os conselhos discursivos para a criação do discurso central. Ao usar um pronome possessivo, ele se aproxima muito mais do objeto e dos leitores. Além disso, podemos considerar o uso do referido pronome como uma postura discursiva clara que o autor encontrou para revelar aos leitores que fala em nome de um grupo de pessoas, uma minoria.

Nesse sentido, Michel Foucault (1979) vê nessas curvas discursivas o que chama de microfísica do poder, à medida que os significados estão dispersos pelo campo social. Porque o termo tias é utilizado de forma a desqualificar a imagem dos editores da revista, visto que se posicionam como. O corpo masculino, portanto, também funciona como um mecanismo polêmico, já que os leitores estavam insatisfeitos com a escrita chata e com o assunto acadêmico.

Figura 12 Lampião maio e junho de 1978
Figura 12 Lampião maio e junho de 1978

A insurreição dos sujeitos silenciados: as consequências discursivas do

Nas Exemplo: revista publicada no final de 1991, suas páginas tratavam da saúde e do bem-estar da população homossexual. Em suas páginas ficam claras as posições ideológicas dos editores: o ativismo social e a necessidade de aceitação da homossexualidade (RODRIGUES, 2007). Assim, segundo Trevisan (2000, p. 375), a G Magazine “tornou-se um fenômeno de vendas quando passou a publicar em suas páginas fotos de artistas, cantores, roqueiros, etc.

Em suas páginas, a revista criou um discurso de classe média com homens brancos e corpos musculosos. Em suas páginas podemos ver um discurso direcionado aos homossexuais de classe média e média alta, exaltando a imagem física musculosa e direcionando seu discurso aos homossexuais voltados para a moda. 102 Hugo Gloss é o pseudônimo do jornalista Bruno Rocha, que, além de seu próprio site, também nomeia suas páginas nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram).

Figura 17 Capa da Revista Sui Generis
Figura 17 Capa da Revista Sui Generis

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em entrevista a Rodrigues (2007), Carlos Moreira, um dos editores do Lampião, diz que os editores não tinham conhecimento de quem lia o mensal, mas Aguinaldo Silva, editor-chefe, acreditava que "era aquela pequena centelha dos subúrbios, do vislumbre da cidade, que não eram intelectualizados e que procuravam informação e queriam conhecer a história de uma forma e queriam um roteiro, não sei o quê” (citado em MOREIRA, 2005 por RODRIGUES , 2007, p. 66).Em nossas análises foi possível perceber que os discursos publicados nas páginas de Lampião cumpriam uma função e se articulavam como estratégias de resistência e produção de formações discursivas capazes de enfrentar a propagação do DF na sociedade que legitimava a opressão cotidiana, assim verificamos que a existência de Lampião retirou da invisibilidade, dos becos, dos guetos e da escuridão da noite, grande parte da comunidade gay que não existia e não tinha voz.

Assim, de acordo com esses apontamentos, entendemos que o fim de Lampião da Esquina não significou o fim de suas lutas, pelo contrário, vemos que as práticas discursivas e o DF criadas e difundidas por Lampião fertilizaram a sociedade para futuras transformações. A homossexualidade depois de Lampião passou a ser vista com outros olhos, os homossexuais retomaram o discurso ou, pelo menos, procuraram transformar em resistência. Dessa forma, levando em conta as ideias apresentadas nestas considerações finais, esta pesquisa – um trabalho que é ao mesmo tempo uma produção discursiva e ideológica – carrega em seu DNA os fios discursivos do Lampião da Esquina.

REFÊRENCIAS BIBLIOGRAFICAS

Lampião da Esquina trabalhou para produzir discursos que mudaram a forma como olhamos para a homossexualidade e falamos sobre a sexualidade, além de naturalizar e legitimar a existência de pessoas que discordam da suposta normalidade estabelecida pela ordem discursiva é distribuída. Tese de doutorado apresentada à Universidade Federal Fluminense, Centro de Estudos Gerais, Instituto de Letras, Rio de Janeiro, fevereiro de 2007.

Imagem

Figura 1 Ação do delegado José Wilson Richetti contra travestis, no centro de São Paulo
Figura 2 Capas do Lampião da Esquina
Figura 3 Peter Fry, João Silvério Trevisan, Celso Curi, Aguinaldo Silva, Francisco Bittencourt,  Gasparino Damata, João Antônio Mascarenhas e Darcy Penteado
Figura 5 (CHARAUDEAU, 2015, p. 23)
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Referências

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Enfim, não importa quem somos ou o que somos nos mais diversos espaços que adentramos. Mas sim, que relações conseguimos produzir com tais ambientes. A professora de