Abordamos a origem da universidade como instituição, alguns modelos universitários, bem como a universidade no Brasil e argumentos sobre o papel da universidade. A pesquisa aqui apresentada, sob o título “Universidade Empreendedora no novo modo de produção da ciência contemporânea: um estudo de caso da Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF”, tem como problema norteador responder à seguinte questão: a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) pode ser considerado um empresário.
Breve histórico da gênese da Universidade
- A Universidade Francesa
- A Universidade Inglesa
- A Universidade Alemã
- A Universidade Norte-Americana
O sistema universitário inglês é heterogêneo, afirmando que “não se pode falar de uma estrutura tipicamente britânica” (RIBEIRO, 1978, p. 57). Os pensadores idealizaram o modelo da universidade alemã, cujos pilares eram o nacionalismo, a valorização da ciência e a investigação empírica e indutiva (RIBEIRO, 1978, p. 60).
Universidades no Brasil
11 Inicialmente, a UFRJ chamava-se URJ – Universidade do Rio de Janeiro e era o resultado de um conjunto de instituições de ensino superior profissionalizante, com cursos de Medicina, Politécnico (militar) e Direito. Desde então, a CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, entidade vinculada ao MEC, passou, portanto, a avaliar regularmente os cursos superiores.
O Papel da Universidade
Na fala do professor, a ênfase deve ser colocada na importância da universidade como local de produção de conhecimento democrático, ao mesmo tempo que se deve atentar para a busca constante de conhecimento para comercialização. Assim, pode-se verificar que para o autor existe uma dicotomia entre os papéis da universidade moderna.
Um Novo Modo de Produção de Conhecimento
Contextualização do Novo Modo de Produção de Conhecimento
A mudança na forma de produzir conhecimento tem como principal característica a parceria entre empresas privadas e universidades, especialmente empresas públicas. É preciso refletir, pois o novo cenário que vivenciamos atualmente é repleto de nuances e traz inúmeras mudanças na forma de produzir conhecimento.
Modelos Teóricos do Novo Modo de Produção do Conhecimento
- A nova produção de conhecimento de Gibbons e outros
- O modelo da tripla hélice de Leydesdorff & Etzkowitz
- John Ziman e a ciência pós-acadêmica
A segunda principal característica do “modo 2” diz respeito a uma nova tendência de utilização de conhecimentos mais amplos, que deve ser considerada uma abordagem construtivista, a transdisciplinaridade19, ou seja, o resultado da interação entre diferentes disciplinas, que para Gibbons et al. 1994), é um ponto chave para o avanço do conhecimento, através do intercâmbio de especialistas. Os problemas estudados no “modo 1” são resolvidos num contexto em que a investigação básica e o conhecimento académico são decisivos, sem qualquer preocupação com a aplicabilidade prática do conhecimento gerado. No “modo 2”, a pesquisa ocorre no contexto de aplicação e como resultado conta com novos locais de produção de conhecimento, alguns vinculados à universidade: centros de pesquisa, incubadoras de empresas, órgãos governamentais, etc. 1994) apontam que os novos locais de produção de conhecimento são híbridos, pois envolvem especialistas e leigos, e têm como missão satisfazer os desejos dos diversos stakeholders, o que traz questões de gestão, onde a pesquisa deve responder a questões como "'o solução, se encontrada, será competitiva no mercado?', 'qual será o custo efetivo?', 'será socialmente aceitável?'” (GIBBONS et al., 1994, p. 8).
Segundo Neves (2009), o “modo 2” é o resultado da interação de diferentes disciplinas e, por reunir diferentes entidades com diferentes origens, torna-se “uma estrutura produtora de conhecimento mais responsável” (NEVES, 2009, p. 309). ), uma vez que o controle de qualidade por meio da revisão por pares, típico da ciência tradicional, é substituído pelo público de um "amplo espectro de interesses, de empresas a laboratórios, de associações de consumidores a governos, de empresas a agências reguladoras, e neste sentido produz e avaliações mais reflexivas" (NEVES, 2009, p. 309). Dadas as mudanças aqui apresentadas, o "modo 2" cria um novo ambiente em que o conhecimento flui mais facilmente através das fronteiras disciplinares, recursos humanos mais móveis e organizações de pesquisa mais flexíveis e abertas " (GIBBONS et al., 1994, p 20). Os autores trazem uma nova abordagem, com uma interpretação diferente de Gibbons et al. 'modo 2', que indica a importância das instituições historicamente envolvidas na produção de conhecimento: universidades, empresas e governo, e analisa, em particular, a interação entre entidades.
Apresentados os principais conceitos relacionados com a produção de conhecimento, focando especialmente a mudança na forma de produzir conhecimento através do “modo 2”, da ciência pós-académica e da hélice tripla, podemos assim constatar que têm consequências replicadas na universidade, já que é a instituição que mais apoia quando se trata de produção de conhecimento.
Consequências do Novo Modo de Produção de Conhecimento
Referindo-se à ciência pós-acadêmica, Ziman expressa apreensão quanto à agenda de pesquisa e sua qualidade. Uma das ferramentas emergentes no novo contexto de produção de conhecimento são as incubadoras de empresas. São reconhecidos como um dos responsáveis pela transferência de tecnologia das universidades e centros de pesquisa para a sociedade.
Um Parque Universitário de Investigação é um empreendimento que visa promover a relação entre a universidade (à qual está filiada) e o setor empresarial e industrial; Para tal, deverá possuir edifícios destinados a atividades de investigação e desenvolvimento científico, espaço de transferência de conhecimento, sempre visando o desenvolvimento da região onde o Parque está inserido. Stephen Hill e Tin Turpin (1992) chamam a atenção para um fenómeno que descrevem como “infiltração da cultura de mercado dentro da universidade”, com consequências desastrosas para a liberdade de investigação e para a imaginação científica.
Muitas outras observações sobre o tema e possíveis consequências da nova forma de produção do conhecimento são discutidas por autores renomados.
A Universidade Empreendedora
Independência: trata da não entrega da universidade, para preservar o caráter primário da pesquisa científica; Assim, dadas as características apresentadas por Clark, Audy e Etzkowiz, é possível concordar com a tabela abaixo, que compara a Universidade de Pesquisa (tradicional) e a Universidade Empreendedora. Universidade de Pesquisa Empreendedora Objetivo: ensino, pesquisa e extensão Mesmo + desenvolvimento econômico Forma de RH para academia e empresas não.
O grande destaque da lei de 2004 é a regulamentação da transferência de tecnologia de universidades e institutos de pesquisa públicos para empresas privadas (VIOTTI, 2008, apud IPEA, 2012). A nova definição de inovação de acordo com o “Quadro CTI” inclui tanto o conceito de novidade como de melhoria. Anteriormente, os departamentos públicos de pesquisa limitavam-se a contratar pesquisadores por meio de concurso público, pois era proibida a contratação temporária.
Ainda na logística de pessoal, agora é possível conceder visto temporário a pesquisadores beneficiários de bolsa de pesquisa concedida por órgão financiador, bem como a aqueles contratados ou a serviço do governo brasileiro.
Sobre a Universidade Estadual Norte Fluminense
A Diretoria de Inovação
05/2011 do conselho universitário (CONSUNI) da UENF, de 4 de novembro de 2011, onde tem como principais competências atuar como defensor e líder da política de inovação da UENF; atuar no desenvolvimento das relações universidade-empresa; gerenciar patentes e modelos de utilidade, registro de softwares, cultivares e marcas desenvolvidas pela UENF; manter banco de dados atualizado, conhecer as novas tecnologias a serem comercializadas (transferência de tecnologia), propor acordos de cooperação para esse fim e analisar, preparar, processar internamente na UENF e manter os acordos de cooperação firmados pela UENF. Dentro da função de gestão de contratos e convênios, a AgiUENF é responsável por analisar a adequação aos procedimentos internos e aos interesses institucionais da UENF, orientar os pesquisadores sobre como formalizar suas parcerias e manter atualizadas listas e planilhas48 dos contratos e convênios vigentes na UENF. O site informa que todo contrato ou convênio firmado pela UENF terá seu extrato publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, uma cópia será enviada ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e ao Estado A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação é o Magnífico Reitor da UENF o único que pode assinar convênios e contratos em nome da instituição, sendo que a assinatura só poderá ser feita após consulta aos órgãos previstos no estatuto da UENF.
Afirma ainda que os contratos e acordos estão sujeitos às normas da legislação aplicável aos acordos e contratos em nível estadual: Lei Estadual nº. 287/79; Decreto Estadual nº. 3.149/80 e lei nº. 8.666/93 e suas alterações (administra licitações e contratos administrativos). O contrato deve ser sempre acompanhado de um plano de trabalho detalhado que estabeleça as tarefas, prazos e valores, incluindo a forma como serão utilizados os fundos recebidos. Plano de trabalho Um plano de trabalho é um documento detalhado, tal como um projeto, mas de forma livre de apresentação.
O maior parceiro da UENF em 2014, com 17 desses negócios, mais de 30%, foi com a Petrobrás ou suas subsidiárias.
Sobre a pesquisa
Com as respostas foi possível comparar visões e conhecer o papel da universidade pública, bem como o papel e as características da universidade empreendedora na visão dos respondentes; bem como identificar quais laboratórios já firmaram parcerias com empresas privadas e como surgiram as parcerias. A quinta etapa foi a fase de tabulação e análise dos dados, obtidos por meio de questionários utilizando o programa de análise estatística SPSS. A análise dos questionários foi realizada por meio de técnicas de análise de conteúdo, que segundo Bardin (1977) deve ter respeitado as fases de pré-análise.
A análise de conteúdo é apenas um método de análise de texto desenvolvido nas ciências sociais empíricas. Embora a maior parte da análise de conteúdo clássica culmine em descrições numéricas de alguma característica do corpus do texto, considerável atenção está sendo dada a ela. Desta forma, a análise de texto forma uma ponte entre o formalismo estatístico e a análise qualitativa de materiais.
Na divisão quantidade/qualidade das ciências sociais, a análise de conteúdo é uma técnica híbrida que pode mediar esta discussão improdutiva sobre virtudes e métodos.
Análise de Dados
A terceira questão foi elaborada com o objetivo de captar a opinião dos gestores dos laboratórios da UENF sobre pesquisas científicas resultantes de parcerias entre universidades públicas e empresas privadas. Depois de querer saber sobre o papel da universidade pública na primeira questão, a quarta questão quer saber sobre o papel da universidade empreendedora na opinião dos gestores dos laboratórios da UENF. A quinta questão busca compreender como os gestores dos laboratórios da UENF veem o relacionamento da UENF com as empresas privadas.
A 'formação de alunos com senso crítico' é destacada como característica da UENF por 20% dos chefes de laboratório e seu valor é reduzido para 12% na universidade empreendedora. ‘Inovação’ raramente foi mencionada como característica da UENF (8%), enquanto mais da metade (52%) dos chefes de laboratório relacionaram o termo à universidade empreendedora. Onde se observa que a UENF, para os chefes de laboratório (60%), prioriza a autonomia para propor problemas de pesquisa, o que na universidade empreendedora é uma característica pouco lembrada (16%).
A autonomia na gestão da pesquisa é enfatizada por 16% dos chefes de laboratório como uma marca registrada da UENF, enquanto na universidade empreendedora ela o é. A décima questão é aberta e tenta descobrir qual é o entendimento dos responsáveis dos laboratórios da UENF sobre a palavra inovação. Parece então que os termos 'universidade empreendedora' e 'inovação', segundo os responsáveis dos laboratórios da UENF, são termos que podem ser confundidos.