A pesquisa de campo, com enfoque etnográfico, ocorreu no distrito de Moatize, na província de Tete, região centro de Moçambique, entre março e junho de 2015. Para compreender as nuances e metamorfoses do conflito, realizei uma pesquisa de campo, com uma enfoque etnográfico11 realizado entre Março e Julho de 2015, no Distrito de Moatize, Província de Tete, Região Centro de Moçambique.
DEFINIÇÃO E CARATERÍSTICAS DE MEGAPROJETOS
Portanto, o crescimento e o desempenho dos megaprojetos são acompanhados de um conjunto de regulamentações e de um corpus de normas que viabilizam suas ações e intenções. De acordo com a classificação anterior, o conceito de megaprojectos mineiros enquadra-se nos megaprojectos mineiros.
GLOBALIZAÇÃO: CONCEITO E PROCESSO
Contudo, os meios de comunicação social que estão na vanguarda do processo de globalização e através dos quais o mercado global é orientado, prosperam e estão isolados do mundo pobre. Segundo os autores, a esfera econômica constitui a força motriz do processo de globalização e as demais esferas estão sujeitas a ela.
CONFLITO AMBIENTAL: CONCEITO E DINÂMICAS
Nessa ordem de ideias, os conflitos ambientais ganham força e configuração no paradigma hegemônico do “desenvolvimento”, que se caracteriza pela busca constante por matérias-primas para satisfazer as necessidades energéticas do mercado. Os conflitos ambientais são fruto de uma relação interna – a existência de um cordão umbilical – entre a sociedade e a natureza.
O “RESGATE” DO CARVÃO E O PAPEL DE MOÇAMBIQUE NA
A mineração em Moçambique
Além da guerra de libertação de Moçambique, houve outro factor que influenciou a conquista da independência nacional: o golpe de Estado ocorrido em Portugal em 25 de Abril de 1974. Do ponto de vista económico, entre a segunda metade do séc. Na década de 1970 e na primeira metade da década de 1980, Moçambique emergiu de uma guerra de libertação nacional que foi seguida por uma guerra civil e desastres naturais (secas frequentes que minaram a produção agrícola), e os efeitos das tendências na economia internacional tiveram consequências drásticas levando a uma crise económica. crise (a economia em claro colapso).
Megaprojetos em Moçambique: contexto atual
A título de ilustração, apresento o caso enigmático em torno do desvio do megaprojecto da Mozal. O pedido de desvio da Mozal desencadeou uma série de mobilizações e manifestações políticas de vários segmentos sociais.
Exploração de carvão em Moatize
Além dos “recursos hídricos”, o distrito possui enormes jazidas de carvão mineral, que já foram exploradas por vários megaprojectos ligados ao IDE, bem como pela mineração artesanal desde finais do século XIX. O conhecimento da existência de jazidas de carvão mineral em Moatize remonta ao final do século XIX e início do século XX. Fruto dos resultados favoráveis à exploração de carvão, o distrito tem adjudicado muitos projectos de extracção desde finais do século XIX, quando em 1985 a Companhia do Zambeze concedeu à Companhia Hulheira do Zambeze o privilégio de pesquisa, exploração, registo e exploração de minas de carvão .
A partir de 1983, devido aos ataques às unidades de produção e à sabotagem das estradas de drenagem causadas pela guerra civil, a produção de carvão foi interrompida.
O megaprojeto da Vale em Moatize
A Vale foi a primeira empresa a obter uma licença de exploração de carvão para os grandes depósitos de carvão na bacia carbonífera de Moatize, e iniciou a exploração em minas a céu aberto. A empresa Vale investiu em áreas complexas em Moçambique, como o complexo de minas de carvão na bacia de Moatize, a ferrovia de transporte de carvão ao longo da rota Tete – Nacala e o porto de transporte de Nacala. 20 Estima-se que as jazidas da bacia carbonífera de Moatize contenham 308,8 milhões de toneladas de carvão coqueável (o principal tipo de carvão produzido) e 74,4 milhões de toneladas de carvão térmico.
A crescente procura e utilização de carvão mineral nos países asiáticos tem levado à procura de novas fontes de “matéria-prima”.
COMO O CONFLITO SE TORNOU OBJETO DE PESQUISA?
Estas declarações trouxeram-me à memória insights provenientes da minha leitura de crónicas africanas que propagavam a ideia de “guerra com sucessivos intervalos de paz”, de uma só. No cenário da revolta em torno da Vale, o “recurso” procurado era o carvão e o “bode expiatório” eram as populações de Moatize, mas na altura, apesar do meu fascínio pelas questões subalternas e minoritárias, preferi considerar o conflito em torno da Vale algo marginal, por ser objeto de estudo “alienígena” e “incapaz” de despertar qualquer compromisso social expresso academicamente. A partir de então, o debate sobre a instalação da empresa Vale em Moatize começou a direcionar as minhas questões a ponto de se tornarem tema desta dissertação.
Tradicionalmente, a investigação etnográfica é estritamente confundida com a investigação em antropologia, ciência onde o conhecimento e a descrição dos outros23, pelas suas raízes epistémicas, levaram à adopção de um "ethos" com métodos e técnicas específicas que permitiram a enunciação de formas, outras aspectos da sociabilidade estudados ficaram “imunes” aos preconceitos e prescrições da cultura do pesquisador em relação ao seu “objeto” de pesquisa, o que pressupõe “formação”.
TRAJETOS DA PESQUISA DE CAMPO
Violando as recomendações
A unidade seis no bairro 25 de Setembro surge como parte do deslocamento da população classificada como urbana durante a fase de instalação da empresa Vale em Moatize. Cateme tornou-se o local essencial para discutir o fenómeno da deslocalização da Vale para Moçambique. Durante a fase de cadastramento para implantação da Vale, um número menor da população do bairro foi realocado para áreas de reassentamento da Vale.
Relatos, reclamações e manifestações da população atingida representam operações críticas relacionadas à implantação da Vale.
Burocratização para a coleta de dados
No reassentamento de 25 de setembro
O colega Elmer me contou que durante uma pesquisa de campo, um dia decidiu ir ao assentamento no dia 25 de setembro para fazer um levantamento detalhado do local. No âmbito do inquérito para a instalação da Vala, o critério utilizado para determinar o perfil urbano dos agregados familiares foi a afirmação de que os agregados familiares eram fundamentalmente dependentes do trabalho assalariado, em vez da agricultura e outras actividades de subsistência. Durante a realocação do dia 25 de setembro, antes de qualquer interação com a população, procurei saber onde morava o secretário do distrito.
Durante a reunião, dois funcionários vestindo camisa verde, uniforme dos funcionários da Vale e crachá se aproximaram.
No reassentamento de Cateme
Depois de acompanhar os comoventes relatos da vizinhança e de familiares de algumas pessoas que retornaram à sua “área de origem” para retomar a produção e de alguma forma retomar o curso normal de suas vidas. Eu teimosamente continuei em frente e notei que havia uma trilha de carros na outra direção, depois de um tempo a floresta ficou mais rala e vozes podiam ser ouvidas de longe e de vez em quando me deparava com algumas pessoas que eu perguntava sobre Malabwe no local língua, disseram- eu já estava em Malabwe e se fosse um pouco mais longe encontraria a pessoa que me recomendaram. Durante a minha estadia, notei que havia menos de uma dezena de casas próximas, e mais adiante havia outras, notei que as pessoas que estavam lá já se estabeleceram há muito tempo, e eram pessoas de todas as idades, desde crianças em idade escolar. , havia também jovens, adultos e idosos.
Quando regressei à aldeia de Moatize, segui o caminho com algumas pessoas que se dirigiam à aldeia para vender parte da sua produção agrícola, peixe, esteiras, peneiras e cestos entre outros produtos.
No bairro de Bagamoyo
Além da relocalização, a empresa Vale registou residentes que produziam tijolos (oleiros) e agricultores que exerciam a sua actividade dentro da área de concessão, com o objectivo de atribuir uma indemnização pela interrupção da sua actividade de subsistência. Atualmente existe uma rede de vedação que limita a área de concessão e condiciona a circulação de pessoas e o desempenho das suas principais atividades de vida. Quando comecei minha pesquisa de campo, a malha da cerca já estava instalada, mas sempre havia aberturas que davam aos moradores de cada bairro acesso ao interior da área de concessão, mas ficamos surpresos ao ver máquinas funcionando na manhã de domingo.
Outro grupo protestante é constituído por pessoas que praticam e/ou realizam parte da sua actividade de subsistência dentro da zona de concessão e que reivindicam o direito a indemnização, uma vez que, ao contrário do primeiro, nem sequer receberam indemnização.
Notas de encerramento e prolongamento do campo
No capítulo anterior descrevi o percurso metodológico da pesquisa de campo, ao mesmo tempo em que procurei mapear os atores e sujeitos envolvidos no conflito que envolve a empresa Vale. O conflito em análise diz respeito às consequências sociais e ambientais resultantes da instalação da empresa Vale e da deslocação forçada da população abrangida pela concessão do projecto carbonífero. A instalação e presença da empresa Vale em Moatize tem sido epicentro de polémicas e confrontos entre as populações deslocadas e a referida empresa.
A localização e presença da Vale em Moatize afectaram uma rede heterogénea de actores e as suas práticas sociais e/ou actividades de subsistência.
O silêncio da Vale e constrangimentos metodológicos
QUADRO TEÓRICO-CONCEITUAL
Contexto da emergência da sociologia pragmática da crítica
De uma forma ou de outra, isto constitui o quadro paradigmático que distingue a sociologia pragmática da crítica às teorias anteriores. Esta afirmação explica a diferença essencial entre a sociologia da crítica e a sociologia pragmática da crítica. Se a primeira que me refiro à sociologia crítica era alheia à capacidade crítica dos atores sociais e cabia ao sociólogo recolher o mundo dos atores para criticá-los, pelo contrário, a sociologia pragmática da crítica está focada na compreensão as competências que os atores comprovam, quando se envolvem em críticas.
Segundo Jacquemain (2001), a distinção entre a sociologia crítica e a nova sociologia – esta última menciona a sociologia pragmática da crítica – é que, enquanto a primeira com concepção determinista busca reduzir os atores a “autômatos sociais”, ao contrário da segunda. , este último visa principalmente descrever a forma como as pessoas em situação de disputa e desacordo se expressam sobre a justiça ou a injustiça, reconhecendo assim a agência e a capacidade crítica das pessoas comuns.
Uma sociologia da capacidade crítica
Com essa descoberta, de conhecimento da população, cria-se o espectro de que somente com o bloqueio da rota de escoamento do carvão da Vale as demandas da comunidade serão atendidas. Este facto contradiz a classificação (rural ou urbana) que foi atribuída à população durante a fase de registo populacional. Este facto levou a empresa a solicitar ao governo local informações sobre outras áreas disponíveis para reassentamento populacional.
A instalação e funcionamento da empresa Vale em Moatize implicou a deslocação forçada da população local, que por razões sociais e históricas se instalou no local, actualmente sob concessão e acção da empresa.
Gramáticas ambientais e a justificativa ecológica
MINERAÇÃO DA VALE E SUAS DINÂMICAS NA ESFERA SOCIAL E
Denúncias às consultas comunitárias
A participação dos moradores na escolha do local para onde seriam realocados representa um dos momentos de consulta e “estabelecimento de (des)confiança” entre as partes envolvidas. Apesar da resistência/rejeição da população em assumir o novo local, isso não surtiu o efeito desejado. Estas actividades, além de serem práticas rotineiras da população, a sua proximidade às vias de acesso à Vila de Moatiza e o facto de Inhangoma 2 estar mais próximo da Vila de Moatiza, permitiriam a comercialização da produção da população.
As reclamações e críticas da população afectada mostram que desde o processo de consulta até ao processo de escolha de um local para reassentamento, dominaram a vontade da comunidade empresarial, a aliança entre as empresas e o governo, as ambições e expectativas sociais (fracassadas) das pessoas afectadas.
Reassentamento crítico como crítica ao reassentamento
Na verdade, as famílias tinham recebido apenas um hectare até ao início de 2013, na sequência de sucessivos protestos dos reassentados exigindo o segundo hectare de terra prometido à população e de reclamações sobre a falta de produtividade do primeiro hectare de terra. recebeu o valor monetário de 119 mil meticais como compensação pela “compra31” de uma fazenda. Este facto tem a ver com o facto de com a chegada dos reassentados, parte das suas terras, a sua principal actividade de subsistência, lhes ter sido retirada para a construção de habitações e outras infra-estruturas sociais. No ponto anterior discuti as reclamações dos reassentados relativamente ao reassentamento da Vale em Moatize.
As reclamações dos actores foram divididas em dois subpontos: o primeiro diz respeito ao envolvimento da população nas diferentes fases da consulta comunitária, o que permite questionar o seu envolvimento activo e objectivo no processo como um todo, e ligado ao em primeiro lugar estão as reclamações das pessoas reassentadas em relação às circunstâncias e.
A consulta comunitária foi o fato: processo de justificação da crítica
A empresa afirma que este facto significa que “a inclusão e o serviço comunitário sempre fizeram parte da política da empresa”, como diz. A pesquisa buscou analisar a ocorrência de operações críticas e suas justificativas no conflito entre os moradores locais de Moatize que foram deslocados à força para dar lugar à instalação da Vale. No caso do megaprojecto da Vale em Moatize, a sua localização e presença criaram um conjunto de processos e dinâmicas heterogéneos a nível local.
Portanto, a análise das causas profundas que cercam o conflito ambiental provocado pela instalação da empresa Vale em Moatize é indissociável da compreensão do momento histórico, das expectativas económicas e das projeções políticas que o boom mineiro representou na retoma da atividade extrativa e exploratória. de minerais. carvão em Moatize pela empresa Vale e o horizonte futuro – investimento em “recursos” – que se abriu dentro das matérias-primas.
Credencial de identificação emitida pela Direção provincial de Recursos
Credencial carimbada com as datas de entrada do escritório da empresa Vale
Transcrição do despacho do presidente do conselho municipal de Moatize
Credencial emitida pelo governo distrital de Moatize autorizando a deslocação