Ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) por ser o órgão onde exerço minhas atividades profissionais; É sede da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Unidade de Conservação Federal localizada na planície costeira de Bragantina, nordeste do Pará, município de Bragança. Este trabalho tem como objetivo avaliar as alterações espaço-temporais decorrentes da criação da referida Unidade de Conservação.
30 Tabela 2 - Representação espacial das classes de uso do solo na Planície Bragantino, demarcação da Reserva Marinha Caeté-Taperaçu. 31 Tabela 3 - Representação espacial da classe MANGUEZAL nos limites da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. 35 Tabela 4 - Representação espacial da classe de áreas populacionais nos limites da Reserva Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA.
39 Tabela 5 – Demonstração espacial dos campos de areia nos limites da Reserva Marinha de Retirada Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. 41 Tabela 6 – Demonstração espacial da Classe Vegetação Secundária ou degradada, nos limites da Reserva Marinha de Retirada Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. 44 Tabela 7 – Demonstração espacial da classe “Praia/Baixa” nos limites da Reserva Marinha de Retirada Caeté-Taperaçu, Bragança-PA.
Geral
Específicos
Contexto baseado em políticas ambientais voltadas para áreas protegidas
Legislação com enfoque voltado para proteção do Ecossistema Manguezal e
Segundo Thiers, Meireles e Santos (2016), o novo Código Florestal Brasileiro (BRASIL, 2012) estabelece que as florestas e outras formas de vegetação existentes no território nacional são bens de interesse comum a todos os habitantes do país (Lei Federal nº. Art. 2º), que reforça o princípio da Constituição Federal de 1988, que no Art. II - Área de conservação permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, possibilitando o fluxo de genes da fauna e da flora, protegendo o solo e garantir o bem-estar das populações humanas (BRASIL, 2012, grifo nosso). Ressalta-se que, conforme comentado ainda por Thiers, Meireles e Santos (2016), a Resolução CONAMA nº. As Portarias 302/2002 e 303/2002 previram o conceito de APPs, e tais normas abordavam especificamente disposições sobre os parâmetros, definições e limites desta área.
No mesmo sentido, o antigo Código Florestal (Lei Federal nº Art 4), além de definir esse conceito, estabelecia as possibilidades de que a supressão de vegetação em áreas de APP pudesse ser autorizada em casos de utilidade pública, interesse social ou baixo interesse . . 8º A intervenção ou supressão de vegetação indígena em Área de Preservação Permanente somente ocorrerá nos casos de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental previstos nesta Lei. autorizado no caso de utilidade pública.
2. Intervenção ou supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente de que tratam os incisos VI e VII do caput do art. 4. poderá ser aprovado excepcionalmente em locais onde a função ecológica do mangue esteja comprometida, para execução de obras habitacionais e de urbanização, inseridas em projetos de regularização fundiária de interesse social, em áreas urbanas consolidadas e ocupadas por populações de baixa renda (grifo nosso) .
O Uso de Geotecnologias nas analises do uso e cobertura do solo
Classificação de imagens por sensoriamento remoto
- Técnicas de classificação supervisionada
- Técnicas de classificação não supervisionada
Em geral, as técnicas de classificação de imagens de sensoriamento remoto operam em uma determinada cena considerando suas diferentes bandas espectrais. Durante o processo de classificação digital podem ser distinguidas três fases: a fase de identificação da classe, a fase de atribuição de pixels a uma determinada classe e a fase que apresenta os resultados obtidos (RICHARD, 1986). Assim, é possível dividir as técnicas de classificação de imagens em três grupos principais: técnicas de classificação supervisionada, classificação não supervisionada e classificação híbrida.
Quando são utilizadas técnicas de classificação estatística, as amostras de treinamento devem ser grandes o suficiente para estimar as características espectrais da classe de interesse. A partir daí, no processo de classificação, todos os pixels, pertencentes ou não às amostras de treinamento, devem ser atribuídos à classe à qual a “probabilidade” de pertencer é maior, conforme menciona Lapolli (1994). Segundo Novo (1992), as técnicas de classificação supervisionada baseiam-se na disponibilidade de uma amostra representativa de cada classe identificada.
Essas amostras são informações sobre o comportamento médio das classes e podem ser chamadas de “pixels de treinamento” do sistema. Tais pixels de treinamento são, portanto, exemplos que o sistema de classificação toma como referência para decidir a qual classe cada pixel da imagem deve ser atribuído. Alguns dos métodos estatísticos mais conhecidos para classificação supervisionada são máxima verossimilhança, paralelepípedo e mínima distância, segundo Jensen (1986).
O autor destaca que dentre esses métodos, a máxima verossimilhança é o mais utilizado, pois assume que os níveis de cinza em cada classe seguem uma distribuição normal multivariada. A classificação não supervisionada é a opção mais adequada quando a área estudada é desconhecida ou quando suas características não estão bem definidas. Neste método de classificação, os padrões dominantes que ocorrem numa imagem são extraídos e agrupados “naturalmente”, definindo as classes existentes no terreno.
Alguns dos algoritmos de classificação estatística não supervisionada mais conhecidos são k-means, líder e pesquisa de pico de histograma. Uma vez identificados os picos, todos os valores observados são associados ao pico mais próximo.
Classificação de uso e cobertura da Terra
Para classificar as referidas imagens foi utilizado o método de 'classificação orientada a objetos', utilizando o segmentador multi-resolução do software e-Cognition Developer 64. Espindola e Câmara (2007) e Barbosa Junior (2017) relatam que o algoritmo de segmentação de o software e-Cognition® aplica a abordagem de crescimento regional, onde o critério de similaridade é construído com base no conceito de heterogeneidade interna da região. A partir da segmentação, o processo de classificação ocorreu inicialmente com a definição de Área Populacional, Manguezal, Vegetação secundária ou degradada, Praia ou restinga e Campos.
Definidas as classes e sua hierarquia, iniciou-se a seleção dos segmentos e indicações para cada uma dessas classes por meio do software e-Cognition. Tabela 2 – Demonstração espacial das classes de uso do solo na planície Bragantina, delimitações da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu. Essa classe incluiu instalações físicas, edificações, moradias, vias de acesso, pecuária e infraestrutura produtiva nas comunidades beneficiárias da RESEX.
Inclui também áreas de uso coletivo, agrupadas ou não, como escolas, centros de saúde, igrejas, zonas de lazer, habitações e espaços públicos. Esta classe incluiu o ecossistema manguezal, que consiste em sedimentos lamacentos colonizados principalmente por Ryzophora L. Esta classe incluiu áreas que, após serem submetidas à supressão ou invasão de sua vegetação original, estão em regeneração. Hidrografia Esta classe inclui áreas expostas a corpos d'água observáveis, tais como: rios, lagos e mar.
Esta classe incluía as salinas, conhecidas como "campos de Bragança", que são colonizadas por Eleucharias sp. juncus) e limitada à floresta degradada no Planalto Costeiro (SOUZA FILHO, 1996).
Caracterização da Área de Estudo
200 km a noroeste de Belém, caracterizada pela ação de macromarés que podem variar de 2,5 a 5,5 m no médio estuário, que também oferece duas estações climáticas bem definidas, sendo uma delas uma estação seca, que vai de julho a dezembro , e uma estação chuvosa, de janeiro a junho. Segundo Schwendenmann (1998), durante um período de dezessete anos de monitoramento, a região apresentou temperatura média de 25,9ºC, com período seco de agosto a dezembro. O regime de marés é semidiurno, subindo e descendo duas vezes ao dia por um período de cerca de 6,2 horas, além de um sistema de macromarés (4 a 5 m) com ciclo total de 24,5 horas.
Geomorflogia e geologia
Solos
Vegetação
Tabela 3 - Representação espacial da classe MANGUEZAL nos limites da Reserva Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. Tabela 4 - Representação espacial da classe de áreas populacionais nos limites da Reserva Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. Tabela 5 - Representação espacial dos campos de areia nos limites da Reserva Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA.
Tabela 6 - Representação espacial da classe de vegetação secundária ou degradada nos limites da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. Tabela 7 - Representação espacial da classe “Praia/Costa Arenosa” nos limites da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA. Tabela 8 - Representação espacial da classe hidrográfica localizada nos limites da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança-PA.
As imagens dos satélites Landsat 5 e 8 e os levantamentos de campo permitiram, assim, identificar, mapear e quantificar seis principais classes de uso e cobertura do solo na área da RESEX Marinha Caeté-Taperaçu. Verificou-se que a maior média de uso do solo na Reserva Marinha Caeté-Taperaçu se destaca pela ocupação por manguezal (classe manguezal), representando uma média de 224,45 km² da área de estudo de um total de 424,89 km2 em determinado período. 32 anos, que é o intervalo entre os anos de 1986 e 2018. De salientar que estas classes de utilização no período considerado representaram uma percentagem média de ocupação de 52% e 47% do território, respetivamente.
As Figuras 3, 4 e 5 mostram com mais precisão os percentuais de uso do solo na RESEX Marinha Caeté-Taperaçu nos anos determinados para este estudo, confirmando que não houve alterações significativas nesses percentuais entre as classes criadas. A utilização de imagens Landsat-5 e Landsat-8 permitiu a identificação e criação de mapeamento temático de seis classes de uso e cobertura do solo da RESEX Marinha Caeté-Taperaçu, a saber: hidrografia, manguezais, campos, vegetação secundária ou degradada, praia/ Bancos de areia e população da área. Os resultados mostram que a dinâmica das macromarés é um fator ambiental responsável pela perda e ganho de superfície na maioria das classes de uso da terra definidas.
Neste trabalho observou-se que a RESEX Marinha de Caeté-Taperaçu, ao longo dos seus 14 anos de existência, tem cumprido sua função socioambiental de garantir o uso e a conservação dos recursos naturais pelas populações tradicionais que a compõem. Dispõe sobre os parâmetros, definições e limites das áreas de preservação permanente dos reservatórios artificiais e o regime de uso no seu entorno. Dispõe sobre a criação da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, no Município de Bragança, no Estado do Pará, e dá outras providências.
O contrato de concessão de direito de uso beneficiará 1.845 famílias que vivem em unidades de conservação na Amazônia.